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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Crítica: Sem Direito a Resgate (Life of Crime, 2013)

Ambientada na década de 70, a trama mostra os primeiros passos dos personagens vividos por Samuel L.Jackson e Robert De Niro em "Jackie Brown" (1997), Ordell Robbie e Louis Gara, agora interpretados por Yasiin Bey e John Hawkes, respectivamente. Assim como a obra de Quentin Tarantino, "Sem Direito a Resgate" fora baseado na obra de Elmore Leonard, que faleceu em 2013. Mesmo que falte personalidade a este filme, vale pela curiosidade de reencontrar a dupla já conhecida e pela história, mais uma vez, inteligente e bastante inusitada.

por Fernando Labanca

Logo de início, o longa já nos apresenta ao plano de Ordell (Bey), que com a ajuda de Gara (Hawkes) e do neonazista Richard (Mark Boone Junior), pretende sequestrar Mickey (Jennifer Aniston), a esposa do milionário Frank Dowson (Tim Robbins), afim de conseguir 1 milhão de dólares pelo resgate. Tudo segue como o planejado, porém o que eles não contavam é que Frank não estaria disposto a pagar o dinheiro, isso porque, pouco antes do sequestro, ele já havia dado entrada ao divórcio. A partir de então, Ordell passa a apelar para conseguir o que quer, inclusive, se unir à amante do milionário, Melanie (Isla Fisher). Por outro lado, Mickey não parece fazer muita questão em retornar aos braços do marido, principalmente quando sente uma grande afinidade com aquele que a sequestrou, Louis.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Crítica: As Sessões (The Sessions, 2012)

Indicado ao Oscar 2013 na categoria Melhor Atriz Coadjuvante para Helen Hunt, "As Sessões" é uma comédia dramática independente, que conta com a direção e roteiro de Ben Lewin. Baseado em um dos casos descritos por Cheryl Cohen Greene, no livro "Minha Vida como Terapeuta do Sexo", a obra foca na delicada trajetória de Mark O'Brien, escritor e poeta, vitima de poliomielite, que sem os movimentos do corpo foi atrás de sua primeira relação sexual. Com atuações marcantes de John Hawkes e William H.Macy, se trata de um filme extremamente sensível e surpreendentemente ousado.

por Fernando Labanca

Mark O'Brien (John Hawkes) teve poliomielite aos seis anos de idade, a doença o deixou com o corpo paralisado com exceção da cabeça e sobrevive por um aparelho que ele mesmo chama de "pulmão de aço". Aos trinta e oito anos de idade e com sua mente totalmente lúcida, Mark dedica a sua vida em escrever e ao ser convidado para publicar um artigo sobre relações sexuais entre pessoas deficientes, percebe que precisava abrir as portas para aquilo que sempre negou por se achar incapacitado, o sexo. Religioso, ele vai atrás de um padre, Brendan (William H.Macy) e pede autorização para que entre em contato com uma terapeuta do sexo, uma mulher que possa ensiná-lo a como ter relações em um caso tão específico como o dele. É então que conhece Cheryl (Helen Hunt), que através de seis sessões passa a iniciá-lo ao sexo através de exercícios de consciência corporal.


"Deixe-me tocá-la com minhas palavras, pois minhas mãos quedam inertes como luvas vazias."

"As Sessões" é um filme corajoso. Em cada diálogo, cada cena, vejo uma coragem daqueles que o realizaram, pois se trata de um tema complicado, pouco explorado, e assim, vemos o nítido cuidado que tiveram com o roteiro, pois conseguiram trabalhar com uma trama tão complexa, tão difícil e transformá-lo em algo leve, agradável e acima de tudo, poético. Colocam em pauta o sexo entre deficientes, exploram uma realidade pouco vista de forma sensível e honesta. A relação sexual e conhecimento do próprio corpo surgem na tela de maneira natural, longe de ser obsceno, despem seus personagens de forma literal, não havendo glamourização do corpo e os colocando em situações que os façam ignorar qualquer tipo de consenso, os libertam de julgamentos e moralismos.

Mark O'Brien é daqueles típicos personagens fáceis de se gostar. É interessante a maneira como ele se comporta em cada momento da trama, ficamos analisando cada fala, cada pensamento e nos divertimos e nos emocionamos com ele, sua sinceridade é bela, inspiradora, a forma como encara as relações que mantém com os outros, sua honestidade transmitida naturalmente e mesmo com suas limitações e dificuldades ele transforma a vida em algo tão simples. Vejo beleza também na relação que ele tem com padre e essa amizade que surge aos poucos e principalmente sua relação com Cheryl, que é casada e tenta não se envolver com aqueles que conhece em sua vida profissional, mas quando se depara com Mark, todo o seu controle emocional se fragiliza. Qual seria o limite de uma relação sexual e um envolvimento amoroso? Só existe uma verdade ali, a sintonia entre os dois é real, as conversas entre eles durante as sessões é de uma sensibilidade extrema.

John Hawkes está simplesmente incrível, sem dúvida, uma das melhores atuações masculinas que presenciei este ano, a delicadeza com que ele compõe seu personagem, tão único, tão marcante. Helen Hunt chama a atenção por sua coragem em cena, sua nudez surge de forma crua, sem ser sensual, e por isso é tão belo o que ela faz, além de sua atuação que sempre surpreende, há verdade em cada olhar, cada palavra que ela diz. E William H.Macy, totalmente a vontade, contribuindo ainda mais para a qualidade do elenco.

"As Sessões" é um belíssimo filme que vale muito a pena ver e apreciar. Me surpreendi, esperava ver apenas um drama simpático...sim, ele também pode ser considerado um "drama simpático", mas é muito mais que isso, é uma obra ousada, corajosa, que desenvolve uma trama difícil, de forma leve, sensível, que emociona profundamente mesmo sem exageros. Honesto, inteligente e poético. Recomendo.

NOTA: 9



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Crítica: Lincoln (Lincoln, 2012)

O filme com maior número de indicações ao Oscar este ano, totalizando 12, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, "Lincoln" é um drama político dirigido por Steven Spielberg, que tem como foco os últimos atos de Abraham Lincoln como presidente, onde suas conquistas mudaram o rumo das gerações futuras. Lento e extremamente didático, este é, com certeza, um dos filmes menos audaciosos de Spielberg, que chega aos cinemas apenas para provar seu patriotismo.

por Fernando Labanca

Para quem espera se deparar com a biografia do ex-presidente Abraham Lincoln, este não é o lugar certo. O roteiro assinado por Tony Kushner, com quem Spielberg trabalhou em Munique (2005), relata em suas duas horas e meia os últimos meses de Lincoln, tanto no comando dos Estados Unidos, como os de sua vida. Mais precisamente em 1865, quando o país se dividia na violenta Guerra Civil, o presidente além de se preocupar com estes acontecimentos tinha um plano muito maior em mente, levar adiante uma emenda que proclamava a libertação dos escravos, nem que para isso, ele precisasse adiar o fim das batalhas. Tentando convencer os homens de seu próprio partido, Lincoln ainda teve que correr atrás do maior número de aliados possível, os do partido Democrata, se utilizando de alguns "favores políticos" além de seus longos discursos revolucionários, para que tivesse mais votos no Congresso. 


Por mais que os bastidores da política sejam o grande alvo desta nova produção de Steven Spielberg, o longa acaba ganhando força ao tentar humanizar o ex-presidente, seja como pai ausente de seu filho mais velho, interpretado com competência por Joseph Gordon-Levitt, seja como fiel parceiro de sua esposa (Sally Field), que após perder um filho, enfrenta uma grande instabilidade emocional. Por trás desta figura icônica, há um homem, um ser capaz de cometer erros, e em suas expressões vemos a dor de quem viu, enfrentou e lutou por muita coisa. No entanto, é na política que o filme acaba focando mais e assim, digamos, se torna um filme nem tão interessante de se ver, há diálogos intermináveis, discussões, debates, mostradas, às vezes, em cenários claustrofóbicos, fechados e com pouca luz, bem distante do cinema que conhecemos de Spielberg, aquele diretor grandioso que sempre evitou trabalhos menores, é um filme mais intimista, menos exagerado e infelizmente, com menos impacto e menos emoção. Parece não haver intenção alguma de se fazer uma obra para o público, para ser admirada, comentada, como disse anteriormente, é sem sombra de dúvida, o filme mais ordinário do diretor, menos audacioso, tradicional e quadrado, parece ter sido feito para a TV ou para alguma aula de história, não que fosse agradar aos alunos.

Há, porém, todo um cuidado com a produção, cenários, figurinos e trilha sonora, assinado pelo compositor John Williams, não há nenhuma canção tema marcante, e apesar de tímida, funciona bem durante todo o filme. Antes mesmo de se ver "Lincoln", é nítido que o grande destaque é seu ator principal, Daniel Day-Lewis, pronto e na medida para seu próximo Oscar, ele é, com certeza, a melhor coisa de toda a obra. É simplesmente inacreditável seu talento em se transformar em cada filme que faz, não há nada na composição de seu personagem que me lembrasse de alguma outra atuação em sua carreira, faz de Lincoln um grande protagonista, um personagem forte, talvez mais forte do que o roteiro pretendia. Os coadjuvantes são bons, nomes como Joseph Gordon-Levitt, David Strathairn, John Hawkes, Jackie Earle Haley, Hal Holbrook e Lee Pace, todos ótimos. Os indicados ao Oscar, Sally Field e Tommy Lee Jones, ao meu ver, não são tão merecedores do prêmio. Ela, surge teatralmente forçada, uma característica que Field não tem é naturalidade e isso prejudica suas cenas. Já Tommy Lee Jones é ótimo, admito, mas o papel do velho extremamente sério e rabugento e de opinião forte não é novidade para o ator, faz isso quase sempre, na verdade. No entanto, com tantos atores bons no elenco, ninguém, além de Day-Lewis, tem espaço para desenvolver bem um personagem, são meros obstáculos ou simplesmente pessoas com quem ele convive, sem mais profundidades.

O público brasileiro tem ainda menos chance de se envolver na trama, é sobre aquele velho patriotismo norte-americano, sobre como os "bons homens brancos" lutaram bravamente pela liberdade dos negros. É também, um antigo desejo de Steven Spielberg em levar para as telas a vida de Abraham Lincoln. Ok, ele conseguiu, mas sua obra provavelmente será logo esquecida assim que a cerimônia do Oscar acabar, não há nada neste longa que permaneça na memória, um grande momento ou uma grande cena, ele simplesmente acontece, sem o envolvimento do público. A verdade é que faltou Spielberg neste filme, os seus velhos exageros parecem fazer falta aqui, é tudo tão calmo e sem sal, sequências que poderiam ser marcantes são amenizadas. Uma produção caprichada de um filme sem personalidade, sem emoção. 

NOTA: 6,5




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