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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Crítica: Jovens, Loucos e Mais Rebeldes (Everybody Wants Some!!, 2015)

Denominado como sequência espirituosa de "Jovens, Loucos e Rebeldes" (1993), o filme, novamente escrito e dirigido por Richard Linklater, traz novos personagens mas a mesma sensação libertadora de seu grande clássico.

por Fernando Labanca

"Jovens, Loucos e Mais Rebeldes" é, de longe, a obra mais simples da carreira de Linklater, o que, de certa forma, é compreensível se pensarmos que seu último trabalho foi o complexo e grandioso "Boyhood". É quase como um momento de descanso, de regresso, de voltar às origens e a simplicidade de quando havia começado. Ao mesmo tempo em que isso é  aceitável, é estranho assistir ao filme e pensar que estamos falando do mesmo diretor que realizou obras tão incríveis como a Trilogia do Antes. Estamos falando de um cineasta que sempre soube encontrar a genialidade na sutileza, que revelou ao longo de sua carreira o poder que pode ser encontrado no cinema menor, mais genuíno. Tudo isso se perde aqui, onde entrega mais do que um produto pequeno, mas um produto sem relevância e sem a inteligência que o trouxe até aqui.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Crítica: Boyhood - Da Infância à Juventude (Boyhood, 2014)

"Boyhood" foi um dos filmes que mais esperei nesses últimos doze meses e é com ele que concluo mais um ano aqui no blog. Mais do que uma das melhores obras de 2014, o longa dirigido por Richard Linklater, pode ser citado como uma das obras mais ambiciosas dos últimos tempos. Filmado durante 12 anos, a sensação que temos ao assistí-lo e ver seu elenco envelhecendo, ali na tela, é uma experiência nova, única, de uma coragem e genialidade que há muito tempo a sétima arte não presenciava. O cinema precisava disso. "Boyhood" representa muita coisa, é um marco, uma inovação. Nasce aqui uma obra-prima, em sua mais genuína forma.

por Fernando Labanca

Ao longo de 12 anos, o diretor Richard Linklater reuniu sua equipe para rodar seu filme, uma vez a cada ano, para mostrar a jornada e o crescimento de seus personagens. Ellar Coltrane, que interpreta o protagonista Mason, inicia as filmagens aos 6 anos e termina aos 18. Não haveria forma melhor para Linklater, que também assina o roteiro, relatar sobre o que pretendia, o tempo. E assim, acompanhamos todo seu elenco, que conta ainda com Patricia Arquette e Ethan Hawke como os pais de Mason e Samantha, interpretada por Lorelei Linklater. É muito curioso pensar como tudo isso foi feito, parece aquelas ideias malucas que alguém para e pensa: "e se gravarmos um filme durante vários anos? Como seria o resultado?". Penso que foi preciso muita coragem, disposição em fazer o melhor, dedicação em se doar a um único projeto, não só do diretor, mas de todos os envolvidos. É fascinante pensar nisso, para quem ama cinema, quem ama ver de perto essas histórias sendo contadas, é incrível poder ver algo assim, tão grandioso, tão genial, dando certo, quebrando qualquer padrão ou qualquer lógica. O resultado é mágico, muito mais do que ver os atores envelhecendo no mesmo filme, é ver e poder sentir as intenções que a obra teve, deste milagre em nos transportar ao passado, reviver uma vida que não foi a nossa, mas que poderia muito bem ter sido.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Crítica: Antes da Meia-Noite (Before Midnight, 2013)

Em 1995, o diretor Richard Linklater, ao lado dos atores Ethan Hawke e Julie Delpy, lançou um dos romances mais interessantes que o cinema já teve a oportunidade de conhecer, a jornada de Jesse e Celine em “Antes do Amanhecer”, que surpreendentemente teve sua sequência, nove anos depois (Antes do Pôr-do-Sol, 2004). Pois bem, em “Antes da Meia-Noite”, o trio retorna para fechar essa trilogia, uma longa história que durou dezoito anos a ser concluída. A verdade é que não poderiam ter terminado tudo isso de forma melhor. Confesso, eu chorei. Chorei pois vi a mais real e mais honesta história de amor já contada. 

por Fernando Labanca

Li recentemente sobre uma entrevista que o diretor Richard Linklater cedeu a um site. Ele confessa que o encontro de Jesse e Celine fora inspirado em um encontro que ele teve na vida real, com uma estranha. Passaram a madrugada juntos, jogando palavras fora. Sua ideia era que ela reconhecesse a história deles em “Antes do Amanhecer” e quem sabe, eles pudessem se encontrar novamente, entretanto, antes que o filme fosse lançado, ela falece. Logo no começo de “Antes do Pôr-do-Sol” entendemos que Jesse havia escrito um livro sobre o encontro que ele teve com Celine em uma viagem pela Europa e é através desse livro publicado, que eles se reencontram. É triste pensar, mas essa trilogia é nitidamente sobre a história de amor de Linklater nunca vivenciou. Somado a isto, os atores Ethan Hawke e Julie Delpy sempre o auxiliaram no roteiro e, também, colocaram muito de si nos diálogos, experiências próprias, como os conflitos vividos por Hawke e sua ex-esposa com quem teve um filho. Tudo isso acaba trazendo um toque de realidade absurdo, as palavras ditas pelo casal em cena são extremamente humanas, nos faz refletir sobre tantas coisas como infância, família, amor, morte, enfim, tudo dito da forma mais honesta possível. E o fato de existir três filmes, em diferentes tempos, em diferentes situações, tivemos a oportunidade de conhecê-los, tão a fundo e de forma intensa. Conhecemos Jesse e Celine como nunca tivemos a chance de conhecer um casal de verdade nos cinemas e como consequência disso, conhecemos o grande vilão dessa história, o tempo. 



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