segunda-feira, 4 de julho de 2016

Crítica: Amor Por Direito (Freeheld, 2015)

Drama sobre direitos LGBT, revela mais uma atuação impecável de Julianne Moore, além de debater assuntos atuais em uma trama emocionante e bastante reflexiva.

por Fernando Labanca

Pouco divulgado aqui no Brasil, "Freeheld" é mais um drama que consegue arrancar uma atuação espetacular de Julianne Morre, no entanto, diferente do recente "Para Sempre Alice", longa que lhe rendeu o Oscar ano passado, este se sustenta além de sua brilhante interpretação. Aqui, ela dá vida a Laurel Hester, uma policial que, com o apoio de um grupo de ativistas, que na época já lutavam pelo direito do casamento gay, vai à justiça afim de conceder a sua esposa, a jovem Stacie (Ellen page), o direito de conseguir viver na casa que construíram juntas e receber sua pensão assim que morrer. Toda luta começa quando Laurel descobre que sofre um câncer no pulmão e suas chances de cura são mínimas, porém, por não ser casada com alguém do mesmo sexo, a instituição no qual passou anos de sua vida trabalhando se nega a pagar os benefícios a futura viúva, simplesmente por não reconhecerem a relação homoafetiva, o que no caso, é comum para casais heterossexuais.



O caso fora o tema do curta-metragem vendedor do Oscar em 2008 e agora, produzido pela própria Ellen Page, que vida real defende os direitos civis LGBT, "Amor Por Direito" é, também, um filme bastante atual, logo, bastante necessário. Nos últimos anos tem sido debatido em diversos países a aceitação da justiça perante o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o caso real relatado na obra fez parte desta conquista. É belo essas jornadas que alteram o curso da história. Mais belo ainda é a forma como as personagens são inseridas neste movimento, quase que sem perceber, sem a intenção de barulho, de grandeza, apenas uma batalha incerta para a confirmação de suas relações. Extremamente comovente como Laurel, mesmo que em um estado de fraqueza, luta por aquela que ama, sem compreender necessariamente o impacto que sua conquista poderia proporcionar aos demais. Sua posição na sociedade soa como um constante confronto, sendo uma mulher que ama outra mulher e sendo uma mulher construindo um espaço e uma carreira onde só habitam homens. Sua força é inspiradora, lutar por aquilo que é entregue gratuitamente aos outros é o que a impulsiona e é o que nos faz perceber que igualdade é ainda, infelizmente, um direito não conquistado por todos.

Claro, que ao seu fim, o que mais fica em nós é a impactante presença de Julianne Moore. É muito sensível sua composição, emociona sem muitos esforços. Ellen Page faz a Ellen Page, não compromete, inclusive realiza algumas boas cenas, mas falta algo a mais. Assim como Steve Carell que, particularmente, acredito que não tem acertado muito bem o tom nesta sua safra de papéis mais dramáticos. Sua performance, tão caricata e completamente fora daquele universo, diminui a força da trama, da mesma forma que os protestos guiados por ele, soam falsos e estranhamente esquematizados. Por outro lado temos Michael Shannon, que se firma, mais uma vez, como um excelente coadjuvante. No mais, uma bela história, que quando pensamos que foi real se torna ainda mais forte. Alguns diálogos são extremamente simples e é neles que habitam a humildade das personagens e a grandeza de suas atitudes. Emocionante e bastante delicado, o longa tem o poder de nos arrancar algumas lágrimas ao seu decorrer. 

NOTA: 8



País de origem: EUA
Duração: 103 minutos
Distribuidor: Paris Filmes
Diretor: Peter Sollett
Roteiro: Ron Nyswaner
Elenco: Julianne Moore, Ellen Page, Michael Shannon, Steve Carell, Josh Charles, Luke Grimes






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