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quinta-feira, 30 de março de 2017

Crítica: Sete Minutos Depois da Meia-Noite (A Monster Calls, 2016)

Baseado no livro de Patrick Ness, "Sete Minutos Depois da Meia-Noite" é um exercício cinematográfico raro, de extrema beleza e de um encanto poucas vezes alcançado.

por Fernando Labanca

O diretor espanhol J.A. Bayona chamou a atenção de Hollywood com o excelente terror "O Orfanato" (2007). Anos depois comandou o drama "O Impossível" (2012), provando um talento por trás de histórias fortes, conseguindo ainda usufruir de forma eficiente ótimos efeitos visuais. Enquanto se assiste este seu novo trabalho, não resta dúvidas de que ele - vencedor do prêmio de Melhor Direção no último Goya - era o profissional ideal para dar vida a uma trama tão especial e ainda assim, de inúmeras dificuldades. Nada é fácil aqui e o diretor (e toda sua fantástica equipe) conseguiu criar soluções inovadoras, sem jamais esquecer a beleza de cada instante e o impacto que tudo aquilo teria naquele que assiste. A verdade é que existe beleza em cada frame, em cada personagem, em cada diálogo. É aquele produto feito puramente de coração e isso nos atinge de forma intensa, porque nada ali soa gratuito ou sem um grande conceito por trás. Tudo vem de forma honesta e profunda. Acima de qualquer avaliação que o filme vem a receber, estamos diante de algo lindo, mágico e inspirador.


quarta-feira, 6 de abril de 2011

DVD: 72 Horas (The Next Three Days, 2010)


De Paul Haggis, o diretor aclamado de "Crash-No Limite", no qual ganhou o Oscar de Melhor Filme, venceu também como roteirista de "Menina de Ouro". Ou seja, não estamos falando de qualquer diretor e este, apesar de alguns defeitos, não é só mais um filme de ação.

por Fernando Labanca



Acompanhamos no ínicio o casal perfeito, John (Russel Crowe), um professor universitário e sua esposa Lara (Elizabeth Banks), vivem felizes numa boa casa e um filho adorável. Eis que a rotina deles é abalada quando Lara é acusada de cometar um assassinato. Ela é levada para a prisão e é mantida lá até o julgamento final, provas não faltam para incriminá-la e tudo indica que ela é a verdadeira assassina.

Crente de que sua esposa é inocente, John chega a conclusão de que nada poderá inocentá-la, somado a isto, a burocracia deste sistema capaz de manter alguém longe da família sem nem ao menos ter uma prova concreta, definitiva, tudo são hipotéses, e John não pretende deixar que o destino e o tempo resolva os problemas e refletindo sobre tudo isso, percebe que será preciso fazer justiça com as próprias mãos. Ele, então, elabora um plano mirabolante, com tempo e dinheiro contado, pensando em todas as possibilidades, até mesmo chega a estudar pela internet como ser ilegal, mas nada acontece de repente, tudo é complicado e aos poucos ele vai se transformando num ser vazio, capaz de enxergar somente aquela vingança cega, sem pensar nas consequências, sem nem ao menos saber se é exatamente isto que sua esposa pretende fazer de sua vida, ser uma fugitiva.


De longe, o filme mais comercial de Paul Haggis, aquele que consegue se comunicar melhor com o público, um filme mais despretencioso, sem complexidade, sem as reflexões de "Crash", onde até mesmo quando trabalhou na comédia "Um Beijo a Mais" de 2006 conseguiu abordar questões existênciais. Aqui, ele se distancia de tudo isto, um filme mais pipoca, mas ainda assim, não é um filme criado do nada, tem seus propósitos, é bem realizado e como disse anteriormente não é só mais um filme de ação. Há toda uma trama muito bem arquitetada por trás, que nos faz pensar, raciocionar durante o longa, não é aquela coisa "desliga o cérebro e segue em frente", tem conteúdo, e dos bons.

"72 Horas" ainda carrega uma boa dose de suspense, nos prendendo facilmente em várias sequências, principalmente na parte final, temos a sensação de que nosso coração vai explodir, de tanta agonia, anciedade, é realmente incrível a execução de seu plano, palmas para Haggis que fez umas das melhores cenas de perseguição que vi ultimamente, realmente de tirar o fôlego! Por outro lado, no restante do filme, há inúmeras cenas cansativas, o filme demora bastante para acontecer algo realmente empolgante, além da longa duração que chega a ser um ponto negativo. Mas apesar da lentidão, o filme se mantém em bom nível, isso se deve, acredito que ao personagem de Russell Crowe, um ser completamente comum, devido ao bom roteiro e principalmente pela atuação do veterano, ele nos convence de sua situação e torcemos por ele e graçás a isto aguentamos até o final, que aliás, o final em si, a conclusão de tudo, não é dos melhores.

Russell Crowe carrega o filme nas costas, o filme é ele. Grande atuação, convincente, se não fosse por ele, realmente poderia ter dado errado. Elizabeth Banks é uma ótima atriz, mas infelizmente o roteiro não soube aproveitar seu talento, são pouquíssimas as cenas em que ela tem a chance de se destacar, sua personagem é fraca, e este é um pontos mais negativos do filme, uma personagem essencial para a trama e foi deixada de lado, com se seus sentimentos não importassem, nunca sabemos ao certo o que ela espera, o que ela quer, não sentimos seu sofrimento, ás vezes parece que tanto faz ficar na prisão ou não, o que me deu certa raiva, devido o tanto de coisas que o marido fez por ela. Olivia Wilde, razoável como sempre, mas dispensável, Liam Neeson, ótimo como sempre, mas também dispensável.

"72 Horas" é uma refilmagem de um filme francês "Tudo por Ela (Pour Elle, 2008)", recolheu várias críticas negativas devido principalmente a facilidade em que o personagem de Crowe resolve os problemas, aprendendo na internet, por exemplo, a arrombar as coisas, muitos o apontavam como irreal e muito longe de ser verossímel. Sim, realmente, ás vezes soa estranho a maneira como ele conquista as coisas, ainda mais se tratando de um filme que tem os pés no chão, longe de querer ser fantasioso, mas acredito que Paul Haggis tenha acertado na maneita como expôs tudo isto, de forma bem realista e querendo ou não, parecendo idiota ou não, infelizmente hoje em dia, aprendemos coisas banais na internet e temos acesso fácil a coisas ilegais e o filme usa disso como uma arma para fazer uma crítica. Há ainda uma crítica sobre o sistema judiciário muito frágil, ou seja, bom conteúdo, somado a um ótimo entretenimento. Funciona e vale pena conferir.

NOTA: 7,5

terça-feira, 6 de julho de 2010

Crítica: Fúria de Titãs (Clash of The Titans, 2010)

A criatividade está em falta em Hollywood, e para não deixar de lucrar com a sétima arte, nada melhor que adaptações de livros e refilmagens de filmes antigos. E em 2010, um dos grandes blockbusters foi Fúria de Titãs, refilmagem do filme de mesmo nome de 1981. E para isso, criatividade e originalidade são itens que não foram cogitados nessa produção, onde o único obstáculo foi transpor toda a fantasia da história para as tecnologias do século XXI, efeitos visuais, nada mais que efeitos visuais!

por Fernando Labanca

Na história, Zeus (Liam Neeson) teve um filho com uma mulher casada, uma humana, e devido a isso, é assassinada pelo próprio marido e colocou o filho, um semideus, num caixão e o abandonou no mar. Ele é encontrado por um casal de pescadores, se torna Perseu, cresce e vive sua vida sem se importar com sua verdadeira origem. Eles viviam num mundo comandado pelos deuses, mais especificamente, por Zeus, que sempre teve apoio de seus dois irmãos, Poseidon, o deus do mar, e Hades (Ralph Fiennes), o deus do submundo, deus da morte.


Até que a população de Argos, cansada de viver sob os comandos de deuses que nada fazem por suas vidas, se rebelam, o que faz com que Hades fique furioso e acaba matando pessoas, o que ele não esperava é que dentre essas pessoas estaria a família de Perseu, que por sua vez, fica sozinho no mundo e acaba sendo acolhido pelos soldados de Argos. E numa celebração contra Zeus, Hades volta novamente dizendo que no eclipse que se aproxima seria libertado o Kraken, a criatura mais temida e que destruiria toda a cidade, e a única maneira de detê-lo era sacrificando a princesa Andrômeda (Alexa Davalos), que a mãe havia comparado sua beleza com a beleza dos deuses. Zeus apoia a fúria de seu irmão e lhe dá poder para tal atitude sem saber o quão mal ele está fazendo para a população de Argos, mas quando descobre, já era tarde demais.

Perseu já sabe sua identidade, um semideus, filho de Zeus, e precisa vingar a morte de sua família adotiva, e mais do que isso, salvar a pele da bela princesa e destruir Hades, então, sem mais nada a perder, começa a liderar uma expedição junto com oito soldados e dois caçadores sedentos por aventura, para tal missão, antes que seja tarde, porém, para isso, ele e seu exército vão ter que lutar com criaturas terríveis, demônios, inclusive lutar contra Medusa, a única chance que eles tinham de matar Kraken, logo que a deusa possui um grande poder de matar alguém somente com um olhar.

A história, lida, é até interessante, todos os elementos fantásticos envolvendo seres mitológicos é tudo encantador, mas na tela, é outra coisa bem diferente. Dirigido por Louis Laterrier, o mesmo de O Incrível Hulk (2008) e Carga Explosiva, que consegue em duas horas destruir todo esse mundo encantador e transformá-lo em algo grotesco e de mal gosto.

A tecnologia 3D vem trazendo ao cinema muito dinheiro, entretanto, destruindo aos poucos a sétima arte, logo que por trás dessa tecnologia, há produções fracas que se resumem ao seu visual, foi assim com Alice no País das Maravilhas e agora com Fúria de Titãs, que nada mais é que visual. Inteligência, criatividade, ousadia, nada de bom se acrescenta nesse longa, onde nem mesmo os efeitos visuais que deveriam ser a melhor coisa do longa são de grande destaque. Ainda assim, são ótimos, entretanto, mal utilizados, as cenas com muita ação e efeitos são de mau gosto, além do fato, dos melhores momentos terem sido expostos logo no trailer, e logo digo, o trailer foi uma grande propaganda enganosa. Mas nem tudo é ótimo, ainda há exemplos negativos do visual, como a Medusa, hiper computadorizada e nada real, e o cenário grotesco dos deuses, onde Zeus sempre aparece como sendo uma luminária, e todos os outros deuses brilhando, além das cadeiras e até o chão iluminam, é de cegar qualquer um, de muito mau gosto também.

A história é ruim, fraca, é a mesma coisa que o filme de 81, e mesmo depois de tantos anos, continua fraca e não são os efeitos visuais que vão melhorá-la. Nada faz muito sentido em Fúria de Titãs. Perseu é patético, nunca sabemos quem ele realmente é ou quem ele deseja ser, uma hora odeia o fato de ser um semideus e deixa claro que não quer usar de seus poderes para salvar Argos, mas de uma cena para outra, ele deixa de ser o garoto mimado e insuportável, para se tornar herói, um herói cheio de clichês e sem nenhuma personalidade. Io, personagem misteriosa, é uma jovem que segue Perseu desde sua infância até a grande aventura, mas nunca fica claro quem ela é, e o que ela faz. Além dos outros coadjuvantes, personagens caricatos e que parecem cópias de tantos outros filmes épicos, soldados engraçados e que fazem piadinha o tempo todo, enfim, horríveis. E para piorar as atuações nada salvam, Sam Worthington, decepcionante, sem expressar qualquer tipo de sentimento. Gemma Arterton numa personagem de destaque, mas não convence, além de todos os outros coadjuvantes. Salva Liam Neeson e Ralph Fiennes, mais uma vez, ótimos.

Ou seja, não perca seu tempo. É ruim, um filme que nada vai acrescentar sua vida. Claro, que se você procura algo que não precise pensar ou raciocinar, pode até ser uma boa escolha, pra quem gosta de muitos efeitos e muita ação. Não recomendo, mas Fúria de Titãs não chega a ser detestável, é até assistível, mas é daqueles filmes que são facilmente esquecidos.

NOTA: 4





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