O medo é contagioso.
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quarta-feira, 8 de abril de 2020
Crítica: Contágio
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quinta-feira, 16 de março de 2017
Crítica: É Apenas o Fim do Mundo (Juste la Fin du Monde, 2016)
Apesar de não ter sido bem recebido pelos críticos de Cannes - Festival onde foi exibido ano passado - o longa saiu vitorioso com o Grande Prêmio do Júri. "É Apenas o Fim do Mundo" marca o retorno do jovem diretor Xavier Dolan e se destaca pelo belíssimo elenco que conseguiu reunir em seu tão controverso drama familiar.
por Fernando Labanca
Baseado na peça de teatro de Jean-Luc Lagarce, o filme nos revela a conturbada relação de uma família disfuncional que precisa lidar com o retorno de um dos filhos. Louis (Gaspard Ulliel) é um escritor que depois de doze anos afastado resolveu voltar e reencontrar sua mãe (Nathalie Baye) e seus irmãos (vividos por Vincent Cassel e Léa Seydoux) para dizer que sofre de uma doença e está prestes a morrer. O retorno não é nada fácil e no meio a tanta brutalidade e palavras não ditas, Louis se vê cada vez mais distante de realizar o que pretendia.


terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Retrospectiva 2015: Melhores Atrizes Coadjuvantes
Voltando a falar de atuações femininas no cinema de 2015, outras mulheres se destacaram bastante em papéis coadjuvantes. Faço agora o TOP 15 com as melhores do ano.
por Fernando Labanca
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Retrospectiva 2015: As Melhores Atrizes
2015 acabou e desta vez resolvi fazer algo diferente aqui no blog. Como sou um grande fã de "listas", decidi fazer algumas, relembrando o que houve de bom nesses meses que passaram. A primeira que posto é o Top 15 com as melhores atuações femininas do ano. Tivemos grandes personagens e mulheres fortes que tiverem muito o que contar nesses filmes, as coloco aqui como forma de relembrar e de certa forma, homenagear todas elas. E naturalmente, como sendo uma lista, outras ótimas interpretações acabaram por ficar de fora. Se por acaso, sentir falta de alguma, sinta-se livre para colocar nos comentários!
por Fernando Labanca
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Crítica: Ferrugem e Osso (De Rouille et d'Os, 2012)
Um dos indicados à
Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2012, “Ferrugem e Osso”
conta com uma delicada atuação de Marion Cotillard e narra de forma
impactante o encontro de dois personagens, que vivem em pontas
opostas, vivendo no limite de uma situação, ambos tentando se
adaptar a um mundo que desconhecem. Extremamente ousado e original,
um filme que surpreende ao não apelar para o romantismo, conseguindo
ainda despertar sensações em seu público, sendo assim, mesmo com
sua frieza, uma obra difícil de ser esquecida.
por Fernando Labanca
Alain é um bruto homem
que viaja com seu pequeno filho para viver na casa de sua irmã e
conseguir assim uma vida melhor, já que pouco tem para sustenta-lo.
Não demora muito, ele consegue um emprego como segurança de uma
boate, é lá que conhece Stéphanie (Marion Cotillard). Ela é uma
treinadora de baleias e em uma de suas apresentações acaba sofrendo
um acidente, perdendo suas duas pernas. Transtornada e sem saber
muito o que fazer, Stéphanie decide entrar em contato com Alain, a
partir deste momento, ele será o elemento que a fará aceitar sua
nova vida, aceitar suas limitações, enquanto que ela lhe dará
confiança para seguir um novo rumo em sua vida, ser um lutador de
rua, usando toda sua força para sustentar seu filho.
sábado, 11 de agosto de 2012
Crítica: Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises, 2012)
Em 2005 estreava nos cinemas "Batman Begins", do até então pouco conhecido Christopher Nolan. Na época, era somente mais um começo para o herói, dentre tantas histórias que o cinema já havia visto. Não sabíamos, porém, a grandiosidade de tudo aquilo, o que de fato aquele Nolan estava prestes a realizar. Hoje, "O Cavaleiro das Trevas Ressurge" chega com um final épico, algo que nos últimos anos não tivemos a chance de ver, a saga de um herói, incrivelmente construída, do início ao fim, eleva o nível do gênero para um outro patamar, faz qualquer outro já lançado parecer pequeno, sem graça. O público agradece, Nolan fez um bem para o cinema este ano.
por Fernando Labanca
A história ocorre oito anos após os ocorridos do último filme, onde a morte de Harvey Dent definiu os rumos de Gotham City. Ele passa a ser visto como herói, seu nome foi dado a uma lei onde devido a ela, os crimes desapareceram da cidade e o povo vive um tempo de paz, já Batman, é visto como aquele que causou a morte de Dent. Enquanto isso, Bruce Wayne (Christian Bale) se esconde na solidão de sua mansão, mas se vê obrigado a retornar quando Selina Kyle (Anne Hathaway), uma habilidosa e sedutora mulher cruza seu caminho e estraga seus planos. Ele, retorna como Batman também, ao compreender que a cidade ainda precisava de um herói, capaz de deter os terríveis planos de Bane (Tom Hardy), um homem que diferente de Bruce, nasceu na escuridão mas que também fora treinado por Ra's al Ghul (Liam Neeson), e passa a controlar Gotham levando a diante os ideais da Liga das Sombras.
"O Cavaleiro das Trevas Ressurge" é muito mais uma sequência de Batman Begins do que do segundo filme. Muitos elementos do primeiro filme retornam aqui, acredito eu, aconteceu devido a ausência do vilão Coringa, era a única ponta solta deixada do longa anterior e que não teve a chance de ser continuada. Coringa foi um personagem épico, genial, obviamente fez falta nesta história, mas o roteiro brilhante conseguiu construir inúmeros outros elementos que esta falta acabou sendo pequena, há muita coisa nova, personagens novos, e definitivamente, tudo é muito bom, cada detalhe, cada cena, cada novo ser que surge na tela, tudo com uma extrema qualidade, qualidade que há muito não se via no gênero. É interessante essa conexão que ele faz com o "Begins", é como se conseguisse de forma magistral fechar todas as pontas, fecha um ciclo, busca situações do passado e retorna de forma conveniente, onde tudo passa a fazer sentido, tudo tem um porquê, o que percebemos disso tudo, é que Christopher Nolan é um gênio, parece que tudo fora pensado desde o primeiro filme, pois cada pequeno detalhe faz a diferença, tudo se encaixa, uma trilogia muito bem planejada.
O que mais surpreende no filme, porém, é a belíssima composição dos personagens. Em certo momento Batman diz aquilo que todos sabemos, Batman pode ser qualquer um de nós e essa é a grande sacada do herói e esta qualidade se torna mais nítida neste filme. Sem poderes especiais, sem apelações visuais, Batman é o que é e a seriedade com que o roteiro nos apresenta o herói, faz dele o melhor que já existiu no cinema, e a ligação que ele tem com a cidade de Gotham, a necessidade que ele tem em salvá-la, diferente dos outros heróis que possuem como única preocupação, se livrar do vilão. Bane como vilão, é definitivamente, menor que o Coringa e o Duas Caras, mas ainda assim se mostra um personagem interessante e bem construído, é assustador até, sua voz modificada e o modo como ele age, sem temer, decidido a implantar o terror e o caos, como mesmo diz, é um torturador, não do corpo, mas da alma, e é exatamente o que o vilão consegue, o medo que causa não é por sua força, mas o quão ele afeta o psicológico das pessoas, até mesmo do público. A outra grande sacada do roteiro é colocar Batman como coadjuvante, não porque o herói não tem força para levar o filme como protagonista, mas sim porque a história de como Gotham precisa ser salva não depende somente dele, porque os heróis são todos, o herói é aquele homem que coloca a mão no ombro de uma criança e lhe dá esperança, este é o Comissário Gordon que é um outro grande herói da trama, desde o primeiro filme, é aquele homem que não é enaltecido pela mídia, mas sempre esteve lá. A composição de Selina Kyle é genial, sua ambiguidade, nunca sabemos ao certo qual o caminho que ela irá seguir, mais interessante ainda é como em nenhum momento ela é chamada de "Mulher Gato". Ainda temos outros personagens fortes que surgem de repente, com destaque, e somente no final compreendemos o quão eles eram importantes na história, como o detetive John Blake (Joseph Gordon-Levitt) e Miranda Tate (Marion Cotillard). Além dos clássicos Alfred (Michael Caine) e Fox (Morgan Freeman). O roteiro incrivelmente consegue, durante as quase três horas de filme, dar destaque para cada um desses personagens, provando a força e a qualidade da obra.
Assim como o segundo filme da trilogia e diferente de qualquer outro filme de herói já feito, "O Cavaleiro das Trevas Ressurge" trás e muito conteúdo. Não é uma história furada, não necessita de piadas e efeitos visuais exagerados para conquistar o público. Um filme que aposta na inteligência daquele que assiste, constrói uma trama rica em detalhes, com personagens perfeitamente inseridos e cheio de oscilações, complexos, até, eu diria. Um filme maduro, adulto, que leva sua ideia de forma séria e por isso consegue um respeito que nenhum outro filme do gênero conquistou. O longa trata como seu tema principal, o medo e é interessante como essa mesma palavra definiu toda a trilogia, como seus personagens tinham uma ligação com este sentimento. Batman que surge como aquilo que ele mais temia, os morcegos, surge para dividir com os bandidos o que ele tinha medo de encarar, assim como o Espantalho que usava como o medo alheio sua principal arma. E como um ciclo, a palavra retorna aqui e o que é debatido é justamente o medo da morte e como Bruce ausente deste medo era incapaz de compreender as ações de seu inimigo, como temer a morte não nos faz mais fracos, pelo contrário, nos faz mais fortes, pois sem a dúvida do que acontecerá no futuro, sem o receio de falhar, jamais crescemos, jamais encontramos a força suficiente para vencer, o medo trás consigo, a esperança. É belo, então o momento em que Bruce compreende isso, retornando em sua mente a imagem de seu pai e sua antológica pergunta..."porque caímos?", deixando um vazio para sua resposta e este mesmo vazio é preenchido por aquele sentimento em que todos os heróis do filme buscam em si mesmos, pois todos estão em busca de ressurgir, de se reerguer, acreditar no melhor, voltar a ter esperança. Caímos justamente para aprendermos a levantar.
Chega a ser brilhante o ritmo que este filme possui. Este é Christopher Nolan. Daqueles filmes que acabam e realmente bate aquela estranha vontade de levantar e bater palmas, pois é tudo magnífico. Cada cena parece algo memorável, desde a primeira sequência no avião que é simplesmente de tirar o fôlego, passando pela luta entre Batman e Bane, ausente de trilha sonora, sentimos a dor e cada pancada que os personagens levam, as perseguições, a presença de Selina Kyle, que por si só já é um espetáculo, o emocionante diálogo entre Bruce e Alfred, a antológica luta entre policiais e cidadãos no meio da rua, a explosão do campo de futebol, simplesmente genial. E cada um desses elementos fortalecidos pelo som, que assim como todos os filmes de Nolan, parecem diferenciados, fazem o coração parar de bater. A trilha sonora de Hans Zimmer é um show a parte, faltam palavras para descrever a grandiosidade de seu trabalho. Mas é claro que o filme também não escapa de alguns erros, chega a ser estranho como os personagens conseguem se encontrar tão facilmente numa cidade tão grande, sem contar que os heróis chegam sempre no momento e na hora certa, e são nesses momentos que o roteiro deixa a coerência de lado, ou a sequência em que Wayne fica preso, enrola no desnecessário, constrói acontecimentos um tanto quanto inverossímeis e a finaliza de forma bastante clichê e forçada. Entretanto, os erros se tornan pequenos quando há tanto acerto. Um conjunto perfeito de uma direção impecável de Christopher Nolan, com um roteiro genial, inteligente e muito bem detalhado, inserção de personagens ricos interpretados por um grupo de atores talentosos e dispostos a fazerem algo de qualidade, com cenas que ficarão na memória depois de muito tempo. Mais do que um filme memorável, é aquela obra que a gente faz questão de não mais esquecer, pois é algo único e raro.
O longa conta com um grupo de atores admiráveis. Christian Bale é o Batman, ponto. A verdade é que ele acaba sendo o ator que menos tem chance de mostrar talento na trama, mas nenhum outro ator na pele do herói conseguiu convencer tanto quanto ele. Mas o destaque mesmo são os coadjuvantes. Anne Hathaway rouba a cena, a maneira como a atriz se comporta frente as câmeras, capaz de transmitir toda a ambiguidade de sua personagem, auxiliada por sua beleza e carisma, faz muito mais do que ser a heroína sexy, é uma atriz talentosa que deu o seu melhor e entra para a lista do que houve de melhor na trilogia. Tom Hardy, infelizmente tem sua voz alterada, seu rosto escondido, é um grande ator, mas some. Joseph Gordon-Levitt é outro grande destaque na história, tem cenas ótimas, emociona em alguns de seus diálogos e se mostra um dos melhores atores de sua geração. Marion Cotillard, surge menor para uma atriz vencedora do Oscar, e temos sempre a sensação de que ela merecia mais e poderia ter feito algo melhor. Já o veterano Gary Oldman se mostra ainda mais a vontade como Gordon e se destaca por sua grande atuação, assim como Michael Caine que emociona e tem uma performance admirável.
"O Cavaleiro das Trevas" de 2008 foi um filme incrível, de fato, um dos melhores do gênero, conseguiu então, em 2012, um grande concorrente, e o que parecia impossível, Christopher Nolan faz uma sequência a altura de seu antecessor, não o superou, o segundo longa é ainda o ponto alto dos três filmes, no entanto, como conjunto, vemos aqui uma das trilogias mais fantásticas dos últimos anos. Recomendo. Como escrevi anteriormente, Nolan fez um favor para o cinema este ano, mostrou como se faz uma história de um herói, como criar algo grandioso, como se faz um blockbuster sem subestimar a inteligência de seu público, mostrou o que é um final épico, para uma trilogia épica.NOTA: 9,5
terça-feira, 26 de julho de 2011
Cinema: Meia Noite em Paris (Midnight in Paris, 2011)
Abertura oficial no Festival de Cannes este ano, "Meia Noite em Paris" mostra o retorno de um dos diretores mais aclamados do cinema atual, Woody Allen à Paris, onde filmou parte de "Todos Dizem eu Te Amo" de 1996. Pelos olhos do diretor, a cidade se transforma num palco mágico, onde ele brinca com a realidade e faz um de seus trabalhos mais interessantes dos últimos anos.por Fernando Labanca
Para quem acompanha a carreira do diretor, sabe que a cada novo trabalho o cenário é um ponto muito importante para suas histórias, funcionam quase como um novo personagem, assim foi com Barcelona em "Vicky Cristina Barcelona", Londres em "Match Point" ou Nova York em "Annie Hall". O palco desta vez é Paris, a cidade das luzes, o lugar dos apaixonados, onde o diretor e roteirista parece ter encontrado uma fonte rica de inspirações.
O escolhido para viver o Woody Allen da vez foi Owen Wilson, que interpreta Gil Pender, um escritor que trabalha para Hollywood, o que lhe causa uma certa frustração pois acredita não colaborar muito para a arte e a verdadeira literatura, com isso, passa por um certo bloqueio criativo para criar seu mais novo projeto, até que para aliviar a tensão viaja ao lado de sua noiva, Inez (Rachel McAdams) e os pais dela (Kurt Fuller e Mimi Kennedy) para Paris, a cidade na qual ele tem uma grande admiração, não para de falar o quanto ele admira os autores da década de 20 de Paris, a época e local que ele adoraria ter vivido, a cidade sob a chuva, as luzes da noite e toda aquela vida cercada por cultura e cercado pelos gênios que hoje só se conhece nos livros de história.
Até que certa noite, convidado por estranhos a entrar num carro antigo, Gil se vê rodiado por figurinos de outra época, é quando chega em uma grande festa e se dá conta que o carro o levou para realizar seu grande sonho, viver a década de 20. Lá, ele conhece seus ídolos, Ernest Hemingway (Corey Stoll) que lhe apresenta a mulher que colabora com sua obras, Gertrude Stein (Kathy Bates) que também passa a auxiliá-lo no seu projeto, além de ter contato com F.Scott Fritzgerald (Tom Hiddleston) e ver de perto a conturbada relação com sua mulher, Zelda (Alison Pill). É onde também conhece Adriana (Marion Cotillard), uma estudante de moda e musa inspiradora de artistas como Picasso e Georges Braque, que logo se apaixona por ela, o que acaba complicando sua vida, e se vê dividido entre viver o presente ou o passado, além de todo este ambiente nostálgico lhe fazer refletir sobre suas escolhas, sobre sua vida e seu trabalho.
Assim como Gil certa vez comenta em sua viagem, que a arte é o antídoto para a realidade, é aquilo que as pessoas usam como forma de escape, Woody Allen leva essa teoria ao pé da letra, ao colocar um personagem tão insatisfeito com sua vida, numa época onde ele sempre acreditou encontrar seu verdadeiro "eu", no caso, na Paris da década de 20. A cidade, então, se torna palco de uma fantasia, nada menos que deliciosa e criativa, e assim como em outros trabalhos de Woody, ele consegue mais uma vez inserir fantasia na realidade de forma natural, sem parecer forçada, e o resultado é mais do que positivo, o roteiro nos teletransporta para a época junto com Gil, e o cinema de Woody Allen em "Meia Noite em Paris" cumpre sua mais importante e crucial função, nos fazer viajar, fantasiar, nos fazer esquecer durante alguns minutos, por completo, da nossa realidade, nos faz querer estar ali, presenciar aquilo.
A história me surpreendeu, nunca havia lido muito sobre a obra, o que foi ótimo, pois a literal viagem de Gil Pender me fez viajar junto e admirar cada detalhe mostrado na tela. Ver Picasso como um ser humano normal, Salvador Dali na impecável atuação de Adrien Brody, exatamente como o lunático como o conhecia nos livros, além de outros que conhecia somente por obras como Henri Matisse, Scott Fritzgerald e Luis Buñuel como se fossem pessoas normais passeando em Paris. É divertido, original e querendo ou não, hipnotizador. É interessante alisar toda essa idéia e ver que hoje muitos pensam da mesma forma, quantas pessoas já me disseram "queria ter nascido em outra época", este tipo de comentário é muito comum, é exatamente isso que Woody Allen questiona em seu trabalho, o porquê da realidade nunca ser o suficiente, por que as pessoas sempre acreditam que seriam mais felizes se estivessem em outro tempo.Como todo trabalho de Woody Allen, não espere uma grande reviravolta no final, ou um final surpreendente, a história mais uma vez é linear, com a presença de alguns pontos que vão alterando o caminhar dos acontecimentos, mas sem um clímax. É de se esperar um clímax em qualquer filme, mas vindo de Allen, já é de se esperar que não tenha, então meio que este fato não decepciona tanto. Dessa vez, o diretor caprichou em outros elementos, como locações e figurinos, consegue com perfeição mostrar cada época ali retratada, o que faz dessa "viagem" ser mais prazerosa. A trilha sonora é a mesma de sempre.
Ver Owen Wilson como protagonista havia muito tempo que não era tão bom. O ator se mostra bastante habilidoso no texto de Allen, devido a sua ótima performance a comédia acontece, ele nos mostra através de suas expressões toda sua admiração, loucura, felicidade e paixão por presenciar tudo aquilo e graçás a isso, a brincadeira funciona. Marion Cotillard é sempre fantástica, está linda e bastante a vontade no papel. Rachel McAdams domina bem o texto também, tem presença marcante, mas numa personagem um tanto quanto incompreendida, é chata, e passa o filme inteiro reclamando, assim fica fácil demais imaginarmos o porquê de Gil ter se apaixonado por outra. Coadjuvantes de peso aparecem em participações como Adrien Brody, fantástico em apenas uma cena, Kathy Bates mais uma vez ótima, Michael Sheen sempre versátil, sempre mostrando uma nova faceta e sempre surpreendendo. Ainda há Tom Hiddleston, o Loki do recente "Thor", se mostrando uma ator promissor, contracenando com uma jovem atriz que vem chamando bastante a atenção, Alison Pill. E ninguém mais que Carla Bruni fazendo uma guia de um museu, pequena participação e que não altera o resultado.
"Meia Noite em Paris" marca sem sombra de dúvida, um bom momento da carreira de Woody Allen, é um filme fantástico que mostra o cinema em ótima forma, mostrando que ainda há espaço para obras de qualidade e que o talento deste diretor e roteirista não ficou no passado, é um gênio que consegue se reinventar a cada trabaho. Uma obra que não é feita somente de referências, há conteúdo, há uma história bem contada que prende a atenção, além de contar com a presença de um grandioso elenco. Recomendo.NOTA: 9
+ Woody Allen
[Annie Hall, Todos Dizem Eu Te Amo, O Escorpião de Jade, Tudo Pode Dar Certo]
[Manhattan, Melinda e Melinda]
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Cinema ao redor do mundo
Algumas pessoas não sabem, mas cinema também existe fora dos Estados Unidos e Brasil, um cinema de qualidade que existe ao redor do mundo e que nem todos tem acesso (até porque aqui no Brasil, eles mal chegam no cinema). Resolvi, então, comentar um pouco desses filmes, que vi recentemente. Filmes de países como China, Espanha, França, México e Canadá.
por Fernando Labanca
2046: Os Segredos do Amor (2046, 2004)
Uma produção que conta com outros países, como Alemanha e França, o longa dirigido pelo aclamado Wong Kar-Wai, conta com um elenco de peso, como Tony Leung e as belíssimas Zhang Ziyi e Gong Li.
A história é viajada, literalmente. Um escritor (Leung) viaja a Hong Kong para escrever um livro, lá ele se hospeda num hotel barato, até que começa a se envolver amorosamente com várias mulheres, cada uma com seus defeitos e qualidades, todas de um mesmo quarto, o 2046. Enquanto isso, ele escreve uma ficção ciêntífica sobre passageiros de um trem chamado 2046, e todos vão para um mesmo destino, um lugar onde poderão reencontrar todas as memórias perdidas e que gostariam por algum motivo, resgatá-las.
Lendo a história já parece algo confuso, vendo o filme, você tem a certeza de que se trata de algo, definitivamente interessante e inovador, porém, confuso. São tantas mulheres, histórias parelelas que parece que o filme não tem rumo algum e quando ele termina, essa dúvida é esclarecida, viajou demais para chegar a lugar algum.
Já houveram críticos que o citaram como um dos filmes mais românticos de todos os tempos, entretanto, ao meu ver, "2046" nem chega a ser um romance, logo que o personagem principal de envolve com as mulheres de uma forma tão fria e sem nenhum tipo de sentimento, e quando as magoa nem ao menos sente arrependimento. Enfim, o que sobra do filme é apenas o visual, aliás estamos falando de Wong Kar-Wai, o filme surpreende pelas beas cenas, os cenários, os figurinos, mas isso não é tudo.
NOTA: 4
Azul Escuro Quase Preto (Azul Oscuro Casi Negro, 2006)
Dirigido e escrito por Daniel Sánchez Arévalo, o filme conta a história de Jorge (Quim Gutiérrez), um rapaz que trabalha como porteiro num edifício, enquanto termina seus estudos. Acredita ter sido responsável pelo derrame de seu pai e por isso, cuida dele, em estado quase vegetativo como se fosse seu filho. Para piorar, seu irmão mais velho, Antonio, homem da pior espécie, preso, acaba se apaixonando por uma jovem prisioneira, a bela Paula (Marta Etura), que por sua vez, não aguenta mais as condições precárias da cadeia feminina, além de apanhar constantemente, ela deseja ficar grávida para ter alguns benefícios, e Antonio, para vê-la feliz, decide engravidá-la (por solidariedade, é claro), até que descobre que é estéril.
Antonio está prestes a ser libertado, porém, para realizar o sonho de Paula, ele pede este último pedido a seu irmão. Jorge, inocentemente embarca nessa idéia, porém acaba se envolvendo demais com a jovem, e ela passa a ser a melhor coisa em sua realidade. Eis que uma antiga namorada retorna, e para piorar seu melhor amigo passa por novas descobertas, como por exemplo, ser homossexual.
Loucura total. "Azul Escuro Quase Preto" viaja legal nas idéias e isso é que faz deste filme algo grandioso. O Título estranho, a princípio, remete a cor do terno que Jorge sempre vê numa vitrine, a roupa de alguém muito importante, coisa que ele acredita que nunca irá ser. E como ele, todos os personagens se veem em um obstáculo, presos em suas próprias realidade, e que nas horas mostradas terão que enfrentar alguns medos e inseguranças.
O problema é o humor que muitas vezes entra em hora indevida, numa cena que se levada a sério seria incrível, perde o encanto por ter uma piadinha, além de algumas atitudes incompreensíveis como a de uma mulher que age naturalmente mesmo descobrindo que tanto seu marido e seu filho são gays...fala sério! Mas no geral, o longa se sai bem, personagens interessantes e muito bem interpretados, histórias envolventes e muito bem guiadas pelo diretor, recomendo!
NOTA: 7
Caché (Caché, 2005)
Dirigido por Michael Haneke, de "A professora de Piano" e "Violência Gratuita", o filme considerado por muitos um dos melhores da década, conta a história de uma família amedrontada por um "espião".
Georges (Daniel Auteuil) e Anne (Juliette Binoche) começam a receber fitas de vídeo que mostram uma gravação da fachada da própria casa, como se alguém do lado de fora, ficasse o dia inteiro os observando o mostrando o que via, além disso, lhes enviava desenhos, aparentemente feitas por uma criança, mostrando um garoto vomitando sangue e uma galinha estrangulada.
Até que Georges recebe uma gravação da casa onde passou a infância, é quando começa a duvidar se aquele que está destruindo a paz de sua família nada mais é que seu irmão adotivo, que foi retirado de sua casa devido a mentiras contadas por Georges. E ele começa a temer e refletir se isso é uma vingança, de alguém tentando destruir aquilo que nunca teve devido a seu próprio irmão, uma família.
Interessante, uma história ótima e uma direção impecável. Porém, "Caché" começa muito bem, nos prende facilmente na situação mostrada e acabamos superestimando o longa logo de início, nos faz acreditar que vai ter um grande final, daqueles bem surpreendentes, mas não passa de um engano. Logo na metade do filme, os mistérios são revelados, a partir de então, é só enrolação para o final, sem mais surpresas, e quando acaba sentimos que faltou algo, uma história como essa merecia um final muito mais decente.
NOTA: 6
Entre os Muros da Escola (Entre Les Murs, 2008)
O vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2008, "Entre os Muros da Escola" mostra um lado da França pouco conhecida pelo público brasileiro, a periferia, mas precisamente numa escola, onde ocorre todo o filme.
Um professor, interpretado por François Bégaudeuau, ator não-profissional, que havia escrito um livro sobre suas experiências como professor. Aqui ele também é François, um professor iniciando mais um ano letivo, e durante o filme, acompanhamos um ano na vida dele dentro de uma sala com seus alunos, e conhecemos de perto os conflitos que ele enfrenta a cada dia, tentando passar conhecimento para jovens que não sabem nem o porquê de estarem ali. Ainda existem os conflitos entre os próprios alunos e dos alunos para com o professor, logo que muitos levam esta relação para o lado pessoal.
Claustrofóbico. Um filme inteiro dentro de uma sala de aula, dentre esses muros que o título anuncia, que aliás, muros que existem até de forma, digamos, invisível, nesta relação professor/aluno, e quando esses "muros" caem, é quando surgem os choques de civilização.
"Entre os Muros da Escola" é bastante realista, até porque é feito por não-atores, François um professor de verdade e os jovens mostrados, alunos na vida real, somentes eles entenderiam o que se passa de verdade, naquele universo tão único e isolado. Parece que entramos na sala de aula e durante o filme fazemos parte daquela turma enfrentando os mesmos dilemas, surreal.
Definitivamente, o melhor retrato já feito sobre a escola, sobre tudo o que faz parte desta instituição. Palmas para o diretor Laurent Cantet e para todos os envolvidos. Brilhante, merecedor dos elogios que recebeu.
NOTA: 9
Piaf - Um Hino ao Amor (La Môme, 2007)
O longa, dirigido por Olivier Dahan, conta a trajetória de uma das cantoras francesas mais respeitadas, Edith Piaf, interpretada por Marion Cotillard, vencedora do Oscar 2008 por Melhor Atriz.
Piaf, uma mulher independente e muitas vezes arrogante, com uma voz inconfundível e admirada por muitos. Mas por trás desta fama existe uma história, fatos do passado que definiram quem ela se tornou. De uma infância sofrida, acompanhava a mãe cantar nas ruas, eis que seu pai ausente aparece e decide mudar o rumo da garota, sem condições de ficar com ela, lhe entrega para a avó da menina, sua mãe. Ela, uma dona de um bordel, Edith cresce no meio de um ambiente sujo, mas acaba se envolvendo com as prostitutas que se tornam suas amigas, mas logo é retirada por seu pai, mais uma vez que decide colocá-la nas ruas novamente para poder lucrar, é quando conhece o talento da menina em cantar e descobre um novo modo de gerar dinheiro.
Até que ela é descoberta por um dono de uma boate famosa, e Edith passa a fazer pequenos shows, sem muita experiências no palco e com uma voz marcante, ganha destaque, e sua vida começa a seguir outros rumos, mas o sofrimento, as perdas, as angústias, a acompanharam até sua morte, além delas, lhe sobrou o amor, amor pelas pessoas, pela sua profissão, era intensa ao extremo, quando amava, amava profundamente.
Uma trajetória de vida única, daquelas que deveria sim virar filme, não há roteirista que conseguisse criar uma vida como essa. "Piaf" consegue em pouco mais de 2 horas contar detalhadamente essa jornada, alternando entre seu presente e seu passado, aos poucos vamos entendo os porquês, e esse é um dos pontos positivos do filme, que opta por não contar sua vida numa ordem cronológica correta, o transformando em algo hipnotizador e original.
NOTA: 8,5
E Sua Mãe Também (Y Tu Mama También, 2001)
Dirigido por Alfonso Cuarón, de "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban" e do ótimo "Filhos da Esperança", ainda no cinema mexicano, o diretor e também roteirista realizou "E Sua Mãe Também" que conta com Gael García Bernal, Diego Luna e Maribel Verdú no elenco.
No filme, após suas namoradas viajarem a estudos, dois amigos, Tenoch (Luna) e Julio (Bernal), se juntam para curtir a vida, até que conhecem, em uma festa de família, a namorada de um primo de Tenoch, 11 anos mais velha que eles, a bela e independente Luisa (Verdú), numa brincadeira, eles comentam com ela que vão fazer um tuor em busca de uma ilha paradisíaca chamada "Boca do Céu". O que eles não imaginavam é que não muito tempo depois do encontro, ela é traída por seu namorado e decide fazer uma viagem, esquecer dos problemas, fugir de sua realidade e entra em contato com os adolescentes, pois sabiam que eles poderiam proporcionar isso a ela.
Julio e Tenoch, então, controlado por seus hormônios, forjam essa viagem para tê-la como acompanhante. Os três embarcam num caminho desconhecido, onde eles fazem as próprias leis, até que Luisa resolve tomar o controle do jogo e juntos entram num conflituoso e sensual relacionamento, de sexo, bebidas e novas descobertas.
Até a metade do filme, ele se resume a cena de sexos sem compromissos, chegando a incomodar, logo que se torna facilmente algo vazio, sem propósito, nada além de querer mostrar os corpos dos atores principais. Da metade para o final, ele começa a seguir um novo rumo, surgem os conflitos e se torna, algo, digamos, decente.
"E Sua Mãe Também" pode incomodar muitas pessoas, principalmente pelo papel da mulher exposto, onde ela nada mais é que um objeto, pronta para servir os homens da meneira como eles desejam, chegando a ser patético, preconceituoso e porque não, machista. Apesar de ter um final até que interessante, não chega a salvar o resto que foi um grande desperdício.
NOTA: 4
C.R.A.Z.Y - Loucos de Amor (C.R.A.Z.Y, 2005)
Resolvi deixar o melhor para o final. Primeiro e até então único filme canadense que vi e me surpreendi. Dirigido por Jean-Marc Vallée, o longa conta sobre uma família no lado "francês" do Canadá, o Quebec.
Uma espécie de Paixão de Cristo comtemporânea, o filme nos mostra a trejetória de Zachary (Marc-André Grordin), desde seu nascimento até alcançar sua maturidade num aventura mística a Jerusalém. Zachary, o quarto filho, os outros Christian, Raymond, Antoine e o último Yvan: C.R.A.ZY. O nome do disco predileto do pai.
Nasceu no Natal, devido a isso, ganhava apenas um presente e uma festa, o de aniversário e o de Natal, seu aniversário praticamente nem existia, assim como sua pesssoa. Se sentia menos importante que os demais, eis que de uma mecha misteriosa no cabelo, a mãe coloca na cabeça que o filho é milagroso e pode curar as pessoas, devido a isso vai estudar num colégio para cristãos.
Na adolescência, vira ateu. Conhece o rock n' roll e as drogas, se recusa a ser como todos ao seu redor, mas ainda ama seus pais, e o que mais o aflinge é o distanciamento com o pai, que tanto ama. Até que numa festa, conhece o namorado de sua prima, é quando descobre ser homossexual e começa a ter um desejo quase obsessivo pelo rapaz. Tem conflitos fortes com seu irmão Raymond por suas opções de vida, e devido a seu comportamento forte, acaba destruindo a harmonia da família que aos poucos vai se desistruturando. Entretanto, por medo de magoar seus pais, ele se recusa a ser quem ele realmente quer ser, admitir o que ele realmente deseja ter.
Uma história de amor, não entre um homem e uma mulher, mas entre uma família, que enfrenta os conflitos, as mágoas e tentam se manterem unidos. A história de um jovem que traça uma jornada em busca de ser aceito pelo pai, e poder sentir o retorno desse amor que sente por ele, um jovem que por amor, viveu uma mentira.
Incrível, inteligente, encantador, original ao extremo. Um drama muito bem desenvolvido, 2 horas muito bem preenchidas, com história interessantes, personagens bem escritos e conflitos empolgantes o suficiente para prender o público do início ao fim. Além de uma parte técnica muito bem produzida, como a trilha sonora bem utilizada, como a memorável cena de uma missa ao som de Rolling Stones e o clássico "Sympathy for the Devil", além de várias músicas de boa qulidade que traduzem muito bem a época, os anos 80.
"C..R.A.Z.Y" acima de tudo é poético e merece ser visto e admirado.
NOTA: 10
por Fernando Labanca
CHINA:
2046: Os Segredos do Amor (2046, 2004)
Uma produção que conta com outros países, como Alemanha e França, o longa dirigido pelo aclamado Wong Kar-Wai, conta com um elenco de peso, como Tony Leung e as belíssimas Zhang Ziyi e Gong Li.A história é viajada, literalmente. Um escritor (Leung) viaja a Hong Kong para escrever um livro, lá ele se hospeda num hotel barato, até que começa a se envolver amorosamente com várias mulheres, cada uma com seus defeitos e qualidades, todas de um mesmo quarto, o 2046. Enquanto isso, ele escreve uma ficção ciêntífica sobre passageiros de um trem chamado 2046, e todos vão para um mesmo destino, um lugar onde poderão reencontrar todas as memórias perdidas e que gostariam por algum motivo, resgatá-las.
Lendo a história já parece algo confuso, vendo o filme, você tem a certeza de que se trata de algo, definitivamente interessante e inovador, porém, confuso. São tantas mulheres, histórias parelelas que parece que o filme não tem rumo algum e quando ele termina, essa dúvida é esclarecida, viajou demais para chegar a lugar algum.
Já houveram críticos que o citaram como um dos filmes mais românticos de todos os tempos, entretanto, ao meu ver, "2046" nem chega a ser um romance, logo que o personagem principal de envolve com as mulheres de uma forma tão fria e sem nenhum tipo de sentimento, e quando as magoa nem ao menos sente arrependimento. Enfim, o que sobra do filme é apenas o visual, aliás estamos falando de Wong Kar-Wai, o filme surpreende pelas beas cenas, os cenários, os figurinos, mas isso não é tudo.NOTA: 4
ESPANHA:
Azul Escuro Quase Preto (Azul Oscuro Casi Negro, 2006)
Dirigido e escrito por Daniel Sánchez Arévalo, o filme conta a história de Jorge (Quim Gutiérrez), um rapaz que trabalha como porteiro num edifício, enquanto termina seus estudos. Acredita ter sido responsável pelo derrame de seu pai e por isso, cuida dele, em estado quase vegetativo como se fosse seu filho. Para piorar, seu irmão mais velho, Antonio, homem da pior espécie, preso, acaba se apaixonando por uma jovem prisioneira, a bela Paula (Marta Etura), que por sua vez, não aguenta mais as condições precárias da cadeia feminina, além de apanhar constantemente, ela deseja ficar grávida para ter alguns benefícios, e Antonio, para vê-la feliz, decide engravidá-la (por solidariedade, é claro), até que descobre que é estéril.Antonio está prestes a ser libertado, porém, para realizar o sonho de Paula, ele pede este último pedido a seu irmão. Jorge, inocentemente embarca nessa idéia, porém acaba se envolvendo demais com a jovem, e ela passa a ser a melhor coisa em sua realidade. Eis que uma antiga namorada retorna, e para piorar seu melhor amigo passa por novas descobertas, como por exemplo, ser homossexual.
Loucura total. "Azul Escuro Quase Preto" viaja legal nas idéias e isso é que faz deste filme algo grandioso. O Título estranho, a princípio, remete a cor do terno que Jorge sempre vê numa vitrine, a roupa de alguém muito importante, coisa que ele acredita que nunca irá ser. E como ele, todos os personagens se veem em um obstáculo, presos em suas próprias realidade, e que nas horas mostradas terão que enfrentar alguns medos e inseguranças.O problema é o humor que muitas vezes entra em hora indevida, numa cena que se levada a sério seria incrível, perde o encanto por ter uma piadinha, além de algumas atitudes incompreensíveis como a de uma mulher que age naturalmente mesmo descobrindo que tanto seu marido e seu filho são gays...fala sério! Mas no geral, o longa se sai bem, personagens interessantes e muito bem interpretados, histórias envolventes e muito bem guiadas pelo diretor, recomendo!
NOTA: 7
FRANÇA:
Caché (Caché, 2005)
Dirigido por Michael Haneke, de "A professora de Piano" e "Violência Gratuita", o filme considerado por muitos um dos melhores da década, conta a história de uma família amedrontada por um "espião".Georges (Daniel Auteuil) e Anne (Juliette Binoche) começam a receber fitas de vídeo que mostram uma gravação da fachada da própria casa, como se alguém do lado de fora, ficasse o dia inteiro os observando o mostrando o que via, além disso, lhes enviava desenhos, aparentemente feitas por uma criança, mostrando um garoto vomitando sangue e uma galinha estrangulada.
Até que Georges recebe uma gravação da casa onde passou a infância, é quando começa a duvidar se aquele que está destruindo a paz de sua família nada mais é que seu irmão adotivo, que foi retirado de sua casa devido a mentiras contadas por Georges. E ele começa a temer e refletir se isso é uma vingança, de alguém tentando destruir aquilo que nunca teve devido a seu próprio irmão, uma família.
Interessante, uma história ótima e uma direção impecável. Porém, "Caché" começa muito bem, nos prende facilmente na situação mostrada e acabamos superestimando o longa logo de início, nos faz acreditar que vai ter um grande final, daqueles bem surpreendentes, mas não passa de um engano. Logo na metade do filme, os mistérios são revelados, a partir de então, é só enrolação para o final, sem mais surpresas, e quando acaba sentimos que faltou algo, uma história como essa merecia um final muito mais decente.NOTA: 6
Entre os Muros da Escola (Entre Les Murs, 2008)
O vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2008, "Entre os Muros da Escola" mostra um lado da França pouco conhecida pelo público brasileiro, a periferia, mas precisamente numa escola, onde ocorre todo o filme.Um professor, interpretado por François Bégaudeuau, ator não-profissional, que havia escrito um livro sobre suas experiências como professor. Aqui ele também é François, um professor iniciando mais um ano letivo, e durante o filme, acompanhamos um ano na vida dele dentro de uma sala com seus alunos, e conhecemos de perto os conflitos que ele enfrenta a cada dia, tentando passar conhecimento para jovens que não sabem nem o porquê de estarem ali. Ainda existem os conflitos entre os próprios alunos e dos alunos para com o professor, logo que muitos levam esta relação para o lado pessoal.
Claustrofóbico. Um filme inteiro dentro de uma sala de aula, dentre esses muros que o título anuncia, que aliás, muros que existem até de forma, digamos, invisível, nesta relação professor/aluno, e quando esses "muros" caem, é quando surgem os choques de civilização.
"Entre os Muros da Escola" é bastante realista, até porque é feito por não-atores, François um professor de verdade e os jovens mostrados, alunos na vida real, somentes eles entenderiam o que se passa de verdade, naquele universo tão único e isolado. Parece que entramos na sala de aula e durante o filme fazemos parte daquela turma enfrentando os mesmos dilemas, surreal.Definitivamente, o melhor retrato já feito sobre a escola, sobre tudo o que faz parte desta instituição. Palmas para o diretor Laurent Cantet e para todos os envolvidos. Brilhante, merecedor dos elogios que recebeu.
NOTA: 9
Piaf - Um Hino ao Amor (La Môme, 2007)
O longa, dirigido por Olivier Dahan, conta a trajetória de uma das cantoras francesas mais respeitadas, Edith Piaf, interpretada por Marion Cotillard, vencedora do Oscar 2008 por Melhor Atriz.Piaf, uma mulher independente e muitas vezes arrogante, com uma voz inconfundível e admirada por muitos. Mas por trás desta fama existe uma história, fatos do passado que definiram quem ela se tornou. De uma infância sofrida, acompanhava a mãe cantar nas ruas, eis que seu pai ausente aparece e decide mudar o rumo da garota, sem condições de ficar com ela, lhe entrega para a avó da menina, sua mãe. Ela, uma dona de um bordel, Edith cresce no meio de um ambiente sujo, mas acaba se envolvendo com as prostitutas que se tornam suas amigas, mas logo é retirada por seu pai, mais uma vez que decide colocá-la nas ruas novamente para poder lucrar, é quando conhece o talento da menina em cantar e descobre um novo modo de gerar dinheiro.
Até que ela é descoberta por um dono de uma boate famosa, e Edith passa a fazer pequenos shows, sem muita experiências no palco e com uma voz marcante, ganha destaque, e sua vida começa a seguir outros rumos, mas o sofrimento, as perdas, as angústias, a acompanharam até sua morte, além delas, lhe sobrou o amor, amor pelas pessoas, pela sua profissão, era intensa ao extremo, quando amava, amava profundamente.
Uma trajetória de vida única, daquelas que deveria sim virar filme, não há roteirista que conseguisse criar uma vida como essa. "Piaf" consegue em pouco mais de 2 horas contar detalhadamente essa jornada, alternando entre seu presente e seu passado, aos poucos vamos entendo os porquês, e esse é um dos pontos positivos do filme, que opta por não contar sua vida numa ordem cronológica correta, o transformando em algo hipnotizador e original.Uma trilha sonora empolgante, figurinos belíssimos, cenários caprichosos, enfim, acertarem em tudo. Destaque para a maquiagem que faz com que Marion Cottilard convença tanto como uma adolescente de 16 anos a uma idosa.
Marion Cotillard. É difícil e arriscado dizer isso, mas digo com toda a certeza, a melhor performance feminina dos últimos tempos. Sua encarnação em Edith Piaf é de arrepiar, inacreditável, sua voz, seu jeito de andar, seu olhar, tudo muda, Cottilard renasce na pele da cantora, alcança a perfeição e vai além. Maravilhosa, magnífica, de ficar sem palavras ao vê-la em cena.
Marion Cotillard. É difícil e arriscado dizer isso, mas digo com toda a certeza, a melhor performance feminina dos últimos tempos. Sua encarnação em Edith Piaf é de arrepiar, inacreditável, sua voz, seu jeito de andar, seu olhar, tudo muda, Cottilard renasce na pele da cantora, alcança a perfeição e vai além. Maravilhosa, magnífica, de ficar sem palavras ao vê-la em cena.
NOTA: 8,5
MÉXICO:
E Sua Mãe Também (Y Tu Mama También, 2001)
Dirigido por Alfonso Cuarón, de "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban" e do ótimo "Filhos da Esperança", ainda no cinema mexicano, o diretor e também roteirista realizou "E Sua Mãe Também" que conta com Gael García Bernal, Diego Luna e Maribel Verdú no elenco.No filme, após suas namoradas viajarem a estudos, dois amigos, Tenoch (Luna) e Julio (Bernal), se juntam para curtir a vida, até que conhecem, em uma festa de família, a namorada de um primo de Tenoch, 11 anos mais velha que eles, a bela e independente Luisa (Verdú), numa brincadeira, eles comentam com ela que vão fazer um tuor em busca de uma ilha paradisíaca chamada "Boca do Céu". O que eles não imaginavam é que não muito tempo depois do encontro, ela é traída por seu namorado e decide fazer uma viagem, esquecer dos problemas, fugir de sua realidade e entra em contato com os adolescentes, pois sabiam que eles poderiam proporcionar isso a ela.
Julio e Tenoch, então, controlado por seus hormônios, forjam essa viagem para tê-la como acompanhante. Os três embarcam num caminho desconhecido, onde eles fazem as próprias leis, até que Luisa resolve tomar o controle do jogo e juntos entram num conflituoso e sensual relacionamento, de sexo, bebidas e novas descobertas.
Até a metade do filme, ele se resume a cena de sexos sem compromissos, chegando a incomodar, logo que se torna facilmente algo vazio, sem propósito, nada além de querer mostrar os corpos dos atores principais. Da metade para o final, ele começa a seguir um novo rumo, surgem os conflitos e se torna, algo, digamos, decente."E Sua Mãe Também" pode incomodar muitas pessoas, principalmente pelo papel da mulher exposto, onde ela nada mais é que um objeto, pronta para servir os homens da meneira como eles desejam, chegando a ser patético, preconceituoso e porque não, machista. Apesar de ter um final até que interessante, não chega a salvar o resto que foi um grande desperdício.
NOTA: 4
CANADÁ:
C.R.A.Z.Y - Loucos de Amor (C.R.A.Z.Y, 2005)
Resolvi deixar o melhor para o final. Primeiro e até então único filme canadense que vi e me surpreendi. Dirigido por Jean-Marc Vallée, o longa conta sobre uma família no lado "francês" do Canadá, o Quebec.Uma espécie de Paixão de Cristo comtemporânea, o filme nos mostra a trejetória de Zachary (Marc-André Grordin), desde seu nascimento até alcançar sua maturidade num aventura mística a Jerusalém. Zachary, o quarto filho, os outros Christian, Raymond, Antoine e o último Yvan: C.R.A.ZY. O nome do disco predileto do pai.
Nasceu no Natal, devido a isso, ganhava apenas um presente e uma festa, o de aniversário e o de Natal, seu aniversário praticamente nem existia, assim como sua pesssoa. Se sentia menos importante que os demais, eis que de uma mecha misteriosa no cabelo, a mãe coloca na cabeça que o filho é milagroso e pode curar as pessoas, devido a isso vai estudar num colégio para cristãos.
Na adolescência, vira ateu. Conhece o rock n' roll e as drogas, se recusa a ser como todos ao seu redor, mas ainda ama seus pais, e o que mais o aflinge é o distanciamento com o pai, que tanto ama. Até que numa festa, conhece o namorado de sua prima, é quando descobre ser homossexual e começa a ter um desejo quase obsessivo pelo rapaz. Tem conflitos fortes com seu irmão Raymond por suas opções de vida, e devido a seu comportamento forte, acaba destruindo a harmonia da família que aos poucos vai se desistruturando. Entretanto, por medo de magoar seus pais, ele se recusa a ser quem ele realmente quer ser, admitir o que ele realmente deseja ter.Uma história de amor, não entre um homem e uma mulher, mas entre uma família, que enfrenta os conflitos, as mágoas e tentam se manterem unidos. A história de um jovem que traça uma jornada em busca de ser aceito pelo pai, e poder sentir o retorno desse amor que sente por ele, um jovem que por amor, viveu uma mentira.
Incrível, inteligente, encantador, original ao extremo. Um drama muito bem desenvolvido, 2 horas muito bem preenchidas, com história interessantes, personagens bem escritos e conflitos empolgantes o suficiente para prender o público do início ao fim. Além de uma parte técnica muito bem produzida, como a trilha sonora bem utilizada, como a memorável cena de uma missa ao som de Rolling Stones e o clássico "Sympathy for the Devil", além de várias músicas de boa qulidade que traduzem muito bem a época, os anos 80."C..R.A.Z.Y" acima de tudo é poético e merece ser visto e admirado.
NOTA: 10
domingo, 8 de agosto de 2010
Crítica: A Origem (Inception, 2010)
Nos últimos anos, o cinema tem nos proporcionado obras interessantes mas que, infelizmente, originalidade não é um termo que se pode taxar qualquer título, até porque, muitos desses trabalhos são refilmagens ou adaptação de livros e HQ. Entretanto, ás vezes, surgem raridades, Charlie Kaufman com suas inusitadas histórias como "Quero Ser John Malkovich" e "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças", ou até mesmo a obra prima dos irmãos Wachowski "Matrix", são um desses. E 2010 entra para história como o ano em que uma das obras mais inteligentes e originais dos últimos tempos se lançou, o gênio da vez é Christopher Nolan e seu feito, 'A Origem".por Fernando Labanca
Há algum tempo venho me questionando sobre isso, como o cinema deixou de ser original, são pouquíssimos filmes que não se basearam em outra obra. É extremamente gratificante ir ao cinema e se deparar com um filme que vem com suas próprias idéias, lançam maneiras diferentes de alcançar determinado resultado. "A Origem" é surpreendentemente inteligente, nas primeiras falas percebemos que aquilo que estamos prestes a ver, irá ser inovador, diferente de tudo que já havíamos visto.
Na trama, Cobb (Leonardo DiCaprio) e Arthur (Joseph Gordon-Levitt) são mestres na arte de invadir a mente dos outros, são contratados por empresas milionárias para invadir o sonho de seus adversários para conseguirem determinados segredos. Entretanto, quando entram nos sonhos de um misterioso empresário, Saito (Ken Watanabe), descobrem que caíram numa grande armadilha, e Cobb decide abandonar tudo, fugir, pois não podem falhar, porém, o empresário dá sua última cartada, pede aos invasores do inconsciente que que eles façam um último trabalho, entrar no sonho de Fischer (Cillian Murphy), o filho de seu concorrente, que está prestes a herdar uma grande empresa. Saito deseja que eles façam algo novo, ao invés de retirar uma idéia do sonho, eles precisam implantar uma idéia, a idéia de dividir seu patrimônio. Em troca disso, o influenciado empresário consegue para Cobb uma viagem de volta a sua casa para se reencontrar com suas filhas, logo que ele havia sido acusado de matar sua própria esposa, Mal (Marion Cotillard) e devido a isso, nunca mais retornou.
Para isso, Cobb contrata a jovem arquiteta Ariadne (Ellen Page), uma aluna dedicada e extremamente inteligente, sua função passa a ser construir em seus sonhos, todas as estruturas de um cenário imaginário para que os sonhos do invasor pareçam reais. Para o grupo, eles ainda contam com a ajuda de Eames (Tom Hardy), que tem o dom de se transformar em outra pessoa nos sonhos. Entretanto, nada será tão fácil, para a inserção de uma nova idéia, de uma idéia tão complexa, eles precisam entrar profundamente na mente de Fischer, descobrir a origem do relacionamento com seu pai para que eles possam implantar a semente de uma nova idéia e que ela cresça e mude toda sua vida, e para isso, eles entram no nível 3, ou seja, invadir o sonho do sonho do sonho do herdeiro.
Mas por trás de toda essa armação que aparentemente é perfeita, Cobb esconde grandes segredos, como o fato de não poder mais desenvolver as estruturas do sonho, logo que Mal, sua esposa, ainda viva em sua mente, invade sua imaginação e sempre estraga seus planos. Ele ainda esconde uma triste e complexa relação que ele teve com ela e que mudou todo o seu modo de ser e agir e que na verdade, implantar uma idéia é muito mais perigoso do que se imagina e só ele sabe da verdade, a verdade que todos correm perigo e um simples ato no sonho, pode definir suas vidas para sempre.

Uma viagem. Christopher Nolan viajou, no bom sentido, totalmente para escrever um dos melhores roteiros do já vi. Constrói um mundo novo, com novas possibilidades, ruas que se inclinam e viram céus, acaba com a gravidade onde seus personagens andam nas paredes e lutam, sensacional. Os sonhos já foram alvo de muitos filmes, mas não da forma brilhante como Nolan aqui explora. Há cenas memoráveis, e ao meu ver, antológicas, como a incrível cena de Joseph Gordon-Levitt, onde ele luta pelas paredes e tetos, de deixar qualquer um de boca aberta.
Em "A Origem", Nolan, assim como em "Matrix" questiona a realidade, será mesmo que tudo o que vemos e sentimos é realmente o que devemos chamar de real? A comparação dos dois filmes é inevitável, seres que enquanto dormem entram numa realidade paralela, é perigoso dizer, mas acredito que o trabalho de Christopher tenha sido tão original quanto "Matrix", entretanto, no cinema acaba tendo um acabamento até melhor que a obra dos irmãos Wachowski, logo que aqui, a história tem um início, meio e fim, todas as informações do quebra-cabeça que se forma são entregues, de maneira nada simples e fácil, mas são entregues e o filme termina e deixa uma única ponta solta, mas que nada estraga e sim complementa, pois terminamos e ficamos refletindo e isso é fantástico. Já em Matrix, milhões de perguntas não são respondidas no primeiro filme, e o que era para ser brilhante, deixa a desejar nesse quesito logo que os irmãos deixaram para responder tais questões nas sequências, feitas apenas por dinheiro. Portanto, espero que este filme não tenha uma sequência, Stanley Kubrick não explicou o final enigmático de "2001: Uma Odisséia do Espaço" e nem precisou, hoje vivemos bem com a dúvida do final e mesmo assim o filme virou uma obra-prima. E "A Origem" não precisa de mais explicações, e acredito que a obra sobreviverá no tempo e também será um marco.
Leonardo DiCaprio, fantástico, pena que exerceu trabalho semelhante no ínicio do ano com o também ótimo, "Ilha do Medo" de Martin Scorsese. Em "A Origem" ele está incrível, a luta para alcançar seus objetivos é hipnotizante, constrói um ser misterioso e cheio de mágoa mas que tenta se segurar para fazer um trabalho digno. O elenco coadjuvante é de peso, Marion Cotillard, sensacional mais uma vez, diferente de muitas atrizes, depois que ganhou o Oscar, cresceu e só fez trabalhos interessantes desde então e este, mais uma vez, a atriz surpreende, construindo uma vilã totalmente fora do convencional, graçás também ao roteiro, que fez uma das personagens mais interessantes do ano e em sua pele, Mal ganha vida, e suas expressões dizem muito. Ainda temos os ótimos Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page, Tom Hardy, Ken Watanabe, Cillian Murphy e Michael Caine.
A trilha sonora ajudou e muito para "A Origem" ser literalmente um estouro. Hans Zimmer havia trabalhado com Nolan em "Cavaleiro das Trevas" e fez um trabalho excepcional, e repete seu talento neste filme, dando mais força ao longa, se transformando em algo hipnotizante, de arrepiar qualquer um em determinadas cenas. A fotografia também está ótima, assim como os interessantes efeitos especias. Mas digo que é difícil prestar atenção nas partes técnicas quando o roteiro não permite você se desligar da trama por um segundo apenas, qualquer frase perdida pode ser fatal e as peças do grande quebra-cabeça pode se perder.
"A Origem" repete o feito de filmes como, além de "Matrix", "Clube da Luta" e até mesmo o recente "Avatar", e os anteriores de Nolan como "O Grande Truque" e "Batman: O Cavaleiro das Treveas" onde os gênios por trás desses projetos constroem tramas para pessoas inteligentes, não nos subestimam, conseguem quebrar a tradição de que filmes "cabeças" também podem agradar o público, tranformam idéias extraordinárias em "buckbusters", agradando tanto os intelectuais quando a grande massa. Um filme fabuloso, genial, dinâmico, e até mesmo, emocionante, e claro, original, e este sim, é seu maior triunfo.
Na trama, Cobb (Leonardo DiCaprio) e Arthur (Joseph Gordon-Levitt) são mestres na arte de invadir a mente dos outros, são contratados por empresas milionárias para invadir o sonho de seus adversários para conseguirem determinados segredos. Entretanto, quando entram nos sonhos de um misterioso empresário, Saito (Ken Watanabe), descobrem que caíram numa grande armadilha, e Cobb decide abandonar tudo, fugir, pois não podem falhar, porém, o empresário dá sua última cartada, pede aos invasores do inconsciente que que eles façam um último trabalho, entrar no sonho de Fischer (Cillian Murphy), o filho de seu concorrente, que está prestes a herdar uma grande empresa. Saito deseja que eles façam algo novo, ao invés de retirar uma idéia do sonho, eles precisam implantar uma idéia, a idéia de dividir seu patrimônio. Em troca disso, o influenciado empresário consegue para Cobb uma viagem de volta a sua casa para se reencontrar com suas filhas, logo que ele havia sido acusado de matar sua própria esposa, Mal (Marion Cotillard) e devido a isso, nunca mais retornou.
Para isso, Cobb contrata a jovem arquiteta Ariadne (Ellen Page), uma aluna dedicada e extremamente inteligente, sua função passa a ser construir em seus sonhos, todas as estruturas de um cenário imaginário para que os sonhos do invasor pareçam reais. Para o grupo, eles ainda contam com a ajuda de Eames (Tom Hardy), que tem o dom de se transformar em outra pessoa nos sonhos. Entretanto, nada será tão fácil, para a inserção de uma nova idéia, de uma idéia tão complexa, eles precisam entrar profundamente na mente de Fischer, descobrir a origem do relacionamento com seu pai para que eles possam implantar a semente de uma nova idéia e que ela cresça e mude toda sua vida, e para isso, eles entram no nível 3, ou seja, invadir o sonho do sonho do sonho do herdeiro.Mas por trás de toda essa armação que aparentemente é perfeita, Cobb esconde grandes segredos, como o fato de não poder mais desenvolver as estruturas do sonho, logo que Mal, sua esposa, ainda viva em sua mente, invade sua imaginação e sempre estraga seus planos. Ele ainda esconde uma triste e complexa relação que ele teve com ela e que mudou todo o seu modo de ser e agir e que na verdade, implantar uma idéia é muito mais perigoso do que se imagina e só ele sabe da verdade, a verdade que todos correm perigo e um simples ato no sonho, pode definir suas vidas para sempre.

Uma viagem. Christopher Nolan viajou, no bom sentido, totalmente para escrever um dos melhores roteiros do já vi. Constrói um mundo novo, com novas possibilidades, ruas que se inclinam e viram céus, acaba com a gravidade onde seus personagens andam nas paredes e lutam, sensacional. Os sonhos já foram alvo de muitos filmes, mas não da forma brilhante como Nolan aqui explora. Há cenas memoráveis, e ao meu ver, antológicas, como a incrível cena de Joseph Gordon-Levitt, onde ele luta pelas paredes e tetos, de deixar qualquer um de boca aberta.
Em "A Origem", Nolan, assim como em "Matrix" questiona a realidade, será mesmo que tudo o que vemos e sentimos é realmente o que devemos chamar de real? A comparação dos dois filmes é inevitável, seres que enquanto dormem entram numa realidade paralela, é perigoso dizer, mas acredito que o trabalho de Christopher tenha sido tão original quanto "Matrix", entretanto, no cinema acaba tendo um acabamento até melhor que a obra dos irmãos Wachowski, logo que aqui, a história tem um início, meio e fim, todas as informações do quebra-cabeça que se forma são entregues, de maneira nada simples e fácil, mas são entregues e o filme termina e deixa uma única ponta solta, mas que nada estraga e sim complementa, pois terminamos e ficamos refletindo e isso é fantástico. Já em Matrix, milhões de perguntas não são respondidas no primeiro filme, e o que era para ser brilhante, deixa a desejar nesse quesito logo que os irmãos deixaram para responder tais questões nas sequências, feitas apenas por dinheiro. Portanto, espero que este filme não tenha uma sequência, Stanley Kubrick não explicou o final enigmático de "2001: Uma Odisséia do Espaço" e nem precisou, hoje vivemos bem com a dúvida do final e mesmo assim o filme virou uma obra-prima. E "A Origem" não precisa de mais explicações, e acredito que a obra sobreviverá no tempo e também será um marco.Leonardo DiCaprio, fantástico, pena que exerceu trabalho semelhante no ínicio do ano com o também ótimo, "Ilha do Medo" de Martin Scorsese. Em "A Origem" ele está incrível, a luta para alcançar seus objetivos é hipnotizante, constrói um ser misterioso e cheio de mágoa mas que tenta se segurar para fazer um trabalho digno. O elenco coadjuvante é de peso, Marion Cotillard, sensacional mais uma vez, diferente de muitas atrizes, depois que ganhou o Oscar, cresceu e só fez trabalhos interessantes desde então e este, mais uma vez, a atriz surpreende, construindo uma vilã totalmente fora do convencional, graçás também ao roteiro, que fez uma das personagens mais interessantes do ano e em sua pele, Mal ganha vida, e suas expressões dizem muito. Ainda temos os ótimos Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page, Tom Hardy, Ken Watanabe, Cillian Murphy e Michael Caine.
A trilha sonora ajudou e muito para "A Origem" ser literalmente um estouro. Hans Zimmer havia trabalhado com Nolan em "Cavaleiro das Trevas" e fez um trabalho excepcional, e repete seu talento neste filme, dando mais força ao longa, se transformando em algo hipnotizante, de arrepiar qualquer um em determinadas cenas. A fotografia também está ótima, assim como os interessantes efeitos especias. Mas digo que é difícil prestar atenção nas partes técnicas quando o roteiro não permite você se desligar da trama por um segundo apenas, qualquer frase perdida pode ser fatal e as peças do grande quebra-cabeça pode se perder."A Origem" repete o feito de filmes como, além de "Matrix", "Clube da Luta" e até mesmo o recente "Avatar", e os anteriores de Nolan como "O Grande Truque" e "Batman: O Cavaleiro das Treveas" onde os gênios por trás desses projetos constroem tramas para pessoas inteligentes, não nos subestimam, conseguem quebrar a tradição de que filmes "cabeças" também podem agradar o público, tranformam idéias extraordinárias em "buckbusters", agradando tanto os intelectuais quando a grande massa. Um filme fabuloso, genial, dinâmico, e até mesmo, emocionante, e claro, original, e este sim, é seu maior triunfo.
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