quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Crítica: O Que Fazemos nas Sombras (What We Do in The Shadows, 2014)

Fazer comédia é para poucos. Foram raras as vezes que, nos últimos anos, nos deparamos com uma obra inteiramente engraçada, com bom humor e que nos fizesse rir de verdade. "O Que Fazemos nas Sombras" veio para preencher essa lacuna, porque não é apenas uma excelente obra como, também, um filme muito, muito hilário.

por Fernando Labanca

Escrito, dirigido e protagonizado por Jemaine Clement e Taika Waititi, o longa é um falso documentário que tem como intenção mostrar a rotina de um grupo de vampiros que vive atualmente na Nova Zelândia. Antes de ser realizado o tão esperado "Baile de Máscaras Profano", uma equipe de filmagens passa a ser responsável por revelar a vida de algum grupo secreto, sejam eles zumbis, lobos ou bruxas e desta vez os vampiros serão expostos, mostrando a verdade sobre o que realmente fazem nas sombras (e que ninguém mais sabe). É então que conhecemos a rotina de quatro amigos vampiros, Viago (Waititi), Vladislav (Clement), Deacon (Jonathan Brugh) e Petyr (Ben Fransham), que nasceram em épocas diferentes, possuem características muito distintas e dividem um castelo assombroso.


Mesmo sem ter sido lançado nos cinemas aqui no Brasil, comecei a ouvir um certo burburinho em relação à obra e resolvi conferir o que havia de tão especial nela. Foi necessário pouquíssimos minutos para eu adentrar completamente à trama e me divertir como há muito tempo não me divertia assistindo a um filme de comédia. Como disse anteriormente, se trata de algo extremamente hilário, que não perde a piada em nenhum momento, oferecendo boas gags do começo ao fim. Para quem é fã de séries como "The Office", terá aqui um prato cheio. A ideia do documentário é muito bem explorada, a forma como nos introduz a um universo "secreto", entregando divertidos relatos sobre aqueles que vivem nas sombras, reproduzindo a rotina dos vampiros e aproveitando para brincar sobre situações corriqueiras que jamais paramos para pensar que até mesmo os caçadores de sangue precisassem enfrentar nos dias de hoje. É impagável vê-los discutindo sobre como um deixou de lavar louça por cinco anos e como isso tem causado conflitos entre eles, assim como a sujeira deixada pelo excesso de sangue no chão que não agrada a todos. Divertido quando fazem uma intensa amizade com um humano e se surpreendem com suas habilidades e excêntrico em situações como o fato de que ainda precisam ser convidados a entrar em uma festa e não simplesmente entrar como qualquer pessoa normal faria. Detalhes como Deacon depressivo diante de um vídeo na internet que revela o pôr-do-sol e depois fazendo um bordado da imagem em seu suéter é simplesmente impossível não rir. O filme consegue resgatar esses detalhes já tão conhecidos sobre os vampiros e distorce de uma forma crível, irreverente e bastante original.

É curioso todo o universo que compõe e o excelente roteiro faz bom proveito de sua premissa, encontrando sempre boas soluções ao seu decorrer. Não deixando, claro, de usufruir de boas referências, buscando em clássicos do terror como "Drácula" e "Nosferatu" a base de suas ótimas criações. Aliás, é interessante este embate que a obra cria entre o humor leve e descompromissado com seu visual grotesco, gráfico e sanguinolento, com suas cores escuras e um constante clima assombroso. É então que sua estética se destaca, com os ótimos figurinos e maquiagens, além dos bons efeitos especiais.

Os personagens tão bem definidos aqui é o que eleva ainda mais o nível da produção. Cada um com suas características tão únicas torna os conflitos e discussões que nascem mais absurdas e, definitivamente, mais engraçadas. A prova do grande acerto no roteiro é que Taika Waititi se tornou uma figura de grande procura em Hollywood, roteirizando a nova animação da Disney "Moana - Um Mar de Aventuras", além de já ter sido recrutado pra o universo Marvel, dirigindo "Thor 3: Ragnarok". Falta originalidade nas comédias e, de fato, falta uma boa dose de humor e felizmente e finalmente uma obra, sem nenhuma pretensão, conseguiu entregar tudo isso e em grande quantidade. Provocando riso fácil e constante (que farão você querer decorar os diálogos e ficar repetindo para si mesmo e rindo depois), "O Que Fazemos Nas Sombras" se desponta como um dos melhores dentro do gênero realizado nos últimos anos.

NOTA: 9



País de origem: Nova Zelândia, EUA
Duração: 85 minutos
Distribuidor: Mares Filmes
Diretor: Jemaine Clement, Taika Waititi
Roteiro: Jemaine Clement, Taika Waititi
Elenco: Taika Waititi, Jemaine Clement, Jonathan Brugh, Cori Gonzales-Macuer, Stu Rutherford, Ben Fransham




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe um comentário #NuncaTePediNada