
por Fernando Labanca
O filme já inicia num mundo totalmente devastado, não sabemos o porquê e nem como todo o desastre aconteceu, só sabemos que há poucos sobreviventes, que por sua vez, se alimentam dos poucos que restaram, isso mesmo, de carne humana!! Neste caos, um homem (Viggo Mortenesen) e seu filho (Kodi Smit-McPhee) caminham em direção ao mar, e nesta trajetória, tentam encontrar comida, comida de verdade, já que se recusam a ser como os outros e tentam ao máximo manterem a pouca dignidade que lhe restam, e mais do que isso, da necessidade do pai em mostrar ao filho algo que desapareceu junto com a humanização da sociedade, a bondade.
E na estrada, se deparam com pessoas que perderam completamente a integridade, matam sem piedade, atrás de comida. Ainda encontram seres que caminham sózinhos, como um senhor (Robert Duvall), onde o menino faz de tudo para o pai ajudá-lo, mas ele nega, pois sabe que não há mais como ajudar o próximo. E no meio deste pesadelo sem fim, o homem ainda se prende as poucas lembranças que lhe restam de sua mulher (Charlize Theron) que simplesmente desistiu de viver. E este pai de priva de sofrer, para mostrar ao filho, coragem, mostrar que ele está protegido, e provar que ainda pode haver esperança, mesmo sabendo que só há uma saída para este caos, a morte.

Assim como explicou o diretor certa vez: "É a dimensão humana que me interessa no espetáculo de destruição", o filme diferente de outros sobre o mesmo tema, se prende mais na complexidade de seus personagens do que na destruição em si, que na verdade, nada mais é que apenas um pano de fundo para se explorar a humanização perdida de uma sociedade perante uma tragédia. E os personagens escritos cumprem este papel, e nos emocionamos com suas jornadas, é claro, que não teria este impacto sem as grandes atuações. O pequeno Kodi Smit-McPhee compreende sua função e vai bem durante toda a projeção, ainda temos a participação marcante e comovente da bela Charlize Theron e um irreconhecível Robert Duvall, brilhante. Destaque para Viggo Mortensen, no papel principal, simplesmente irretocável, impecável, numa atuação memorável, de deixar qualquer surpreso e emocionado.

NOTA: 9,5
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