
por Fernando Labanca
Lançado em 1964, pouco se soube até então do grande esforço de Walt Disney em conseguir adaptar "Mary Poppins" para os cinemas. E durante vinte anos ele tentou. Vinte anos. O longa inicia quando a autora do livro, Pamela Travers (Emma Thompson), com uma carreira estagnada e sem planos futuros, viaja aos Estados Unidos, depois de muita recusa, a pedido do próprio Walt (Tom Hanks) para que ela acompanhasse a produção de perto, onde apenas assinaria os direitos de sua obra se concordasse com as adaptações feitas, logo que sempre deixou bem claro que era contra o uso de animações e músicas, exatamente como pretendiam fazer no filme, não queria, justamente, um filme "Disney". Desta forma, Walt e sua equipe precisam lidar com a difícil personalidade de Pamela, ao mesmo tempo em que precisam fazer alguns sacrifícios, desistindo de várias ideias para atender os caprichos da autora. Enquanto isso, voltamos na infância desta mulher, onde conhecemos sua verdadeira trajetória, onde conhecemos a real inspiração de "Mary Poppins".
Grande clássico da Disney, a história da babá que vem voando com seu guarda-chuva e usa todos os seus encantos e magia para cuidar de duas crianças, que sofrem pelo distanciamento do pai que apenas pensa no trabalho. Muito mais do que mostrar os bastidores de produção do filme - que por si só já garante ótimos momentos - a grande graça de "Saving Mr.Banks" é justamente trazer um novo significado para a história de "Mary Poppins" e é neste ponto em que o longa tem o poder de emocionar, vai se construindo um quebra-cabeça, vão surgindo pistas sobre a vida da protagonista, há um interessante suspense a cerca de sua infância, ficamos vidrados tentando compreender o que aconteceu em sua vida que a fez querer escrever "Mary Poppins", o que aconteceu que a fez ser o que é, essa mulher tão arrogante, tão cética. Confesso que fiquei extremamente encantado com este roteiro, que de início nos trás um universo um tanto quanto caricato, mas aos poucos vai fragmentando cada um dos personagens chegando ao seu clímax com inúmeros bons momentos e sequências de pura emoção, e mesmo que tudo aconteça de forma simples, o grande trabalho de John Lee Hancock como diretor foi ter conseguido guiar tudo isso, soube dosar bem o drama, soube trazer magia para esta trama realista.

John Lee Hancock que já havia realizado o ordinário "Um Sonho Possível" surge renovado e disposto a realizar algo muito acima de seu filme anterior, consegue e isto é nítido em cada sequência, rigorosamente cuidadoso com cada detalhe. A trilha sonora composta por Thomas Newman é outro destaque, com belíssimas composições que enaltecem ainda mais a beleza da obra. O elenco está fantástico, Tom Hanks acerta mais uma vez e diverte ao lado de Emma Thompson, tão cômica e tão trágica, excepcional na pele de Pamela Travers e a química dos dois tem o poder de transformar cada pequena cena em um grande momento. Os coadjuvantes não desapontam, destaque para Paul Giamatti que também emociona com seu personagem, além dos ótimos Colin Farrell, Jason Schwartzman, Ruth Wilson e Bradley Whitford.

NOTA: 9
País de origem: Austrália, EUA, Reino Unido
Duração: 125 minutos
Distribuidor: Disney / Buena Vista
Elenco: Emma Thompson, Tom Hanks, Colin Farrell, Paul Giamatti, Bradley Whitford, Jason Schwartzman, B.J.Novak, Ruth Wilson, Rachel Griffiths
Diretor: John Lee Hancock
Roteiro: Kelly Marcel, Sue Smith
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