Algumas obras são atemporais e valem a descoberta, ainda que muitos anos depois. Vencedor do prêmio de Melhor Filme no Festival de Cannes, "Paris, Texas" foi lançado em 1984 e dirigido por Wim Wenders. Simplesmente fascinante, temos aqui uma viagem profunda sobre desilusões amorosas e incertezas da vida.
por Fernando Labanca
Comecei a vê-lo com um certo desinteresse, sonolento em uma tarde de domingo, após longas passadas pelo catálogo da Netflix. Já nos primeiros minutos, porém, percebi que estava diante de algo que merecia mais atenção, havia um tipo de cinema primoroso sendo exibido a minha frente. Seu belo visual, sua atmosfera tranquila e seus interessantes personagens me fizeram despertar. A trama gira em torno de Travis (Harry Dean Stanton), que após desaparecer por mais de quatro anos é reencontrado em uma região desértica do Texas, sofrendo de uma recente amnésia. Resgatado pelo irmão, ele é levado para sua casa em Los Angeles, onde encontra com Hunter, seu pequeno filho que também fora abandonado por sua mãe Jane (Nastassja Kinski), e agora vive com seus tios. Compreendendo aos poucos sua realidade, Travis resolve traçar uma viagem ao lado do filho para tentar recuperar esta relação perdida e reencontrar com Jane, sua antiga paixão que os abandonou e deixou toda sua vida para trás.
