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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Crítica: O Espião Que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy, 2011)

Elogiado por sua direção no terror sueco "Deixe Ele Entrar", Tomas Alfredson prova seu grande talento por trás das câmeras neste filme sobre espionagem em plena Guerra Fria, mostrando de forma mais humana um tema já bastante usado na sétima arte, entretanto, a originalidade da obra não é suficiente para sustentar as suas longas duas horas de duração.

por Fernando Labanca

A trama parece simples, mas não é. No início da década de 70, a Circus, divisão de elite do serviço secreto inglês, liderada por Control (John Hurt) falha em uma missão de extrema importância, fazendo com que ele e seu fiel escudeiro, George Smile (Gary Oldman) sejam demitidos. Enquanto o veterano Smile vivia sua vida de "aposentado", ele é encontrado pelo governo que o avisa sobre a morte de Control e de que ele havia deixado uma missão, o chefe acreditava que havia um traidor na Circus, um agente duplo, que também trabalhava com os soviéticos, e somente Smile poderia levar esta missão adiante. A partir de então, o veterano volta a ativa para descobrir qual dos seus companheiros é o traidor, entretanto nada é fácil quando os agentes suspeitos são extremamente bem treinados a dissimular uma situação, onde cada informação muito bem guardada do passado pode ser válida para se descobrir a verdade.

Guerra Fria, espionagem, agente duplo. Nada disso é novidade, e não precisa ser um expert na sétima arte para já ter visto esses elementos juntos em uma trama, a grande diferença, porém, de "O Espião Que Sabia Demais" é o fato do roteiro ter se preocupado em mostrar um lado mais humano desses agentes, onde aos poucos vamos conhecendo segredos do passado, e nisso vamos assistindo o cotidiano, momentos que dificilmente vimos em outras obras, e ainda mais interessante é ver a desglamourização da espionagem, onde a vida dessas personagens não é nada badalada, com perseguições e explosões, tudo é mostrada de forma fria, lenta, sem grandes emoções. Acredito que este tenho sido o grande feito deste filme. Por falar nos destaques positivos, vale citar a fantástica trilha sonora de Alberto Iglesias, que merece a vitória no Oscar, extremamente bem realizada e muito bem inserida nas cenas, ajudando a compor o clima de tensão e mistério da trama, além da ótima fotografia, dos figurinos e dos cenários, tudo feito com um cuidado que prova o interesse de Alfredson em construir algo grandioso. 


Entretanto, o filme peca por sua lentidão, falta de rítmo, isso não seria um problema se as situações mostradas na tela conseguissem ao menos criar um elo com o público, o que de fato não acontece. Quem não é fã de espionagem dificilmente se envolverá com a história, e quem é, terá que fazer um grande esforço para conseguir chegar até o final do filme. A verdade é que não há nada em "O Espião Que Sabia Demais" que consiga criar um interesse naquele assiste, até mesmo as personagens que de tão vazias não geram empatia. A história acontece sozinha, sem o envolvimento do público, isso, devido também, o roteiro confuso, que dá inúmeras voltas, entre passado e presente, passando por personagens que surgem do nada, onde nada parece fazer realmente algum sentido. E o filme consegue ser tão chato que é difícil encontrar forças para compreender a história. Além de conversas intermináveis sobre assuntos e personagens que não damos a mínima, construção de conflitos que não nos comovem, que não nos faz torcer, nem nos importar sobre quem é o grande traidor, e quando personagens morrem, não há como lamentar. Um filme sem emoção, sem um grande motivo para ter sido feito, sem reviravoltas, sem conflitos que mereçam a atenção do público.

As atuações são boas, apesar das personagens estarem longe de serem interessantes. Gary Oldman está incrível, mas nada que justifique sua indicação ao Oscar. Entre os coadjuvantes, nomes de peso que juntos na mesma cena, parece até valer o ingresso, como Colin Firth, Toby Jones e Benedict  Cumberbatch. O destaque mesmo vai para o veterano John Hurt, que apesar de fazer uma participação não tão grande dá um pequeno show de interpretação. Além dele, Tom Hardy constrói algumas das mais belas cenas do filme e acaba que sendo, talvez a única personagem na história que consiga criar um elo entre o público, por conseguir se mostrar mais humano que os demais. E vale citar também outro destaque muito positivo, Mark Strong, tirando de vez sua máscara de vilão e se mostrando um ator mais versátil. 

"O Espião Que Sabia Demais" tem ótimas atuações de um elenco poderoso, além de contar com a boa direção de Tomas Alfredson e um visual bem acabado. No entanto, é válido dizer que há muito tempo não saía da sala do cinema com tanta raiva como saí desta sessão, há muito tempo não via tantas pessoas resmungando, nem cochilando e nem saindo antes de terminar o filme. Uma obra para um público menor, e eu definitivamente não faço parte deste público que o admira e o enche de críticas positivas. Um filme bem feito, mas é extremamente difícil permanecer assistindo até seu final. Para se ver uma vez na vida e nunca mais. Não recomendo, a não ser que esteja a procura de um bom sonífero.

NOTA: 4


sábado, 13 de agosto de 2011

Cinema: Capitão América- O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger, 2011)

Desde o lançamento de "Homem de Ferro 2" no ano passado, a Marvel ganhou notoriedade por dar início ao projeto de "Os Vingadores", onde não só Tony Stark estaria, mas outros heróis famosos como Thor e o Capitão América. Conhecido como o pioneiro deste movimento, Capitão América enfim surge nas telas de cinema na pele de Chris Evans e com direção daquele que entende de aventura e ação como poucos, Joe Johnston.

por Fernando Labanca

A história é bem básica. Logo no início conhecemos Steve Rogers (Evans), um jovem norte-americano que sonha em se alistar no exército e fazer parte da guerra, no caso, a Segunda Guerra Mundial. Seu grande amigo, Bucky (Sebastian Stan) conseguira tal feito, o problema era que Steve era muito franzino e tinha alguns problemas de saúde e sempre fora rejeitado. Até que a presença de um ciêntista alemão (Stanley Tucci) muda seu destino, logo que este estaria dando início a um grande experimento e decide aceitá-lo como soldado e usá-lo como cobaia deste projeto. O experimento consistia em uma máquina capaz de criar o "super soldado", transformando qualquer homem numa arma humana, assim, Steve Rogers que entrara como um muleque frágil, rejeitado pelos outros, incapaz de fazer inúmeras coisas, alvo de chacota do próprio General (Tommy Lee Jones), se transforma em um homem musculoso e num soldado exemplar.

Até que Steve Rogers passa a ser usado como símbolo do exército, criam o "Capitão América" e vestido com uma fantasia remetendo a bandeira dos Estados Unidos, ele faz algumas apresentações como forma de incentivo para os soldados e ao patriotismo. Eis que se descobre uma grande ameaça no meio da Guerra, a HIDRA, uma organização criminosa que deseja dominar o mundo utilizando uma arma de extrema potência e tendo como líder o Caveira Vermelha (Hugo Weaving), é então que Steve compra a idéia de Capitão América e vai fazer o que sempre quis, lutar pelo seu país e para isso seleciona os melhores soldados e embarca numa jornada cheia de perigos.


Como havia dito, a história é bem básica, ainda mais a colocando de lado às recentes produções da Marvel, como "X-Men: Primeira Classe" e "Thor". No quesito história, definitivamente o filme fica devendo e muito, a trama termina nos primeiros minutos e até o final são lutas, batalhas, explosões e fugas. Enfim, quem procura blockbuster com muita ação, "Capitão América" é o endereço certo, mas não espere por um "Cavaleiro das Trevas" ou até mesmo "Homem de Ferro" que foi muito superior. Não há complexidade nos personagens, Steve Rogers não enfrenta dilemas pessoais, tudo se resume a ele no meio de uma batalha, além da construção de um herói, onde esta mesma contrução se conclui antes da primeira hora, não demora muito pra ele virar ídolo de todo o mundo, onde ele é ovacionado por todos depois de alguma luta. Para piorar, a existência do vilão não ajuda em nada, Caveira Vermelha é sem sal, e tem aquele desejo mais clichê impossível de querer dominar o mundo!

Um dos elementos que salva a falta de história é a direção de Joe Johnston que prova aqui que aprendeu bem como Steve Spielberg em Jurassic Park, onde ficou responsável pela terceira parte da aventura. Joe domina bem o filme, constrói cenas visualmente belas, é tudo muito perfeito, as cenas de ação são ótimas, desde os efeitos especiais e sonoros, tudo tem um bom ritmo. Além dos figurinos muito bem feitos e explorados pelo filme e trilha sonora bem conveniente para o estilo. Tudo bem que há algumas sequências que exageram onde coisas muito além do possível acontecem, mas é um filme de herói, é quase que aceitável.

Esperava mesmo ver um Chris Evans que me fizesse queimar a língua quando fiz uma cara de espanto ao saber que ele seria o Capitão América, mas isso não aconteceu, em nenhum momento ele estraga o filme, fez o que tinha que ser feito, mas infelizmente não fez mais nada além do esperado, fez seu papel, não surpreende. Por outro lado, os coadjuvantes elevam o nível do longa, como Tommy Lee Jones, impecável na pele do General e Stanley Tucci, sempre um coadjuvante de peso e aqui não é diferente, é uma pequena participação mas muito válida. Dominic Cooper aparece como Howard Stark (o pai do Tony) e agrada fácil com sua performance que remete e muito a já construída por Robert Downey Jr., trazendo graça para o filme. A presença feminina é marcada pela desconhecida Hayley Atwell, que tem uma atuação notável e suas cenas com Chris Evans são ótimas e não ficam na chatice de herói e mocinha. Ainda vemos Sebastian Stan, ator promissor cada vez mais visto em Hollywood e o veterano e sempre ótimo Toby Jones. Ah! E o vilão Hugo Weaving que está ótimo, mas o personagem é fraco.

O que vemos em "Capitão América" é a exaltação do herói norte-americano, de forma bastante insistente e por isso, chata. Ele é bom demais, tem o coração maior que ele, ajuda a todos a todo momento, a ainda tem a contribuição da trilha sonora que exalta ainda mais sua bravura, sua honra, seu patriotista. Irrita e infelizmente o roteiro não se esforça em nenhum momento em criar um personagem um pouco mais humano, o mesmo se diz do vilão, que é fantasioso demais, caricato demais, e nunca se mostra tão poderoso quanto se diz ser, não há como temê-lo e achar que ele poderia vencer o Capitão. Enfim, duas horas preenchidas com muita ação e muitos efeitos especiais, sem grandes diálogos e sem grandes idéias. Para quem procura somente entretenimento é uma ótima escolha.

NOTA: 6,5


domingo, 17 de julho de 2011

Crítica: O Nevoeiro (The Mist, 2007)

Baseado na obra de Stephen King, "O Nevoeiro" conta com a direção de Frank Darabont, o mesmo que já havia trabalhado com adaptações de King como "Um Sonho de Liberdade" e "A Espera de Um Milagre", mas agora fugindo um pouco do drama e encarando um terror bem elaborado que digo sem a menor dúvida, uma das melhores adaptações do autor para os cinemas.

por Fernando Labanca



No filme, conhecemos uma pequena cidade que acaba de passar por uma terrível tempestade, preocupado, David (Thomas Jane) vai para um mercado junto com seu filho de 8 anos, Billy (Nathan Gamble), logo que os mantimentos poderiam se esgotar rapidamente devido aos acidentes causados. Local cheio, paredes de vidro, os moradores logo se deparam com um nevoeiro que cobre a cidade, não muito tempo depois, um indivíduo entra correndo pelas portas com o nariz sangrando e dizendo para todos não saírem mais do lugar e que algo muito estranho estaria acontecendo além daquelas paredes.

No depósito, David e outros homens acabam se deparando com uma espécie de monstro e que era dele que estavam se escondendo, algo gigantesco e com tentáculos, extremamente assustador e difícil para todos acreditarem que era real. Contam para todos o que estava acontecendo, uns não acreditam, outros acham que é uma piada sem graça e inconveniente e outros como a Sra. Carmody (Marcia Gay Harden) acreditam que assim como dizia a Bíblia, este era o fim de tudo. Até que estranhos acontecimentos passam a assustar os moradores, os fazendo refletir sobre o inacreditável, os fazendo pensar em sua vidas, e até que ponto poderiam suportar aquela nova realidade, até que ponto vai a civilização de um ser humano, os fazendo questionar sobre a bondade e se realmente o perigo estava fora daquele mercado.


O que faz de um filme de terror um bom filme de terror? Uma boa história, bons atores, cenas que assustam, que nos faz sentir medo, agonia ou algum sentimento muito forte. "O Nevoeiro" trás todos os elementos que um bom filme do gênero, somado a outros aspectos que fazem desta obra não só uma das melhores adaptações para o cinema de Stephen King, mas um dos melhores de terror dos últimos anos. O longa consegue nos amedrontar com cenas simples, mas choca pela maneira realista como trata os acontecimentos, nos faz realmente acreditar. Frank Darabont é um excelente diretor, nos mostra esta história um tanto quanto "fantasiosa" de maneira magestral, poderia muito bem nas mãos dos roteiristas e diretor errado parecer uma obra patética de monstro e mortes grotescas, mas aqui tudo é bem planejado e bem filmado, acreditamos, entramos facilmente na "brincadeira" e nos deixamos levar por esta trama bem criada, que nos prende no início ao fim.

"O Nevoeiro" vai muito além de um filme de terror, é um drama complexo repleto de bons diálogos e idéias inteligentes, que não subestima seu público mal acostumado com histórias baratas que inundam o cinema de porcarias com muito sangue e pouco nos faz pensar. Neste, aquele que assiste passa por momentos de tensão, agonia, medo e aflição, mas que também se emociona com a sensibilidade dos personagens, tão reais e tão humanos, além do fato do filme nos fazer pensar e refletir sobre inúmeros assuntos. O longa questiona de maneira impecável esta condição vulnerável do ser humano, até que ponto praticamos nossa civilização, o homem é capaz de perder o controle quando elementos que constituem sua rotina se perdem, como a alimentação, família, segurança e como o próprio filme questiona o limite da civilização é quando o 190 e máquinas ainda funcionam. Podemos não ser tão racionais quanto os livros indicam, há um limite para a civilização, dignidade e bondade.

Em relação aos atores, ninguém desaponta. Thomas Jane surpreendentemente bom e o pequeno Nathan Gamble se mostra mais uma vez um ator promissor. Destaque para a incrível coadjuvante, Marcia Gay Harden que rouba as cenas e constrói cenas memoráveis. O elenco ainda conta com o sempre ótimo Toby Jones. Os personagens é o que move este longa, são bem desenvolvidos, o roteiro respeitou cada ator ali em cena, são bem complexos e acabam, para minha grande e grata surpresa, assustando mais que os próprios "monstros".

Frank Darabont é simplesmente um diretor fantástico, realiza cenas incríveis, sua movimentação de câmera tem um diferencial. O que dizer das sequência dos insetos assassinos ou quando um dos moradores sai para fora do mercado com uma corda amarrado na cintura, simplesmente assustador, entre outras cenas ótimas que Darabont capta de forma admirável. Mas o que faz de "O Nevoeiro" um filme marcante é definitivamente seu final, conhecia este longa como "aquele com um final surpreendente", mas realmente não esperava o que vi, foi muito além de um filme convencional, foi muito além que qualquer outro filme de terror tenha ido nos últimos anos, é chocante, de deixar sem palavras, de emocionar de forma muito profunda. Enfim, não há como ficar indiferente ao desfecho, surpreendente, magnífico e porque não, muito corajoso da parte de Darabont. Uma obra que traz reflexões interessantes sobre a sociedade, representada pelos moradores trancados no mercado, uma obra por vezes melancólica, pessimista e bem realista diante deste cenário apocalíptico. Intrigante e inteligente, "O Nevoeiro" ficará na mente por muito tempo...recomendo, não sou muito fã de terror, mas este, entrou para minha lista de melhores!

NOTA: 10

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