quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Crítica: Garota Exemplar (Gone Girl, 2014)

Produzido por Reese Witherspoon e baseado no livro de Gillian Flynn, que também assina o roteiro, "Garota Exemplar" é mais um interessante trabalho do diretor David Fincher, que constrói um suspense inteligente, intrigante e surpreendente, onde ninguém sairá ileso da sessão.

por Fernando Labanca

Nome por trás de obras como "Clube da Luta" e "Seven", David Fincher tem trilhado um caminho admirável em Hollywood, e nos últimos anos tem se especializado no suspense investigativo, onde o diretor parece ter se "encontrado" no gênero. E seguindo quase como uma fórmula, o diretor resgata boas ideias da literatura e as adapta de uma forma muito única na tela. Ainda que suas obras sejam muito distintas, todas parecem seguir o mesmo intuito. "Zodíaco", "A Rede Social", "Millennium" e agora este, "Garota Exemplar", todos tem uma investigação como premissa, seja do paradeiro de um serial killer, seja a investigação por trás do sucesso - ou fracasso pessoal - do criador do facebook. Cada um, a sua maneira, Fincher usa da investigação, do suspense, do mistério, para revelar a complexidade da mente humana, ele nem sempre está interessado nos eventos ou consequências, seu interesse maior está naquele que age, no suspeito, na vitima, seja na mente por trás de um crime, seja na mente por trás de uma criação.

É assim que "Garota Exemplar" começa. O marido, enquanto acaricia sua amada esposa, se pergunta o que há em sua mente e se mostra disposto a fazer de tudo para compreender o que há naquele olhar e no silêncio que nada revela. Amy Dunne, interpretada por Rosamund Pike, é uma das personagens mais enigmáticas que Fincher já trouxe para os cinemas e o mistério do que há por trás desta mulher é o que guia a trama, é o que nos prende neste ótimo suspense, longo, mas que provavelmente você não sentirá os minutos passarem.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Crítica: Se Nada Mais Der Certo (2008)

Dirigido por José Eduardo Belmonte, "Se Nada Mais Der Certo" é mais um daqueles dramas nacionais que passam despercebidos pelo público, que se o acharem, acredito eu...terão uma grata surpresa. Um filme brilhante, extremamente bem conduzido, que choca por suas ideias e seus diálogos e encanta por sua poesia, pela natural beleza que consegue extrair de cada cena.


por Fernando Labanca

No caos de São Paulo, vivem esses seres, perambulando pelas ruas, vivendo uma rotina banal, sem rumo, Léo (Cauã Reymond) é um jornalista que tem sérios problemas financeiros e para piorar, divide seu apartamento com uma amiga, a depressiva Ângela (Luiza Mariani) e seu pequeno filho de seis anos. Até que certa noite, em uma badalada casa noturna, Léo conhece Marcin (Caroline Abras), que apesar de se vestir como homem e agir como mulher, prefere não definir seu sexo. Não demora muito até que Marcin lhe apresente um antigo amigo, o taxista Wilson (João Miguel), que acredita ter problemas mentais. Juntos, Léo, Marcin e Wilson começam a trocar experiências, revelam seus medos e a vulnerabilidade que sentem ao viver neste sistema sem lógica do país, é então que decidem fazer algo, por dinheiro, por uma chance de terem uma vida mais digna, começam a planejar alguns golpes, sem jamais imaginarem que esta ligação que nasceria entre eles seria tão profunda e tão afetuosa.


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Crítica: Será Que? (What If, 2013)

Baseado na peça canadense "Cigars and Toothpaste" de T.J.Dawe, "Será Que?" se mostra, aos poucos, uma comédia romântica interessante, ainda que nunca negue alguns clichês, consegue se diferenciar de tantas que existem por aí, além de contar com atuações de Daniel Radcliffe e Zoe Kazan como o casal protagonista,  que encantam e fazem a sessão valer a pena.

por Fernando Labanca

A trama não é nada incrível. Conhecemos Wallace (Radcliffe) que após ser traído por sua namorada, permanece um ano sozinho, sem jamais saber como seguir em frente. Até que em uma festa organizada por seu amigo Allan (Adam Driver), ele conhece Chantry (Kazan), é então que ele sente que este é, enfim, o momento para tentar algo novo, pois se trata de uma garota adorável e que possuí muitos gostos em comum com ele. Não demora muito até Wallace descobrir que ela tem um namorado, situação que o coloca em um grande dilema: continuar amigo, logo que se dão extremamente bem, ou estragar a amizade contando a verdade, contando sobre seu real sentimento por ela. E assim, ambos seguem nesta relação amigável, Wallace sempre esperando algo a mais e Chantry que se torna cada vez mais confusa sobre o que deseja em sua vida, pois a natural afinidade que constrói com seu novo amigo acaba abalando sua relação com seu atual namorado.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Crítica: De Repente Pai (Delivery Man, 2013)

Vemos aqui, Ken Scott dirigindo o remake de seu próprio filme, o canadense "Meus 533 Filhos" de 2011. Sou extremamente contra à essas refilmagens de filmes recentes, não sou muito fã de comédias com Vince Vaughn, pelo simples motivo dele sempre fazer o mesmo papel, não fui com a cara deste poster nem de seu título, com mais uma tradução nacional patética. O que me fez querer escrever sobre a obra? Ela pegou todos esses meus preconceitos e ao seu final, me provou o quão errado eu estava. Enfim, por trás de tudo isso que escrevi acima, encontrei algo que me surpreendeu, um filme que é exatamente o que não perece ser...bom.

por Fernando Labanca

Conhecemos David Wozniak (Vaughn), um cara comum que trabalha como entregador de carnes, que sempre se esforçou para ter uma vida boa com uma graninha extra, por isso, chegou a realizar coisas bizarras como quando, anos atrás, doou esperma para uma clínica de fertilização. O grande problema começa quando lhe chega a informação de que gerou a vida de 533 pessoas, onde dezenas delas, já crescidas, decidem que enfim querem conhecer o tal pai biológico. Com a ajuda de seu amigo e advogado Brett (Chris Pratt), David entra na justiça para que sua imagem continue em sigilo, no entanto, ao receber a notícia de que sua namorada (Cobie Smulders) estava grávida, encontra em si, este desejo de ser pai, é então que passa a entrar em contato com alguns desses seus filhos, sem que eles saibam a verdade, conhecendo suas personalidades e procurando preencher algum vazio que a vida tenha lhes deixado.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Especial - Os atores mais promissores da atualidade


Há alguns anos atrás fiz um post aqui no blog sobre as "novas faces de Hollywood", resolvi dar uma retomada no tema e fazer uma lista sobre essa nova geração de atores que tem surgido, talentos promissores que merecem algumas apostas. Alguns já atuam há um bom tempo, mas apenas agora tiverem um grande destaque, outros são apenas nomes que pelo que tenho analisado tem tudo para se manterem, seja pelos bons filmes que fizeram, seja pelos projetos futuros.

por Fernando Labanca

Com vocês, (ao meu ver) os atores mais promissores da atualidade...

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Crítica: Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo's Nest, 1975)

Mais um para a sessão "filmes que não sei porque não vi antes", "Um Estranho no Ninho" é, com certeza, um clássico, uma obra fantástica, atemporal, que sobreviveu durante todos esses anos e tem potencial para se manter na memória daqueles que assistem. Venceu o Oscar por Melhor Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro Adaptado. 

por Fernando Labanca

Baseado no livro de Ken Kesey e produzido pelo ator Michael Douglas, o longa nos apresenta Randle McMurphy (Jack Nicholson), um cara preguiçoso e que devido a alguns surtos de agressão, é retirado da prisão, da qual já havia passado várias outras vezes, para ser tratado e observado em um sanatório. Ciente de que não possui problemas mentais, McMurphy passa a usar o local para desfrutar de sua liberdade, ser o louco que eles procuram, além de incentivar e persuadir seus colegas internos a ir contra à ordem vigente, questionar os medicamentos e a rotina que levam ali dentro. No entanto, seus atos revolucionários se chocam com o pensamento conservador da enfermeira Mildred Ratched (Louise Fletcher), que não pretende facilitar a jornada de McMurphy no local.


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Crítica: Jersey Boys - Em Busca da Música (Jersey Boys, 2014)

Desde quando li as primeiras notícias sobre o musical que Clint Eastwood dirigiria, tive meus receios. O veterano que já realizou grandes obras resolveu arriscar no gênero que é tão improvável em sua carreira, tão distante daquilo que ele construiu até aqui. E esta é a beleza de "Jersey Boys", esta é a beleza de seu mais novo trabalho, se arrisca e nos presenteia com este filme que é tão diferente, não um mero musical, é um drama competente, um filme digno de Eastwood.

por Fernando Labanca

Baseado no musical da Broadway, "Jersey Boys" revela a trajetória da banda Four Seasons, que fez sucesso nos anos 60. Descobrimos como os quatro membros, Frankie Valli (John Lloyd Young), Tommy DeVitto (Vincent Piazza), Bob Gaudio (Erich Bergen) e Nick Massi (Michael Lomenda) se reuniram para a formação do grupo. Frankie, desde jovem, foi conhecido em seu bairro por seu talento na música, chamando atenção, inclusive, do mafioso Gyp DeCarlo (Christopher Walker), com quem Frank jamais acreditou precisar, até que anos depois, com o sucesso de sua banda, os dois se reencontram devido às grandes dívidas criadas por Tommy. "Jersey Boys" é sobre como o grupo conheceu a fama, mas também sobre como eles conheceram a decadência, parte pelo temperamento difícil e das irresponsabilidades de Tommy DeVitto, mas principalmente, pela busca de cada um, seguindo seus interesses pessoais.


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Crítica: Sob a Pele (Under the Skin, 2013)

Novo longa dirigido por Jonathan Glazer (Reencarnação, 2004), fez bastante burburinho há alguns meses atrás quando imagens da atriz Scarlett Johansson nua apareceram na internet. Infelizmente, sei que grande parte do público foi atrás da obra por causa de sua presença, o que provavelmente saíram bem frustrados. Não se trata de algo comum na carreira de Johansson, é um sci-fi extremamente original que se difere e muito do é lançado. Evocando o cinema de Stanley Kubrick, o que vemos é uma obra nada convencional, que possui cenas inquietantes, visualmente chocantes.

por Fernando Labanca

Penso que um dos grandes erros da divulgação de "Sob a Pele" foi logo em sua sinopse. Em todos os sites já nos entregam o fato da protagonista ser uma alienígena. É uma pena. Este detalhe poderia ser a grande surpresa de seu final e durante sua projeção, esta dúvida no público poderia ter sido a grande força da obra. Infelizmente, começamos o filme já sabendo disso, pois sim, Scarlett Johansson interpreta uma alienígena que perambula pelas ruas da Escócia a procura de uma presa, homens livres e de boa aparência, para se alimentar, sem lamentar, com a frieza de um serial killer. Tudo muda quando se depara com um homem incomum. É então que começa a se sentir mais humana, e como consequência disso, se torna mais frágil.


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Crítica: Planeta dos Macacos - O Confronto (Dawn of The Planet of the Apes, 2014)

Continuação da obra de 2011, desta vez sob a direção de Matt Reeves (Cloverfield, Deixe-me Entrar), o filme surpreende, não só por ser melhor que o primeiro - que já era ótimo - mas por ir muito além do que esperamos de uma sequência. É um blockbuster que se difere de tudo o que tem se produzido em Hollywood, mais do que efeitos especiais de qualidade, o que vemos é algo impactante, um roteiro bem elaborado, que finalmente consegue construir personagens marcantes, que nos prende e nos faz sentir diversas sensações. "O Confronto" chegou aos cinemas sem muitas pretensões e acabou se firmando com umas das melhores surpresas do ano, que diverte sem jamais subestimar seu público. 

por Fernando Labanca

Dez anos depois dos acontecimentos do primeiro filme, o vírus criado no laboratório se espalhou pelo mundo e devastou grande parte da população devido à conhecida "gripe símia". Os macacos, liderados por César, convivem em harmonia numa floresta próxima à San Francisco. Eis que um grupo de sobreviventes surge no local, decididos a reativar uma antiga usina para levar energia para o resto dos humanos. Com isso, ele passam a conviver com os símios, construindo uma relação de confiança. Os conflitos começam a surgir quando nem todos os humanos acreditam no estranho clima amistoso daquela comunidade, e nem todos os macacos acreditam que aquelas pessoas sejam capazes de criar alguma relação pacífica, sem a intenção de uma batalha por território. Assim pensa Koba, um dos símios, que não aceita a amizade de César com os sobreviventes e não aceita que humanos invadam seu espaço, sempre acreditando que para a evolução de uma raça seria necessário a extinção da outra.


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