
por Fernando Labanca
Apesar de não ter um catálogo tão imenso, ainda é possível descobrir algumas pérolas perdidas na Netflix. E foi assim que conheci "Twice Born" (traduzido como "Bem-Vindo ao Mundo" pelo site), que poderia até ser só mais um título dentre tantos se não fosse sua notável qualidade. Dirigido por Sergio Castellitto, o longa é uma adaptação do livro "A Rosa de Sarajevo" e narra a história de Gemma (Penélope Cruz), que após receber uma ligação de um antigo amigo, decide fazer uma viagem de volta à Bósnia ao lado de seu filho, local onde o pai dele foi morto durante os duros conflitos do país. Ao retornar à Sarajevo, Gemma relembra toda sua jornada neste instável território em meados da década de 90, quando viajando a trabalho conheceu o carismático fotógrafo Diego (Emile Hirsch), com quem se apaixonou profundamente e lutou, durante anos, para realizar seu grande desejo...ser mãe.
É sempre muito delicado fazer o relato de uma guerra no cinema, alguma produções conseguem criar a ambientação perfeita para nos inserir ao contexto que pretende discutir, outras não. Felizmente, "Prova de Redenção" se enquadra no primeiro grupo e acerta com êxito seus propósitos. É fácil acreditar naquele mundo, no caos que apresenta, é real, logo, tudo aquilo nos atinge. Doloroso acompanhar a jornada desses indivíduos, perambulando em um local em degradação, é ainda mais doloroso quando adentramos à época pelos olhos de seus fortes protagonistas, que travam suas próprias batalhas, que lutam, neste local quase sem esperança, por encontrar a vida. Gemma, brilhantemente defendida por Penélope Cruz, é uma mulher apaixonada, mas é também uma mulher infértil, e a partir desta sua incapacidade que nasce os grandes conflitos, que ganham, ao decorrer da obra, proporções inimagináveis. O roteiro, tão bem escrito, nos revela uma trama envolvente e extremamente poderosa, aliás, fazia muito tempo em que não via uma história tão grandiosa, que carrega uma carga dramática pesada, densa, que trabalha suas nuances perfeitamente. É doce e poético quando fala de amor, no entanto, é também, bastante cruel e profundo quando fala da guerra, quando fala dos sonhos corrompidos, das perdas, das desilusões.

Belo, poético e sensível, "Twice Born" acabou e eu fiquei desacreditado, refletindo por alguns longos minutos, tentando me recompor de toda a dor que senti e tentando absorver toda a beleza que acabara de ver. Do começo ao fim, um nível sempre acima, entregando ainda boas surpresas, onde seus conflitos, extremamente bem construídos, sejam sempre resolvidos de forma madura e surpreendente, chegando a um final arrebatador. Uma grande história e um filme poderoso, emocionante, memorável. Uma obra a ser encontrada.
NOTA: 10

País de origem: Espanha, Itália
Duração: 127 minutos
Distribuidor: Paris Filmes
Diretor: Sergio Castellitto
Roteiro: Sergio Castellitto
Elenco: Penélope Cruz, Emile Hirsch, Adnan Haskovic
Filme maravilhoso e suas observaçoes também. Até copiei o link no meu facebook pessoal. Caso você discorde disso, me avise que deleto.
ResponderExcluirObrigado, Waneska...que bom que gostou do texto! E quanto ao link...tranquilo! Qualquer tipo de divulgação é sempre bem-vinda :)
ExcluirFilme e texto perfeitos!!!
ResponderExcluirBoa noite. Vc acha que ele se matou por ter vivenciado tantos sofrimentos na guerra ? Inclusive quando ele atira no mar a câmera fotográfica ele visualiza na mente dele todos os rostos daquelas pessoas que sequestraram a Aska. Ele voltou a aplicar na veia LSD pra tirar toda a dor da vida. Aí te pergunto: ele depois que levou a Gemma e Pietro no aeroporto e que perdeu o passaporte..ele deixou de ama-la???
ResponderExcluirEra heroína que ele usava, não?
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