
por Fernando Labanca
Filha de um pai conservador que a quer casada com o homem que
ele mesmo escolheu, Rose Pamphyle (Déborah François) sai de sua cidade, se
recusando a ter a vida comum de todas as mulheres, foge da obrigação de ser uma
dona-de-casa, tinha um plano maior em mente. Consegue um trabalho como secretária
no escritório de seguros de Louis Échard (Romain Duris), e apesar de não ter
muito talento na profissão, acaba chamando a atenção por sua agilidade em
datilografar, despertando assim o espírito esportivo de Louis, que a faz
participar de uma competição entre datilógrafas. A partir de então, ele passa a
treiná-la e Rose aos poucos vai ganhando notoriedade na mídia, conquistando
fãs, conhecendo a fama, conseguindo viver a vida que na época era o “sonho de
toda mulher moderna”.


Nas paredes do quarto de Rose Pamphyle, ela guarda recortes
daquilo que a inspira, da mulher que ela quer ser, como a bela atriz Audrey
Hepburn, ícone da época, e com seu discurso bastante feminista, Rose é o
retrato da mulher moderna aos fins dos anos cinquenta, sua luta por ser vista
entre os homens, ser tratada da mesma forma. O roteiro explora muito bem a
época, não só dessas conquistas, mas também de uma sociedade que vangloria
tanto aquilo que é popular, a fama, o sucesso, como as disputas tolas entre
escritórios ou o aumento do consumismo alimentado pela própria mídia. Rose
acaba que sendo vítima de tudo isso mesmo que em sua mente ingênua seja apenas
sonhos sendo realizados. E o diretor Régis Roinsard, que me surpreende e muito
saber que é sua estreia em um longa-metragem, age como um veterano e comanda
tudo com competência, mostra muito bem a época retratada e explora, sempre da
forma mais interessante possível, todos os eventos da trama.


“A Datilógrafa” é uma obra deliciosa, encantadora, que enche nossos olhos com tanta beleza. Nos dá a chance de voltar no tempo e apreciar toda aquela inocência, o charme e o humor dos filmes antigos. É, também, uma obra extremamente estilosa, que mesmo se apropriando daquilo que um dia existiu, não deixa de ter sua própria personalidade. Vale muito a pena arriscar para um final de semana descompromissado. Recomendo.
NOTA: 8
País de origem: França
Duração: 111 minutos
Elenco: Déborah François, Romain Duris, Bérénice Bejo
Diretor: Régis Roinsard
Roteiro: Régis Roinsard, Daniel Presley, Romain Compingt
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