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quinta-feira, 12 de julho de 2018

Crítica: Jogador Nº1

O futuro nostálgico de Steven Spielberg.

por Fernando Labanca

Apesar de ter visto o painel de divulgação da Warner na última Comic Con e admirar o trabalho do diretor, essa sua empreitada de adaptar o livro "O Jogador Nº1" de Ernest Cline nunca me empolgou muito. No entanto, enquanto assistia ao filme não consegui pensar em alguém melhor para comandar a obra que Spielberg, que deposita aqui toda sua paixão pelo universo nerd e pelo cinema. Diria até que é emocionante ver o cara que nos trouxe clássicos como "ET", "Indiana Jones" e "Jurassic Park", voltar ao gênero que o consolidou. Talvez poucos cineastas tenham a competência que ele tem para comandar um projeto como este, uma aventura grandiosa, feita para a família ver e que diverte tanto quanto esses seus blockbusters um dia divertiram.

Com roteiro assinado pelo próprio Ernest Cline -  uma possível justificativa pela ótima qualidade do texto - somos levados para o ano de 2045, quando a humanidade deixou quase por completo de viver a realidade e se deixou tomar pelo vício que é viver dentro do OASIS, um jogo de realidade virtual que permite que seus jogadores tenham a vida que desejam ter, com a face que desejam ter, explorando seus inúmeros universos. Até que o excêntrico criador do jogo (Mark Rylance) morre, deixando três chaves escondidas, que são encontradas por aqueles que desvendarem seus misteriosos easter eggs. A pessoa que encontrá-las será dona de sua inestimável fortuna. Wade Watts (Tye Sheridan) é um jovem que está decidido a conquistar o tal prêmio, no entanto, assim que se torna o jogador número 1, descobrindo o local da primeira pista, ele passa a ser alvo de uma grande Corporação que fará de tudo para ter direito às ações do OASIS.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Crítica: Lincoln (Lincoln, 2012)

O filme com maior número de indicações ao Oscar este ano, totalizando 12, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, "Lincoln" é um drama político dirigido por Steven Spielberg, que tem como foco os últimos atos de Abraham Lincoln como presidente, onde suas conquistas mudaram o rumo das gerações futuras. Lento e extremamente didático, este é, com certeza, um dos filmes menos audaciosos de Spielberg, que chega aos cinemas apenas para provar seu patriotismo.

por Fernando Labanca

Para quem espera se deparar com a biografia do ex-presidente Abraham Lincoln, este não é o lugar certo. O roteiro assinado por Tony Kushner, com quem Spielberg trabalhou em Munique (2005), relata em suas duas horas e meia os últimos meses de Lincoln, tanto no comando dos Estados Unidos, como os de sua vida. Mais precisamente em 1865, quando o país se dividia na violenta Guerra Civil, o presidente além de se preocupar com estes acontecimentos tinha um plano muito maior em mente, levar adiante uma emenda que proclamava a libertação dos escravos, nem que para isso, ele precisasse adiar o fim das batalhas. Tentando convencer os homens de seu próprio partido, Lincoln ainda teve que correr atrás do maior número de aliados possível, os do partido Democrata, se utilizando de alguns "favores políticos" além de seus longos discursos revolucionários, para que tivesse mais votos no Congresso. 


Por mais que os bastidores da política sejam o grande alvo desta nova produção de Steven Spielberg, o longa acaba ganhando força ao tentar humanizar o ex-presidente, seja como pai ausente de seu filho mais velho, interpretado com competência por Joseph Gordon-Levitt, seja como fiel parceiro de sua esposa (Sally Field), que após perder um filho, enfrenta uma grande instabilidade emocional. Por trás desta figura icônica, há um homem, um ser capaz de cometer erros, e em suas expressões vemos a dor de quem viu, enfrentou e lutou por muita coisa. No entanto, é na política que o filme acaba focando mais e assim, digamos, se torna um filme nem tão interessante de se ver, há diálogos intermináveis, discussões, debates, mostradas, às vezes, em cenários claustrofóbicos, fechados e com pouca luz, bem distante do cinema que conhecemos de Spielberg, aquele diretor grandioso que sempre evitou trabalhos menores, é um filme mais intimista, menos exagerado e infelizmente, com menos impacto e menos emoção. Parece não haver intenção alguma de se fazer uma obra para o público, para ser admirada, comentada, como disse anteriormente, é sem sombra de dúvida, o filme mais ordinário do diretor, menos audacioso, tradicional e quadrado, parece ter sido feito para a TV ou para alguma aula de história, não que fosse agradar aos alunos.

Há, porém, todo um cuidado com a produção, cenários, figurinos e trilha sonora, assinado pelo compositor John Williams, não há nenhuma canção tema marcante, e apesar de tímida, funciona bem durante todo o filme. Antes mesmo de se ver "Lincoln", é nítido que o grande destaque é seu ator principal, Daniel Day-Lewis, pronto e na medida para seu próximo Oscar, ele é, com certeza, a melhor coisa de toda a obra. É simplesmente inacreditável seu talento em se transformar em cada filme que faz, não há nada na composição de seu personagem que me lembrasse de alguma outra atuação em sua carreira, faz de Lincoln um grande protagonista, um personagem forte, talvez mais forte do que o roteiro pretendia. Os coadjuvantes são bons, nomes como Joseph Gordon-Levitt, David Strathairn, John Hawkes, Jackie Earle Haley, Hal Holbrook e Lee Pace, todos ótimos. Os indicados ao Oscar, Sally Field e Tommy Lee Jones, ao meu ver, não são tão merecedores do prêmio. Ela, surge teatralmente forçada, uma característica que Field não tem é naturalidade e isso prejudica suas cenas. Já Tommy Lee Jones é ótimo, admito, mas o papel do velho extremamente sério e rabugento e de opinião forte não é novidade para o ator, faz isso quase sempre, na verdade. No entanto, com tantos atores bons no elenco, ninguém, além de Day-Lewis, tem espaço para desenvolver bem um personagem, são meros obstáculos ou simplesmente pessoas com quem ele convive, sem mais profundidades.

O público brasileiro tem ainda menos chance de se envolver na trama, é sobre aquele velho patriotismo norte-americano, sobre como os "bons homens brancos" lutaram bravamente pela liberdade dos negros. É também, um antigo desejo de Steven Spielberg em levar para as telas a vida de Abraham Lincoln. Ok, ele conseguiu, mas sua obra provavelmente será logo esquecida assim que a cerimônia do Oscar acabar, não há nada neste longa que permaneça na memória, um grande momento ou uma grande cena, ele simplesmente acontece, sem o envolvimento do público. A verdade é que faltou Spielberg neste filme, os seus velhos exageros parecem fazer falta aqui, é tudo tão calmo e sem sal, sequências que poderiam ser marcantes são amenizadas. Uma produção caprichada de um filme sem personalidade, sem emoção. 

NOTA: 6,5




quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Crítica: As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne (The Adventures of Tintin - The Secret of the Unicorn, 2012)

Baseado na obra de Hergé, "As Aventuras de Tintim" surgiu em 1929, em forma de história em quadrinhos, que posteriormente ganhou uma série animada. Série, aliás, que foi o meio pelo qual muitos brasileiros se tornaram admiradores. Com textos cheios de aventuras e perseguições, não haveria diretor melhor para transpor a história para os cinemas que Steven Spielberg, que faz deste filme muito mais do que uma simples animação, constrói um filme capaz de deixar muitos outros do gênero aventura e ação humilhados.O longa venceu recentemente o Globo de Ouro de Melhor Animação, além de Melhor Animação pelo Sindicato Dos Produtores (PGA).

por Fernando Labanca

Tintim é um jovem repórter que para escrever uma grande matéria se infiltra em grandes aventuras, para isso ele sempre conta com a ajuda de seu fiel cachorro Milu e de sua inteligência que sempre consegue perceber onde encontrar uma grande história. Isso ocorre quando em uma feira, ele compra uma miniatura de um antigo navio, o Licorne e logo após descobre que aquele objeto guardava um grande segredo, pois alguns homens passam a perseguí-lo, entre eles, o misterioso Sakharin. Por meio de suas investigações, descobre que havia três miniaturas de navios, deixados pelo falecido Capitão Francis Haddock para seus filhos, onde guardava o segredo de um gigantesco tesouro. Ao ser raptado pelo próprio Sakharin por ter atrapalhado seus planos, Tintim acaba conhecendo uma outra vítima, o Capitão Haddock, bêbado e sem noção alguma dos acontecimentos, é a grande chave para a resolução do segredo, pois é quem detém os direitos da herança de seu falecido pai e assim como Tintim está sendo perseguido. É então que o jovem repórter, Haddock e Milu embarcam numa aventura cheia de improvisos e surpresas para recuperar o outro Licorne e descobrir de vez o segredo que ele esconde.


Um filme que tem tudo para agradar os fãs da série, logo que o roteiro muito bem escrito deixa espaço para inúmeras referências, seja pelas personagens que recuperam suas características, a esperteza de Tintim, o companheirismo e fidelidade de Milu, o humor do Capitão Haddock e as divertidas investigações da dupla Dupont e Dupond, ou seja, quem o escreveu respeitou e muito os admiradores, pois tudo o que fez da série um sucesso está presente aqui e com extrema qualidade. Por outro lado, quem não acompanhava os desenhos também pode gostar do filme, pois apesar das inúmeras referências, é uma história nova, que se inicia do zero, não deixando ninguém perdido, todas as informações necessárias para a compreensão da trama estão na tela e não na memória daquele que observa. E como qualquer outra animação, o longa de Spielberg deixa espaço também para uma bela reflexão, já usada, mas ainda é válida e muito bem inserida da história, a de que não faltarão pessoas nesta vida para nos dizer o quão fracassado somos, portanto, não podemos permitir que façamos isso com nós mesmos, não podemos nos convencer sobre o nosso próprio fracasso, temos que seguir em frente e acreditar no melhor, logo que já terão pessoas para nos derrubar. 

A genialidade de "As Aventuras de Tintim" se inicia logo nas primeiras cenas. Os créditos iniciais já provam que estamos diante de algo bem realizado. Spielberg com o incrível auxílio da trilha sonora de John Williams faz uma espécie de "abertura" nos remetendo à série original, já com perseguições e vários cortes, sem deixar, ao mesmo tempo, de dar a marca Spielberg de fazer cinema, nos remetendo um pouco os créditos do excelente "Prenda-me Se For Capaz", também com composição de Williams. Logo após, vejo uma cena que "genial" é pouco para descrevê-la, onde Tintim ser ter sido apresentado à câmera, aparece oficialmente em um quadro de pintura, exatamente com os traços originais do personagem 2D, logo em seguida vemos sua face já em 3D, mostrando a diferença e meio como forma de nos convidar a entrar neste novo universo. Depois, ao decorrer de todo o filme, vemos como uma direção eficiente faz diferença até mesmo em um filme de animação, Steven Spielberg explora ao máximo o que o gênero pode alcançar, o movimento da câmera, a forma como as sequências são capturadas, a ação, a aventura, tudo com um ritmo frenético, tudo perfeitamente realizado. Um trabalho de mestre. É Spielberg mais uma vez ensinando a fazer cinema.

A técnica de animação chega ao seu ápice neste filme, com o uso de motion capture, onde capta perfeitamente os movimentos reais de um ser humano, mais do que isso, foi o primeiro filme de animação a capturar o tamanho, os traços, as proporções reais de uma pessoa, alcançando assim, um nível de perfeição quase que assustadora. Sem contar os cenários, os figurinos e os efeitos especiais que de tão reais nos fazem esquecer que estamos diante de um filme de animação. Mais uma vez, Spielberg conta com John Williams para compor a trilha sonora, indicado ao Oscar este ano, o trabalho do compositor é simplesmente fantástico. 

"As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne" é sem sombra de dúvida uma das grandes animações que o cinema já vez, além de ser um grande filme de aventura como há tempo não se via, com perseguições bem realizadas, tiros, investigações, explosões, mistérios, tudo com um charme retrô, nostálgico, além de ter um roteiro brilhantemente escrito e uma direção segura feita por alguém que sabe o que faz e faz isso como ninguém. 

NOTA: 9





OBS: O 3D felizmente foi bem feito, e diferente de muitos títulos, esse vale a pena conferir.

OBS 2: A dublagem brasileira é ótima e merece destaque, onde diferente das vozes originais feita por famosos, aqui, algumas das vozes da série dublada retornam em seus papéis, mostrando ainda mais respeito pelos admiradores. 





terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Crítica: Cavalo de Guerra (War Horse, 2011)

Ano passado assistimos ao retorno de grandes diretores como Terrence Malick (A Árvore da Vida), Pedro Almodóvar (A Pele Que Habito) e Lars Von Trier (Melancolia). 2012 começou e o que o cinema ganha é a volta dupla de Steven Spielberg, com a animação "As Aventuras de Tintim" que estréia nesta sexta e o drama épico "Cavalo de Guerra". Spielberg, um dos grandes nomes da indústria cinematográfica, não dirige um projeto desde 2008 com o último "Indiana Jones", mas pode-se dizer que não apresenta um trabalho notável desde 2005 com o excelente "Munique". E neste drama temos a prova de que o bom e velho Spielberg está de volta.

por Fernando Labanca

"Cavalo de Guerra" nos mostra a trajetória do cavalo Joey, tendo como cenário a Primeira Guerra Mundial. Sua jornada inicia-se ao lado da família Narracot, na Inglaterra, início do século XX, que moram e desenvolvem seu próprio sustento em uma fazenda alugada, propriedade de um homem sem escrúpulos (David Thewlis). Ted (Peter Mullan), o pai, que tem problemas com bebidas, decide enfrentar seu proprietário em um leilão de cavalos, oferencendo mais do que podia em um cavalo fora dos padrões e que em nada poderia ajudar na fazenda. É quando seu filho, Albert (Jeremy Irvine) tão encantado pelo animal resolve treiná-lo e ensiná-lo a arar as terras do terreno, criando, então, um laço muito forte com ele. 

Até que os ensinos ao cavalo não são capazes para pagar as dívidas da família, é então que Ted decide vendê-lo para o exérito britânico quando a Guerra é enfim anunciada. Para a infelicidade de Albert que vê seu amigo sendo vendido, servindo como transporte para os soldados. Vemos a partir de então, a trajetória de Joey por esta batalha, sua ida para França, até quando é capturado pelo exército alemão, e sem querer, acaba que inspirando cada um que encontra, e ele se torna um ser privilegiado, único capaz de enxergar a bondade que aflora em cada pessoa neste cenário tão frio e violento. 


"Cavalo de Guerra" funciona quase como um conjunto de crônicas sobre a Primeira Guerra Mundial, tendo um único protagonista, o cavalo Joey. E tendo os olhos do animal como o olho do público, vemos várias histórias que vão se costurando e formando toda a trajetória do cavalo. Seja seu primeiro dono e amigo fiel, Albert, até as próximas pessoas que decidem no meio do caos da guerra protegê-lo de alguma forma, o soldado valente (Tom Hiddleston), o jovem inocente que não divide os mesmos ideais que seu exército (David Kross), a menina órfã que perdera tudo e encontra em Joey uma nova esperança, entre outros que veem no cavalo o nascer de um novo sentimento, a beleza que não se enxerga numa guerra sem fundamento, o amor inocente de uma amizade que se perde no meio de tanto sangue. É isso que o roteiro bem desenvolvido de "Cavalo de Guerra" explora, refletindo a idéia de que o meio em que o homem se situa não revela seu verdadeiro caráter, e naquele cenário caótico, descobrimos através de um animal a essência de cada ser humano que cruza seu caminho, onde os ideais daquela guerra não eram os mesmos de todos aqueles que lutavam por ela. 

Para nos mostrar a história, Spielberg optou por um elenco desconhecido do grande público, dentre os mais conhecidos vemos Emily Watson, com seu olhar intenso, ótima em cena, e David Thewlis, bem, apesar de estar em uma personagem um pouco caricata. O jovem Jeremy Irvine com mais destaque na trama, tem espaço para brilhar, e consegue, e convence em sua performance. Ainda vemos no elenco nomes como David Kross (O Leitor) e Tom Hiddleston (Thor), bons em cena. Por outro lado, vemos personagens que às vezes soam forçadas por algumas atitudes, como o pai Ted (Peter Mullan) que nunca sabemos ao certo o que se passa em sua mente, ora quer o cavalo, ora não quer mais, ou a relação entre Joey e Albert que parece não haver um processo, o jovem se apaixona pelo animal desde o primeiro olhar, e apesar da atuação convincente Jeremy Irvine, esse amor parece forçado, consegue emocionar, mas é tão intenso que foge da realidade. Ou o sargento "malvado" que se derrete do nada ao ver o animal e seu dono no meio da guerra. Enfim, o que me pareceu em algumas passagens foi a necessidade de tentar emocionar o público sem pensar na necessidade de ser coerente.

A trilha sonora de John Williams, mais uma vez trabalhando em um projeto de Spielberg, é soberba. É realmente bela e tem papel fundamental na trama. No entanto, com o auxílio desta mesma trilha sonora, o diretor tenta com todas as suas forças emocionar o público. De fato, "Cavalo de Guerra" é um filme emocionante, simplesmente por sua história e sua bela conclusão, porém Spielberg parece não apostar tanto no potêncial do roteiro e força na trilha de Williams o nascimento de um drama que muitas vezes não existe. Nisso, é onde tembém surgem os já citados personagens que forçam este drama, sem precisar, a trama por si só já era interessante e comovente. Mas no geral, a fórmula acaba funcionando, mais uma vez, porque a idéia do projeto é boa. Confesso que tive um certo receio por se tratar da história de um cavalo, o cinema já fez isso antes e admito não ter gostado muito dos resultados. Para minha surpresa, "Cavalo de Guerra" é bem mais que a história de um cavalo, tem uma história bem desenvolvida capaz de prender a atenção do público mesmo se tratando de 146 minutos, minutos, aliás, muito bem preenchidos. 

Com sua bela fotografia e um certo amadurecimento de Steven Spielberg (se é que isso era possível), o diretor prova aqui ser um dos melhores, e consegue, na tela, fazer uma espécie de homenagem ao cinema. Ele vê nesta trama o momento perfeito para mostrar ao público sua admiração e seu conhecimento sobre a sétima arte. Seja pela inocência da história, a maneira como ele captura cada cena, nos remetendo sempre a um cinema antigo, é tudo muito nostálgico e consegue trazer beleza nisso. Ainda vemos a fotografia, com suas cores fortes e exageradas, aquele céu alaranjado que me lembrou e muito o fundo de "E o Vento Levou..." e todo aquele cinema daquela época que acabara de descobrir a cor. Com esta bagagem em mente, inspirado como nunca, Steven Spielberg consegue construir cenas, diria até, antológicas, como quando os soldados em território francês fixados em suas trincheiras se lançam ao ataque, ao som de uma gaita de fole, enfim, não há palavras para descrever a beleza desta sequência, ou quando o cavalo Joey, já na parte final, corre em meio a ataques e explosões, e se prende em arames farpados, é onde dois soldados inimigos se unem para salvá-lo, sem contar todas a cenas de batalha, perfeitas!. Em suma, "Cavalo de Guerra" é admirável, seja pela incrível direção de Spielberg, seja pela construção de cenas memoráveis ou pela simples comoção que a trama nos proporciona. 

NOTA: 8,5




segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Cinema: Super 8 (Super 8, 2011)


Em 2009 surgia nos cinemas "Star Trek", mostrando os eventos iniciais desta famosa franquia, grande responsabilidade para um diretor quase que iniciante, JJ Abrams, a mente por trás da série "Lost" encarou o desafio e fez não só um dos melhores filmes daquele ano, como uma das mais fantásticas ficções científicas desta década. Era fato, a sétima arte revelara um talento. Este ano, Abrams surge com "Super 8" e prova de vez que é um dos bons diretores da atualidade, numa trama criativa que relembra os clássicos da década de 80, para guiá-lo ninguém melhor que Steven Spielberg, que trabalha aqui como produtor. O cinema precisava relembrar o que já foi bom, "Super 8" veio na hora certa.

por Fernando Labanca

Verão de 79. Joe Lamb (Joel Courtney) é um garoto apaixonado por cinema e junto com seus amigos, Charles, Martin e Cary tentam concluir um filme caseiro de terror trash para participarem de uma competição local de jovens cineastas. Até que devido a um acidente, sua mãe falece, tendo que conviver apenas com seu pai (Kyle Chandler), que nunca soubera exercer a função de pai muito bem, sempre muito afastado e nunca compreendendo os sentimentos do filho. Joe, então, decide rodar o filme e esquecer seus problemas, tudo melhora, aliás, quando a atriz convidada para a única personagem feminina da trama é a garota que estava afim no colégio, Alice (Elle Fanning). Até que certa noite, quando eles resolvem filmar numa estação ferroviária, acontece um evento curioso, um trem em alta velocidade atravessa os trilhos chocando com uma caminhonete, causando uma enorme colisão.

Deste acidente, uma teia de acontecimentos começa a surgir na pequena cidade Lillian. O exército que já rondava o local passa a ir atrás de pistas para o ocorrido e compreender o que aquele motorista fazia naquele momento, o mesmo fazem os garotos que percebem que não fora um mero acidente. Não muito tempo depois, coisas começam a desaparecer, além de cachorros e pessoas, deixando um ar de mistério e suspense por todas as ruas. Mas havia uma Super 8 no memento da colisão que poderá revelar muitas respostas.

Este ano, "Super 8" iniciou uma divulgação pesada, desde teasers nos cinemas ou pequenos vídeos na internet que nada revelavam do que realmente se tratava o filme. Esse mistério valeu a pena, essa curiosidade que eles conseguiram plantar no público (pelo menos em mim, deu certo) fez com que cada cena ali na tela fosse uma grata surpresa. Há um mistério que cerca o filme inteiro e a maneira como ele é guiado é digno de grande produção Hollywoodiana, há um bom suspense e JJ Abrams acerta mais uma vez, sabe guiar esses acontecimentos. O roteiro é fantástico, em questão de minutos, inúmeros fatos ocorrem, toda a história se altera e tudo flui de forma objetiva, clara, sem parecer forçada ou acelerada. Tudo acontece em seu tempo, mas sem muitas enrolações, o mistério funciona muito bem e nos prende do início ao fim! Trabalho de gênio.



Trabalho de gênio de JJ Abrams, não só por ter conseguido amarrar o suspense, mas por ter feito algo de altíssima qualidade, resgatou o que houve, não necessariamente de melhor no cinema, mas de uma fase cheia de ingenuidade e que sentimos falta às vezes, filmes como "ET" ou "Goonies", onde crianças são as protagonistas, e há aquela aventura bem desenvolvida e todo um clima de inocência, que entretem e diverte. "Super 8" é uma belíssima homenagem a este cinema que ficou para trás, uma homenagem as nossas "sessões da tarde", mas diferente de todo o resto que trabalha em Hollywood, JJ Abrams resolveu não adaptar ou refilmar algo já criado, ele encarou o desafio de fazer algo novo, e utilizando deste clima nostálgico para inserir uma trama completamente diferente. A idéia funciona muito bem, a história é bem simples, poderia muito bem ter sido criada na década de 80, assim como os clássicos de Spielberg que ainda fazem sentido nos dias de hoje. E toda esta nostalgia mesclada com a tecnologia que o cinema possui, há grandes efeitos, mas felizmente ficam em segundo plano.

Por outro lado, "Super 8" peca pela sua conclusão. O roteiro arma toda uma estrutura gigantesca, com grandes acontecimentos e querendo ou não, nasce dentro do público uma expectativa muito alta a cada minuto, esperamos um grande final, surpreendente, e infelizmente isso não ocorre. O filme termina e fica um certo vazio, não teve o final que merecia, a razão para todo o mistério é simples demais, parece pequeno diante de todo o filme. Mas ainda assim, este defeito não destrói o beleza do longa, o propósito dele é ser simples. Ainda vemos na tela, ótimas locações, e uma bela construção dos anos 70/80, desde os cenários ao fantástico figurino, tudo remete perfeitamente aquela época e aos filmes que vimos deste tempo.

Quem brilha mesmo na obra, é sem sombra de dúvida seu elenco de jovens atores, garotos, que agem como garotos e que conseguem levar o filme nas costas com tranquilidade, são verdadeiros protagonistas, que nos guiam, nos diverte e nos emociona em determinadas partes. As atitudes desses meninos convencem, desde a paixão pelo cinema, a relação familiar e a descoberta de um novo amor. Joel Courtney, com mais destaque na trama, funciona bem, assim como os outros garotos com quem contracena. Os veteranos Kyle Chandler e Noah Emmerich também não decepcionam. Mas o destaque de "Super 8" vai para a interessantíssima Elle Fanning, que vem desenvolvendo um ótimo trabalho nos cinemas, e aqui ela brilha e logo nas primeiras cenas vemos seu grande talento.

Sim, "Super 8" tem seus pequenos defeitos, mas ainda digo com toda a certeza, é um dos filmes mais interessantes que fora lançado nos cinemas este ano, por revitalizar uma parte morta na sétima arte, um estilo que se perdera no caminho, e ainda assim conseguir ser original. É muito bom ir ao cinema em pleno 2011 e se deparar com uma idéia como esta, me senti entrando numa máquina do tempo, quando os filmes que hoje vemos na "sessão da tarde" eram lançados em tela grande. Aliás, ao ver "Super 8" realmente me senti vendo um filme "sessão da tarde" e pela primeira vez senti que isso não era um defeito e sim uma grande qualidade, é um ótimo filme sessão da tarde, que merece ser visto, apreciado. Palmas para JJ Abrams, mais uma vez: TRABALHO DE GÊNIO!

NOTA: 8


terça-feira, 5 de julho de 2011

Especial: De Volta Para O Futuro


Existem alguns filmes que são lançados e poucos segundos depois são esquecidos, existem também aqueles que entram para a história, não há como prever, não há como deduzir, não há como saber se tal projeto fará sucesso ou não. A questão é que filmes que entram para a história são atemporais, aqueles que resistem ao tempo e mesmo depois de anos de seu lançamento ainda fazem sentido para um público mais atual, um destes raros projetos é "De Volta Para o Futuro" que ano passado comemorou 25 anos desde sua estréia. Dirigido por Robert Zemeckis e produzido por ninguém mais que Steven Spielberg, o filme marcou e até hoje é visto como referência. Eu sempre soube de tudo isso, mas nunca parei para assistí-lo, até que tive tempo e oportunidade para vê-lo e aqui estou para escrever um pouco sobre o que achei deste universo criado por Zemeckis!

por Fernando Labanca



De Volta Para o Futuro (Back to The Future, 1985)

O início de tudo, o primeiro passo do grande sucesso. Mesmo sabendo que o filme foi um marco nunca consegui vê-lo além de um filme de "sessão da tarde", confesso que tive esse preconceito e por isso nunca me interessei, até que resolvi dar uma chance, nos primeiros minutos o via com olho torto, mas não demorou muito para a obra me convencer de que eu estava diante, mesmo depois de 26 anos, de algo muito novo e extremamente criativo!

Conhecemos Marty McFly (Michael J.Fox) um jovem bem anos 80, com aquelas roupas descoladas, tem uma banda de garagem e uma namorada (Claudia Wells), não faz o tipo do bom aluno e por isso sempre consegue enlouquecer o diretor de sua escola e em casa, não há nada que lhe dê muito orgulho, família conservadora, sua mãe (Lea Thompson) que não aceita seus erros e seu pai "loser", George McFly (Crispin Glover) que é motivo de piada e é um verdadeiro fracasso como pai e como esposo, além de ser alvo de chacota de um antigo rival, Biff Tannen (Thomas F.Wilson). Para aliviar sua rotina, McFly é uma espécie de assistente de um ciêntista, o Dr.Emmett (Christopher Lloyd), também conhecido com Doc, que sempre tem idéias mirabolantes, eis que depois de anos em fase de experimento ele consegue realizar sua grande obra, a máquina do tempo.

Outubro de 1985. Instalada em um De Lorean, o automóvel precisaria correr 88mph para se transportar para uma determinada data, o problema é que Doc roubara plutônio de um grupo terrorista que para revidar a ofensa dão início a um tiroteio, assim, Doc leva um tiro e McFly é obrigado a fugir usando o automóvel e assim, acaba viajando no tempo e parando na data programada por Emmet, 5 de Novembro de 1955. Outro universo, outros costumes, o jovem se vê perdido nesta vida que ele desconhece e tenta reecontrar o Doc mais jovem para tentar voltar para casa e impedir que seu amigo morra, o problema é que ele salva um jovem de ser atropelado, este jovem era George, seu futuro pai, que aliás, conhecera sua mãe justamente por ter sido atropelado pelo pai dela. Assim, Marty altera a história e por ele ter sido atropelado, é lavado para casa do motorista, seu avô. Lá conhece sua futura mãe, a jovem Lorraine, que logo que se apaixona pelo desconhecido.

Até que ele encontra Doc e prova que 30 anos depois ele criaria uma máquina do tempo, e os dois passam a trabalhar para fazer a retorno, ao mesmo tempo em que Marty precisa dar um jeito de impedir que sua existência seja anulada, logo que impediu o jovem George conhecer Lorraine, então passa a fazer com que os dois se encontrem, mas para isso, teria que alterar outro fato, fazer com que seu pai acreditasse um pouco mais em si mesmo.

Como eu disse, não demorei muito para compreender de que se tratava de um filme criativo e muito novo. "De Volta Para o Futuro" tem um excelente roteiro, consegue com perfeição seguir aquelas regrinhas básicas para prender a atenção do público, nos primeiros minutos, as personagens. Cada um é apresentado aos poucos, sem pressa, onde cada fala é essencial para suas caracterizações. A história já prende nos primeiros minutos, desde os cenários cheios de detalhes interessantes, à trama em si, onde as personagens muito carismáticas nos guiam para um mar de criatividade, numa obra nada previsível, onde cada próximo passo é incerto e o resultado 100% das vezes, agrada.

A história é fantástica, fato. Viagem no tempo sempre foi o fascínio de muitos cineastas e "De Volta Para o Futuro" sem sombra de dúvida figura entre as melhores obras sobre o tema. É tudo muito interessante, Marty McFly não presencia fatos históricos e tenta mudar a história mundial, ele se depara em sua pequena cidade, onde suas atitudes interferem em seu próprio futuro, em sua existência. Ele ao lado de seus pais jovens é realmente genial e este inusitado evento abre portas para boas sacadas, como por exemplo, sua mãe se apaixonar por ele, inovador para uma aventura quase que infantil. Tudo isso ajudado pela ótima trilha sonora de Alan Silvestre e os ótimos efeitos visuais e sonoros, bem avançados para a época. Não posso deixar de citar a ótima caracterização dos anos 50, desde os cenários aos ótimos figurinos.

Michael J.Fox é extremamente carismático, é um ótimo ator e chega até ser triste vê-lo e saber que ele se afastou do cinema. Lea Thompson está fantástica também, vive Lorraine mais velha e mais jovem e convense nas duas épocas, assim como Crispin Glover que diverte com seu George e manda muito bem como ator. Christopher Lloyd e seu Doc transborda carisma, e ele consegue com perfeição transmitir sua insanidade e a alegria deste cientista antológico na história do cinema.

"De Volta Para o Futuro" é uma mistrura hamoniosa de ficção Ciêntífica, com direito a efeitos especiais e idéias inovadoras, de comédia, e das boas, com boas sacadas e um humor contagiante, de aventura em cenas que empolgam e uma pitada de romance para conseguir enfim agradar todos os públicos. O filme ainda está recheado de cenas memoráveis em diálogos incríveis, como quando McFly se empolga tocando o rock de Chuck Berry no baile dos estudantes em 55, as citações de Lorraine ao identificar Marty como "Calvin Klein" e o eterno "Great Scott" de Doc. Citações, falas, cenas e atuações, um conjunto de elementos que fizeram deste filme um marco! Recomendo, ainda é um filme novo mesmo em 2011, há nele o que há de melhor em Robert Zemeckis, que criou obras-primas como "Forrest Gump", "Náufrago" e "Contato" e o que há de melhor em Spielberg que sabe como ninguém fazer aquela aventura no ponto certo, com um toque de ingenuidade capaz de agradar qualquer público, daqueles que esperam um simples blockbuster ou até mesmo os mais exigentes que esperam mais conteúdo, e de bom conteúdo, "De Volta Para o Futuro" tem de sobra.

obs: O filme venceu o Oscar de Melhor Efeitos Sonoros, além de ter sido indicado a vários prêmios importantes, como o Oscar de Melhor Roteiro Original e o Globo de Ouro e Bafta de Melhor Filme e Melhor Roteiro.


NOTA: 9,2




De Volta Para o Futuro 2 (Back To The Future Part II, 1989)

4 anos depois do lançamento do primeiro, o estúdio não demorou muito para perceber que esta idéia daria uma grande franquia, por isso é considerado como a primeira grande franquia da história, o filme que motivou os grandes estúdios a fazerem continuações, logo que o resultado foi tão positivo quanto o original, mas ter continuações tão boas quanto o primeiro é uma raridade e "De Volta Para o Futuro" possui mais esta característica.

O filme começa exatamente do ponto em que o primeiro termina, fazendo algumas pequenas alterações como a personagem Jennifer Parker, namorada de Marty, que passa a ser interpretada pela jovem na época Elizabeth Shue (lembra?). Dr.Emmett vai atrás de seu assistente dizer que conseguiu outra façanha, viajar para o futuro e que eles precisam urgentemente serem transportados para lá, logo que o futuro filho de Marty passa por alguns problemas. Em 2015, onde carros voam e a tecnologia tomou conta do mundo, inclusive da fábrica têxtil, McFly percebe que a família Tannen ainda persegue a sua e ainda são grandes rivais e graçás a eles seu "filho" está a um passo de ser preso, mas devido a alguns incidentes ele consegue alterar o futuro dele, era para ser tranquilo, até que Marty descobre um "Almanaque de Esportes" sobre as principais vitórias ao decorrer da história e percebe como se dar bem na vida, o problema é que surge novamente o velho Biff Tannen que rouba sua idéia, consegue viajar no tempo e entrega o almanaque para si mesmo no passado.

Uma pequena idéia, mas que altera todas as vidas. Quando McFly e Doc retornam para 1985 se deparam com grandes alterações, seu pai morreu e sua mãe é casada com Biff Tannen, logo seu novo padrasto, que aliás iniciou um grande regime na socidede, ele a domina e é capaz de matar qualquer um. É quando que Marty e Emmett chegam a conclusão de que Biff criou uma realidade paralela e o único meio de alterá-la novamente era voltar ao início de tudo, no caso em 1955. Nisso, McFly se depara com os mesmos acontecimentos de sua última viagem a época, mas com um novo foco, impedir que o Biff do futuro entregue ao jovem Biff o Almanaque, ao mesmo tempo impedir que acontecimentos passados, como o encontro de George e Lorraine não sejam alterados.


Quando eu acreditava que era impossível construir uma trama tão criativa e interessante quanto a primeira me surpreendi, pois "De Volta Para o Futuro 2" retoma o que houve de melhor no primeiro, ou seja, a aventura empolgante aliada ao humor afiado e personagens bem construídos com uma nova e surpreendente história tão criativa e original quanto a primeira. A idéia de realidade paralela é fantástica e flui muito bem, os roteiristas pensaram em cada detalhe, cada pequeno detalhe, não há sequer um pequeno furo, tudo muito bem pensado, planejado e o resultado é uma obra bem arquitetada que mais uma vez não decepciona o público mais exigente sem deixar de excluir aqueles que veem somente pela divertida aventura. Quando McFly retorna em 1955 o filme alcança a genialidade, onde uma cena acontece ao mesmo tempo em que no fundo outra (ocorrida no primeiro filme) está sendo exucutada. Não consigo pensar em outra palavra para descrever estes acontecimentos a não ser: GENIAL!.

Os atores continuam incríveis, Michael J.Fox parece se divertir até mais, tem a oportunidade de interpretar McFly, McFly mais velho e seus filhos e convense e diverte am todas as partes, além de brilhar a tela com seu extremo carisma. Christopher Lloyd também muito versátil e Doc contagia o público quando entra em cena. Lea Thompson mais uma vez reprisando sua adorável personagem e Thomas F.Wilson como Biff Tannen faz um vilão caricato, mas no ponto certo para divertir.

"De Volta Para o Futuro 2" é sim tão bom quanto o original, o que é uma grata surpresa. O filme ainda consegue arrancar boas risadas e surpreender com suas idéias mirabolantes e criativas. Ainda há cenas marcantes e diálogos memoráveis, ainda há aqueles pequenos detalhes bem pensados que fizeram diferença, "Calvin Klein" e "Great Scott" ainda permanecem, o De Lorean agora voa, e algumas cenas onde foram inseridas tecnologia surpreendem pois hoje em dia realmente fazem parte da nossas vidas, como conversas através de um vídeo, assim como as "webcams" ou a tecnologia 3D que invadiu o cinema, aqui o filme em questão é a 19º parte de "Tubarão" sucesso de Steven Spielberg que, vai além da tela, enfim, um filme que pensou muito além de seu tempo e hoje vemos que ele acertou em muitos aspectos. Uma obra correta, bem pensada, inteligente, que não perde tempo com cenas descartáveis, tudo o que vemos em cena fará diferença no decorrer do filme, cada fala, cada atitude terá algum resultado maior. Uma aventura como poucas que surgiram na história, numa época onde o conteúdo era mais relevante que o visual.

NOTA: 9,2




De Volta Para o Futuro 3 (Back To The Future Part III, 1990)

Quando me falaram que a terceira parte era uma espécie de faroeste fiquei com o pé atrás, estava indo muito bem para eles estragarem tudo na última parte, estava lá eu mais uma vez subestimando a série e mais uma vez queimei minha língua, a terceira parte ainda é ótima e faz um grandioso desfecho para esta grandiosa aventura.

Mais uma vez, a sequência começa do ponto em que a anterior terminara, com a diferença de que foram filmadas simultaneamente e esta fora lançada apenas seis meses depois da segunda parte. Algo parecido ocorreu com "Piratas do Caribe- No Fim do Mundo" e "Matrix Revolution". Por um acidente, Dr.Emmett é lavado para um passado muito distante, 1885, mas consegue enviar uma carta para McFly para que não tente voltar no tempo para buscá-lo, seria muito arriscado. Doc conta que vivia como ferreiro na época do Velho Oeste para tentar consertar sua máquina, que aliás, a havia enterrado numa mina, é quando Marty vai atrás desta mina e reecontra o De Lorean, mas também encontra algo a mais, a sepultura de Doc dizendo que ele morrera num duelo contra Bufford Tannen, o fora-da-lei mais perigoso. E com a ajuda de Emmett de 1985, McFly consegue se transportar para o Velho Oeste com o intuito de salvar a pele do amigo, consegue algumas roupas antigas e se auto denomina de "Clint Eastwood".

Lá, ele se depara com seus ancestrais e com Doc, que leva uma vida pacata na cidadizinha e juntos eles tentam bolar um plano para fazer com que eles atinjam a velocidade necessária para viajarem no tempo, enquanto isso, Marty acaba que criando confusão com Bufford que marca data e local para um duelo. Porém, na sepultura de Emmett constava uma outra informação muito importante, o nome de sua amada, uma tal de Clara Clayton (Mary Steenburgen), mas ele nunca conhecera esta mulher antes, o que não tarda a acontecer, quando a professora vai até a pequena cidade e eles se conhecem e logo percebem o quanto de coisas que possuem em comum, é quando que Doc passa a refletir sobre voltar para casa, e se 1885 fosse realmente seu novo lar?


A "Parte 3" me surpreendeu bastante, achei mesmo que uma hora ou outra o filme derrapasse, mas isso não aconteceu. De fato, este é o mais fraco de todos, mas isto jamais quer dizer que seje um filme ruim, muito pelo contrário. Ainda é um interessante projeto e Robert Zemeckis o guia com muita segurança e competência, sua história ainda é ótima, entretanto não possui aquelas idéias tão inovadoras que marcaram os dois primeiros, a trama é bem original mas não no mesmo nível das outras partes, é mais convencional.

Por outro lado, acredito que este seje o mais engraçado de todos, pelo menos foi o que mais dei risadas, seu humor flui melhor, o ambiente parece mais propício para um grande filme de comédia e todas as inusitadas situações permitem brilhantes diálogos bem humorados e ótimas sacadas. Não me esqueço de "Isto é um assalto? Não, isto é um experimento ciêntífico", assim dizia Doc antes de por seu grande plano em prática, entre outras sacadas bem engraçadas e porque não, bem inteligentes, mais uma vez, a obra não subestima seu público, criando uma aventura não muito óbvia e cheia de bons conflitos e boas ideías. O que dizer de "Clint Eastwood" e as citações de Jules Verne, mostrando mais uma vez as grandes referências e provando que Spielberg e Zemeckis beberam na fonte certa para criar esta grandiosa aventura, com bom humor e um pouco de romance.

Os atores mais uma vez acertam na composição de seus personagens. Michael J.Fox e Christopher Lloyd conseguiram o feito de construirem personagens históricos. Destaque também para Thomas F.Wilson como Bufford Tannen, mais uma vez o vilão da história, mostrando mais versatilidade como fora-da-lei, tendo a chance assim como Lea Thompson e J.Fox em mostrar em um só filme várias faces. Além das atuações, outro ponto positivo é composição da época, desde os figurinos e maquiagem, passando pelos ótimos cenários, e mesmo se tratando de uma comédia, mesmo que não fosse para ser levado a sério, a equipe não poupou esforços para fazer algo de qualidade.

Em suma, "De Volta Para o Futuro 3" é divertido, dinâmico, inteligente, original, que possui uma trama interessante e bem guiada pelo roteiro que não perde tempo, só colocando nas cenas elementos necessários para a compreensão da mesma. Não é tão bom quanto os dois primeiros, mas ainda assim é fantástico. Um filme sobre aceitar o tempo, não ter pressa para realizar planos, afinal, não existe predestinação, destino é feito por nós mesmos, só cabe a nós decidir como será nossa vida no futuro e o melhor futuro é aquele que não se planeja, é aquele tempo que nos permitirá sermos surpreendidos. Recomendo toda a franquia, uma obra que me surpreendeu e acredito que irá surpreender aqueles que ainda não viram, é muito fácil assistí-lo e compreender o porquê de ser um marco na história do cinema, o porquê de seu sucesso. Enfim, uma obra de altíssima qualidade.

NOTA: 9,0

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