O organismo que se apropria do outro.
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quarta-feira, 13 de novembro de 2019
Crítica: Parasita
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quarta-feira, 5 de setembro de 2018
Crítica: Dente Canino
por Fernando Labanca
Vencedor do prêmio de Melhor Filme na Mostra "Um Certo Olhar" no Festival de Cannes de 2009 e indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, "Dente Canino" marca o primeiro grande passo do cineasta grego Yorgos Lanthimos, que posteriormente realizou "O Lagosta" e "O Sacrifício do Cervo Sagrado". Há uma linguagem muito similar entre suas obras, algo excêntrico que as une e, como consequência, o torna neste diretor singular, único, com forte assinatura. Seus temas são complexos e geram, dentro de suas estranhezas, muitas reflexão, além daquele já conhecido nó no cérebro.
O filme não nos oferece muitas respostas e ao seu decorrer, vamos tentando juntas suas partes para chegar a alguma conclusão, que nunca é muito clara. Vemos um pai que isola seus três filhos dentro de casa e não os permite sair, criando, desde que nasceram, a ilusão de que o universo existe apenas dentro daquele muro. É assustador ver esta realidade distorcida que é oferecido a esses jovens e como eles aceitam tudo como verdade. A omissão do mundo os torna em seres completamente despreparados e dependentes das histórias contadas pelos pais. As sequências são naturalmente perturbadoras, e mesmo que Yorgos saiba inserir humor de forma inteligente e inesperada, é impossível não sentir um constante soco na alma e uma vontade desesperadora de ver os personagens livres de tudo o que nos apresenta.
quinta-feira, 16 de março de 2017
Crítica: É Apenas o Fim do Mundo (Juste la Fin du Monde, 2016)
Apesar de não ter sido bem recebido pelos críticos de Cannes - Festival onde foi exibido ano passado - o longa saiu vitorioso com o Grande Prêmio do Júri. "É Apenas o Fim do Mundo" marca o retorno do jovem diretor Xavier Dolan e se destaca pelo belíssimo elenco que conseguiu reunir em seu tão controverso drama familiar.
por Fernando Labanca
Baseado na peça de teatro de Jean-Luc Lagarce, o filme nos revela a conturbada relação de uma família disfuncional que precisa lidar com o retorno de um dos filhos. Louis (Gaspard Ulliel) é um escritor que depois de doze anos afastado resolveu voltar e reencontrar sua mãe (Nathalie Baye) e seus irmãos (vividos por Vincent Cassel e Léa Seydoux) para dizer que sofre de uma doença e está prestes a morrer. O retorno não é nada fácil e no meio a tanta brutalidade e palavras não ditas, Louis se vê cada vez mais distante de realizar o que pretendia.


terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Crítica: Capitão Fantástico (Captain Fantastic, 2016)
por Fernando Labanca
"Capitão Fantástico" é, dentre tantas qualidades que não cabem em uma crítica, um filme mágico. É coração puro, cheio de alma. Dirigido pelo ator Matt Ross, o longa narra a história de uma família que vive na floresta. Com treinamento rígido para sobreviver, os filhos encontram no corajoso pai, Ben (Viggo Mortensen) uma espécie de mentor, aquele que os ensina tudo o que precisam e tudo o que é necessário para continuar vivendo naquele ambiente. Entre manusear ferramentas, caçar animais selvagens e plantar seus próprios alimentos, Ben vê no legado de Noam Chomsky a sabedoria que não encontrou em nenhum Deus. A jornada dos personagens se inicia quando recebem a notícia de que a mãe, que por um longo tempo se manteve afastada e em tratamento devido sua bipolaridade, se suicidou. Todos embarcam para a cidade, afim de impedir que ela seja enterrada e seja cremada, assim como escreveu em seus últimos pedidos. No entanto, no mundo afora, as leis de sobrevivência são outras e o pai terá que enfrentar o julgamento de todos aqueles que são contra seus excêntricos métodos de ensino.
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quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Crítica: Julieta (2016)
Retorno de Almodóvar aos dramas, "Julieta" foi o selecionado para representar a Espanha na disputa pela indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, além de ter sido indicado à Palma de Ouro no último Festival de Cannes.
por Fernando Labanca
Baseado em contos de Alice Munro, é curioso notar que mesmo se apropriando de um material que não é seu, Pedro Almodóvar entrega a obra sua identidade, dialogando muito bem com sua filmografia. Da excelente condução do roteiro aos exageros visuais, com suas cores marcantes e texturas, o diretor faz de "Julieta" um trabalho seu, que pode até não figurar entre seus melhores, mas que o reergue novamente após o fiasco de "Amantes Passageiros" (2013). Um filme bem escrito, provocante e envolvente, que coloca, mais uma vez a mulher e todos os seus desejos e traumas como protagonista.
Conhecemos Julieta, uma mulher amargurada, que decide não seguir adiante com sua vida enquanto não resolver uma grande pendência de seu passado. Ao descobrir que sua filha, no qual não se comunica por longos anos, foi vista em Madrid, ela abandona tudo pela remota possibilidade de reencontrá-la. A partir deste instante, o filme busca nas lembranças desta mulher os eventos que as separaram, as razões por esta constante distância.
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Crítica: O Lagosta (The Lobster, 2015)
Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2015, "The Lobster" marca o primeiro longa-metragem em língua inglesa do diretor grego Yorgos Lanthimos. Uma requintada comédia, que abusa do humor negro para uma interessante análise de nossa sociedade atual.
por Fernando Labanca
A premissa do filme é bastante curiosa, nos jogando para dentro de um universo distópico onde é inadmissível alguém permanecer solteiro. Para aqueles que não encontraram a alma gêmea, são hospedados em um luxuoso hotel, onde serão obrigados a se apaixonar dentro de 45 dias. Caso isso não aconteça, a pessoa será transformada em um animal de sua preferência e abandonada em uma floresta, local onde também se encontra um grupo de rebeldes liderados por uma rígida mulher (Léa Seydoux). Conhecemos, então, David (Colin Farrell), que se cadastra no programa assim que se separa de sua esposa, acompanhado de seu cachorro, que fora um dia seu irmão solitário. O problema começa quando ele percebe que seus dias estão acabando e ainda não conseguiu ninguém e a única certeza que o futuro lhe aguarda é ser transformado em uma lagosta.
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quinta-feira, 12 de maio de 2016
Crítica: Paris, Texas (1984)
Algumas obras são atemporais e valem a descoberta, ainda que muitos anos depois. Vencedor do prêmio de Melhor Filme no Festival de Cannes, "Paris, Texas" foi lançado em 1984 e dirigido por Wim Wenders. Simplesmente fascinante, temos aqui uma viagem profunda sobre desilusões amorosas e incertezas da vida.
por Fernando Labanca
Comecei a vê-lo com um certo desinteresse, sonolento em uma tarde de domingo, após longas passadas pelo catálogo da Netflix. Já nos primeiros minutos, porém, percebi que estava diante de algo que merecia mais atenção, havia um tipo de cinema primoroso sendo exibido a minha frente. Seu belo visual, sua atmosfera tranquila e seus interessantes personagens me fizeram despertar. A trama gira em torno de Travis (Harry Dean Stanton), que após desaparecer por mais de quatro anos é reencontrado em uma região desértica do Texas, sofrendo de uma recente amnésia. Resgatado pelo irmão, ele é levado para sua casa em Los Angeles, onde encontra com Hunter, seu pequeno filho que também fora abandonado por sua mãe Jane (Nastassja Kinski), e agora vive com seus tios. Compreendendo aos poucos sua realidade, Travis resolve traçar uma viagem ao lado do filho para tentar recuperar esta relação perdida e reencontrar com Jane, sua antiga paixão que os abandonou e deixou toda sua vida para trás.
segunda-feira, 9 de maio de 2016
Crítica: Love (2015)
Tendo sua primeira exibição no último Festival de Cannes, no qual foi apresentado fora da competição, "Love" marca o retorno do sempre polêmico diretor Gaspar Noé que vem não só para mostrar seu primeiro filme 3D, mas para chocar a família tradicional, filmando longas sequências com sexo explícito. Para alguns, pornografia com história, para o próprio diretor: "Uma história de amor por um ponto de vista sexual". Cada um verá da sua forma, mas algo é inegável...trata-se de uma experiência impactante e única.
por Fernando Labanca
Provavelmente muitos chegarão até a obra pelas cenas de sexo, mas sim, existe uma história sendo contada ali. Somos apresentados ao mundo de Murphy (Karl Glusman), que narra o tédio e o descontentamento de sua rotina ao lado de sua mulher e seu pequeno filho. Até que uma inesperada ligação o abala, a mãe de sua ex-namorada Electra (Aomi Muyock), liga dizendo que ela está desaparecida há meses e ninguém mais tem notícias. A partir da dúvida sobre o que aconteceu com aquela que tanto amou, Murphy se joga numa crise nostálgica, relembrando tudo o que viveu ao lado dela, procurando sua vida nas lembranças, nas discussões, na paixão adolescente, nos erros cometidos, na relação carnal que os unia.


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