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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Crítica: A Forma da Água (The Shape of Water, 2017)

A belíssima fábula de Guillermo del Toro e um dos filmes mais relevantes de sua carreira.

por Fernando Labanca

"Desde a infância eu tenho sido fiel aos monstros. Eu tenho sido salvo e absolvido por eles, porque os monstros em que eu acredito são os santos padroeiros da nossa feliz imperfeição e eles permitem e incorporam a possibilidade de falhar e de viver". Foi com esse discurso que o diretor mexicano recebeu seu prêmio no último Globo de Ouro e são com essas falas que nos deixa claro o quanto esses "monstros" que Del Toro criou durante sua carreira o salvaram. Ele sempre foi outsider em Hollywood, assim como suas bizarras criações que nunca receberam devida atenção da crítica, até agora. Quase nunca uma fantasia seguiu como favorito absoluto de uma importante premiação de cinema e é ótimo que isso, finalmente, tenha acontecido. "A Forma da Água" é um filme especial, tem algo a mais, longe de ser uma ficção vazia, parece dizer muito sobre tanta gente e justamente por isso pode causa uma identificação fácil. Parece um conto sobre esses outsiders, sobre aqueles que vivem à margem, sobre aquelas criaturas sem voz e que o mundo precisa ouvir.


quinta-feira, 17 de março de 2016

Crítica: Steve Jobs (2015)

Brilhantemente escrito por Aaron Sorkin (A Rede Social) e dirigido pelo sempre competente Danny Boyle (Trainspotting), "Steve Jobs" é um filme fora do convencional e diferente do que se espera de uma cinebiografia, esta não tem a intenção de criar um herói por trás de suas criações e sim o homem, com todas as suas falhas, por trás de seu nome.

por Fernando Labanca

Fiquei bastante surpreso quando me deparei com "Steve Jobs". Apesar de sempre ter admirado o trabalho de Boyle como diretor e de já imaginar que Aaron Sorkin se recusaria a entregar um texto ordinário, cinebiografias são sempre cinebiografias e no fundo, pensava que esta não seria diferente, iriam glorificar seu nome assim como as pessoas e a mídia o glorificavam. Que interessante ver que justamente "seu filme", que tinha o espaço e chance para isso, decidiu seguir outro caminho e longe de tantas histórias reais sobre homens importantes, esta não esconde suas falhas, seus erros diante de tantas conquistas, seja por sua ausência como pai, seja por seu estranho comportamento diante dos outros. E este é o grande acerto da obra, não só conseguir fugir das armadilhas do gênero, como entregar algo muito além do que se esperava de um filme sobre Steve Jobs.


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