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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Oscar 2013 - Os Vencedores



 por Fernando Labanca

A cerimônia do Oscar aconteceu neste domingo, 24 de fevereiro, e consagrou, assim como se esperava o filme de Ben Affleck, "Argo", que levou para casa os prêmios de Melhor Filme, Roteiro Adaptado e Edição. Outro grande destaque foi "As Aventuras de Pi", vencendo em quatro categorias, Diretor para Ang Lee, Trilha Sonora, Efeitos Visuais e Fotografia. 

O favorito do ano "Lincoln" saiu apenas com dois prêmios, aquele que todos já sabiam, de Melhor Ator para Daniel Day-Lewis, o terceiro de sua carreira, o que já é um recorde, e Direção de Arte. Ver este novo trabalho de Steven Spielberg perdendo em tantas categorias é a prova de que algo mudou na Academia, se antes era tão óbvio ver o favorito ganhando em todas as suas indicações, desta vez, houve um senso maior, não houve o "grande vencedor da noite", foi uma premiação justa, como há muito não acontecia. Repararam o erro de não colocar Ben Affleck como diretor lhe entregando o de Melhor Filme, que de fato, muito mereceu, pois era, definitivamente, o melhor dentre os indicados. Premiaram o melhor dentre os diretores, ignorando o favorito Spielberg e entregando o troféu para aquele que realizou uma das obras mais fantásticas do ano passado, Ang Lee. Títulos como "Django Livre", "007-Operação Skyfall" e "O Lado Bom da Vida", também tiveram seus momentos e mereceram os prêmios que levaram. A meu ver, o grande erro da noite, foi na categoria de Longa-metragem de animação, que premiou "Valente", havia concorrentes melhores como "Detona Ralph" e "ParaNorman".

Houve aqueles momentos vergonhosos, como sempre. Não, o tombo de Jennifer Lawrence não conta, nunca vi ninguém caindo com tanta classe como ela. Achei bizarra a aparição de Barbra Streisend, que fez um tributo aos artistas que morreram, mais esticada impossível. Acho bem triste ver essas atrizes que não aceitam a idade que tem. Outro caso ainda mais bizarro foi Renée Zellweger, a atriz surgiu no palco ao lado de seus colegas de elenco do filme "Chicago" e mal conseguia abrir os olhos ou falar o nome dos vencedores. Por falar no filme, que este ano comemora dez anos desde seu lançamento, a atriz Catherine Zeta-Jones realizou um número musical bastante interessante. Aliás, a cerimônia parece que resolveu apostar suas fichas nos musicais, onde o incrível elenco de "Os Miseráveis" fizeram uma belíssima performance com a música indicada na categoria Canção Original, além do momento "x" da noite, onde a esquecida Jennifer Hudson cantou uma canção do musical "Dreamgirls". Vale claro citar um dos momentos mais incríveis que foi ver Adele cantando "Skyfall", música na qual levou seu Oscar, por incrível que pareça, o primeiro da série 007 por esta categoria.

Não acredito que houve muitas surpresas, a maior mesmo foi Ang Lee e seu prêmio de Melhor Diretor, ou o inusitado empate na categoria Edição de Som. Mesmo sem as surpresas, confesso que fiquei bem feliz com os resultados, foi tudo muito justo, o que quase nunca acontece no Oscar. Vamos aos vencedores...



MELHOR FILME
Argo


MELHOR DIRETOR
Ang Lee (As Aventuras de Pi)


MELHOR ATRIZ
Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)


MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis (Lincoln)


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Anne Hathaway (Os Miseráveis)


MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christoph Waltz (Django Livre)


MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Amor (Áustria)


MELHOR ANIMAÇÃO
Valente


MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Quentin Tarantino (Django Livre)


MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Chris Terrio (Argo)


MELHOR TRILHA SONORA
Mychael Danna (As Aventuras de Pi)


MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Skyfall - Adele (007 - Operação Skyfall)


MELHOR FOTOGRAFIA
As Aventuras de Pi


MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Lincoln


MELHOR MAQUIAGEM
Os Miseráveis


MELHOR FIGURINO
Anna Karenina


MELHOR EFEITOS ESPECIAIS
As Aventuras de Pi


MELHOR EDIÇÃO DE SOM
007 - Operação Skyfall
A Hora Mais Escura


MELHOR MIXAGEM DE SOM
Os Miseráveis


MELHOR EDIÇÃO
Argo


MELHOR CURTA-METRAGEM
Curfew


MELHOR DOCUMENTÁRIO
Searching for Sugar Man


MELHOR DOCUMENTÁRIO (curta-metragem)
Inocente


MELHOR ANIMAÇÃO (curta-metragem)
Paperman


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Crítica: Lincoln (Lincoln, 2012)

O filme com maior número de indicações ao Oscar este ano, totalizando 12, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, "Lincoln" é um drama político dirigido por Steven Spielberg, que tem como foco os últimos atos de Abraham Lincoln como presidente, onde suas conquistas mudaram o rumo das gerações futuras. Lento e extremamente didático, este é, com certeza, um dos filmes menos audaciosos de Spielberg, que chega aos cinemas apenas para provar seu patriotismo.

por Fernando Labanca

Para quem espera se deparar com a biografia do ex-presidente Abraham Lincoln, este não é o lugar certo. O roteiro assinado por Tony Kushner, com quem Spielberg trabalhou em Munique (2005), relata em suas duas horas e meia os últimos meses de Lincoln, tanto no comando dos Estados Unidos, como os de sua vida. Mais precisamente em 1865, quando o país se dividia na violenta Guerra Civil, o presidente além de se preocupar com estes acontecimentos tinha um plano muito maior em mente, levar adiante uma emenda que proclamava a libertação dos escravos, nem que para isso, ele precisasse adiar o fim das batalhas. Tentando convencer os homens de seu próprio partido, Lincoln ainda teve que correr atrás do maior número de aliados possível, os do partido Democrata, se utilizando de alguns "favores políticos" além de seus longos discursos revolucionários, para que tivesse mais votos no Congresso. 


Por mais que os bastidores da política sejam o grande alvo desta nova produção de Steven Spielberg, o longa acaba ganhando força ao tentar humanizar o ex-presidente, seja como pai ausente de seu filho mais velho, interpretado com competência por Joseph Gordon-Levitt, seja como fiel parceiro de sua esposa (Sally Field), que após perder um filho, enfrenta uma grande instabilidade emocional. Por trás desta figura icônica, há um homem, um ser capaz de cometer erros, e em suas expressões vemos a dor de quem viu, enfrentou e lutou por muita coisa. No entanto, é na política que o filme acaba focando mais e assim, digamos, se torna um filme nem tão interessante de se ver, há diálogos intermináveis, discussões, debates, mostradas, às vezes, em cenários claustrofóbicos, fechados e com pouca luz, bem distante do cinema que conhecemos de Spielberg, aquele diretor grandioso que sempre evitou trabalhos menores, é um filme mais intimista, menos exagerado e infelizmente, com menos impacto e menos emoção. Parece não haver intenção alguma de se fazer uma obra para o público, para ser admirada, comentada, como disse anteriormente, é sem sombra de dúvida, o filme mais ordinário do diretor, menos audacioso, tradicional e quadrado, parece ter sido feito para a TV ou para alguma aula de história, não que fosse agradar aos alunos.

Há, porém, todo um cuidado com a produção, cenários, figurinos e trilha sonora, assinado pelo compositor John Williams, não há nenhuma canção tema marcante, e apesar de tímida, funciona bem durante todo o filme. Antes mesmo de se ver "Lincoln", é nítido que o grande destaque é seu ator principal, Daniel Day-Lewis, pronto e na medida para seu próximo Oscar, ele é, com certeza, a melhor coisa de toda a obra. É simplesmente inacreditável seu talento em se transformar em cada filme que faz, não há nada na composição de seu personagem que me lembrasse de alguma outra atuação em sua carreira, faz de Lincoln um grande protagonista, um personagem forte, talvez mais forte do que o roteiro pretendia. Os coadjuvantes são bons, nomes como Joseph Gordon-Levitt, David Strathairn, John Hawkes, Jackie Earle Haley, Hal Holbrook e Lee Pace, todos ótimos. Os indicados ao Oscar, Sally Field e Tommy Lee Jones, ao meu ver, não são tão merecedores do prêmio. Ela, surge teatralmente forçada, uma característica que Field não tem é naturalidade e isso prejudica suas cenas. Já Tommy Lee Jones é ótimo, admito, mas o papel do velho extremamente sério e rabugento e de opinião forte não é novidade para o ator, faz isso quase sempre, na verdade. No entanto, com tantos atores bons no elenco, ninguém, além de Day-Lewis, tem espaço para desenvolver bem um personagem, são meros obstáculos ou simplesmente pessoas com quem ele convive, sem mais profundidades.

O público brasileiro tem ainda menos chance de se envolver na trama, é sobre aquele velho patriotismo norte-americano, sobre como os "bons homens brancos" lutaram bravamente pela liberdade dos negros. É também, um antigo desejo de Steven Spielberg em levar para as telas a vida de Abraham Lincoln. Ok, ele conseguiu, mas sua obra provavelmente será logo esquecida assim que a cerimônia do Oscar acabar, não há nada neste longa que permaneça na memória, um grande momento ou uma grande cena, ele simplesmente acontece, sem o envolvimento do público. A verdade é que faltou Spielberg neste filme, os seus velhos exageros parecem fazer falta aqui, é tudo tão calmo e sem sal, sequências que poderiam ser marcantes são amenizadas. Uma produção caprichada de um filme sem personalidade, sem emoção. 

NOTA: 6,5




segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Glodo de Ouro 2013 - Os Vencedores

 
Neste domingo, dia 13/01, foram anunciados os vencedores ao prêmio Globo de Ouro, conhecido como o principal termômetro para o Oscar. A premiação ocorreu em Los Angeles e teve como apresentadoras, as comediantes Tina Fey e Amy Poehler.

A premiação foi longa, isso devido aos inúmeros intervalos comerciais, no entanto, a apresentação de Tina e Amy foi divertida, deram dinâmica e conseguiram fazer ótimas piadas, não daquele humor forçado típico de premiações norte-americanas, acabou sendo engraçado simplesmente porque elas são ótimas no que fazem, fazer rir sem grandes esforços. Ainda teve o convidado especial, o ex-presidente Bill Clinton, para surpresa de todos, para comentar sobre o filme "Lincoln", acabou que sendo pura política mesmo.  Durante a noite, surgiram no palco diversos astros, mas sem sombra de dúvida, os melhores foram Will Ferrell e Kristen Wiig, que anunciaram o prêmio para Atriz Coadjuvante, foi simplesmente hilário.

Para minha grata surpresa, sim, o Globo de Ouro foi surpreendente. Não deu muitas chances para os favoritos e diferente do Oscar, compreendeu a qualidade do obra de Ben Affleck e o premiou como Melhor Diretor e a grande surpresa da noite, lhe deu o prêmio de Melhor Filme Drama para "Argo". "Os Miseráveis" também fez bonito na noite, ganhou 3 prêmios, desbancando o até então favorito "O Lado Bom da Vida" na categoria Filme - Comédia ou Musical. Outra surpresa foi "Django Livre" e seu prêmio de Melhor Roteiro. Outras premiações foi como se esperava mesmo, como não poderia ter sido ninguém além de Daniel Day-Lewis a ganhar Melhor Ator Drama, como também não poderia ter sido outra a ganhar Atriz Comédia além de Jennifer Lawrence. Como toda ano, sempre tem aquele premiado injusto, dessa vez ficou para a animação "Valente", bem inferior aos seus concorrentes como "Detona Ralf" e "A Origem dos Guardiões".

Vamos aos vencedores...



FILME - DRAMA

Argo
Django Livre
Lincoln
As Aventuras de Pi
A Hora Mais Escura


FILME - COMÉDIA OU MUSICAL
 
Os Miseráveis
O Lado Bom da Vida
Moonrise Kingdom
Amor Impossível
O Exótico Hotel Marigold


DIRETOR

Ben Affleck (Argo)
Steven Spielberg (Lincoln)
Ang Lee (As Aventuras de Pi)
Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura)
Quentin Tarantino (Django Livre)


ATRIZ - DRAMA

Jessica Chastain (A Hora Mais Escura)
Naomi Watts (O Impossível)
Helen Mirren (Hitchcock)
Rachel Weisz (The Deep Blue Sea)
Marion Cotillard (Ferrugem e Osso)


ATRIZ - COMÉDIA OU MUSICAL

Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)
Emily Blunt (Amor Impossível)
Judi Dench (O Exótico Hotel Marigold)
Maggie Smith (Quartet)
Meryl Streep (Um Divã Para Dois)


ATOR - DRAMA

Daniel Day-Lewis (Lincoln)
Joaquin Phoenix (O Mestre)
Richard Gere (A Negociação)
John Hawkes (As Sessões)
Denzel Washington (O Voo)


ATOR - COMÉDIA OU MUSICAL

Hugh Jackman (Os Miseráveis)
Bradley Cooper (O Lado Bom da Vida)
Jack Black (Bernie)
Ewan McGregor (Amor Impossível)
Bill Murray (Um Final de Semana em Hyde Park)


ATRIZ COADJUVANTE

Anne Hathaway (Os Miseráveis)
Amy Admas (O Mestre)
Sally Field (Lincoln)
Helen Hunt (As Sessões)
Nicole Kidman (The Paperboy)


ATOR COADJUVANTE

Christoph Waltz (Django Livre)
Alan Arkin (Argo)
Leonardo DiCaprio (Django Livre)
Philip Seymour Hoffman (O Mestre)
Tommy Lee Jones (Lincoln)


ROTEIRO

Quentin Tarantino (Django Livre)
Mark Boal (A Hora Mais Escura)
Tony Kushne (Lincoln)
Chris Terrio (Argo)
David O.Russell (O Lado Bom da Vida)




FILME ESTRANGEIRO

Amor (Austria)
A Royal Affair (Dinamarca)
Intocáveis (França)
Kon-Tiki (Noruega)
Ferruagem e Osso (França)


ANIMAÇÃO

Valente
Detona Ralph
A Origem dos Guardiõs
Frankenweenie
Hotel Transilvânia




TRILHA SONORA

Michael Danna (As Aventuras de Pi)
Alexandre Desplat (Argo)
Dario Marianelli (Anna Karenina)
Tom Tykwer (A Viagem)
John Williams (Lincoln)


CANÇÃO ORIGINAL

"Skyfall" (007 - Operação Skyfall)
"For You" (Um Ato de Coragem)
"Not Running Anymore" (Stand up Guys)
"Safe and Sound" (Jogos Vorazes)
"Suddenly" (Os Miseráveis)

terça-feira, 3 de março de 2009

Dica de DVD: Sangue Negro

Voltando um pouco no tempo, ao Oscar do ano passado, estava a obra-prima Sangue Negro, que era um dos favoritos a ganhar os principais prêmios, mas acabou perdendo injustamente para Onde os Fracos Não Têm Vez. Mas levou o Oscar de Melhor Ator para o sempre ótimo Daniel Day Lewis e Melhor Fotografia.

por Fernando

Sangue Negro conta a tragetória de Daniel Plainview (Daniel Day Lewis) e seu pequeno filho H.W. Daniel é um perfurador de solos a procura de petróleo, vive sua vida disso e toma conta de sua família que se resume a seu único filho, pois ele havia perdido sua esposa. Até que um dia, um milagre para ele acontece, ele encontra muito petróleo em um determinado terreno, o equivalente para ele se tornar um milionário, empresário, admistrador de seu próprio trabalho e o homem mais influente da região. E com isso, ele, é claro, decide se expandir.

Logo, ele parte com seu filho para uma pacata cidade, ele descobre através de um desconhecido um terreno que poderá gerar muitos frutos para ele, muito petróleo seria encontrado, essa informação foi dada em troca de dinheiro. Pois a vida de todos da região se resumia a trabalho, ambição e ir para a igreja, a igreja de Eli Sunday (Paul Dano). O plano dá certo, Daniel encontra muito petróleo, se expande cada vez mais e influência cada vez mais pessoas.

Daniel é autônomo, ele é sua própria empresa, cria uma região feita para gerar dinheiro, cada vez mais dinheiro, pessoas vinham de toda a parte trabalhar com ele, isso significava, que suas respectivas famílias se mudavam com seus maridos trabalhadores, isso, por sua vez, significava ter que construir escolas e casas para as novas famílias. Com isso, Daniel constrói um mundo ao seu redor.

Por outro lado, nem tudo segue perfeitamente. Eli Sunday é um jovem e ambicioso pastor, é rígido demais e subordinado demais sob as leis da igreja, segue seus passos através da palavra da fé. Não admite as idéias de Daniel, é completamente contra um homem ser tão ambicioso e nem ligar para Deus, só pensar em dinheiro. Ele começa a bater de frente com Daniel, começa exigir dinheiro para sua igreja, começa a exigir atitudes "nobres" dele. E Plainview encontra no pastor seu pior inimigo, seu maior obstáculo. A relação dos dois atravessa os limites da compreensão, Daniel chega a espancar o pastor, Eli, por sua vez, praticamente obriga Daniel a ser exorcisado, já que ele acredita fielmente que ele está sendo dominado por um demônio, e por isso age de maneira tão arrogante, tão ambiciosa, tão individualista.

Daniel passa dos limites com sua ambição, começa a ter tanto poder que perde completamente o controle. Seu filho fica surdo por causa de um acidente em uma torre que perfurava o chão. Ele não é um pai carinhoso e partir disso começa a abandonar o filho, a não aceitar ele ser surdo. H.W começa a ficar sózinho e Daniel não vê o quanto seu trabalho e sua ausência começa a afetar a vida de seu filho.

Daniel Plainview é uma personagem de ouro, clássica. É tão humano que chega a assustar. Conforme o filme segue, vamos conhecendo a personalidade dele e vamos nos envolvendo com facilidade a sua trajetória, nos emocionamos com ele e ao mesmo tempo sentimos raiva. Em determinada cena, ele se revela, mostrando quem realmente ele é, um homem maduro, sério, compenetrado no trabalho, só pensa em vencer, a questão para ele não ter muito dinheiro, mas sim vencer, não se admite ser pior que os outros, não se admite falhar, não se admite ser pequeno.

A história é ótima, a fotografia é bela e junto com a excelente trilha sonora dão um tom pesado ao filme. Mas não importa o quanto de qualidades Sangue Negro tenha, só conseguimos ver Daniel Day Lewis.

Day Lewis é um ator completo, parece que conseguiu chegar ao auge de sua carreira com essa personagem. É difícil encontrar palavras para descrever o seu mais que excelnete desempenho. Sua atuação é fora de sério, uma das melhores performances masculinas dos últimos anos, o que ele faz é memorável, admirável. Daniel Day Lewis tem uma atuação antológica.

Palmas também para o diretor Paul Thomas Anderson, que faz um filme brilhante. Outro destaque é o coadjuvante Paul Dano que está ótimo com seu pastor obsecado pela igreja, um pastor fajuto e cheio de más intensões.

Sangue Negro é um filme longo e bem monótomo, e está ai o seu pior defeito. Mas as cenas, as atuações, os diálogos são tão belos que nem ligamos tanto para o tempo. Pelo menos, acredito que aguentaria mais, é um filme bom de se ver, de se admirar. Mas é um longa com um clima pesado, angustiado, melancólico, forte e que contribui para entrarmos de cabeça nessa vida de poder e corrupção de Daniel Plainview e Eli Sunday. Aliás, existem algumas cenas inesquecíveis e diálogos fortes e memoráveis, em determinados momentos ficamos espantados com os acontecimentos de tão pesados e expressivos, isso gráças as atuações de Paul Dano e Daniel Day Lewis. A vontade que dá é de abrir a boca e ficar ali parado, sem pensar, sem respirar e depois reprisar para ver de novo.

Sangue Negro está ai para provar que nem sempre o filme que ganha o Oscar é o melhor. De longe, disparado, esse filme é muito melhor que Onde os Fracos Não têm Vez, que até hoje não entendo como esse filme conseguiu ganhar os principais prêmios, seus concorrentes eram bem melhores, além de Sangue Negro, havia os ótimos Juno e Desejo e Reparação, que se ganhassem, seria algo mais compreensível. Esqueça Contato de Risco, com George Clooney, que conseguiu ser pior que o vencedor. Mas tudo isso ficou no passado, esse ano estamos de frente de filmes um pouco melhores que do prêmio do ano passado.

Mas deixa de lado os prêmios, Sangue Negro não é o melhor filme, para muitos pode até ser um filme chato, mas é brilhante, original, recomendável. Assista se puder, vale a pena.

NOTA: 8.5

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