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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Crítica: Cartas Para Julieta (Letterts to Juliet, 2010)

Cartas Para Julieta, comédia romântica inspirada no romance clássico de Shakespeare, conta com a direção de Gary Winick (De Repente 30) e roteiro de Jose Rivera (Diário de Motocicleta). E ainda com atuações de Amanda Seyfried, da veterana Vanessa Redgrave e do sempre ótimo Gael Garcia Bernal.

por Fernando Labanca

No filme, Sophie (Seyfried), é uma escritora, que trabalha num jornal em busca de verdades, vai em qualquer lugar a procura de fatos que comprovem certas histórias, mas como qualquer escritora, seu grande objetivo é ser promovida e ter seu próprio artigo. Em sua vida amorosa, está noiva de Victor (Bernal), um chef de cozinha profissional, e antes que ele abra seu grande restaurante, eles decidem curtir uma pré-lua de mel, no local dos casais apaixonados, Verona, na Itália.

Uma viagem que era para ser inesquecível, entretanto, Victor não consegue não pensar no trabalho e usa essas férias para melhorar seus negócios, ignorando completamente as vontades de sua noiva. Por outro lado, Sophie decide cutir as maravilhas do lugar sózinha, até que nesta busca por belos pontos turísticos, ela acaba encontrando algo que lhe chama muito a atenção, um muro de pedras, rodeado por mulheres que choram e nele são colocadas cartas. Curiosa, ela descobre que aquele era o muro da suposta casa de Julieta, a mesma do clássico de Shakespeare, e que ali, as mulheres cultivavam uma tradição antiga de lamentarem seus conflitos amorosos em cartas pedindo ajuda para Julieta. Por trás daquele muro, ficavam as "secretárias de Julieta" que respondiam as cartas, dando conselhos para as desconhecidas que precisavam de ajuda. Até que por trás de uma pedra, sem querer Sophie acha uma carta, velha, e decide responder. Na carta, escrita muitos anos atrás, Clair, uma apaixonada abandona o amor de sua vida, no dia em que faria uma fuga, logo que sua família não aprovava seu romance, mas ela com medo, decide ficar e nunca mais viu seu amado.

Sophie responde sem esperar uma resposta. O que ela não esperava é que Clair acompanhada de seu neto, o inglês arrogante Charlie (Christopher Egan), vai até Verona atrás de Sophie, que segunda ela, foi encorajada pela belas palavras da jovem e decidiu ir atrás de seu amor, mesmo depois de tantos anos. Sophie, pensando em sua carreira, decide escrever um artigo, sobre Clair e o tal de Lorenzo e para isso parte em uma divertida e comovente viagem pelos caminhos da Itália, junto com Clair que se torna uma grande amiga e Charlie, que não se conforma com a inconveniência da jovem, mas que acaba não resistindo aos seus encantos.


Nesta viagem, o roteiro nos permite conhecer bem cada personagem, e descobrimos que Cartas para Julieta é muito mais que só a busca de um amor do passado e a prova de que uma verdadeira paixão resiste ao tempo, um filme belo que reune três pessoas que perderam algo muito importante na vida, mas que juntas decidem encarar suas perdas e seguirem em frente.

Gary Winick já mostrou seu talento em comédias românticas, fez o simpático De Repente 30 (2004), e o fraco Noivas em Guerra (2009), mas que retorna e alcança o auge de sua carreira nesse sutil e comovente filme, nos envolve facilmente nesta trama, água com açúcar pura, inocente e cheio de boas intenções. Além dos clichês, uma jovem em busca do principe encantado, uma mulher em busca do amor do passado, o jovem arrogante que passa o filme inteiro discutindo com a donzela, mas que acaba se rendendo no final. Entretanto, mesmo recheado de clichês, o filme sabe utilizá-los de maneira correta, o transformando num encontro do que há de melhor em comédias românticas. Vale citar também, que Cartas para Julieta não segue a mesma linha dos filmes desse gênero, onde o casal principal não é apresentado logo de início, muito pelo contrário, demoramos um pouco a perceber, além do fato de não focar no próprio casal, onde a trama cheia de detalhes, permite que o filme seja mais amplo, dando espaço para outras histórias.

A fotografia é encantadora, as vistas que o filme nos mostra são tão belas que já valem o ingresso, acompanhadas de uma sensível trilha sonora, bastante envolvente.

Amanda Seyfried, depois do sucesso de Mamma Mia!, encara com competência esse longa, se tornando uma adorável protagonista. Seu carisma é inquestionável, seu sorriso enche a tela, e sua personagem ganha vida com todas essas qualidades que a atriz carrega, impossível não se envolver com Sophie. Vanessa Redgrave está encantadora, não tem uma atuação exemplar e marcante em sua carreira, mas sua personagem é tão divertida e cheia de vida e a atriz consegue mostrar isso com cada gesto e cada sorriso. Christopher Egan é o novato do elenco, mas soube conquistar seu espaço na trama, e junto com Seyfried formam um adorável casal. O incrível também é a ótima quimica que há entre o trio. Gael Garcia Bernal, fazendo uma participação no filme, faz com competência, e mesmo que sua personagem seja extremamente irritante, consegue ser cativante.

O roteiro é interessante, a direção fundamental e eficiente. Cartas para Julieta se firma como uma das melhores comédias românticas do ano, pela sua sensibilidade, e por ser um filme, mesmo com tantos clichês, personagens batidos, e um final bastante previsível, consegue encantar, e porque não, emocionar. Para muitos, pode até ser um filme que será esquecido logo no final da projeção, até porque não é um filme extremamente marcante, mas o filme carrega em si, elementos que não são facilmente esquecidos, como suas qualidades técnicas, a reutilização de uma das obras mais influentes da literatura, que faz jus ao seu nome, e que não fará Shakespeare se revirar no túmulo como a patética versão de Bazz Luhrmann em 1996, e principalmente pelo carisma de seus protagonistas, por não banalizar a comédia romântica e não ter vergonha de fazer a trama seguir a linha de "felizes para sempre", aliás, que mal há nisso??

NOTA: 8,5

domingo, 10 de maio de 2009

Crítica: Desejo e Reparação ( Atonement )


Adaptação do romance "Reparação" escrito por Ian McEwan, Desejo e Reparação faz parte das boas adaptações literárias feitas no cinema.Quer dizer, boa não.Ótima!






Por Bárbara





Infelizmente no cinema, poucas adaptações se saem bem como obras cinematográficas.
Por mais que haja ótimas ideias, seja em livros, quadrinhos ou jogos e até mesmo em parques de diversão ( Piratas do Caribe, por exemplo ) ainda existe um fator primordial para que a adaptação seja bem sucedida: competência de quem irá realizá-la.

Para analisarmos as adaptações cinematográficas não basta só dividirmos em: livros, quadrinhos e jogos, mas principalmente dividir entre aquelas que são boas, no mínimo razoáveis e entre aquelas que simplesmente não deveriam existir, de tão ruins.


Embora tenha muitas pessoas competentes em Hollywood ( que detém a maioria dos direitos p/ adaptação do cinema ), uma boa parte delas não tem respeito pela obra original,ou seja, fazem um trabalho visando somente os lucros com bilheteria e vendas de DVD's.

Mas ainda há luz no fim do túnel e o ano passado foi um marco na história das adaptações no cinema.Batman - O Cavaleiro das Trevas e Homem de Ferro provaram que as adaptações podem ser ótimas, com o devido respeito a obra original e ainda sem prejudicar o bolso dos estúdios.

E, depois de toda essa enrolação e com muita felicidade, digo que Desejo e Reparação se enquadra no mesmo grupo de Batman e Homem de Ferro, no grupo das ótimas adaptações que ainda respeitam a sua fonte.No caso de Desejo e Reparação, que fonte!
Desejo e Reparação é uma adaptação de um romance do escritor inglês Ian McEwan, chamado Reparação.A história se passa na Inglaterra, poucos anos antes da II Guerra Mundial.

A trama gira em torno de Briony Tallis ( Saoirse Ronan ), uma garota de 13 anos e escritora principiante.Depois de ver a irmã mais velha Cecília ( Keira Knightley ) em momentos um pouco mais íntimos com o filho da governanta, Robbie Turner ( James McAvoy ), ela começa a desconfiar das intenções dele em relação a Cecília.

Pouco tempo depois, o irmão mais velho de Briony e Cecília, Leon, chega de viagem junto com um amigo dono de uma fábrica de chocolates.Também estão na casa da família Tallis os três primos de Briony, os gêmeos Jackson e Pierrot e a irmã mais velha deles, Lola.Eles estavam na casa da família Tallis porque os pais estavam em processo de separação.
A desconfiança de Briony em relação a Robbie aumenta quando ele a pede que entregue uma carta dele a Cecília.
Louca de curiosidade, Briony lê a carta antes de entregá-la a Cecília e pensa que Robbie é um maníaco sexual e ainda conta isso a Lola.

Briony fica como um cão de guarda farejando todas as pistas para ver se Robbie andava fazendo algo de ruim a sua irmã e interpretando mal os fatos,conclusão que o espectador tira depois , porque logo após de vermos a situação pelo ponto de vista de Briony, o filme volta a cena em questão e nos mostra o que aconteceu de verdade.


Enquanto Briony fica pensando com seus botões o que fazer, Robbie ( que foi convidado para um jantar na casa dos patrões ) chega e vai falar com Cecília a respeito da carta.Eles se trancam na biblioteca da casa e acabam fazendo sexo.É claro que a pentelha ( acho que eu me permito chamá-la dessa forma,porque ela é isso mesmo!) vai atrás da irmã e flagra os dois.


Na hora do jantar, fica aquela saia justa.Robbie olha para Cecília, que olha para Robbie e Briony fica olhando os dois, ora um ora outro.Aí o desespero se abate na família, pois os gêmeos Jackson e Pierrot fogem querendo ir para a casa,ver os pais.Então o jantar é interrompido para todos saírem em busca dos meninos, inclusive Robbie.

De repente, enquanto estava procurando os meninos, Briony vê alguma coisa escondida no mato, aponta a lanterna e vê sua prima Lola caída no chão e um homem correndo.Briony conclui que Lola foi estuprada e que Robbie é o estuprador.


Chegando em casa,a Sra Tallis chama a polícia e Briony acusa Robbie à polícia,dizendo que o viu atacar Lola com os próprios olhos.Robbie chega na casa com os gêmeos, mas é preso.Nessa hora,Cecília e Robbie se declaram um ao outro.

Por não acreditar inteiramente na irmã e inconformada com a prisão de Robbie, Cecília sai de casa e vai morar sozinha em outra cidade, se tornando enfermeira.Enquanto isso, na cadeia Robbie é forçado a optar por dois caminhos: continua preso ou se alista no exército para combater na II Guerra Mundial.Ele se alista no exército e consegue encontrar Cecília.Particularmente falando, essa é uma das cenas mais emocionantes do filme.


Passa - se alguns anos.Cecília continua sendo enferneira e não se comunica mais com sua família, Robbie foi para a França ajudar os aliados franceses e Briony fica tão arrependida do que fez que decide tomar pelo mesmo caminho da irmã, se tornando também enfermeira e inclusive estagiando no mesmo hospital.


A partir daí, não posso comentar mais nada senão estraga a surpresa de quem ainda não viu essa maravilha de filme.Mesmo com um final muito diferente do convencional dos filmes de românticos,ele agrada tanto os fãs do gênero quanto aquelas pessoas que torcem um pouco o nariz diante desses filmes ( eu, por exemplo ).

Como não sou profissional da área, nem vou me aprofundar muito em questões técnicas, mas tenho que citar que a trilha sonora é belíssima ( não é atoa que ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora - 2008 ) e se encaixa com perfeição no decorrer da trama.

Enquanto as atuações, novamente destaco James McAvoy.Muito talentoso mas ainda com muito potencial para desenvolver, ele faz com que ficamos ao lado de Robbie durante todo o tempo de duração do filme.James é muito carismático e bonito ( não é um galã, mas tem seu charme !!! - hehehe ) e faz aquele tipo de mocinho que até a pessoa mais insensível do mundo quer que ele tenha um final feliz.A mesma coisa digo de Keira Knightley, que ao meu ver se superou nesse filme e que mostrou amadurecimento em sua interpretação.Ela e James tem uma química muito boa e fazem um casal bonito.Ela também está mais bonita, apesar dos rumores de anorexia.


E por fim, destaco as três intérpretes da personagem mais detestável do filme ( na minha opinião ), Briony Tallis. Saoirse Ronan a interpreta na infância, quando tinha apenas 13 anos e tem um maior tempo em cena,por isso pode desenvolver seu trabalho melhor.Incrivelmente talentosa,fez de Briony uma personagem memorável. Cheia de si, achando que entende tudo e se sentindo adulta demais para sua idade, temos simplesmente raiva dela, apesar dela tentar consertar o erro depois.Romola Garai, que faz Briony com 18 anos tem pouco tempo em cena, mas mesmo assim faz um bom trabalho, fazendo dela uma pessoa angustiada pelo arrependimento e pela culpa.Vanessa Redgrave faz Briony quando ela já está idosa e aparece nos momentos finais,porém isso não diminui em nada a carga dramática da personagem e nem o talento da atriz, algo semelhante ao que aconteceu com Viola Davis em Dúvida.



Poranto, vale a pena assistir Desejo e Reparação, tanto como um simples entretenimento quanto uma lição de vida.Quem de nós já não errou e por conta desse erro não mudamos drasticamente a vida de alguém??


Nota:10

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