Mostrando postagens com marcador Emmanuel Lubezki. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Emmanuel Lubezki. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Crítica: Cavaleiro de Copas (Knight of Cups, 2015)

Quando a beleza e superficialidade coexistem.

por Fernando Labanca

Lançado oficialmente no Festival de Berlim no qual ainda concorreu ao prêmio de Melhor Filme, "Cavaleiro de Copas" marca mais um passo atrás na carreira de Terrence Malick, que se distancia cada vez mais do primor de seu próprio modo de fazer cinema. Essa é a prova concreta de que até mesmo para Malick é difícil ser Malick, que tenta ao longo de tortuosos 120 minutos, reprisar seus próprios acertos. Não consegue e acaba oferecendo uma obra oca, que chega com a pretensão de expressar muita coisa, mas nada diz, nada faz, caminhando em um ciclo sem fim de narrações em off e personagens superficiais, que trilham melancólicos proferindo palavras belas rumo a lugar algum.

A proposta de Malick aqui é confusa, ainda que bem intencionada. Sem ter escrito um roteiro, apenas diálogos aleatórios para seus atores, não permitiu que nem mesmo eles soubessem do que se tratava a obra. Christian Bale, que encara o protagonista, não diz nenhuma palavra em cena e já confessou que ao longo das gravações não sabia sua função ali. Logo, "Cavaleiro de Copas" é uma junção de várias sequências que não possuem lógica ou um arco narrativo e são unidas pelas narrações dos indivíduos ali mostrados. Dessa forma, são inúmeros cortes, cenas perdidas e vozes sussurrando frases como "diz para montanhas Perdoe-me" ou "O que nós somos agora?", buscando erroneamente dar alguma profundidade a tudo aquilo. Pura pretensão de Malick, que faz uma bela poesia, mas esquece de todo o resto, inclusive o próprio público.


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Crítica: O Regresso (The Revenant, 2015)

O filme com maior número de indicações ao Oscar deste ano, "O Regresso" é o breve e surpreendente retorno de Alejandro González Iñárritu, em uma obra marcada por sua belíssima filmagem e pela irretocável atuação de Leonardo DiCaprio.

por Fernando Labanca

Digo breve retorno pelo fato de que faz pouco tempo que fomos presenteados com "Birdman", último trabalho do diretor mexicano. É estranho pensar que ele tenha conquistado a proeza de entregar duas obras tão complexas em um período tão curto, aliás, quase nunca um diretor entregou dois filmes favoritos ao Oscar em dois anos seguidos. E em seu retorno, Iñárritu oferece mais um trabalho grandioso, com inúmeras dificuldades e por isso é tão fascinante poder assistir "O Regresso" nos cinemas, seja pelo som, pelos incríveis efeitos visuais e principalmente pela qualidade das imagens, surreais de tão belas. Acredito que desde "A Árvore da Vida" de Terrence Malick não via um filme visualmente tão incrível quanto. Curiosamente, o diretor de fotografia é o mesmo, Emmanuel Lubezki, com quem Alejandro já havia trabalhado em "Birdman". Por coincidência ou não, por inspiração ou não, vemos na tela muitas características de Malick também, principalmente de seu filme "O Novo Mundo", de 2005. Toda sua produção remete à obra, desde as paisagens, os figurinos, à toda a composição deste universo, deste encontro do homem com a natureza, do personagem que se infiltra para viver com os nativos, da paixão que nasce ali. Ele ainda resgata do cineasta norte-americano este estado de contemplação, neste cinema que encontra beleza em tudo aquilo que é natural e nos deixa a vontade, observando e admirando tudo o que nos vem pela frente.


Outras notícias