sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Crítica: Vicky Cristina Barcelona (2008)


Mais um filme do velho e bom Woody Allen chega aos cinemas e os críticos ficam de olho para opinar e ver se o diretor ainda continua com seu talento de anos atrás. Para surpresa, Woody não erra mais uma vez e acerta em cheio nesse drama com pitadas de sensualidade, comédia sutil e atores competentes.


Por Fernando

"Vicky Cristina Barcelona" conta a história de duas amigas norte-americanas, citadas no título, que viajam para Barcelona, cada uma com seu objetivo. Vicky, interpretada por Rebecca Hall (O Grande Truque) é uma mulher decidida, equilibrada e inteligente, que estuda a cultura catalã e decide viajar para Espanha afim de melhorar seu conhecimento, enquanto vive uma vida amorosa completamente bem resolvida, está prestes a se casar, bem diferente de Cristina, vivida por Scarlett Johansson (Match Point), que não sabe muito bem o que quer da vida, não tem uma vida amorosa nem profissional resolvida e acredita que em Barcelona vai respirar novos ares e descobrir novas coisas, inclusive seu talento, seu futuro.


Quando chegam na cidade, conhecem Juan Antonio (Javier Bardem), um pintor sedutor com um passado misterioso, onde teve um relacionamento complicado com uma mulher e ninguém sabe o fim que teve esse caso, a única coisa que as pessoas sabem é que alguém foi violentado. Ele agora está livre e pronto para novas aventuras e convida as turistas para um passeio num hotel e promete muita bebida e sexo. Depois de muitas conversas, Cristina acaba convencendo a comprometida Vicky para essa inusitada aventura. Vicky deixa claro que não quer nada com Juan e que o acha ridículo por agir dessa maneira.


Os três acabam se divertindo, conhecem a cidade de Barcelona, mas o plano acaba indo longe demais, e por causa de alguns desencontros, Vicky acaba se envolvendo demais com Juan, mas é Cristina quem se entrega completamente a essa loucura e vai viver com Juan em sua casa, enquanto Vicky esconde seus verdadeiros sentimentos para viver uma vida que tem mais conforto e segurança. Porém o que Cristina não esperava é que Maria Elena (Penélope Cruz), a ex de Juan, voltaria, ela decide ficar na casa com eles, estava prestes a se suicidar mas Juan mais uma vez salva sua vida, eles vivem um romance conturbado, ela tem mudanças rápidas de humor, não esconde seus verdadeiros sentimentos e juntamente com Cristina e Juan se envolve em um arriscado e sensual relacionamento. E essas férias acabam fazendo com que todos refletissem sobre o que realmente querem de suas vidas, pois ali era chance deles definirem o que aconteceria dali para frente, além de descobrirem o que realmente são e até que ponto eles são capazes de ir para conquistarem a satisfação de viver.

"Vicky Cristina Barcelona" se torna um pouco chato por mostrar os fatos através de um narrador, sendo que o diálogo entre as personagens é um dos pontos mais positivos do filme. A trilha sonora é repetitiva e cansa em certos momentos.

Mas o ponto forte do filme são atuações. Rebacca Hall surpreende por ser a mais novata do elenco, mas brilha como todos e tem uma atuação equivalente a muita estrada. Scarlett Johansson mostra mais uma vez que não é mais um rosto bonito, é comepetente no que faz e agrada com seu carisma e simpatia. Javier Bardem é excelente, consegue convencer em tudo o que faz, mesmo suas personagens sendo tão diferentes.
Mas o destaque mesmo fica para Penélope Cruz, com uma participação menor que os outros atores porém significativa. Ela surpreende a cada papel desde "Volver" e cada filme cresce como atriz e esse, com certeza, foi sua melhor atuação. Fala inglês, espanhol, grita, emociona e diverte e foi responsável pelos melhores momentos do filme. Apenas por sua atuação, já vale o ingresso, que foi melhor até que o próprio filme.

O final não é previsível e para muitos pode ser decepcionante, entretanto, é realista e mostra que na nossa vida nem tudo segue como planejamos. O filme nos revela que existem diversas maneiras para se amar, o amor não é algo padronizado e não há definição para ele.

NOTA: 8


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