sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Crítica: Happy Feet 2 - O Pinguim (Happy Feet Two, 2011)

Continuação do vencedor do Oscar, "Happy Feet" de 2006, o filme australiano, dirigido novamente por George Miller, vem para mostrar o alto nível que as animações chegaram, com perfeição nos detalhes que alcançam a perfeição, por outro lado, também vem para provar a carência que o gênero vem sofrendo em relação aos roteiros.

por Fernando Labanca

Na sequência, vemos Mano (Elijah Wood) e Gloria (P!nk) já bem crescidos, vivendo felizes na comunidade dos Pinguins Imperadores, ao lado do amigo Ramon (Robin Williams) e agora, cuidando do filho Erik. Erik, porém, possui uma característica muito forte de Mano, a de sempre questionar a vida, e desde pequeno começa a se perguntar o porquê dele ter que cantar e dançar como todos os outros, eis que influenciado por Ramon, que também não se sente parte dos Imperadores, vai conhecer um outro grupo de pinguins, é onde conhece Sven (Hank Azaria), um pinguim idolatrado por todos e que voa e que ensina uma lição valiosa para Erik, a de sempre acreditar nos seus desejos para que eles possam acontecer.

Até que um acidente natural acontece, e todos os "imperadores" ficam presos, e por serem os únicos do lado de fora, Mano e Erik, passam a procurar ajuda de outros grupos, procurando por solidariedade. É neste momento, também, em que os valiosos ensinamentos e os talentos de Sven são colocados em teste. 


Como disse anteriormente, "Happy Feet 2" peca justamente em seu roteiro, e infelizmente, peca feio. Nem mesmo o alto nível da animação consegue disfarçar o erro. O longa não trás absolutamente nada de novo, muito do que ocorreu no primeiro retorna, mas sem a mesma força, os conflitos pessoais de Mano agora são os mesmos só que de seu filho, Erik, além das mensagens que vemos em todos os outros filmes de animação, como solidariedade, a união de raças diferentes, a luta pelos sonhos, além é claro, da importância das diferenças. O que vemos na história, é uma tentativa um tanto quanto insistente dessas mensagens, que surgem do nada, tentando tapar o buraco deixado pela inexistência de um bom roteiro, uma boa idéia. A verdade é que nada acontece no filme, é uma sequência de belas imagens mas sem nenhuma boa história sendo contada, e as poucas coisas boas que surgem, como por exemplo a dupla de "camarões" Bill e Will the Krill (Brad Pitt e Matt Damon), que me pareceram uma alusão à homossexualidade, trazem pensamentos existencialistas bastante complexos, mas que não são tão bem explorados. Aliás, há muito existencialismo em "Happy Feet 2", mas os roteiristas infelizmente não exploraram este potêncial, ou seja, temos a certeza de que há pessoas inteligentes por trás do projeto, mas que por algum motivo resolveram ir pelo caminho mais fácil e entregaram um trabalho preguiçoso, nada inovador.

O lado positivo são as técnicas avançadas de animação, a riqueza de detalhes, a textura dos animais, as cenas na água chegam à perfeição, o que é quase impossível, os detalhes da neve, enfim, é de deixar qualquer um que goste do assunto de boca aberta, o filme chega ao ápice da perfeição, o que espanta, pois o filme é da Warner, distribuidora que pouco aposta no gênero. O filme é salvo também por alguns diálogos inspiradores, por vezes, clichê, mas boas intenções são sempre válidas, como "Ás vezes é preciso regredir para seguir em frente", entre outras, como também as discussões de Bill e Will que surpreendem pelos pensamentos um tanto quanto complexos. Além, das cenas musicais que são sempre bem-vindas, mas que infelizmente não aparecem tanto, destaque principalmente para a cena final ao som de "Under Pressure" do Queen, simplesmente fantástica.

Em suma, faltou muita coisa em "Happy Feet 2", está muito longe de ser como o primeiro, que é muito superior. Não há nada que vemos na tela que justifique sua realização, um filme preguiçoso, sem idéias, por muitaz vezes cansativo simplesmente por não apresentar nenhuma história. Bela imagens, efeitos incríveis, animação rica que alcança a perfeição, personagens carismáticos mas que perdem o brilho pela ausência de uma boa trama, além de possuir uma ótima trilha sonora assinada por John Powel, destaque também pelos efeitos sonoros, muito bem realizados. 


NOTA: 5


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