quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Filmes vistos em outubro




Começo hoje uma nova coluna aqui no blog. Como costumo assistir alguns filmes por mês e não dou conta de fazer a crítica de todos eles, vou tentar fazer um apurado de tudo o que vi, com pequenos comentários. 



A Assassina 
(Nie Yinniang / Taiwan, China, França, Hong Kong / 2015)

Vi vários sites indicando que este era um dos melhores filmes do ano, além de ter, curiosamente, entrado na recente lista da BBC sobre os "100 melhores filmes do século 21". Foi impossível não criar expectativas diante de tudo isso, logo a decepção foi grande. Um sonífero dos bons, que não empolga e não cria nenhum elo entre o público e aquilo que está sendo contado. Longo, cansativo e bastante enfadonho. A única coisa boa é seu deslumbrante visual. A fotografia, os cenários e figurinos são um espetáculo.



A Vida de Outra Mulher 
(La Vie d'une Autre / França, Bélgica / 2011)

Mais uma visita na Netflix, o drama francês protagonizado por Juliette Binoche é bastante raso. Ela vive uma mulher que perdeu a memória dos últimos anos e acorda como se ainda estivesse no início de um relacionamento, quando na verdade está vivenciando o fim. É até aceitável o foco do filme no romance, e ganha pontos pela deliciosa química entre a atriz e Mathieu Kassovitz, mas é vazio todo o resto de sua trajetória. A falta de reação da personagem diante dos acontecimentos tornam seu roteiro bastante frágil.



Bem-vindo à Vida
(People Like Us / EUA / 2012)

Descobri em uma tarde de domingo visitando a Netflix. É leve, tem até uma história interessante mas não é nada muito memorável. Para se ver a tarde mesmo sem nenhum compromisso e esquecer logo depois. É uma pena, porém, porque é nítido que a obra tinha mais potencial. Faltou um roteiro melhor elaborado aqui, já que bons personagens, atores e direção eles tinham. Vale pela química entre os sempre carismáticos Chris Pine e Elizabeth Banks.



Caça-Fantasmas
(Ghostbusters / EUA / 2016)



Gostei até mais que o original. É uma pena que muitos o encararam como uma ofensa ao clássico de Ivan Reitman (que aqui assina como produtor). Não é. Bem pelo contrário, existe um respeito enorme ao primeiro. Divertido e empolgante, o filme veio para a calar a boca daqueles que acharam que protagonistas mulheres não dariam contam. O quarteto formado por Kristen Wiig, Melissa McCarthy, Leslie Jones e Kate McKinnon fez bonito em cena e mostrou, mais uma vez, que SIM! Mulheres também são engraçadas. Destaque, também, para os bons efeitos visuais e para a participação hilária de Chris Hemsworth.



Decisão de Risco
(Eye in The Sky / Reino Unido, Irlanda do Norte, África do Sul / 2016)

Uma das surpresas deste ano, o longa traz no elenco nomes interessantes como Helen Mirren, Aaron Paul e Alan Rickman em seu último papel no cinema. A trama gira em torno de decisões extremas feitas por Governos distintos em uma arriscada missão no Quênia. Intrigante, o filme traz discussões válidas sobre os dilemas morais dentro de uma guerra. Belo final. 



Muito Barulho Por Nada
(Much Ado About Nothing/ EUA, Reino Unido, Irlanda do Norte / 1993)

Baseado no clássico de Shakespeare, resolvi arriscar enquanto caminhava pelo catálogo da Netflix. Dirigido por Kenneth Branagh que prova, mais uma vez, entender sobre como conduzir bem uma obra vinda de um clássico. Uma comédia requintada e teatral, que às vezes perde a mão no exagero, mas sem deixar de divertir. Alguns personagens parecem avulsos e algumas subtramas são resolvidas de forma rasa. No mais, acaba valendo principalmente por seus brilhantes atores. Emma Thompson, inspiradíssima, dividindo a cena com um divertido e despojado Branagh, que aqui também atua.



Os Pássaros
(The Birds / EUA / 1963)



Nunca é tarde para encontrar os clássicos e neste mês me aventurei a conhecer um marco na carreira de Hitchcock. Confesso que me decepcionei bastante, ainda que seja uma obra aclamada do diretor. Apesar da bela condução e do interessante clima que constrói, me irritou intensamente as atitudes tolas da protagonista. Não tem muito cabimento toda sua trajetória, chegando a ser risível algumas soluções dadas pelo roteiro. Mas enfim, é clássico, todos amam. No entanto, não consegui enxergar essa obra-prima que todos enxergam.



Olmo e a Gaivota
(Olmo and The Seagull / Brasil, Dinamarca, França, Portugal / 2015)

Depois do belíssimo e poético Elena (2012), a diretora Petra Costa se arriscou em mais um documentário. Sua proposta aqui é mais confusa e ainda mais egocêntrica, se colocando sempre a frente mesmo quando a história contada não é mais sua. É, ainda assim, bastante sensível seu olhar sobre a jornada de uma mulher que precisa abandonar sua carreira para cuidar da gravidez, período que também encontra a depressão. Suas intenções são puras e relevantes, mas incomoda quando a ficção toma conta da realidade e já não sabemos a veracidade de tudo aquilo. Até que ponto é encenação? Até que ponto é sincero? É bonito, mas não consegui não me sentir ludibriado, enganado com todos os seus pretensiosos artifícios.



Os Caça-Noivas
(Mike and Dave Need Wedding Dates / EUA / 2016)

Uma vergonha alheia sem fim. Zac Efron, infelizmente, tem se especializado neste tipo de comédia, fazendo o tipo de sempre. Aliás, o elenco todo é feito por atores que interpretam sempre eles mesmos. Adam DeVine, Anna Kendrick e Audrey Plaza, que não se esforçam em fugir de seus irritantes trejeitos e fazem um enorme desserviço a suas respectivas carreiras. Sem graça, um filme 
para não ver.



Festa da Salsicha
(Sausage Party / EUA / 2016)



Resumindo: um filme desastroso da primeira à última cena. A ideia no papel, provavelmente, soava bem interessante. Uma animação adulta politicamente incorreta. Pena que esqueceram o público e a dupla de roteiristas Seth Rogen e Evan Goldberg jogaram tudo na tela, sem a intenção de criar um nexo ou algo que prenda a atenção. Seus personagens tolos caminham rumo a uma aventura sem cabimento, constrangedora, bagunçada e nada divertida.



Os Mais Jovens
(Young Ones / EUA / 2014)

Uma visão interessante sobre o futuro. Descrente e bastante pessimista, vemos uma sociedade decadente em uma terrível fase de seca. O contraste criado pelo diretor Jake Paltrow é visualmente muito rico, a tecnologia invadindo a vida vazia e pacata de seus indivíduos que parecem viver dentro de um filme de época. O jovem Kodi Smit-McPhee é o grande destaque. Perde pelo ritmo, que dá a sensação de ser muito mais longo do que realmente é.



Sexo, Mentiras e Videotape
(Sex, Lies and Videotape / EUA / 1989)

Um dos melhores que acabei conhecendo esse mês. Primeiro filme dirigido por Steven Soderbergh (fiquei bem surpreso ao descobrir isso!), o longa acompanha os encontros e desencontros de um casal que vive uma silenciosa crise e tem suas vidas abaladas com a chegada de um antigo amigo na cidade. Sensual, provocante e brilhante em cada diálogo, é aquele tipo de obra simples no formato, mas que encontra a grandeza em suas ideias e reflexões. Destaque para as ótimas atuações de James Spader e Andie MacDowell.



Kubo e as Cordas Mágicas
(Kubo and the Two Strings / EUA / 2016)



Tecnicamente falando, uma das animações mais belas do ano, sendo mais um avanço significativo para o stop motion. É brilhante cada saída inventada pelo estúdo Laika (Coraline, Os Boxtrolls), que entrega mais um produto requintado. Apesar da beleza, confesso que senti bastante sono ao seu decorrer. Sua trama até emociona, mas é simples demais para entreter todos os públicos. Infelizmente não fui fisgado da maneira que imaginei que seria. Mas é algo pessoal, muitos gostaram do resultado, então não leve meu comentário tão a sério, talvez não estava em um bom dia. Provavelmente darei uma segunda na chance no futuro.



E você? O que de bom viu em outubro?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe um comentário #NuncaTePediNada