quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Crítica: O Universo no Olhar (I Origins, 2014)

Sabe quando você assiste um filme só porque achou o poster legal e não faz ideia do que se trata? Desta forma que me aventurei a conhecer "I Origins", sem nem mesmo ler uma sinopse antes. E o choque foi instantâneo, pois logo percebi que estava diante de algo único e muito bem realizado pelo diretor Mike Cahill. Uma experiência extasiante e difícil de ser esquecida.

por Fernando Labanca

Me surpreende e muito a qualidade da obra, ainda mais quando os créditos finais me revelam que Mike Cahill foi responsável, não somente pela direção, mas pelo roteiro e edição também. Não poderia afirmar outra coisa a não ser que se trata de um projeto extremamente pessoal do cineasta, que já havia chamado a atenção em 2011, com sua ficção científica indie "A Outra Terra" e retorna aqui, provando, mais uma vez, ser dono de um talento indiscutível. Ele demonstra um cuidado muito grande com tudo, com os personagens, com os diálogos e com suas escolhas visuais, com o enquadramento de suas cenas, construindo momentos de pura contemplação. É algo bonito de ver, de sentir. É de fato, um produto de extrema sensibilidade.

Superficialmente falando, podemos afirmar que "O Universo no Olhar" marca mais um daqueles embates entre ciência e religião. No entanto, o roteiro acaba trilhando um percurso bastante interessante e original, deixando boas reflexões ao seu final. Na trama, somos apresentados ao cientista Ian Gray (Michael Pitt), que tem como intuito de suas pesquisas, justamente questionar a fé das pessoas que acreditam que Deus desenvolveu o homem tão perfeitamente e acabam ignorando o milagre da ciência e da evolução dos seres. Seu foco são os olhos e como eles evoluíram, realizando diversos testes em animais e contando com a ajuda se sua nova auxiliar, Karen (Brit Marling). Algo que o levou até aqui é sua estranha fascinação pelos olhos humanos, fotografando durante anos o olhar de vários desconhecidos. É então que em uma festa conhece um belo par de olhos, porém, a fantasia usada pela moça, o impedem de conhecer o rosto por completo, colocando Ian numa intensa busca por descobrir quem ela é exatamente. Eis que o destino os une, colocando Sofi (Astrid Bergès-Frisbey) à sua frente, permitindo que se apaixonem, até que um trágico evento acaba por dar um novo rumo à esta história.


"Cada ser humano no planeta tem um par de olhos únicos. Cada um, seu universo particular."

Em determinado momento, o cientista Ian, que estudava a possibilidade de entregar visão à uma minhoca é questionado sobre o quanto isso seria útil, já que ela vive mesmo sem essa habilidade, onde a própria noção de luz é inimaginável em sua condição. Já, nós humanos, sabemos da existência desta luz e como ela está presente logo acima daqueles que não veem. Ian é como esta minhoca, que não enxerga nada além do que os estudos podem provar, que não acredita na possibilidade de haver este "universo acima", onde não se vê, mas muitos dizem existir. E seu encontro com Sofi e seu mundo espiritual vem para desestabilizar esta sua visão cético sobre tudo. É muito curiosa o modo como esta premissa vai sendo tratada, todas as reflexões e sensações que traz, levando a trama sempre por caminhos improváveis e de grande impacto. Aliás, antes que sua primeira hora termine, há uma drástica reviravolta, levando o filme para um rumo bem diferente de que esperávamos no início. Isso é bom, principalmente pelo fato de haver boas surpresas ao seu decorrer. É interessante e muito inteligente este foco nos olhos e como a história sempre leva a este ponto, são eles que identificam e permitem a entrada de Ian em seu laboratório, são eles o tema de suas pesquisas e admirações, vieram deles a maior paixão de sua vida, são os olhos que o faz refletir sobre o futuro e mais para frente, reviver o passado. É através de um simples olhar a entrada para um universo, que o protagonista sempre evitou, mas que de certa forma, acaba lhe trazendo, esperança e uma razão para seguir adiante.



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Apesar da seriedade com que o filme é construído e apesar de tratar de assuntos controversos como vida após a morte, "O Universo no Olhar" se aproxima bastante da ficção científica e por isso tem algumas liberdades narrativas, mesmo que apele para algumas coincidências absurdas ao seu decorrer, traz para a trama algumas saídas bem fantasiosas, ainda assim, de extremo bom gosto. E tudo caminha para uma resolução excelente, poética e profundamente tocante, numa sequência final brilhante e enaltecida pelo som de Radiohead. Aliás, bela trilha sonora, sem deixar de destacar, claro, a excelente fotografia e edição. O ótimo elenco só engrandece a qualidade, assim como o bom desenvolvimento de cada personagem. Como disse anteriormente, Mike Cahill nos oferece uma experiência única, extasiante, que hipnotiza e nos faz ficar presos muito tempo depois de terminar. Talvez por nunca deixar seus mistérios tão claros, aquilo fica perturbando nossa mente. Daquelas obras que não deixa ninguém ileso, há muito sentimento em cena, muito o que dizer. Sublime, inspirador! Faz bem para os olhos, para o coração e para a alma também.

NOTA: 9




País de origem: EUA
Duração: 106 minutos
Diretor: Mike Cahill
Roteiro: Mike Cahill
Elenco: Michael Pitt, Brit Marling, Astrid Bergès-Frisbey, Steven Yeun 




11 comentários:

  1. Respostas
    1. Sim <3 muito amor. Quase que impossível não se apaixonar!

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  2. Adorei o filme. Ficção e religião na mesma história me fascina muito. E a trilha sonora é show.

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    1. Eu gosto desses temas também e a maneira como foram abordados foi excelente. E sim, a trilha sonora é show mesmo!

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  3. Adorei o filme. Ficção e religião na mesma história me fascina muito. E a trilha sonora é show.

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  4. trilha sonora perfeita. Filme excelente!

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  5. trilha sonora perfeita. Filme excelente!

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  6. filme com traços de propaganda e estimulo a pedófilia na Índia.

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    1. Só para mentes sujas essa conclusão...

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Alguém me explica a mensagem que o filme passa?

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