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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Crítica: Amor Por Direito (Freeheld, 2015)

Drama sobre direitos LGBT, revela mais uma atuação impecável de Julianne Moore, além de debater assuntos atuais em uma trama emocionante e bastante reflexiva.

por Fernando Labanca

Pouco divulgado aqui no Brasil, "Freeheld" é mais um drama que consegue arrancar uma atuação espetacular de Julianne Morre, no entanto, diferente do recente "Para Sempre Alice", longa que lhe rendeu o Oscar ano passado, este se sustenta além de sua brilhante interpretação. Aqui, ela dá vida a Laurel Hester, uma policial que, com o apoio de um grupo de ativistas, que na época já lutavam pelo direito do casamento gay, vai à justiça afim de conceder a sua esposa, a jovem Stacie (Ellen page), o direito de conseguir viver na casa que construíram juntas e receber sua pensão assim que morrer. Toda luta começa quando Laurel descobre que sofre um câncer no pulmão e suas chances de cura são mínimas, porém, por não ser casada com alguém do mesmo sexo, a instituição no qual passou anos de sua vida trabalhando se nega a pagar os benefícios a futura viúva, simplesmente por não reconhecerem a relação homoafetiva, o que no caso, é comum para casais heterossexuais.


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Crítica: Garota Fantástica (Whip It, 2009)

Além de atriz, Drew Barrymore, desde muito tempo, tem participado da produção de diversos filmes e "Garota Fantástica", lançado em 2009, marca sua estreia como diretora. Apesar de não ter voltado na função, ela demonstra aqui um talento notável, realizando uma obra simples, mas extremamente divertida, cool, que difere e muito do que já foi feito no cinema independente norte-americano, justamente por trazer em sua alma algo que carece no gênero, autenticidade.

por Fernando Labanca

Baseado no livro "Derby Girl" de Shauna Cross, que também roteiriza o filme, conhecemos a trajetória de Bliss Cavendar (Ellen Page), uma jovem que vive numa cidadezinha do interior dos Estados Unidos, trabalha numa lanchonete beira-de-estrada e não tem muitos sonhos para o futuro, até porquê se vê forçada a participar dos concursos de beleza que sua mãe (Marcia Gay Harden) tanto ama e que ela não consegue ver sentido algum. Até que, certo dia, ao visitar uma cidade vizinha, descobre a existência daquilo que poderia ser sua salvação, o roller derby. Esporte que ganhou popularidade na década de 70, mas ressurge como o grande entretenimento daquele local, uma competição formado apenas por equipes femininas, que requer velocidade, força e muito contato físico, e tudo em cima de um patins. Fascinada por aquele universo, Bliss forja sua idade para conseguir competir dos torneios e esconde de sua mãe, que jamais aceitaria o fato de que sua grande habilidade estaria na patinação.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Crítica: Super (Super, 2010)

Um depressivo filme de comédia, que trás a história de um homem comum que decide combater o mal. O longa nos mostra como seria na vida real se um herói realmente existisse, sem poderes, apenas armado de sua angústia e sua vontade em salvar a pele da mulher que ama. Dirigido por James Gunn, este louco filme trás uma grande atuação de Rainn Wilson. Engraçado e melancólico, “Super” é a saga de um herói como nunca se viu antes.

Por Fernando Labanca

Frank (Rainn Wilson) é um cara que não teve muito do que se orgulhar em sua vida. Distante de sua mulher (Liv Tyler), ele a vê com outro homem, o traficante Jacques (Kevin Bacon), o que o deixa irritado, pois ela é uma ex-viciada e está indo novamente ao mau caminho. Frank, desde criança, sempre teve alucinações, e acredita que Deus falou com ele e tocou em seu cérebro, a partir de então, sente que é o escolhido para um grande ato, e chegando a conclusão que para se tornar um herói a única coisa que precisaria era escolher combater o mal, Frank então se torna Crimson Bolt, compra HQ’s, faz seu uniforme e começa a sair nas ruas para destruir tudo aquilo que acredita ser errado, proteger os inocentes das forças obscuras do mal. Como todo herói que se preze, ele passa a ter o auxílio de Boltie (Ellen Page), a jovem prodígio. E munido de todo o rancor que sentiu sua vida inteira, Frank vai fazer de tudo para chegar até seu arqui-inimigo, Jacques, para enfim salvar a pele da mocinha, o grande amor de sua vida. 


“Por que tive tanto azar em minha alma nascer neste rosto repulsivo? Este cabelo que não fica no lugar. Com esta personalidade ridícula e idiota. As pessoas me olham espantadas, Deus, posso perceber. Ficam pasmas como algo tão estúpido e idiota possa existir. Por que sou assim?”

“Super” pode pegar muita gente de surpresa, por inúmeros motivos, e a chance de se surpreender até o final é muito grande. Aparentemente uma comédia descompromissada, o filme vai ganhando aos poucos uma complexidade rara quando se trata de filmes de heróis, aliás, este é melancólico, realista, mostra com muita sensibilidade as fraquezas de seus personagens, onde jamais conseguimos julgá-los por seus atos, pois são, acima de tudo, humanos, humanos que erram mesmo quando lutam para acertar. O grande mérito da obra foi justamente trazer esta complexidade a seu protagonista, Frank é definitivamente um grande personagem, com sua baixa autoestima, com seu rancor que guardou a vida inteira, tudo isso intensificado pela excelente atuação de Rainn Wilson, que sendo um comediante, surpreende, pois consegue trazer uma carga dramática forte e impactante para a tela. É interessante, também, o fato de jamais a trama coloca-lo como coitado, pois ele também erra e em nenhum momento o roteiro engrandece sua fragilidade ou desvaloriza suas falhas. 

O filme também surpreende por sua violência, de um jeito positivo, pois mostra o total descontrole de Crimson Bolt, que na pele do herói não mede esforços em querer matar o simples cara que furou a fila. “Super” dá voz a uma sociedade tão acostumada a esses acontecimentos, seja de um assalto, de um roubo ou do simples ato de furar a fila, a verdade é que no dia-a-dia nos irritamos com tanta coisa e Crimson Bolt é justamente a libertação desta raiva enrustida. Frank é por fim, o anti-herói, que tão enlouquecido age como o vilão, que mata sem piedade. O que faz dele um herói? O que o difere de um vilão? São questões como essas que ficam em nossa mente, mas o filme nos alerta, a verdade está apenas no coração de Frank e não cabe a nós, como público, chegar a uma conclusão sobre suas atitudes.

O elenco é ótimo, Rainn Wilson me surpreendeu muito, realiza cenas fantásticas. Ellen Page é até interessante e sua personagem é boa, mas a atriz não se distancia de outras interpretações que já realizou. Entre os coadjuvantes, os bons Kevin Bacon, Liv Tyler, Nathan Fillion e Michael Rooker. A direção de James Gunn é eficiente, consegue trazer este tom depressivo e realista para as cenas, além da ótima trilha sonora, que se destaca. 

Entretanto, o que acabou me incomodando em “Super” foi que, por fim, o filme acaba se desviando da sua premissa inicial, e mesmo com seu realismo e aquele esforço em trazer o herói para a vida real, parece que o roteiro não conseguiu trazer grandes inovações ao seu final, com direito a explosões gigantescas, perseguições, tiroteios, e acaba limitando seus bons personagens a apenas o herói, o vilão e a mocinha. Ou seja, se no início ele nos apresenta algo tão diferente e acaba criando uma expectativa de que tudo caminhará para algo inovador, o filme se perde, e termina como qualquer outro filme de herói, não consegue trazer uma solução original para aquele universo, o que é uma pena, tinha tudo para ser memorável. Em suma, vale pelos atores, principalmente por Rainn Wilson e por inúmeras boas cenas e diálogos, é um filme que diverte mesmo sendo tão melancólico, sabe dosar bem sua sensibilidade e emoção com a ação, que é bastante empolgante. Apesar das falhas, gostei. Recomendo. 

NOTA: 7,5

“Eu meio que acho que a felicidade é valorizada demais. As pessoas passam a vida toda buscando-a como se fosse a coisa mais importante do mundo. Pessoas felizes são meio que...arrogantes.”



domingo, 8 de agosto de 2010

Crítica: A Origem (Inception, 2010)

Nos últimos anos, o cinema tem nos proporcionado obras interessantes mas que, infelizmente, originalidade não é um termo que se pode taxar qualquer título, até porque, muitos desses trabalhos são refilmagens ou adaptação de livros e HQ. Entretanto, ás vezes, surgem raridades, Charlie Kaufman com suas inusitadas histórias como "Quero Ser John Malkovich" e "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças", ou até mesmo a obra prima dos irmãos Wachowski "Matrix", são um desses. E 2010 entra para história como o ano em que uma das obras mais inteligentes e originais dos últimos tempos se lançou, o gênio da vez é Christopher Nolan e seu feito, 'A Origem".

por Fernando Labanca

Há algum tempo venho me questionando sobre isso, como o cinema deixou de ser original, são pouquíssimos filmes que não se basearam em outra obra. É extremamente gratificante ir ao cinema e se deparar com um filme que vem com suas próprias idéias, lançam maneiras diferentes de alcançar determinado resultado. "A Origem" é surpreendentemente inteligente, nas primeiras falas percebemos que aquilo que estamos prestes a ver, irá ser inovador, diferente de tudo que já havíamos visto.

Na trama, Cobb (Leonardo DiCaprio) e Arthur (Joseph Gordon-Levitt) são mestres na arte de invadir a mente dos outros, são contratados por empresas milionárias para invadir o sonho de seus adversários para conseguirem determinados segredos. Entretanto, quando entram nos sonhos de um misterioso empresário, Saito (Ken Watanabe), descobrem que caíram numa grande armadilha, e Cobb decide abandonar tudo, fugir, pois não podem falhar, porém, o empresário dá sua última cartada, pede aos invasores do inconsciente que que eles façam um último trabalho, entrar no sonho de Fischer (Cillian Murphy), o filho de seu concorrente, que está prestes a herdar uma grande empresa. Saito deseja que eles façam algo novo, ao invés de retirar uma idéia do sonho, eles precisam implantar uma idéia, a idéia de dividir seu patrimônio. Em troca disso, o influenciado empresário consegue para Cobb uma viagem de volta a sua casa para se reencontrar com suas filhas, logo que ele havia sido acusado de matar sua própria esposa, Mal (Marion Cotillard) e devido a isso, nunca mais retornou.

Para isso, Cobb contrata a jovem arquiteta Ariadne (Ellen Page), uma aluna dedicada e extremamente inteligente, sua função passa a ser construir em seus sonhos, todas as estruturas de um cenário imaginário para que os sonhos do invasor pareçam reais. Para o grupo, eles ainda contam com a ajuda de Eames (Tom Hardy), que tem o dom de se transformar em outra pessoa nos sonhos. Entretanto, nada será tão fácil, para a inserção de uma nova idéia, de uma idéia tão complexa, eles precisam entrar profundamente na mente de Fischer, descobrir a origem do relacionamento com seu pai para que eles possam implantar a semente de uma nova idéia e que ela cresça e mude toda sua vida, e para isso, eles entram no nível 3, ou seja, invadir o sonho do sonho do sonho do herdeiro.

Mas por trás de toda essa armação que aparentemente é perfeita, Cobb esconde grandes segredos, como o fato de não poder mais desenvolver as estruturas do sonho, logo que Mal, sua esposa, ainda viva em sua mente, invade sua imaginação e sempre estraga seus planos. Ele ainda esconde uma triste e complexa relação que ele teve com ela e que mudou todo o seu modo de ser e agir e que na verdade, implantar uma idéia é muito mais perigoso do que se imagina e só ele sabe da verdade, a verdade que todos correm perigo e um simples ato no sonho, pode definir suas vidas para sempre.


Uma viagem. Christopher Nolan viajou, no bom sentido, totalmente para escrever um dos melhores roteiros do já vi. Constrói um mundo novo, com novas possibilidades, ruas que se inclinam e viram céus, acaba com a gravidade onde seus personagens andam nas paredes e lutam, sensacional. Os sonhos já foram alvo de muitos filmes, mas não da forma brilhante como Nolan aqui explora. Há cenas memoráveis, e ao meu ver, antológicas, como a incrível cena de Joseph Gordon-Levitt, onde ele luta pelas paredes e tetos, de deixar qualquer um de boca aberta.

Em "A Origem", Nolan, assim como em "Matrix" questiona a realidade, será mesmo que tudo o que vemos e sentimos é realmente o que devemos chamar de real? A comparação dos dois filmes é inevitável, seres que enquanto dormem entram numa realidade paralela, é perigoso dizer, mas acredito que o trabalho de Christopher tenha sido tão original quanto "Matrix", entretanto, no cinema acaba tendo um acabamento até melhor que a obra dos irmãos Wachowski, logo que aqui, a história tem um início, meio e fim, todas as informações do quebra-cabeça que se forma são entregues, de maneira nada simples e fácil, mas são entregues e o filme termina e deixa uma única ponta solta, mas que nada estraga e sim complementa, pois terminamos e ficamos refletindo e isso é fantástico. Já em Matrix, milhões de perguntas não são respondidas no primeiro filme, e o que era para ser brilhante, deixa a desejar nesse quesito logo que os irmãos deixaram para responder tais questões nas sequências, feitas apenas por dinheiro. Portanto, espero que este filme não tenha uma sequência, Stanley Kubrick não explicou o final enigmático de "2001: Uma Odisséia do Espaço" e nem precisou, hoje vivemos bem com a dúvida do final e mesmo assim o filme virou uma obra-prima. E "A Origem" não precisa de mais explicações, e acredito que a obra sobreviverá no tempo e também será um marco.

Leonardo DiCaprio, fantástico, pena que exerceu trabalho semelhante no ínicio do ano com o também ótimo, "Ilha do Medo" de Martin Scorsese. Em "A Origem" ele está incrível, a luta para alcançar seus objetivos é hipnotizante, constrói um ser misterioso e cheio de mágoa mas que tenta se segurar para fazer um trabalho digno. O elenco coadjuvante é de peso, Marion Cotillard, sensacional mais uma vez, diferente de muitas atrizes, depois que ganhou o Oscar, cresceu e só fez trabalhos interessantes desde então e este, mais uma vez, a atriz surpreende, construindo uma vilã totalmente fora do convencional, graçás também ao roteiro, que fez uma das personagens mais interessantes do ano e em sua pele, Mal ganha vida, e suas expressões dizem muito. Ainda temos os ótimos Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page, Tom Hardy, Ken Watanabe, Cillian Murphy e Michael Caine.

A trilha sonora ajudou e muito para "A Origem" ser literalmente um estouro. Hans Zimmer havia trabalhado com Nolan em "Cavaleiro das Trevas" e fez um trabalho excepcional, e repete seu talento neste filme, dando mais força ao longa, se transformando em algo hipnotizante, de arrepiar qualquer um em determinadas cenas. A fotografia também está ótima, assim como os interessantes efeitos especias. Mas digo que é difícil prestar atenção nas partes técnicas quando o roteiro não permite você se desligar da trama por um segundo apenas, qualquer frase perdida pode ser fatal e as peças do grande quebra-cabeça pode se perder.

"A Origem" repete o feito de filmes como, além de "Matrix", "Clube da Luta" e até mesmo o recente "Avatar", e os anteriores de Nolan como "O Grande Truque" e "Batman: O Cavaleiro das Treveas" onde os gênios por trás desses projetos constroem tramas para pessoas inteligentes, não nos subestimam, conseguem quebrar a tradição de que filmes "cabeças" também podem agradar o público, tranformam idéias extraordinárias em "buckbusters", agradando tanto os intelectuais quando a grande massa. Um filme fabuloso, genial, dinâmico, e até mesmo, emocionante, e claro, original, e este sim, é seu maior triunfo.

NOTA: Precisa escrever? 10

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