Havia uma grande expectativa quanto a este novo filme de Lynne Ramsay, que não lançava nada desde o extraordinário "Precisamos Falar Sobre o Kevin", de 2011. Exibido na mostra de competição no Festival de Cannes em 2017, onde saiu vencedor dos prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Ator, a obra é baseada no livro de Jonathan Ames e narra a história de Joe (Joaquin Phoenix), veterano de guerra, que vive sua vida resgatando garotas que são presas e trabalham como escravas sexuais em bordéis. A tensão aumenta quando uma de suas missões falha e ele passa a ser alvo de uma brutal conspiração.
Existe aqui um cinema de extrema qualidade. Ramsay constrói, cena por cena, instantes de puro sadismo. Seu produto é pesado, violento, mas seguimos contemplando cada recurso que se utiliza. Sua arte é milimetricamente calculada e dessa forma, entrega um filme rigorosamente bem realizado. A montagem se destaca, assim como a potente trilha sonora composta por Jonny Greenwood. Existe uma violência gráfica aqui e a diretora expõe sem muita censura. É interessante essa atmosfera que ela consegue criar, logo nos remetendo ao classico Táxi Driver e essa solidão do homem que dirige pelas ruas violentas da cidade. Joaquin Phoenix parece um monstro em cena, atordoado pelo passado que não temos acesso e rumo um caminho que não vê sentido, mas segue como única solução. É uma atuação mais contida, sem muito o que explorar.
