terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Crítica: Chéri (Chéri, 2009)


Depois de alguns anos afastada do cinema, Michelle Pfeiffer retornou em 2007 com filmes de pouco conhecimento do público, e ainda longe dos holofotes, Cheri marca seu melhor trabalho desde sua volta. Um filme simples, objetivo e simplesmente irresistível!

por Fernando Labanca

O filme, dirigido por Stephen Frears (A Rainha, 2006), chegou tímido aqui no Brasil, em poucas salas de cinema, fora do grande circuito e ainda permanece um pouco desconhecido do público. Mas é interessante que as pessoas ao menos saibam que o filme está lá, e que Michelle Pfeiffer ainda está radiante, para aqueles que ainda admiram a atriz, vale a pena ir atrás desse longa.

Na história, em 1906, numa Paris que ainda vivia os encantos da "belle époque", prostitutas ainda faziam os rapazes da época suspirarem. Lea de Lonval (Pfeiffer) era uma cortesã, daquelas que frequentava a elite, luxuosa e elegante, ela já não mais estava na flor da idade, e refletindo sobre isso, ela decide parar e se aposentar definitivamente. Sempre exerceu seu trabalho com toda a dignidade, por isso, nunca se permitiu envolver com algum cliente, sua vida amorosa foi seu trabaho, seus maiores prazeres foi por dinheiro e agora está só.


Entretanto, ainda mantinha contato com a alta classe, ia nas festas, jantares com pessoas importantes e para seu desgosto, ainda tinha uma amiga, Madame Peloux (Kathy Bates), uma relação nada sincera, cheia de diálogos venenosos e sarcásticos, apenas por manter as boas aparências. Madame Peloux, desiludida com a vida a qual seu filho se apegou, bebidas, sexo e nada de responsabilidades, decide chamar Lea para colocar ele de volta aos eixos. Lea era a mulher mais inteligente que ela conhecia e a pessoa mais próxima da família e a única a qual seu filho mantinha algum respeito. Ele, conhecido como Cheri, apelido que recebeu da própria Lea na sua infância. Peloux, então, entrega seu filho a Lea, afim de que ele aprenda o amor e seje um rapaz decente.


Cheri, vinte anos mais novo que Lea. Ela, liberal, madura, responsável. Ele, imaturo e mimado. Os dois, facilmente se identificam e se envolvem. Lea faz por trabalho, ele, por inocência. E nesta relação, a luxuosa cortesã descobre algo que jamais imaginou sentir, algo que ela evitou a vida inteira, algo que ela mesma havia construido uma barreira para não sentir devido sua profissão, o amor. Cheri e Lea acabam tendo uma relação intensa e profunda, uma paixão ardente, daquela que eles esquecem completamente do mundo afora. Até que, seis anos mais tarde, sigilosamente, Madame Peloux marca o casamento de seu filho com Edmee (Felicity Jones), uma jovem, filha de uma rica cortesã e que tem a mesma idade que ele. Os dois aceitam o destino, Cheri sabia que precisava seguir sua vida e que Lea já havia tido suas próprias experiências, agora era a vez dele viver as dele, ela, por sua vez, sabia que estava ficando cada vez mais velha e ela não era o destino do jovem, não poderia mais fazer parte de sua vida. Mas quando os dois se separam definitivamente, cada um em seu canto, eles percebem o quanto um era importante ao outro.

Stephen Frears, trabalha com filmes de época muito bem. Em Cheri, ela nos trás o encanto fascinante da belle epoque, com figurinos extremamente bem feitos, cenários bem cuidados. Além disso, o filme ainda desfruta de uma bela trilha sonora, capaz de emocionar e empolgar facilmente o público.


Michelle Pffeifer está encantadora, e mesmo que a idade acuse em seu rosto, ela parece estar mais bela do que nunca. Sua voz sussurrante, seu jeito de andar e de se expressar, seus olhares penetrantes e hipnotizantes, está magnífica, irretocável. Mas tudo isso não seria possível sem o belo roteiro, que trabalha muito bem sua personagem, seu desespero, sua mágoas, seu intenso amor por um homem mais jovem. Rupert Friend interpreta Cheri, faz o necessário, se encaixa perfeitamente no papel, mas não faz mais do que o esperado, mas em nenhum momento ele estraga o encanto do filme. Outro destaque fica para Kathy Bates, uma atriz que por mais que não seje tão conhecida, está presente em muitos títulos, e este foi um dos melhores papeis de sua carreira, sua atuação também está incrível, há muito tempo não a via tão a vontade em cena, tão cheia de brilho numa personagem de destaque e muito bem desenvolvida na trama.

Ás vezes, o longa vai perdendo força, principalmente quando as personagens principais estão separadas, o que acaba até sendo interessante, vendo pelo ponto em que o filme ganha vida quando estão juntos. Por outro lado, essa perda de força em determinadas sequências, fazem a trama perder também o dinamismo. Mas no geral, Cheri se sai bem, um romance, que por mais que haja seriedade, não perde a piada, tendo um bom humor durante toda a projeção, cheio de sacadas rápidas e inteligentes. Um filme belíssimo, com uma parte técnica impecável e atuações memoráveis. Maduro, envolvente, sensível e realista e com direito a um ótimo final, comovente!

NOTA: 8

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