terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Crítica: Namorados Para Sempre (Blue Valentine, 2010)

Indicado ao Grande Prêmio do Juri no último Festival de Sundance e também indicado ao prêmio de Melhor Atriz para Michelle Williams no Oscar e Globo de Ouro 2011, "Namorados Para Sempre" trás uma trama forte sobre um intenso relacionamento, mas sem as mentiras de um filme de romance qualquer e com as dolorosas verdades da vida real.

por Fernando Labanca

Dirigido por Derek Cianfrance, o longa conta com as atuações de dois grandes atores em ascensão, Ryan Gosling e Michelle Williams. Na trama, conhecemos Dean e Cindy, casados, com uma pequena filha, que passam por alguns problemas pessoais e tentam encarar a triste rotina de um casal, enfrentando suas diferenças e incertezas. Para tentarem se livrar um pouco da dor da vida real, alugam um hotel "beira de estrada", visando salvar o casamento desgastado, é neste mesmo hotel, que o passado volta às suas mentes e passam a refletir sobre onde foi parar aquele amor de juventude. 

Dois jovens, que acabam se encontrando por acaso. Dean se apaixona loucamente, vê em Cindy seu futuro e promete a si mesmo que reencontraria com ela e se casaria com ela. O destino os coloca novamente juntos, passam a se conhecer, vem a paixão, a felicidade, uma gravidez não planejada, começam a vir as incertezas, começam a descobrir os defeitos de cada um, um rumo sem volta que os guiou até aquele hotel. E no presente, tentam encontrar naquele amor do passado forças para seguirem em frente.

 

"Você machuca aquele que ama, aqueles que não deveria machucar". Assim canta Dean em determinada cena ao lado de Cindy, sem se darem conta de que estavam fadados a cometerem tal erro, erro que muitos casais cometem. "Blue Valentine" (no original) nos mostra essa triste verdade, não vemos na tela aquele casal apaixonado e momentos de extrema felicidade, nem promessas falsas de amor eterno, vemos Dean e Cindy, um casal como outro qualquer, que erra, que sofre, que machuca. Aliás, são poucas as cenas que vemos um casal feliz, trata-se de um filme melancólico, doloroso, não chega a ser triste, mas incomoda, dói, nos faz refletir sobre os relacionamentos, e como o amor, a paixão, nem sempre são sentimentos eternos.

É muito interessante o desenvolver deste roteiro, sem uma ordem cronológica, dando muito mais charme, o tornando ainda mais impactante, vemos o passado e presente, conseguimos analisar como eram e como ficaram, como começou o amor ao mesmo tempo em que vemos ele sendo desgastado, e por muitas vezes é assim que funcionam os casais, parece que esquecem o que foram no passado, perdem a essência daquela paixão, e no filme, vemos em pequenos detalhes, pequenos diálogos, exatamente, aonde este amor ia se perdendo.

As atuações são fantásticas. Ryan Gosling provando ser um dos grandes atores de sua geração, mas é Michelle Williams quem acaba brilhando mais, é uma performance admirável, soube passar os estranhos sentimentos dessa personagem um tanto quanto complexa, além de mostrar apenas através de seu olhar e de suas expressões, o passar dos anos, há uma diferença em sua postura, vemos um olhar muito mais cansado no presente, é realmente belo o que a atriz nos proporciona, muito merecido sua indicação ao Oscar. 

"Namorados Para Sempre" peca nos momentos de conflitos, onde o roteiro parece se limitar um pouco a frases como "não aguento mais" "vai embora", não há uma discussão de verdade, onde os dois colocam os verdadeiros sentimentos para fora, senti um falta disso, acho que a trama merecia este momento. Mas no geral, o casal de protagonista convence, é um filme difícil, tenso, pesado, foge e muito dos clichês de romance, é uma ótima alternativa para quem espera por uma história de amor real. Também vemos em cena, uma boa trilha sonora e uma ótima direção Cianfrance, que nos mostra este relacionamento de forma crua, claustrofóbica. Recomendo. 

NOTA: 8,5




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