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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Crítica: Expresso do Amanhã (Snowpiercer, 2013)

Baseado na grafic novel francesa "Le Transperceneige", o longa marca o primeiro filme falado em inglês do sul coreado Joon-ho Bong (O Hospedeiro, 2006), que conta ainda com a produção de Chan-wook Park (Oldboy, 2003). Visualmente estilosa, a obra traz um olhar bastante original sobre um mundo pós-apocalíptico, que consegue, com seu roteiro extremamente inteligente, fazer duras críticas à sociedade atual. Uma das grandes surpresas deste ano.

por Fernando Labanca

Apesar de já ter sido lançado na Coréia do Sul, o filme tem encontrado bastante dificuldade para sua distribuição em outros países devido a divergências com o estúdio The Weinsein Company, que comprou seus direitos. E assim, depois de diversas datas de lançamento aqui no Brasil serem adiadas, o filme continua por permanecer no limbo, e dessa forma, sendo impedido de ser descoberto. E sim, "Expresso do Amanhã" precisa ser descoberto.

Num futuro pouco distante, o governo falha em uma missão de cessar o aquecimento global, culminando no congelamento total do planeta. Wilford (Ed Harris) é um engenheiro que elaborou a construção de um trem que acabou por salvar toda a população, e numa espécie de "Arca de Noé", a embarcação levou os últimos sobreviventes. Sem destino, os passageiros são separados de acordo com suas classes sociais, e aqueles que não conseguiram comprar sua entrada, vivem na "cauda", ou seja, nos últimos vagões do trem, vivendo em situações precárias e se alimentando de uma pequena barra de proteína. A trama se inicia, quando, 18 anos depois, a população da cauda resolve começar mais uma rebelião, liderados por Curtis (Chris Evans), afim de chegarem até os primeiros compartimentos, no local onde poderão controlar as máquinas, onde finalmente iniciarão a tão almejada revolução.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Crítica: O Espião Que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy, 2011)

Elogiado por sua direção no terror sueco "Deixe Ele Entrar", Tomas Alfredson prova seu grande talento por trás das câmeras neste filme sobre espionagem em plena Guerra Fria, mostrando de forma mais humana um tema já bastante usado na sétima arte, entretanto, a originalidade da obra não é suficiente para sustentar as suas longas duas horas de duração.

por Fernando Labanca

A trama parece simples, mas não é. No início da década de 70, a Circus, divisão de elite do serviço secreto inglês, liderada por Control (John Hurt) falha em uma missão de extrema importância, fazendo com que ele e seu fiel escudeiro, George Smile (Gary Oldman) sejam demitidos. Enquanto o veterano Smile vivia sua vida de "aposentado", ele é encontrado pelo governo que o avisa sobre a morte de Control e de que ele havia deixado uma missão, o chefe acreditava que havia um traidor na Circus, um agente duplo, que também trabalhava com os soviéticos, e somente Smile poderia levar esta missão adiante. A partir de então, o veterano volta a ativa para descobrir qual dos seus companheiros é o traidor, entretanto nada é fácil quando os agentes suspeitos são extremamente bem treinados a dissimular uma situação, onde cada informação muito bem guardada do passado pode ser válida para se descobrir a verdade.

Guerra Fria, espionagem, agente duplo. Nada disso é novidade, e não precisa ser um expert na sétima arte para já ter visto esses elementos juntos em uma trama, a grande diferença, porém, de "O Espião Que Sabia Demais" é o fato do roteiro ter se preocupado em mostrar um lado mais humano desses agentes, onde aos poucos vamos conhecendo segredos do passado, e nisso vamos assistindo o cotidiano, momentos que dificilmente vimos em outras obras, e ainda mais interessante é ver a desglamourização da espionagem, onde a vida dessas personagens não é nada badalada, com perseguições e explosões, tudo é mostrada de forma fria, lenta, sem grandes emoções. Acredito que este tenho sido o grande feito deste filme. Por falar nos destaques positivos, vale citar a fantástica trilha sonora de Alberto Iglesias, que merece a vitória no Oscar, extremamente bem realizada e muito bem inserida nas cenas, ajudando a compor o clima de tensão e mistério da trama, além da ótima fotografia, dos figurinos e dos cenários, tudo feito com um cuidado que prova o interesse de Alfredson em construir algo grandioso. 


Entretanto, o filme peca por sua lentidão, falta de rítmo, isso não seria um problema se as situações mostradas na tela conseguissem ao menos criar um elo com o público, o que de fato não acontece. Quem não é fã de espionagem dificilmente se envolverá com a história, e quem é, terá que fazer um grande esforço para conseguir chegar até o final do filme. A verdade é que não há nada em "O Espião Que Sabia Demais" que consiga criar um interesse naquele assiste, até mesmo as personagens que de tão vazias não geram empatia. A história acontece sozinha, sem o envolvimento do público, isso, devido também, o roteiro confuso, que dá inúmeras voltas, entre passado e presente, passando por personagens que surgem do nada, onde nada parece fazer realmente algum sentido. E o filme consegue ser tão chato que é difícil encontrar forças para compreender a história. Além de conversas intermináveis sobre assuntos e personagens que não damos a mínima, construção de conflitos que não nos comovem, que não nos faz torcer, nem nos importar sobre quem é o grande traidor, e quando personagens morrem, não há como lamentar. Um filme sem emoção, sem um grande motivo para ter sido feito, sem reviravoltas, sem conflitos que mereçam a atenção do público.

As atuações são boas, apesar das personagens estarem longe de serem interessantes. Gary Oldman está incrível, mas nada que justifique sua indicação ao Oscar. Entre os coadjuvantes, nomes de peso que juntos na mesma cena, parece até valer o ingresso, como Colin Firth, Toby Jones e Benedict  Cumberbatch. O destaque mesmo vai para o veterano John Hurt, que apesar de fazer uma participação não tão grande dá um pequeno show de interpretação. Além dele, Tom Hardy constrói algumas das mais belas cenas do filme e acaba que sendo, talvez a única personagem na história que consiga criar um elo entre o público, por conseguir se mostrar mais humano que os demais. E vale citar também outro destaque muito positivo, Mark Strong, tirando de vez sua máscara de vilão e se mostrando um ator mais versátil. 

"O Espião Que Sabia Demais" tem ótimas atuações de um elenco poderoso, além de contar com a boa direção de Tomas Alfredson e um visual bem acabado. No entanto, é válido dizer que há muito tempo não saía da sala do cinema com tanta raiva como saí desta sessão, há muito tempo não via tantas pessoas resmungando, nem cochilando e nem saindo antes de terminar o filme. Uma obra para um público menor, e eu definitivamente não faço parte deste público que o admira e o enche de críticas positivas. Um filme bem feito, mas é extremamente difícil permanecer assistindo até seu final. Para se ver uma vez na vida e nunca mais. Não recomendo, a não ser que esteja a procura de um bom sonífero.

NOTA: 4


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