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terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Retrospectiva 2015: Melhores Atrizes Coadjuvantes
Voltando a falar de atuações femininas no cinema de 2015, outras mulheres se destacaram bastante em papéis coadjuvantes. Faço agora o TOP 15 com as melhores do ano.
por Fernando Labanca
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Crítica: Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again, 2014)
John Carney é um musico irlandês que ganhou notoriedade no mundo do cinema ao dirigir o longa "Apenas Uma Vez" (2007), sucesso no Festival de Sundance e que acabou ganhando o Oscar de Canção Original. "Mesmo Se Nada Der Certo" marca seu retorno e chega com aquela expectativa sobre como seria seu novo trabalho, agora em Hollywood. A verdade é que a espera valeu muito a pena. Trata-se de um filme encantador, que nos inunda de ótimas vibrações, que preenche a alma, que é tão bom e tão gostoso de ver que chega até ser um exagero. Com certeza, uma das experiências mais incríveis que tive no cinema este ano.
por Fernando Labanca
Gretta (Keira Knightley) é uma compositora que se muda para Nova York, ao lado de seu namorado (Adam Levine), um cantor em ascensão. Não demora muito até ela descobrir uma traição, culminando no fim do relacionamento e a deixando sem rumo nesta cidade que desconhece. Desiludida, busca abrigo com seu amigo e também cantor Steve (James Corden) que ganha a vida cantando em bares, onde, certa vez, a faz subir no palco e cantar uma de suas composições. É neste instante, que a vida de Gretta se depara com a vida de Dan (Mark Ruffalo), um fracassado produtor musical, recém demitido e sem planos futuros, que vê em sua voz uma chance de recomeçar. Juntos, decidem apostar na carreira musical de Gretta, e para gravar uma demo, montam uma banda aos improvisos, e passam a gravar uma canção em cada canto da cidade.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Crítica: Procura-se um Amigo Para o Fim do Mundo (Seeking a Friend to the End of the World, 2012)
A catástrofe do fim já foi tema de diversos filmes, seja em ficções científicas com direito a explosões e muitos efeitos, seja nos dramas mais intimistas como "Melancolia" de Lars Von Trier ou o mais recente "O Abrigo". O gênero da vez a alcançar tal premissa é o cinema indie norte-americano, com personagens excêntricos, boa trilha sonora e referências a cultura pop, o fim do mundo nunca foi tão divertido e gostoso de se ver como nesta obra.
por Fernando Labanca
Acompanhamos as últimas semanas da Terra, logo que o asteroide Matilda está prestes a colidir com o planeta. É então, que cada grupo de pessoas reage de uma forma diferente. Há aqueles que surtam, botam fogo nas ruas e se suicidam e há aqueles que passam a ver cada dia como se fosse o último, aproveitando a vida como nunca. E há Dodge (Steve Carell) que não se encaixa em nenhum grupo, vive sua vidinha pacata como se nada fosse acontecer, acabara de ser abandonado por sua mulher e todos os dias vai vender seguros num escritório. Sua rotina muda quando Penny (Keira Knightley), uma vizinha até então desconhecida vai parar na sua porta, e ao descobrir que ela mantinha correspondências dele em seu apartamento, percebe que essa ironia do destino havia destruído sua vida, isso porque a pessoa que Dodge mais amava tentava se corresponder com ele, é então que a ficha cai, ele vai morrer sozinho, sem alguém para amar.
Decidida a arrumar seu grande erro, Penny o leva numa jornada para reencontrar a tal mulher do passado, e é nesta jornada que eles encontrarão com diversas pessoas, cada uma com seus medos e teorias e passam a usar deste tempo para refletir sobre suas próprias vidas, sobre o que perderam pelo caminho e ainda podem resgatar.
"Vocês ouvirão a contagem regressiva para o fim dos dias, junto com todos os seus clássicos favoritos do rock". É assim que o longa metragem escrito e dirigido por Lorene Scafaria se inicia, já deixando bem claro sua verdadeira intenção e é com esta mesma personalidade que o roteiro é guiado, do começo ao fim. Utilizando da ironia e estranheza daquele universo como base de seu humor, aproveitando desta situação tão inusitada para criar, aliás, recriar o fim do mundo, de uma forma jamais vista antes e que agrada pela originalidade e surpreende ao ser tão eficiente e tão equilibrado, o roteiro que transita de forma natural entre a comédia, romance e drama, parece não perder a linha em nenhum momento e se firma como uma das mais brilhantes e interessantes obras sobre o tema. Eficiente, por conseguir trabalhar todas as questões possíveis, os noticiários que nos informam sobre o ocorrido e todo o processo que aquela sociedade enfrenta, de forma clara e muito bem desenvolvida ao decorrer do filme, ainda deixando espaço para os conflitos vividos pelos protagonistas, que divertem e emocionam na medida certa. É válido citar outra grande qualidade do roteiro, como cada pequeno detalhe parece fazer diferença no resultado final, seja elementos simples, como o passado de Peny com a família, o fato dela dormir demais ou sua afeição pelos LP's, onde tudo parece muito bem pensado, arquitetado para seu gran finale.
É interessante como "Procura-se um Amigo Para o Fim do Mundo" consegue transmitir tantas ideias e tanto sentimento. Em uma das cenas mais brilhantes do filme, Dodge participa de uma festa no subúrbio, mais do que explorar a superficialidade dos norte-americanos, ele explora a superficialidade dos humanos, onde uma mulher se questiona sobre o porquê não poder sair da linha, viver a vida loucamente enquanto todos fazem o mesmo, mas ela precisa se segurar pois tem uma imagem a zelar. Acredito que seja sobre isso, sobre como nós, seres humanos, com medo do amanhã, com medo das consequências, medo do que podem falar, de como os outros nos veem, nos fechamos ao mundo, às possibilidades, como saber que existe o amanhã nos impede de ser quem realmente somos, seria mesmo necessário o fim do mundo para aprendermos a viver a vida como deve ser vivida? Longe da obviedade "viva como se fosse o último dia", o filme nos traz uma deliciosa sensação, a simplicidade das coisas, a nostalgia de um tempo onde as relações eram mais verdadeiras, e assim como os LP's da protagonista, onde a qualidade do som foi trocado pela praticidade da tecnologia, infelizmente, assim aconteceu com as relações humanas. E tudo isso é tratado com bastante delicadeza e humanismo.
No decorrer da história, vamos nos deparando com diversas participações especiais no elenco, como Melanie Lynskey, Adam Brody, Martin Sheen e todos se destacam. Mas é Steve Carell e Keira Knightley que dominam a tela, e com seu tom mais intimista, a trama tem a relação deste inusitado casal como seu principal foco. Carell parece confortável neste tipo de papel e se sai bem, assim como Keira, que apesar de mais uma vez surgir histérica, convence como a louca Penny e acaba surpreendendo em diversas passagens, como quando conversa com sua família pelo telefone ou na cena final, emociona de forma intensa e se mostra bastante competente.
Um filme original, divertido e extremamente comovente, que vai na contramão do que já foi feito sobre o caos universal, onde cada cena é uma surpresa, nunca sabemos qual os próximos passos dos personagens. O longa termina e fica em nossa mente suas reflexões, passamos a imaginar como seria viver num mundo como aquele retratado, onde somos realmente livres, onde todas as pessoas se igualam, o dinheiro e o status já não significam mais nada, onde a única coisa que nos resta são as relações, o amor, a amizade, e do que vale a vida sem essas coisas? E para fechar com chave de ouro, "Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo" nos apresenta, eu diria, um dos melhores finais que o cinema presenciou este ano. Surpreendentemente bom, acaba emocionando muito mais do que parece, de forma intensa e impactante. Uma experiência única e prazerosa, uma grata surpresa indie. NOTA: 9,5
domingo, 10 de maio de 2009
Crítica: Desejo e Reparação ( Atonement )

Adaptação do romance "Reparação" escrito por Ian McEwan, Desejo e Reparação faz parte das boas adaptações literárias feitas no cinema.Quer dizer, boa não.Ótima!
Por Bárbara
Infelizmente no cinema, poucas adaptações se saem bem como obras cinematográficas.
Por mais que haja ótimas ideias, seja em livros, quadrinhos ou jogos e até mesmo em parques de diversão ( Piratas do Caribe, por exemplo ) ainda existe um fator primordial para que a adaptação seja bem sucedida: competência de quem irá realizá-la.
Para analisarmos as adaptações cinematográficas não basta só dividirmos em: livros, quadrinhos e jogos, mas principalmente dividir entre aquelas que são boas, no mínimo razoáveis e entre aquelas que simplesmente não deveriam existir, de tão ruins.
Embora tenha muitas pessoas competentes em Hollywood ( que detém a maioria dos direitos p/ adaptação do cinema ), uma boa parte delas não tem respeito pela obra original,ou seja, fazem um trabalho visando somente os lucros com bilheteria e vendas de DVD's.
Mas ainda há luz no fim do túnel e o ano passado foi um marco na história das adaptações no cinema.Batman - O Cavaleiro das Trevas e Homem de Ferro provaram que as adaptações podem ser ótimas, com o devido respeito a obra original e ainda sem prejudicar o bolso dos estúdios.
E, depois de toda essa enrolação e com muita felicidade, digo que Desejo e Reparação se enquadra no mesmo grupo de Batman e Homem de Ferro, no grupo das ótimas adaptações que ainda respeitam a sua fonte.No caso de Desejo e Reparação, que fonte!
Desejo e Reparação é uma adaptação de um romance do escritor inglês Ian McEwan, chamado Reparação.A história se passa na Inglaterra, poucos anos antes da II Guerra Mundial.
A trama gira em torno de Briony Tallis ( Saoirse Ronan ), uma garota de 13 anos e escritora principiante.Depois de ver a irmã mais velha Cecília ( Keira Knightley ) em momentos um pouco mais íntimos com o filho da governanta, Robbie Turner ( James McAvoy ), ela começa a desconfiar das intenções dele em relação a Cecília.
Pouco tempo depois, o irmão mais velho de Briony e Cecília, Leon, chega de viagem junto com um amigo dono de uma fábrica de chocolates.Também estão na casa da família Tallis os três primos de Briony, os gêmeos Jackson e Pierrot e a irmã mais velha deles, Lola.Eles estavam na casa da família Tallis porque os pais estavam em processo de separação.
A desconfiança de Briony em relação a Robbie aumenta quando ele a pede que entregue uma carta dele a Cecília.
Louca de curiosidade, Briony lê a carta antes de entregá-la a Cecília e pensa que Robbie é um maníaco sexual e ainda conta isso a Lola.
Briony fica como um cão de guarda farejando todas as pistas para ver se Robbie andava fazendo algo de ruim a sua irmã e interpretando mal os fatos,conclusão que o espectador tira depois , porque logo após de vermos a situação pelo ponto de vista de Briony, o filme volta a cena em questão e nos mostra o que aconteceu de verdade.
Enquanto Briony fica pensando com seus botões o que fazer, Robbie ( que foi convidado para um jantar na casa dos patrões ) chega e vai falar com Cecília a respeito da carta.Eles se trancam na biblioteca da casa e acabam fazendo sexo.É claro que a pentelha ( acho que eu me permito chamá-la dessa forma,porque ela é isso mesmo!) vai atrás da irmã e flagra os dois.
Na hora do jantar, fica aquela saia justa.Robbie olha para Cecília, que olha para Robbie e Briony fica olhando os dois, ora um ora outro.Aí o desespero se abate na família, pois os gêmeos Jackson e Pierrot fogem querendo ir para a casa,ver os pais.Então o jantar é interrompido para todos saírem em busca dos meninos, inclusive Robbie.
De repente, enquanto estava procurando os meninos, Briony vê alguma coisa escondida no mato, aponta a lanterna e vê sua prima Lola caída no chão e um homem correndo.Briony conclui que Lola foi estuprada e que Robbie é o estuprador.
Chegando em casa,a Sra Tallis chama a polícia e Briony acusa Robbie à polícia,dizendo que o viu atacar Lola com os próprios olhos.Robbie chega na casa com os gêmeos, mas é preso.Nessa hora,Cecília e Robbie se declaram um ao outro.
Por não acreditar inteiramente na irmã e inconformada com a prisão de Robbie, Cecília sai de casa e vai morar sozinha em outra cidade, se tornando enfermeira.Enquanto isso, na cadeia Robbie é forçado a optar por dois caminhos: continua preso ou se alista no exército para combater na II Guerra Mundial.Ele se alista no exército e consegue encontrar Cecília.Particularmente falando, essa é uma das cenas mais emocionantes do filme.
Passa - se alguns anos.Cecília continua sendo enferneira e não se comunica mais com sua família, Robbie foi para a França ajudar os aliados franceses e Briony fica tão arrependida do que fez que decide tomar pelo mesmo caminho da irmã, se tornando também enfermeira e inclusive estagiando no mesmo hospital.
A partir daí, não posso comentar mais nada senão estraga a surpresa de quem ainda não viu essa maravilha de filme.Mesmo com um final muito diferente do convencional dos filmes de românticos,ele agrada tanto os fãs do gênero quanto aquelas pessoas que torcem um pouco o nariz diante desses filmes ( eu, por exemplo ).
Como não sou profissional da área, nem vou me aprofundar muito em questões técnicas, mas tenho que citar que a trilha sonora é belíssima ( não é atoa que ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora - 2008 ) e se encaixa com perfeição no decorrer da trama.
Enquanto as atuações, novamente destaco James McAvoy.Muito talentoso mas ainda com muito potencial para desenvolver, ele faz com que ficamos ao lado de Robbie durante todo o tempo de duração do filme.James é muito carismático e bonito ( não é um galã, mas tem seu charme !!! - hehehe ) e faz aquele tipo de mocinho que até a pessoa mais insensível do mundo quer que ele tenha um final feliz.A mesma coisa digo de Keira Knightley, que ao meu ver se superou nesse filme e que mostrou amadurecimento em sua interpretação.Ela e James tem uma química muito boa e fazem um casal bonito.Ela também está mais bonita, apesar dos rumores de anorexia.
E por fim, destaco as três intérpretes da personagem mais detestável do filme ( na minha opinião ), Briony Tallis. Saoirse Ronan a interpreta na infância, quando tinha apenas 13 anos e tem um maior tempo em cena,por isso pode desenvolver seu trabalho melhor.Incrivelmente talentosa,fez de Briony uma personagem memorável. Cheia de si, achando que entende tudo e se sentindo adulta demais para sua idade, temos simplesmente raiva dela, apesar dela tentar consertar o erro depois.Romola Garai, que faz Briony com 18 anos tem pouco tempo em cena, mas mesmo assim faz um bom trabalho, fazendo dela uma pessoa angustiada pelo arrependimento e pela culpa.Vanessa Redgrave faz Briony quando ela já está idosa e aparece nos momentos finais,porém isso não diminui em nada a carga dramática da personagem e nem o talento da atriz, algo semelhante ao que aconteceu com Viola Davis em Dúvida.
Poranto, vale a pena assistir Desejo e Reparação, tanto como um simples entretenimento quanto uma lição de vida.Quem de nós já não errou e por conta desse erro não mudamos drasticamente a vida de alguém??
Nota:10
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