
por Fernando Labanca
A premissa do filme já é bastante interessante e divertida. Conhecemos a estranha família Cantone, recheada de segredos, costumes bizarros e preconceitos. Donos de uma grande empresa de pastifício, o pai, Vincenzo (Ennio Fantastichini) está prestes a passar para seus herdeiros, seus dois filhos, a responsabilidade de guiar este negócio. Tomasso (Riccardo Scamarcio) saira de casa para estudar Administração justamente para seguir no ramo do pai, e no jantar em que receberia oficialmente a empresa, decide revelar seus segredos, a de que abandonou seus estudos para estudar literatura e trabalha como escritor e...que é gay. Para sua grande surpresa, porém, seu irmão mais velho, Antonio (Alessandro Preziosi), no jantar do anunciamento, interrompe deu doloroso discursso para sua revelação, a de que é homossexual e que não pretendia seguir os negócios da família.

"O Primeiro Que Disse" possui lá seus clichês, principalmente na parte final que tenta dar aquela já tão usada mensagem de efeito, a de que a aquela pessoa que arrisca tem mais chances de errar, entretanto, mais chances de encontrar a felicidade. A mensagem é batida, mas ainda é válida, o filme acaba que tendo boas intenções. Por outro lado, vejo alguns elementos bastante ousados do roteiro, como colocar um grande galã do cinema italiano como protagonista homossexual, e por debater este assunto sem querer ser moralista, de forma leve, por vezes, até caricata, mas no geral, de forma bastante inteligente. Para nós, a discussão da homossexualidade já está virando banal, mas para o conservadorismo italiano, não. E inserir isto em oposição a este conservadorismo, de forma até a satirizá-lo, é ousado.

"Mine Vaganti", no original, nos faz refletir sobre como nos escondemos, como por vezes tentamos ser outra pessoa para agradar ou por medo de admitir ser quem somos, sobre como é admirável o ato de permitir que outros gostem de nossa personalidade tendo a ousadia de mostrar nossa verdadeira face. É interessante também a maneira como o roteiro explora as situações desta família, vemos pessoas que não falam, não conversam, não conseguem, por medo, por insegurança, incerteza das consequências, se abrir, deixar o coração falar, não a razão. E 'mine vaganti', a famosa bala perdida, aquele ato que não prevemos, aquele destino que aparentemente não era nosso, mas que surge de repente e salva nossas vidas, como se fugir da normalidade, escapar daquilo que parece ser predestinado, pode ser nossa salvação.

NOTA: 9
Realmente, filme muito bom.
ResponderExcluirEscreveu bem Fernando, falou tudo que o filme consegue passar!