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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Crítica: A Forma da Água (The Shape of Water, 2017)

A belíssima fábula de Guillermo del Toro e um dos filmes mais relevantes de sua carreira.

por Fernando Labanca

"Desde a infância eu tenho sido fiel aos monstros. Eu tenho sido salvo e absolvido por eles, porque os monstros em que eu acredito são os santos padroeiros da nossa feliz imperfeição e eles permitem e incorporam a possibilidade de falhar e de viver". Foi com esse discurso que o diretor mexicano recebeu seu prêmio no último Globo de Ouro e são com essas falas que nos deixa claro o quanto esses "monstros" que Del Toro criou durante sua carreira o salvaram. Ele sempre foi outsider em Hollywood, assim como suas bizarras criações que nunca receberam devida atenção da crítica, até agora. Quase nunca uma fantasia seguiu como favorito absoluto de uma importante premiação de cinema e é ótimo que isso, finalmente, tenha acontecido. "A Forma da Água" é um filme especial, tem algo a mais, longe de ser uma ficção vazia, parece dizer muito sobre tanta gente e justamente por isso pode causa uma identificação fácil. Parece um conto sobre esses outsiders, sobre aqueles que vivem à margem, sobre aquelas criaturas sem voz e que o mundo precisa ouvir.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Retrospectiva 2016 - Os Melhores Atores Coadjuvantes


Para finalizar os posts especiais com as melhores atuações de 2016, escrevo agora sobre os melhores atores coadjuvantes. Foi uma lista difícil de montar porque tivemos vários nomes para citar, então, com certeza, vários ficaram de fora. Tentei selecionar os que mais me marcaram, seja de um ator revelação, seja de um veterano no cinema...então espero que gostem dos selecionados.

por Fernando Labanca


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Crítica: Destino Especial (Midnight Special, 2016)

Se há aqueles que duvidam do potencial das ficções científicas atuais ou que o gênero perdeu a originalidade, "Midnight Special" vem para provar que ainda é possível reciclar ideias sem perder o frescor, sem subestimar o público. Trata se de uma obra sensorial, intrigante e que ao longo de seus belos minutos, conquista pela sensibilidade e pela comoção causada por sua trama.

Se em 2016 o grande achado da Cultura Nerd foi "Stranger Things", podemos dizer que "Destino Especial" não poderia ter vindo em melhor hora, logo que dialoga muito bem com os admiradores da série. Desde suas boas referências ao clima oitentista. Os projetos secretos do governo também estão lá e mais uma vez, um criança com habilidade sobrenatural é o centro de tudo. Uma das grandes diferenças, porém, está na condução do diretor Jeff Nichols, que foge da aventura familiar e constrói uma obra mais intimista, mais realista, flertando muito mais com a complexidade dos quadrinhos do que com as ficções de Spielberg. Aqui, ele também traz muitas características do cinema independente norte americano, remetendo aos seus ótimos trabalhos anteriores (Take Shelter, Mud), ainda que este seja seu primeiro filme financiado por um estúdio. Com baixo orçamento, o diretor faz aqui seu produto mais completo, onde a simplicidade de sua produção não o impediu de realizar algo grandioso, belo, tão intrigante quanto fascinante.


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Crítica: 99 Casas (99 Homes, 2014)

Quanto vale o seu sucesso?

por Fernando Labanca

Inspirado em eventos reais, "99 Casas" retoma a crise econômica que ocorreu em 2008 nos Estados Unidos e como o colapso nos bancos afetou o mercado imobiliário. Na trama, Rick Carver (Michael Shannon) é um corretor de imóveis, que dono de seu próprio e promissor negócio, encontrou algumas saídas para lucrar na crise e sobreviver no mundo capitalista (nem que para isso ele precise forjar alguns documentos). Sangue frio, ele não se afeta em ver famílias sendo despejadas de suas residências e é desta forma que seu destino cruza com o do jovem Dennis Nash (Andrew Garfield). Pai solteiro, ele também divide a casa com sua mãe (Laura Dern) e devido algumas dívidas, todos são obrigados e se retirar do lugar que viveram durante anos. Sem salário fixo e sem perspectivas para o futuro, Dennis acaba aceitando uma oferta tentadora de trabalho, vinda do próprio Rick Carver, o homem que lhe tirou tudo.


segunda-feira, 4 de julho de 2016

Crítica: Amor Por Direito (Freeheld, 2015)

Drama sobre direitos LGBT, revela mais uma atuação impecável de Julianne Moore, além de debater assuntos atuais em uma trama emocionante e bastante reflexiva.

por Fernando Labanca

Pouco divulgado aqui no Brasil, "Freeheld" é mais um drama que consegue arrancar uma atuação espetacular de Julianne Morre, no entanto, diferente do recente "Para Sempre Alice", longa que lhe rendeu o Oscar ano passado, este se sustenta além de sua brilhante interpretação. Aqui, ela dá vida a Laurel Hester, uma policial que, com o apoio de um grupo de ativistas, que na época já lutavam pelo direito do casamento gay, vai à justiça afim de conceder a sua esposa, a jovem Stacie (Ellen page), o direito de conseguir viver na casa que construíram juntas e receber sua pensão assim que morrer. Toda luta começa quando Laurel descobre que sofre um câncer no pulmão e suas chances de cura são mínimas, porém, por não ser casada com alguém do mesmo sexo, a instituição no qual passou anos de sua vida trabalhando se nega a pagar os benefícios a futura viúva, simplesmente por não reconhecerem a relação homoafetiva, o que no caso, é comum para casais heterossexuais.


segunda-feira, 22 de julho de 2013

Crítica: O Homem de Aço (Man of Steel, 2013)

O "Superman" é um dos heróis mais clássicos dos quadrinhos, o personagem que fora criado na década de 30 pela DC Comics já teve cinco adaptações para cinema, incluindo a quadrilogia estrelada por Christopher Reeve nos anos 70 e 80 e a tentativa mal sucedida de Bryan Singer em 2006 com "Superman - O Retorno". Já foi alvo de piadas e questionamentos sobre sua história não ter muita lógica e ao longo dos anos foi caindo no esquecimento ou no desgosto popular. Eis que sob o comando de Zack Snyder, diretor do excelente "Watchman" e com produção e roteiro de Christopher Nolan, o gênio por trás da nova trilogia do Batman, surge um herói renovado, pronto para conquistar um novo público e também pronto para agradar aqueles que há anos esperam uma produção decente para o personagem. "O Homem de Aço" é, com certeza, o melhor blockbuster do ano, até agora.

por Fernando Labanca

Primeiramente, é sempre bom deixar claro, não sou a melhor pessoa para falar sobre o herói. Nunca gostei do "Superman" e desde sempre, pouco me interessei por seus filmes e pelas HQ's, ou seja, não poderei nem comentar da obra como adaptação ou compará-la a qualquer outro filme feito. O lado bom disso é que este, mais uma vez, voltou às origens do herói, é um novo começo.

Voltamos ao início. O planeta Krypton vive um verdadeiro caos, é neste cenário que Jor-El (Russell Crowe) e sua esposa Lara (Ayelet Zurer) resolvem salvar o filho deles, Kal-El, o enviando para a Terra e junto com ele, uma importante informação genética de seu povo, indo contra ao cruel General Zod (Michael Shannon), que promete encontrar o tal filho enviado. Na Terra, a criança encontra um lar, com o nome Clark Kent, ele é criado por seus novos pais (Diane Lane e Kevin Costner), porém, quando criança já percebe que é diferente dos demais e desde então vive com algumas questões que o perseguem, sobre quem ele é, de onde veio e o que o futuro lhe reserva. Adulto, interpretado por Henry Cavill, ele tenta se adaptar, se escondendo, é assim que conhece a jornalista Lois Lane (Amy Adams), que ao perceber que existe uma chance daquele homem ser de outro planeta começa a investigá-lo. Eis que Zod retorna, anos depois, pronto para reencontrá-lo e coloca a vida de toda a população em perigo, obrigando Clark a encarar sua realidade, se colocar a frente e se mostrar como o verdadeiro herói que é mas que sempre teve medo de se aceitar.


Zack Snyder renova a jornada deste herói em diversas formas e tudo o que é acrescentado aqui, faz um bem enorme para o personagem. Do figurino mais sutil e realista, de um herói mais bem desenvolvido, conseguindo contar sua infância, seus conflitos, seus dilemas de forma rápida, mas profunda. A introdução feita em Krypton é sensacional, bem didática até, mas muito bem realizada, aliás, tem uma arte conceitual muito parecida com a de Alien, ficção científica clássica de Ridley Scott. Há muito de Christopher Nolan em cena também, sua seriedade e seu realismo estão presentes, a trilha sonora, fantástica, diga-se de passagem, composta por Hans Zimmer acentua esta impressão. Há também uma forte referência religiosa, que pode não ser clara a todos, mas ela é bem nítida, o homem de trinta e três anos, vindo de um lugar que desconhece, cuidado por pais que não o conceberam, é especial e destinado a grandes feitos, a esperança de toda uma população.

O que me impressionou nesta obra foi seu roteiro, tão bem cuidado e muito bem desenvolvido, raridade quando se trata de filmes de heróis. Os filmes da Marvel, por exemplo, seja "Os Vingadores" ou as sequências de "O Homem de Ferro" pouco se importaram com a história e como ela seria transmitida. Bom saber que ainda existe espaço e pessoas que ainda se preocupam com o roteiro. A recente trilogia de Batman provou isso, "O Homem de Aço" veio também, com a intenção, de trazer um conteúdo, não só efeitos especiais. Interessante a maneira como colocaram a infância de Clark na trama, em rápidos flash backs, conseguindo mostrar como cada ação do passado refletiu em suas escolhas no futuro, construindo assim, um personagem forte, assombrado por tantos enigmas, vivendo sob o fardo de que ele "é a resposta de que os seres humanos não estão sozinhos no universo" e que qualquer caminho que escolhesse em sua vida, seria responsável por mudar o mundo. Belo também é seu envolvimento com os "pais adotivos", seu pai que se recusa a vê-lo se tornando um herói com medo da reação das pessoas, o protegendo, e sua mãe que o acolhe a cada instante. A mocinha também é muito mais do que só "a mocinha", tem um papel ali na trama, é importante. E finalmente um roteiro que se preocupa em construir um vilão decente, Zod é bem trabalhado no filme e se destaca principalmente pela forte atuação de Michal Shannon. 

"O Homem de Aço" é longo, muitos até acharão ele parado em alguns instantes. Não vejo como defeito, foi necessário, há espaço para uma trama melhor desenvolvida, sem pressa, tendo uma dose correta de drama e ação. Gosto do silêncio do filme em algumas sequências, são nelas que Zack Snyder se destaca como um excelente diretor. Vejo Snyder nos bons cortes, nas tomadas bem cuidadas, milimetricamente bem pensadas e na calmaria é quando o roteiro mostra seu valor, nos bons diálogos, que muitas vezes são capazes de emocionar. São nesses momentos também que a bela fotografia e a eficiente edição se destacam. A obra perde um pouco de sua identidade e personalidade nas cenas de ação, elas aparecem em grande escala, é tudo muito grandioso, é tudo muito bem feito, aliás, os efeitos especiais estão ótimos, mas cansa, em algumas cenas, é até difícil entender o que se passa na tela, com o exagero de informação que há. Entretanto, entendo que existe um público a procura da ação desenfreada, ou seja, provavelmente será bem recebido pelo público mais e menos exigente.


Henry Cavill se encaixa bem como "Superman", não há uma grande atuação, mas ele faz bem o papel do herói e não decepciona. Michael Shannon trás, mais uma vez, uma ótima interpretação, é sem dúvida, o destaque do filme. Amy Adams é sempre incrível, pena que não teve muito espaço para mostrar seu talento, apesar de nos revelar uma Lois Lane mais interessante que o usual. O restante do elenco, todos estão bons, Diane Lane, Kevin Costner, Laurence Fishburne e Russell Crowe.

"O Homem de Aço" se firma como um dos bons filmes de herói que já fizeram. Tudo muito bem pensado, bem trabalhado. Zack Snyder trás para as telas uma obra completa, com efeitos especiais para ninguém por defeito somado a uma história muito bem contada, bem planejada. Não sou fã de "Superman" e nem de filmes de heróis, mas este, definitivamente, me conquistou, isso porque depois de tantos blockbusters que surgiu este ano prometendo uma coisa que não foi, finalmente me deparo com um filme tão grandioso e tão fantástico quanto parecia ser. Recomendo. 


NOTA: 9



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Crítica: The Runaways- Garotas do Rock (The Runaways, 2010)

As garotas do rock! Na década de 70, "The Runaways" fora a primeira banda de rock composta somente por mulheres, numa época onde os homens ainda tinham mais oportunidades, e no cenário musical, jovens garotas decidem quebrar as regras e fazer algo novo, dar voz aquelas que nunca eram ouvidas!

por Fernando Labanca

Filme baseado nas memórias da vocalista Cherie Currie, que fora interpretada por Dakota Fanning, onde divide a tela com Kristen Stewart interpretando Joan Jett, a que deu início a banda e que retorna a suas lembranças como produtora executiva do longa. "The Runaways" fora escrito e dirigido pela iniciante Flora Sigismondi.

A trama tem início quando Joan Jett (Stewart), uma jovem apaixonada por música no ano de 1975, entra em contato com um famoso produtor musical, Kim Fowley (Michael Shannon), um excêntrico homem capaz de fazer loucuras pelo sucesso de suas criações e vê em Joan um futuro promissor, o surgimento de algo novo, uma banda de rock composta por mulheres. Entretanto, a banda necessitava de uma publicidade maior, ou seja, um rostinho bonito, é quando num bar, Kim conhece Cherie Currie (Fanning), loira, autêntica e de uma beleza admirável. Ela faz alguns testes com a nova banda, tem dificuldades, mas "The Runaways" tenta se adequar a ela. Porém, enquanto Cherie mergulha de vez nessa vida de fama e rock n' roll, tenta sobreviver com o alcoolismo de seu pai, além de ter que sobreviver com o fardo de ser a musa da banda e ver os holofotes todos virados para ela.

Confesso que tinha expectativas muito altas quanto a este filme, pelo trailer, pelo clima nostálgico, Dakota Fanning, que sempre admirei bastante, mas infelizmente, "The Runaways" foi um desperdício do meu precioso tempo, não houve nada que me prendesse na obra. Começando pela história, que não inova em nenhum aspecto, reúne todos os clichês possíveis de cinebiografias musicais, desde o envolvimento com drogas, passando pelo destaque do vocalista criando conflitos com os demais integrantes, fama subindo a cabeça, enfim, nada que filmes como "Quase Famosos" e "The Wonders" não tenha mostrado. Nem mesmo a presença feminina neste cenário consegue criar um interesse maior, o roteiro não explora esta novidade, ou melhor, o roteiro não explora nada, tudo acontece de forma batida, repetição de outras obras.

A trilha sonora até tenta dar mais ritmo ao longa, mas a trama é tão preguiçosa, que nenhum elemento é forte o suficiente para reverter o fiasco. O figurino é um dos poucos pontos positivos, além do clima criado para contar a história, desde os cenários, as locações. A diretora Flora Sigismondi, é iniciante, é até complicado julgá-la, mas é nítido que "The Runaways" precisava de uma mãozinha mais experiente, principalmente no desenvolvimento da história.

Mas a decepção maior foi nas atuações. Atuações que poderiam ter salvo o filme, mas não salvou, muito pelo contrário, foi o elemento que faltava para denominá-lo de péssimo. O que falar de Kristen Stewart? Consegue ser pior a cada trabalho que faz, o que me surpreende, para onde vai a experiência de cada filme que ela realiza? É interessante notar a diferença entre Joan Jett e Bella Swan, entretanto, ela não consegue transmitir a força necessária para compor a personagem, não há atitude de uma roqueira, ela não consegue encarar ninguém, nem mesmo com as atrizes com que contracena, falta mais garra e força de vontade em fazer um trabalho com mais qualidade. Dakota Fanning me decepcionou bastante também, é doce demais para Cherie Currie, a ponto de ser estranho vê-la em cenas sensuais ou em contato com drogas, não demonstra afinidade com isso, parece deslocada, também não tem atitude e durante o filme inteiro demonstra insatisfação e vontade de querer terminar logo a cena (o mesmo que eu sentia, aliás). Dois pares de olhos que nada expressam. No elenco, destaco somente Michael Shannon, versátil e surpreendentemente incrível em sua performance.

História fraca, clichê, dos piores, aliás, com atuações lamentáveis, diálogos vazios em cenas cansativas que me fez torcer para o filme terminar depois de 20 minutos assistindo. Parecia um projeto promissor, mas foi só aparência mesmo, "The Runaways- Garotas do Rock" peca pela preguiça, preguiça das atrizes e principalmente na criação de uma história mais original. Em nenhum momento nos faz compreender o porquê de ter virado um filme. Não recomendo.

NOTA: 3


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