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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Retrospectiva 2017 - As Melhores Atrizes


Terminando a retrospectiva das atuações de 2017, escrevo agora sobre as atrizes que marcaram o ano. Interpretando personagens reais, fictícias, em comédia, drama e até em filmes teen. As mulheres brilharam durantes estes últimos doze meses em papéis desafiadores e de grande expressão. 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Crítica: Interestelar (Interstellar, 2014)


Christopher Nolan é um dos cineastras mais ambiciosos de nosso tempo, é de surpreender a maneira triunfante como ele retorna a cada novo trabalho, mesmo depois de grandes produções como "A Origem" e a trilogia do Batman, ele se mostra, mais uma vez, incansável, sempre disposto a fazer o melhor, o maior e mais impactante. "Interestelar" é grandioso, é também, sua obra mais pretensiosa e a mais corajosa que ele chegou a realizar em todos esses anos.

por Fernando Labanca

Trata-se de uma ficção científica, e das boas. Um raro exemplar de um gênero que há muito tempo não nos apresentava algo tão original, e ao mesmo tempo, tão clássico, tão épico. Christopher Nolan, que nitidamente teve grandes inspirações em "2OO1: Uma Odisséia no Espaço" (1968) de Stanley Kubrick, realiza um trabalho memorável, que nos presenteia com sequências milimetricamente bem elaboradas, que respeita a sétima arte, respeita o público. Me fez lembrar de um cinema mais puro, mais limpo, onde a cena nos permite compreender a ação, e por isso, nos dá tempo e a chance de apreciar cada instante. E por esses elementos, vejo a direção de Nolan como sendo tão corajosa, simplesmente por ele ter tido a ousadia de construir, em pleno 2014, numa época onde o 3D e os efeitos especiais dominaram as super produções, algo que remetesse aquelas produções mais antigas, chega a ser nostálgico a beleza das cenas, sem exageros visuais, tudo é muito real, e por isso, mais interessante, mais bonito. O filme se difere também pela importância que o roteiro dá para seus personagens e para os diálogos, logo que, mais do que um sci-fi, "Interestelar" se firma como um poderoso drama, que carrega durante toda sua trama uma forte e intensa carga emocional.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Crítica: Os Miseráveis (Les Misérables, 2012)

Mais um indicado na categoria Melhor Filme no Oscar 2013, "Os Miseráveis" é uma adaptação do musical da Broadway baseada na clássica obra de Victor Hugo. Com direção de Tom Hooper (O Discurso do Rei), o filme acompanha, através de canções, o drama de diversos personagens durante a Revolução Francesa. Com visual impecável, vemos um bom momento na carreira de Hugh Jackman e Anne Hathaway.

por Fernando Labanca

Revolução Francesa, século XIX. Conhecemos a miséria de Jean Valjean (Jackman) que por roubar um pão vai preso, no entanto, ao ganhar sua liberdade, passa a ser perseguido pelo policial Javert (Russell Crowe). Anos depois, com outra identidade e uma nova vida, Jean se depara com a miséria de Fantine (Hathaway), uma mulher que entrega seu corpo e sua alma para ganhar dinheiro e assim sustentar sua pequena filha, Cosette, que por sua vez, vive com os trambiqueiros Thénardier (Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen). Com a promessa de salvar a garota, Jean inicia um novo rumo a sua vida, amando e cuidando de Cosette, que muito tempo depois, já crescida (Amanda Seyfried), se apaixona por um revolucionário (Eddie Redmayne), que tem seu coração dividido entre a paixão pela bela moça e a luta em nome de sua nação.

Apesar de ser uma grande produção, "Os Miseráveis" pode muito bem ser considerado um filme experimental, isso porque a ousadia de Tom Hooper coloca seus atores cantando ao vivo nas gravações, dando maior realismo para suas expressões, mostrando uma força e coragem de um elenco que poucas vezes se viu em um musical. Aliás, fazia muito tempo que não víamos um musical tão grandioso como este, talvez, desde "Chicago". É tudo muito grande, o esforço nítido dos atores, a composição dos cenários, o cuidado com os figurinos e com todo o visual que surge em perfeito estado. Tom Hooper, por sua vez, parece querer levar ao pé da letra a adaptação teatral para o cinema, onde a impressão que fica é que nem mesmo ele compreendeu a grandeza de seu projeto e as grandes proporções que sua obra poderia alcançar, sua câmera parece não entender que isso é cinema, não mais teatro, seu realismo passa a ser forçado e o que poderia ter sido maior, como as sequências da revolução ao ar livre, surge pequeno, é como se houvesse um universo enorme nas mãos dele, porém, nem sempre ele transmite da melhor forma.


O roteiro assinado por William Nicholson, já acostumado com obras de época, ele que escreveu "O Gladiador" e "Elizabeth - A Era de Ouro", retorna na difícil missão de levar um musical para as telas. Vemos a miséria sob diversas perspectivas, seja daquele homem infeliz e vazio que tenta se redimir através do amor da filha que o destino lhe deu, seja daquela mulher que se prostituiu para salvar aquela que amava, ainda vemos o casal de oportunistas que encontram na trapaça e no roubo a única maneira de sobreviver, ou aquela jovem garota pobre que encontra no amor o único sentido para sua vida. Em seu roteiro, não é nítido, mas há diversos capítulos, alguns personagens tem seu início, meio e fim em poucos minutos, como é o caso de Fantine. O ponto de partida é a libertação de Jean Valjean e toda a sua trajetória vai dando vida a outros indivíduos, e a meu ver, isso foi um grande acerto, pois todos os personagens tem seu espaço, são bem desenvolvidos, onde cada um tem sua importância na trama. O problema de haver essas "subtramas" é que durante todo o filme, e eu estou falando de duas horas e meia de filme, como uma amiga minha disse e gostei de seu termo, há uma quantidade exagerada de "ápices dramáticos", ao seu final, já não mais aguentava tanto drama, tanto sofrimento de tantos personagens. O problema fica maior ainda quando todos esses intermináveis conflitos são cantados, é preciso dizer que gosto de musicais e não é de hoje que admiro este gênero, mas "Os Miseráveis" foi muito além do tom ideal, as canções extremamente melancólicas fazem deste longa jornada uma experiência ainda mais cansativa e maçante, se os dramas já são pesados, ficam ainda mais quando estes são cantados pelas vozes sofridas de seu elenco.

A sorte deste musical é que seu elenco é bastante corajoso. Não consigo entender esta surpresa das pessoas sobre a atuação de Hugh Jackman, é com certeza, o melhor momento de sua carreira, finalmente se consagra como ator, no entanto, este não é seu primeiro bom trabalho, quem viu obras como "O Grande Truque" de Christopher Nolan e "Fonte da Vida" de Darren Aronofsky, sabe muito bem disso. Jackman é o grande destaque deste musical, apesar de não cantar tão bem e desafinar constantemente com seus diálogos cantados, seu esforço como ator impressiona, se joga inteiramente neste difícil personagem. Anne Hathaway, é claro, é outro bom destaque onde já era assunto antes mesmo do filme lançar, sua magreza, seus cabelos raspados, a dor de sua voz e o sofrimento de seus olhos e suas expressões emocionam de forma intensa e seu memorável número musical "I Dreamed a Dream" é aquele que fica na nossa cabeça assim que o longa termina. Já Russell Crowe surpreende de tão ruim, além de cantar mal, o ator faz questão de não se expressar durante todo o filme, para piorar, seu personagem é o que há de pior neste musical, numa perseguição sem graça e insistente com o protagonista Jean Valjean. Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen estão bem em cena, são o alívio cômico no meio de toda a desgraça do roteiro e assim acabam salvando diversas sequências, é o ânimo no meio do sofrimento, o que é muito bom. Do restante do elenco, temos a novata no cinema Samantha Barks, jovem, porém é uma das grandes vozes do musical e a bela Amanda Seyfried e Eddie Redmayne que também estão ótimos. Sim, claro, a verdade é que não há nenhum grande cantor nesta produção, há muita desafinação e isso prejudica diversas cenas, no entanto, como disse anteriormente, é nítido o esforço de todos em cantar, vale por ver grandes atores se entregando desta forma, não recomendo sua trilha sonora, mas na tela, apesar dos erros, tudo é mais belo quando há ótimas atuações por trás das canções. 

"Os Miseráveis" provavelmente será lembrado entre os bons exemplos de musicais no cinema. Não é meu preferido e sinceramente esperava muito mais dele, porém sua beleza é inquestionável, toda a equipe deste filme, seu diretor e seus atores fazem de tudo para o melhor e isso é admirável, ver o esforço de muito trabalho, ver o quanto é um projeto arriscado, por ser tudo muito grande, muito ousado, ver o respeito do roteiro para com a obra original, tudo isso conta e fazem deste longa um musical de grande qualidade e que merece ser apreciado. Confesso que me cansou, duas horas e meia de pessoas cantando sem intervalos numa história pesada e com uma carga dramática muito acima do aceitável, este é o "Os Miseráveis" que tem emocionado muita gente, mas com certeza não é para todo o tipo de público. Gostei, é belo e muito bem realizado, e mesmo com suas falhas, Tom Hooper prova, mais uma vez, ser um diretor competente, que arrisca, que procura soluções nada fáceis, e mesmo com seus exageros, emociona.

NOTA: 8



segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Glodo de Ouro 2013 - Os Vencedores

 
Neste domingo, dia 13/01, foram anunciados os vencedores ao prêmio Globo de Ouro, conhecido como o principal termômetro para o Oscar. A premiação ocorreu em Los Angeles e teve como apresentadoras, as comediantes Tina Fey e Amy Poehler.

A premiação foi longa, isso devido aos inúmeros intervalos comerciais, no entanto, a apresentação de Tina e Amy foi divertida, deram dinâmica e conseguiram fazer ótimas piadas, não daquele humor forçado típico de premiações norte-americanas, acabou sendo engraçado simplesmente porque elas são ótimas no que fazem, fazer rir sem grandes esforços. Ainda teve o convidado especial, o ex-presidente Bill Clinton, para surpresa de todos, para comentar sobre o filme "Lincoln", acabou que sendo pura política mesmo.  Durante a noite, surgiram no palco diversos astros, mas sem sombra de dúvida, os melhores foram Will Ferrell e Kristen Wiig, que anunciaram o prêmio para Atriz Coadjuvante, foi simplesmente hilário.

Para minha grata surpresa, sim, o Globo de Ouro foi surpreendente. Não deu muitas chances para os favoritos e diferente do Oscar, compreendeu a qualidade do obra de Ben Affleck e o premiou como Melhor Diretor e a grande surpresa da noite, lhe deu o prêmio de Melhor Filme Drama para "Argo". "Os Miseráveis" também fez bonito na noite, ganhou 3 prêmios, desbancando o até então favorito "O Lado Bom da Vida" na categoria Filme - Comédia ou Musical. Outra surpresa foi "Django Livre" e seu prêmio de Melhor Roteiro. Outras premiações foi como se esperava mesmo, como não poderia ter sido ninguém além de Daniel Day-Lewis a ganhar Melhor Ator Drama, como também não poderia ter sido outra a ganhar Atriz Comédia além de Jennifer Lawrence. Como toda ano, sempre tem aquele premiado injusto, dessa vez ficou para a animação "Valente", bem inferior aos seus concorrentes como "Detona Ralf" e "A Origem dos Guardiões".

Vamos aos vencedores...



FILME - DRAMA

Argo
Django Livre
Lincoln
As Aventuras de Pi
A Hora Mais Escura


FILME - COMÉDIA OU MUSICAL
 
Os Miseráveis
O Lado Bom da Vida
Moonrise Kingdom
Amor Impossível
O Exótico Hotel Marigold


DIRETOR

Ben Affleck (Argo)
Steven Spielberg (Lincoln)
Ang Lee (As Aventuras de Pi)
Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura)
Quentin Tarantino (Django Livre)


ATRIZ - DRAMA

Jessica Chastain (A Hora Mais Escura)
Naomi Watts (O Impossível)
Helen Mirren (Hitchcock)
Rachel Weisz (The Deep Blue Sea)
Marion Cotillard (Ferrugem e Osso)


ATRIZ - COMÉDIA OU MUSICAL

Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)
Emily Blunt (Amor Impossível)
Judi Dench (O Exótico Hotel Marigold)
Maggie Smith (Quartet)
Meryl Streep (Um Divã Para Dois)


ATOR - DRAMA

Daniel Day-Lewis (Lincoln)
Joaquin Phoenix (O Mestre)
Richard Gere (A Negociação)
John Hawkes (As Sessões)
Denzel Washington (O Voo)


ATOR - COMÉDIA OU MUSICAL

Hugh Jackman (Os Miseráveis)
Bradley Cooper (O Lado Bom da Vida)
Jack Black (Bernie)
Ewan McGregor (Amor Impossível)
Bill Murray (Um Final de Semana em Hyde Park)


ATRIZ COADJUVANTE

Anne Hathaway (Os Miseráveis)
Amy Admas (O Mestre)
Sally Field (Lincoln)
Helen Hunt (As Sessões)
Nicole Kidman (The Paperboy)


ATOR COADJUVANTE

Christoph Waltz (Django Livre)
Alan Arkin (Argo)
Leonardo DiCaprio (Django Livre)
Philip Seymour Hoffman (O Mestre)
Tommy Lee Jones (Lincoln)


ROTEIRO

Quentin Tarantino (Django Livre)
Mark Boal (A Hora Mais Escura)
Tony Kushne (Lincoln)
Chris Terrio (Argo)
David O.Russell (O Lado Bom da Vida)




FILME ESTRANGEIRO

Amor (Austria)
A Royal Affair (Dinamarca)
Intocáveis (França)
Kon-Tiki (Noruega)
Ferruagem e Osso (França)


ANIMAÇÃO

Valente
Detona Ralph
A Origem dos Guardiõs
Frankenweenie
Hotel Transilvânia




TRILHA SONORA

Michael Danna (As Aventuras de Pi)
Alexandre Desplat (Argo)
Dario Marianelli (Anna Karenina)
Tom Tykwer (A Viagem)
John Williams (Lincoln)


CANÇÃO ORIGINAL

"Skyfall" (007 - Operação Skyfall)
"For You" (Um Ato de Coragem)
"Not Running Anymore" (Stand up Guys)
"Safe and Sound" (Jogos Vorazes)
"Suddenly" (Os Miseráveis)

sábado, 11 de agosto de 2012

Crítica: Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises, 2012)

Em 2005 estreava nos cinemas "Batman Begins", do até então pouco conhecido Christopher Nolan. Na época, era somente mais um começo para o herói, dentre tantas histórias que o cinema já havia visto. Não sabíamos, porém, a grandiosidade de tudo aquilo, o que de fato aquele Nolan estava prestes a realizar. Hoje, "O Cavaleiro das Trevas Ressurge" chega com um final épico, algo que nos últimos anos não tivemos a chance de ver, a saga de um herói, incrivelmente construída, do início ao fim, eleva o nível do gênero para um outro patamar, faz qualquer outro já lançado parecer pequeno, sem graça. O público agradece, Nolan fez um bem para o cinema este ano.

por Fernando Labanca

A história ocorre oito anos após os ocorridos do último filme, onde a morte de Harvey Dent definiu os rumos de Gotham City. Ele passa a ser visto como herói, seu nome foi dado a uma lei onde devido a ela, os crimes desapareceram da cidade e o povo vive um tempo de paz, já Batman, é visto como aquele que causou a morte de Dent. Enquanto isso, Bruce Wayne (Christian Bale) se esconde na solidão de sua mansão, mas se vê obrigado a retornar quando Selina Kyle (Anne Hathaway), uma habilidosa e sedutora mulher cruza seu caminho e estraga seus planos. Ele, retorna como Batman também, ao compreender que a cidade ainda precisava de um herói, capaz de deter os terríveis planos de Bane (Tom Hardy), um homem que diferente de Bruce, nasceu na escuridão mas que também fora treinado por Ra's al Ghul (Liam Neeson), e passa a controlar Gotham levando a diante os ideais da Liga das Sombras.

"O Cavaleiro das Trevas Ressurge" é muito mais uma sequência de Batman Begins do que do segundo filme. Muitos elementos do primeiro filme retornam aqui, acredito eu, aconteceu devido a ausência do vilão Coringa, era a única ponta solta deixada do longa anterior e que não teve a chance de ser continuada. Coringa foi um personagem épico, genial, obviamente fez falta nesta história, mas o roteiro brilhante conseguiu construir inúmeros outros elementos que esta falta acabou sendo pequena, há muita coisa nova, personagens novos, e definitivamente, tudo é muito bom, cada detalhe, cada cena, cada novo ser que surge na tela, tudo com uma extrema qualidade, qualidade que há muito não se via no gênero. É interessante essa conexão que ele faz com o "Begins", é como se conseguisse de forma magistral fechar todas as pontas, fecha um ciclo, busca situações do passado e retorna de forma conveniente, onde tudo passa a fazer sentido, tudo tem um porquê, o que percebemos disso tudo, é que Christopher Nolan é um gênio, parece que tudo fora pensado desde o primeiro filme, pois cada pequeno detalhe faz a diferença, tudo se encaixa, uma trilogia muito bem planejada. 


O que mais surpreende no filme, porém, é a belíssima composição dos personagens. Em certo momento Batman diz aquilo que todos sabemos, Batman pode ser qualquer um de nós e essa é a grande sacada do herói e esta qualidade se torna mais nítida neste filme. Sem poderes especiais, sem apelações visuais, Batman é o que é e a seriedade com que o roteiro nos apresenta o herói, faz dele o melhor que já existiu no cinema, e a ligação que ele tem com a cidade de Gotham, a necessidade que ele tem em salvá-la, diferente dos outros heróis que possuem como única preocupação, se livrar do vilão. Bane como vilão, é definitivamente, menor que o Coringa e o Duas Caras, mas ainda assim se mostra um personagem interessante e bem construído, é assustador até, sua voz modificada e o modo como ele age, sem temer, decidido a implantar o terror e o caos, como mesmo diz, é um torturador, não do corpo, mas da alma, e é exatamente o que o vilão consegue, o medo que causa não é por sua força, mas o quão ele afeta o psicológico das pessoas, até mesmo do público. A outra grande sacada do roteiro é colocar Batman como coadjuvante, não porque o herói não tem força para levar o filme como protagonista, mas sim porque a história de como Gotham precisa ser salva não depende somente dele, porque os heróis são todos, o herói é aquele homem que coloca a mão no ombro de uma criança e lhe dá esperança, este é o Comissário Gordon que é um outro grande herói da trama, desde o primeiro filme, é aquele homem que não é enaltecido pela mídia, mas sempre esteve lá. A composição de Selina Kyle é genial, sua ambiguidade, nunca sabemos ao certo qual o caminho que ela irá seguir, mais interessante ainda é como em nenhum momento ela é chamada de "Mulher Gato". Ainda temos outros personagens fortes que surgem de repente, com destaque, e somente no final compreendemos o quão eles eram importantes na história, como o detetive John Blake (Joseph Gordon-Levitt) e Miranda Tate (Marion Cotillard). Além dos clássicos Alfred (Michael Caine) e Fox (Morgan Freeman). O roteiro incrivelmente consegue, durante as quase três horas de filme, dar destaque para cada um desses personagens, provando a força e a qualidade da obra. 

Assim como o segundo filme da trilogia e diferente de qualquer outro filme de herói já feito, "O Cavaleiro das Trevas Ressurge" trás e muito conteúdo. Não é uma história furada, não necessita de piadas e efeitos visuais exagerados para conquistar o público. Um filme que aposta na inteligência daquele que assiste, constrói uma trama rica em detalhes, com personagens perfeitamente inseridos e cheio de oscilações, complexos, até, eu diria. Um filme maduro, adulto, que leva sua ideia de forma séria e por isso consegue um respeito que nenhum outro filme do gênero conquistou. O longa trata como seu tema principal, o medo e é interessante como essa mesma palavra definiu toda a trilogia, como seus personagens tinham uma ligação com este sentimento. Batman que surge como aquilo que ele mais temia, os morcegos, surge para dividir com os bandidos o que ele tinha medo de encarar, assim como o Espantalho que usava como o medo alheio sua principal arma. E como um ciclo, a palavra retorna aqui e o que é debatido é justamente o medo da morte e como Bruce ausente deste medo era incapaz de compreender as ações de seu inimigo, como temer a morte não nos faz mais fracos, pelo contrário, nos faz mais fortes, pois sem a dúvida do que acontecerá no futuro, sem o receio de falhar, jamais crescemos, jamais encontramos a força suficiente para vencer, o medo trás consigo, a esperança. É belo, então o momento em que Bruce compreende isso, retornando em sua mente a imagem de seu pai e sua antológica pergunta..."porque caímos?", deixando um vazio para sua resposta e este mesmo vazio é preenchido por aquele sentimento em que todos os heróis do filme buscam em si mesmos, pois todos estão em busca de ressurgir, de se reerguer, acreditar no melhor, voltar a ter esperança. Caímos justamente para aprendermos a levantar.


Chega a ser brilhante o ritmo que este filme possui. Este é Christopher Nolan. Daqueles filmes que acabam e realmente bate aquela estranha vontade de levantar e bater palmas, pois é tudo magnífico. Cada cena parece algo memorável, desde a primeira sequência no avião que é simplesmente de tirar o fôlego, passando pela luta entre Batman e Bane, ausente de trilha sonora, sentimos a dor e cada pancada que os personagens levam, as perseguições, a presença de Selina Kyle, que por si só já é um espetáculo, o emocionante diálogo entre Bruce e Alfred, a antológica luta entre policiais e cidadãos no meio da rua, a explosão do campo de futebol, simplesmente genial. E cada um desses elementos fortalecidos pelo som, que assim como todos os filmes de Nolan, parecem diferenciados, fazem o coração parar de bater. A trilha sonora de Hans Zimmer é um show a parte, faltam palavras para descrever a grandiosidade de seu trabalho. Mas é claro que o filme também não escapa de alguns erros, chega a ser estranho como os personagens conseguem se encontrar tão facilmente numa cidade tão grande, sem contar que os heróis chegam sempre no momento e na hora certa, e são nesses momentos que o roteiro deixa a coerência de lado, ou a sequência em que Wayne fica preso, enrola no desnecessário, constrói acontecimentos um tanto quanto inverossímeis e a finaliza de forma bastante clichê e forçada. Entretanto, os erros se tornan pequenos quando há tanto acerto. Um conjunto perfeito de uma direção impecável de Christopher Nolan, com um roteiro genial, inteligente e muito bem detalhado, inserção de personagens ricos interpretados por um grupo de atores talentosos e dispostos a fazerem algo de qualidade, com cenas que ficarão na memória depois de muito tempo. Mais do que um filme memorável, é aquela obra que a gente faz questão de não mais esquecer, pois é algo único e raro.

O longa conta com um grupo de atores admiráveis. Christian Bale é o Batman, ponto. A verdade é que ele acaba sendo o ator que menos tem chance de mostrar talento na trama, mas nenhum outro ator na pele do herói conseguiu convencer tanto quanto ele. Mas o destaque mesmo são os coadjuvantes. Anne Hathaway rouba a cena, a maneira como a atriz se comporta frente as câmeras, capaz de transmitir toda a ambiguidade de sua personagem, auxiliada por sua beleza e carisma, faz muito mais do que ser a heroína sexy, é uma atriz talentosa que deu o seu melhor e entra para a lista do que houve de melhor na trilogia. Tom Hardy, infelizmente tem sua voz alterada, seu rosto escondido, é um grande ator, mas some. Joseph Gordon-Levitt é outro grande destaque na história, tem cenas ótimas, emociona em alguns de seus diálogos e se mostra um dos melhores atores de sua geração. Marion Cotillard, surge menor para uma atriz vencedora do Oscar, e temos sempre a sensação de que ela merecia mais e poderia ter feito algo melhor. Já o veterano Gary Oldman se mostra ainda mais a vontade como Gordon e se destaca por sua grande atuação, assim como Michael Caine que emociona e tem uma performance admirável.

"O Cavaleiro das Trevas" de 2008 foi um filme incrível, de fato, um dos melhores do gênero, conseguiu então, em 2012, um grande concorrente, e o que parecia impossível, Christopher Nolan faz uma sequência a altura de seu antecessor, não o superou, o segundo longa é ainda o ponto alto dos três filmes, no entanto, como conjunto, vemos aqui uma das trilogias mais fantásticas dos últimos anos. Recomendo. Como escrevi anteriormente, Nolan fez um favor para o cinema este ano, mostrou como se faz uma história de um herói, como criar algo grandioso, como se faz um blockbuster sem subestimar a inteligência de seu público, mostrou o que é um final épico, para uma trilogia épica.

NOTA: 9,5





segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Crítica: Um Dia (One Day, 2011)

Baseado no Best Seller de David Nicholls, que aqui assina como roteirista, o filme tem a direção da dinamarquesa Lone Scherfig (Educação) e conta com as atuações de Anne Hathaway e Jim Sturgess como o casal que enfrenta o pior de todos os vilões, o tempo. 

por Fernando Labanca

15 de julho, a data que marcaria a história de duas pessoas pelo decorrer de suas vidas. Ano de 1988, Emma (Hathaway) e Dexter (Sturgess) enfim trocam palavras no dia da formatura, mesmo eles tendo estudado por anos juntos, para a felicidade da garota azarada e tímida em finalmente conhecer o típico popular do colégio. Eles ficam aquela noite, dia de São Swithin, e como tradição do dia, qualquer acontecimento estaria fadado a se repetir, permanecer nos próximos anos. O que de fato, acontece.

1989, passando pela década de 90, anos 2000. E durante 20 anos, Emma e Dexter vão se reencontrando, e sempre no dia 15 de julho, algo de importante ocorre em suas vidas, estando eles juntos ou não. Ele, metido, arrogante, com excesso de auto-estima, conhece a fama e o poder, e o tempo lhe mostra que nem tudo é para sempre, também conhece a perda, o fracasso. Já Emma, não acredita em si mesma, no seu potencial, se torna professora mas pouco se depara com o sucesso. E nesses anos, se tornam amigos, confidentes, aquele pilar que suporta os erros e ajuda a encarar os medos. O amor estava ali, era nítido, mas achavam que tudo era para sempre, que teriam tempo. Mas o tempo voa, e ele não perdoa, é ele quem nos dá a felicidade, o sucesso, mas também é ele que nos trás as verdades, e que nos tira as chances de algo que não aproveitamos no passado. 



Não, não é um simples filme de romance. É muito mais do que isso. "Um Dia" é basicamente sobre o tempo, o que ganhamos, o que perdemos, o que ele nos dá, o que ele nos tira. E em menos de duas horas de filme, vemos uma vida inteira, ou melhor, duas vidas. Acompanhamos o decorrer dos anos de Emma e Dex, do sucesso ao fracasso, da tristeza ao auge da felicidade, vemos o tempo moldando a personalidade deste casal, e neste quesito, é muito interessante analizar o filme, ver as mudanças deles, o quanto as experiências da vida de cada um vai os alternando e alterando a vida do outro. Sim, também há romance, e do melhor. O casal mostrado emociona e encanta, acredito pelo fato do roteiro nos fazer indentificar com eles, simplesmente por serem humanos, não serem os típicos casais de filmes de romance, eles que erram, acertam, erram de novo e no mesmo erro, por serem idiotas, por vezes, irritantes. Dexter é o famoso anti-herói que não inspira ninguém e Emma é aquela que demora a acordar pra vida, e juntos, com seus encontros e desencontros, nos fazem emocionar, torcer, e se envolver, pelo menos, foi assim que me senti durante toda a história. 

Lone Scherfig com sua experiência nos prova mais uma vez seu talento por trás das câmeras, depois do adorável "Educação" de 2009. "Um Dia" não é diferente, também é um filme adorável, daqueles pra se guardar na memória e rever milhões de vezes. Ela trás estilo ao longa, um charme que poucos filmes este ano conseguiram, ajudada pela incrível fotografia e trilha sonora, na maioria da vezes, instrumental. Outro ponto extremamente positivo foi o roteiro, contar uma história de 20 anos em 108 minutos não é para qualquer um, e o resultado foi positivo. O filme soube transitar facilmente a cada ano mostrado, e em apenas um diálogo, conseguimos compreender o que ocorrera nos meses anteriores sem a necessidade de mostrá-los. E em cortes, vemos toda a mudança na vida das personagens, sem parecer corrido ou artificial. O interessante também, é que os anos não são identificados apenas com as informações na tela, mas também são traduzidos com o olhar da diretora para cada época, cada ano parece ter uma cor diferente, um estilo diferente, se destacando também os figurinos, muito bem inseridos, além da maquiagem, fazendo Anne Hathaway e Jim Sturgess convencerem tanto quanto jovens no colegial quanto adultos. 

Por falar nos atores, Hathaway e Sturgess dão um belo show na tela. Anne que foi criticada por alguns por seu sotaque britânico, logo que ela é norte-americana, pode sim ter sido um problema para os ingleses, mas ao meu ver, pouco interferiu no resultado final. Sua atuação é bela, convincente, se em algumas cenas o filme perdia um pouco de ritmo, lá estava ela com seu brilho, elevando todas as cenas em que esteve presente, soube trasmitir toda a inocência da joventude até a maturidade alcançada ao decorrer dos anos. Sturgess por sua vez, falhou em algumas sequências, principalmente na primeira metade, foi estranho vê-lo como apresentador de TV, sua arrogância nem sempre convenceu, mas vai melhorando e no final, emociona com sua performance sensível. E os dois juntos, possuim uma adorável química, talvez um dos casais mais interessantes visto este ano no cinema. 

"Um Dia" me surpreendeu, esperava ver um filme bom simplesmente pelo seu elenco que ainda conta com a ótima performance de Patricia Clarkson e a belíssima Romola Garai. Mas também esperava ver um romance meloso, bonito, mas meloso. Não foi o que vi, vi um filme maduro, inteligente, com ótimos diálogos, atuações convincentes, e uma história incrível sobre o tempo e amizade. E para melhorar, um final marcante, emocionante, que fez toda a história fazer sentido. Vale muito a pena arriscar nesta obra. Recomendo. 

NOTA: 9




domingo, 20 de fevereiro de 2011

Crítica: Amor & Outras Drogas (Love & Other Drugs, 2010)

Comédia romântica para maiores!

por Fernando Labanca

No final de janeiro estreou aqui no Brasil "Amor e Outras Drogas", filme que conta com atuações de Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway e com a direção do veterano, mas novato no gênero, Edward Zwick (O Último Samurai, Diamante de Sangue).

A história inicia no final da década de 90, e vemos a trajetória de Jamie Randall (Gyllenhaal), um vendedor promissor de uma loja de eletro eletrônicos e um conquistador barato, capaz de conquistar as mais belas mulheres com apenas algumas palavras. Eis que é demitido e por viver numa família de médicos acaba seguindo o mesmo rumo, e passa a ser estagiário como representante de vendas numa das maiores empresas farmacêuticas, a Pfizer. Para isso, começa a ter contato com médicos, passa a ter alguns rivais e ter a chance de sair com várias mulheres. Até que conhece Maggie (Hathaway), num consultório médico, uma artista e com apenas 26 anos sofre do mal de Parkinson.

Por alguns mal entendidos, eles se conhecem, e sem muitos rodeios vão para os finalmente. Para a sorte de Jamie, ela também não queria nada sério, nada a mais do que sexo, e entre os lençóis, os dois vão compartilhando confidências, e quando menos esperavam, estavam apaixonados. Para melhorar ainda mais sua vida, surge um remédio no mercado que influencia e muito no seu crescimento profissional, o Viagra, e graças ao seu talento em vendas a pílula passa a se popularizar, e ele, promovido. Mas um agravante impede de ambos terem um relacionamento normal, a doença de Maggie avança, é quando Jamie percebe o porquê dela querer ele sempre tão distante e o porquê dela nunca conseguir se entregar a alguém mesmo sendo tão incrível. E enquanto ele se vê crescendo no trabalho, também assisti a degradação de sua amada, é quando percebe que há coisas na vida que valem mais a pena lutar e nisso passa a apoiá-la, indo muito mais além do que ele imaginava de um relacionamento.




"Amor e Outras Drogas" vai muito além do que apenas uma comédia romântica, além de conseguir inserir o drama, o filme aborda temas interessantes como o mal de Parkinson, muito bem trabalhado na trama, sem ser apenas um pano de fundo e consegue emocionar com a sensibilidade e realismo. E todo o universo farmacêutico, os conflitos existentes nesta área, a ética de trabalho, até mesmo críticas a indústria que lucra com a desgraça alheia. O romance e humor também estão presente, mas o longa não se permite ser taxado nem limitado, atravessa fronteiras e vai muito além do óbvio.

O porquê de ser uma comédia para maiores, está nas cenas quentes que o filme nos proporciona. Anne Hathaway e Jake Gyllenhaal literalmente se despem para compor seus personagens, poucas roupas e cenas de sexo, bastante sensuais e muito raras no gênero, e que por incrível que pareça, eleva o nível da produção, por se arriscar, ir além do que o público está acostumado a ver em comédias românticas. E tudo isso é mostrado com bastante seriedade, com cuidado, sem parecer vulgar ou obsceno, tudo soa natural, nada forçado, de forma bela e muito corajosa.

Os atores principais fazem do filme ainda melhor. Jake Gyllenhaal está ótimo, não é a primeira vez que o ator surpreende na tela, mas este é um de seus melhores, versátil, convincente, divertido e carismático, mas também faz bonito nas cenas mais dramáticas. Mas o drama fica mesmo por conta de Anne Hathaway que tem uma atuação brilhante, convense tanto no humor, que sempre foi seu forte, quanto no drama, que nos transmite com fidelidade sua dor, sua insegurança. Dentre os coadjuvantes, Oliver Platt, se supera, com um personagem interessante e infelizmente pouco aproveitado pelo roteiro, diferente de Josh Gad, que interpreta o irmão de Jamie, com muito destaque na trama, ele faz as piores sequências do filme, em parte pela atuação forçada e copiada de outros papéis, em outra pelo roteiro que lhe entregou as piores falas e as piores piadas, infelizmente destruindo várias cenas que poderiam ter ficado melhores. Ainda há Hank Azaria, Judy Greer e Gabriel Match, corretos.

A época é bem retratada pelos figurinos, pelos cenários, a falta de tecnologia e principalmente pela trilha sonora. Alguns hits interessantes que nos remetem aquele tempo como "Two Princes" do Spin Doctors, por outro lado, a trilha sonora também comete seus erros, como a repetição de uma faixa instrumental todas as vezes que o casal enfrenta algum dilema ou alguma discussão importante, perdendo um pouco do clima e ficando muito repetitivo.

Enfim, palmas para Edward Zwick, um dos últimos diretores que poderiam ser escalados para uma comédia romântica, surpreende pela versatilidade, não é seu melhor trabalho, mas ainda assim é uma obra interessante que vale a pena ser conferida. "Amor e Outras Drogas" por muitas vezes perde o ritmo, existem sequências que poderiam ser deletadas, por outro lado há cenas incríveis que valem o ingresso e o final é bem satisfatório, mas por fim, o melhor de tudo mesmo, é ver Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway, atores incríveis em cena, carismáticos e com uma bela química entre eles. Recomendo.

NOTA: 8.0

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Crítica: Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 2010)


Tanto na literatura, na televisão ou no cinema, Alice, obra de Lewis Carroll, já foi alvo de milhares de adaptações. Em 2010, o visionário diretor Tim Burton lançou nos cinemas sua visão do conto, e levou tanto seus fãs quanto os fãs da história infantil, ao delírio. Entretanto, criaram tantas expectativas em cima deste longa, que o que restou no final do filme, foram apenas decepções!

por Fernando Labanca

Lewis Carroll escreveu dois livros sobre Alice, além de "No País das Maravilhas", o autor escreveu "Alice Através do Espelho", o que Tim Burton fez, foi uma mescla dessas duas obras, além do fato de renovar a história colocando Alice em seu mundo imaginário muitos anos depois. Foi algo como: "O que aconteceria se Alice voltasse ao país das maravilhas?", e Burton fez sua visão, contando um pouco do mesmo, além de criar muitos outros elementos, é mais do que apenas uma outra adaptação, é como se fosse uma nova sequência.

No filme, Alice, aos 17 anos, quase entrando na fase adulta nunca deixou seu lado infantil totalmente de lado, desde sempre teve uma visão um tanto quanto imatura sobre sua vida e quando estava prestes a se casar forçadamente com um estranho, ela encontra uma maneira de fugir, indo atrás de um coelho em plena festa de noivado. Um coelho misterioso e muito apressado, e a jovem, em sua busca acaba caindo em um buraco que a leva em um mundo cheio de maravilhas e encantos. 

Chegando no País das Maravilhas, Alice se depara com várias criaturas, animais que falam, gêmeos que vivem brigando e uma lagarta que sabe sobre tudo, e todos dizem uma única coisa: "Ela não é Alice". Confusa e completamente perdida, ela chega a conclusão de que há muitos anos atrás uma garota chamada Alice esteve por ali e desde então todas as criaturas esperavam seu retorno, mas acabaram pegando a jovem errada. A bela moça sempre se defende dizendo que não é o que eles procuram, principalmente quando lhe mostram um calendário que mostra o que vai acontecer nos próximos dias, e no último deles, há o "Gloria Day", onde Alice mataria uma criatura monstruosa que atormenta a todos. Esta criatura é comandado pela poderosa Rainha Vermelha, que o usou para tirar a coroa da Rainha Branca, o matando, o reino voltaria a ser de Rainha Branca e todos voltariam a ser felizes. Mas Alice nunca mataria alguém. Não era uma questão de destino, e sim, uma questão de escolha.

Até que ela conhece o Chapeleiro, uma criatura estranha e maluca e junto com ele, Alice vai descobrir o porquê de todos serem tão infelizes sob o governo de Rainha Vermelha e por que ela é tão importante naquele lugar, e sim, ela era a Alice que todos esperavam. A partir de então, surge uma aventura que salvaria a vida de todos, os libertariam, e quanto mais tempo a jovem passa naquele lugar, mas ela tem certeza de que tudo não passa de um sonho, o pior ou o melhor deles, e fica cada vez mais difícil se apegar aos novos amigos sabendo que uma hora iria acordar e se esqueceria de tudo.














Por mais que o cinema esteja avançando tanto devido a tantas tecnologias, a mente das pessoas também evolui e hoje, aqueles que assistem a um filme, esperam mais dele. Não adiante colocar batalhas diante de nossos olhos, queremos um bom motivo para estarmos vendo aquilo. Não adiante colocar tantos personagens na tela, esperamos ver histórias, conflitos interessantes para nos prender nela e mais do que isso, queremos o mais real possível, temos que sentir que aquelas personagens são reais mesmo que numa história de fantasia, queremos sentir que são seres que tem alma e sentem algo, que sejam humanos. E infelizmente, a tecnologia 3D faz com que inúmeros filmes sejam projetados para ficaram bonitos de se verem e assim ganharem público, mas aqueles que os fazem, simplesmente esquecem, que por trás de uma bela capa tem que haver uma bela história.

Tim Burton, diretor tão renomado se entregou a isso, fez um filme para ser bonito de se ver, para ser exibido em 3D e pronto, nada a mais. Um filme que é pura estética, e seu roteiro é falho. Um longa fraco, chato e muitas vezes entediante. Como eu disse anteriormente, hoje, esperamos muito mais de um filme, e Alice não surpreende em nenhum aspecto. Sou um admirador assumido dos filmes de Tim Burton, e digo com toda a certeza, é decepcionante saber que este longa agora faz parte de sua "brilhante" trajetória.

O filme começa, se desenvolve fracamente e termina...e pensamos: "Só isso??". Um filme sem pé nem cabeça, onde as atitudes das personagens são forçadas e completamente toscas. A história poderia até ser interessante se desenvolvida melhor, mas infelizmente, o diretor, se priva disso, e se esforça somente nos efeitos e na imagem do filme. Da metade para o final, o famoso conto de Alice some e o filme se transforma em um épico juvenil patético, deixando As Cronicas de Nárnia parecer genial.

A protagonista é ruim, Mia Wasikowska é completamente sem graça, não consegue expressar nenhum tipo de sentimento, deixando o filme mais vazio do que realmente é, a Alice de Tim Burton é chata e sua imaturidade é irritante. Johnny Depp mais uma vez fazendo o de sempre, o cara estranho e engraçadinho, é um ótimo ator e isso é inegável, mas chega uma hora que precisamos ver algo diferente, fez um mero coadjuvante que nada ajuda na trama. Anne Hathaway, simpática, como sempre, mas muito caricata, e sua personagem também é fraca. A salvação, não só das personagens, mas também de todo filme, foi colocar Helena Bonham Carter, a esposa de Burton, como a Rainha Vermelha, a única que se salva, uma vilã divertida e a única com alma no filme, vem dela os melhores diálogos e as melhores sequências, a atriz é incrível e impecável. Vale destacar as personagens secundárias, como o gato risonho, os gêmeos Tweedledee e Tweedledum e a lagarta, todos muito carismáticos e que ajudam em algumas cenas.


Vale a pena ver simplesmente pelas imagens, uma fotografia deslumbrante, cenários encantadores e tudo no mais perfeito estado, o figurino também chama a atenção. Os efeitos são maravilhosos, é de ficar de boca aberta com tudo o que vemos, na mais simples cena, a equipe parece acertar em tudo, um filme, esteticamente falando, irretocável. Além da trilha sonora de ninguém mais que Danny Elfman.


Não espere nada de Alice no País das Maravilhas, pois como eu disse o resultado será decepcionante. Um filme que vai encher o bolso de Tim Burton mais que nada irá acrescentar em sua carreira. Sinceramente sinto falta do diretor de A Noiva-Cádaver e Peixe Grande, pois desse grande diretor nada apareceu em Alice. Um filme que me assusta, pois me faz refletir sobre até que ponto a tecnologia pode estragar a sétima arte, ou o que um diretor capaz de fazer tantas coisas boas é capaz de fazer por dinheiro.

NOTA: 5









domingo, 16 de agosto de 2009

Crítica: O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married, 2008)


O Casamento de Rachel é um dos filmes mais interessantes que chegou na locadora recentemente, mais do que isso, um dos melhores filmes do ano, surpreendentemente emocionante, uma experiência única e inovadora.


por Fernando.

O filme, dirigido por Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes) conta uma história ocorrida em um final de semana, era para ser um final de semana belo e cheio de boas surpresas, até a chegada do elemento principal que destruiria toda a harmonia. É o casamento de Rachel (Rosemarie DeWitt), e para isso, ela convida toda os parentes para celebrar o dia mais perfeito de sua vida, todos se reunem na casa da família, grande e com um belo jardim, que seria palco da união. Porém, chamar toda a família, inclui em chamar Kym (Anne Hathaway), sua irmã, que tira uma folga da clínica de reabilitação para participar do casamento. Kym é símbolo de problemas, usava drogas e se embebedava na adolescência cheia de conflitos, hoje, tenta se recuperar nessa clínica.

Kym é hospedada na própria casa, com o maior desprezo da parte dos familiares, que praticamente ignoram sua chegada. Seu pai, Paul (Bill Irwin), extremamente atencioso, não tira os olhos dela, com medo de aprontar alguma na tão esperada festa. Seus pais são separados, e sua mãe, como sempre, atrasada. Reencontra com Rachel, e as duas tentam esquecer, ou fingir que esqueceram os problemas do passado, entretanto, evitar que brigas acontecem vai ser uma tarefa bem mais difícil que Kym imaginava, logo que se depara com sua prima mais detestável como sendo a madrinha do casamento. Briguinhas a parte, vamos ao casamento. Primos, primas, tios, tias de toda a parte, e a chegada do noivo só complementa essa diversão, trazendo toda sua família, fazendo não só a união com Rachel, mas prestigiando a celebração da união das famílias, além disso, comida a vontade e música ao vivo.

Porém, nada vai ser tão perfeito, Kym não perde a oportunidade, e com suas ironias e seu sarcasmo, sempre encontra um espaço para reviver as mágoas do passado e consequentemente, trazer a tona todas as fraquezas e manchas do passado que deveriam ter sido apagadas. Pais separados, nunca foi fácil para as irmãs aceitar isso, Kym se embriagava, porém elas tinham um irmão mais novo, e pela falta de responsabilidade de Kym, ele acaba morrendo em um acidente de carro, controlado por ela, e isso, a família nunca esquece. E a cada discussão que surge, sua morte sempre aparece, apontando Kym como a causadora de todos os problemas familiares. E como ela mesma diz na festa, ela já teve que pedir desculpas para tanta gente fora de casa, pessoas que foram afetadas pela sua má conduta, e precisava desse final de semana para pedir perdão para aquelas pessoas que realmente importam na sua vida, mas o modo como pretende fazer isso é que dificulta, optando sempre pelo sarcasmo, ela acaba fazendo não só uma tentativa de ser perdoada, mas revitalizar não só os seus erros, mas os erros de todos da família, tenta provar que ela não pode ser culpada por todos os problemas, pois todos erram, todos falham, e mostra para todos o quanto sofre por ter matado alguém, e que precisa do perdão para seguir em frente. E Rachel sempre vê sua postura como sendo uma tentativa de criar um campo de batalha, destruindo seu final de semana que deveria ter sido perfeito, tentando destruir o brilho e atenção que deveria ter sido toda sua nesses dias. Agora, Kym e Rachel terão que acertar as contas do passado, para manterem a harmonia do casamento, e mais além, se aceitarem como membros da mesma família, uma família como todas as outras, cheias de fraquezas, mágoas e medos, uma família que é capaz de perdoar não só para manter a postura, mas também para conseguirem seguir em frente, apagando de vez o passado, mesmo que cada um siga seu canto, mas pelo menos se amarão, mesmo distantes.


Jonathan Demme é incrível como diretor, conduz o filme com tanta delicadeza, sensibilidade, e ao mesmo tempo, com intensidade, é forte, maduro. Constrói um belo filme através do ótimo roteiro, assinado por Jenny Lumet, uma história inteligente que se fortalece pela maneira como é reproduzida. E esse é o diferencial do filme, como ele é conduzido, do início ao fim, uma camêra na mão, uma espécie de video caseiro, o que se encaixa perfeitamente no contexto, dando mais realidade na trama, intensificando cada cena, entrando no particular de cada indivíduo, penetrando a alma da cada um, e isso ocorre também, graças a ótima e surpreendente atuação de todos, sim, isso mesmo, de todos em cena, sem exceção, não só pela maravilhosa atuação da protagonista, mas os coadjuvantes estão perfeitos também, estão extremamente naturais. E por esses pontos que fazem O Casamento de Rachel ser tão natural e real, nos coloca dentro da história, participamos de cada conflito, e nesses minutos de projeção, é como se fizéssemos parte da família mostrada.


Anne Hathaway merece um parágrafo inteiro. Sua atuação é surreal, esqueça a garota bobinha de Diário de uma Princesa, agora a menina cresceu, evidentemente se tornando uma excelente e grandiosa atriz. Teve uma ótima performance em O Diabo Veste Prada, seu melhor trabalho até então, mas ela conseguiu evoluir mais, chegando ao ápice, daqui para frente, já não sei que caminho a atriz irá seguir, mas O Casamento de Rachel, registra sua mais incrível aparição na tela. Hathaway eleva o nível do filme, a cada momento em que surge, surpreende, quando está em cena, o filme se torna hipnotizante, empolga em cada fala, é carismática, e até mesmo engraçada, assim como revelou seu lado cômico em seus trabalhos anteriores, mas aqui prevalece seu lado mais dramático, é tão verdadeira, intensa, sensível,sincera, cada palavra que pronuncia, é um sentimento novo que produz, ela sente cada dor de Kym, dando a personagem, uma realidade inquestionável. A atriz consegue oscilar com facilidade, entre o drama e o cômico, entre a tristeza e sua felicidade sarcástica, entre a alegria e a angústia, entre a vitalidade e a melancolia.


"O Casamento de Rachel" é um filme surpreendentemente agradável. Maravilhoso, emocionante, incrível. Anne Hathaway melhor do que nunca, além de coadjuvantes de peso, como Rachel, interpretada verdadeiramente por Rosemarie DeWitt, além de todo o fortíssimo e desconhecido elenco. Um filme inovador, criativo, inteligente, hipnotizante, cheio de surpresas, tanto na história quanto na produção. Uma bela fotografia e uma ótima trilha sonora embalada pelas músicas tocadas no casamento, tudo muito real. Pode ser um filme chato para quem não curte dramas familiares, mas o diretor não exagera no dramalhão e não se rende aos clichês, construindo um verdadeiro e sincero filme sobre família e as dificuldades em manter relações com as outras pessoas, aceitar cada erro, perdoar o próximo, amar e ser amado.


NOTA: 9,5

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