
por Fernando Labanca
O filme inicia quando a protagonista Daisy (interpretada por Saoirse Ronan) - com seu visual rebelde - chega à Inglaterra, onde fica hospedada na casa de seus primos distantes, pessoas com quem não tem nenhum tipo de contato, os pequenos Isaac (Tom Holland) e Piper (Harley Bird) e o mais velho de todos, Edmond (George MacKay) que logo lhe desperta o interesse. O país vive num momento tenso e cheio de incertezas, controlados por militares, os cidadãos vivem aterrorizados por uma iminente Terceira Guerra Mundial. Distantes de todo esse sofrimento, numa casa de campo, os jovens tentam manter sua segurança e liberdade naquele pequeno pedaço de terra, entretanto, logo são obrigados à partirem, separando os membros da família e dando uma única certeza para Daisy, escapar da Guerra e reencontrar aqueles que aprendeu a amar.
O escocês Kevin Macdonald é um diretor extremamente talentoso e o olhar que ele trouxe sobre esta trama a tornou melhor do que provavelmente teria sido. Há algo de muito curioso e instigante em "How I Live Now", méritos do bom roteiro também, que vai deixando inúmeras lacunas em seu desenvolvimento, principalmente sobre a Guerra que ocorre além dos muros onde vivem os personagens centrais. A preocupação maior do filme está em mostrar como aqueles jovens viveram naquele período caótico, resumindo explicações sobre os conflitos na Inglaterra à rápidas aparições em televisores ou rádio, deixando sempre um suspense sobre o que exatamente acontecia ou como havia começado. Em nenhum momento tais informações fazem falta, os obstáculos e as transformações ocorrem em seus personagens, é sobre essas crianças que vivem neste mundo incerto, como se o que acontecesse do lado de fora não importasse, com tanto que sobrevivessem, com tanto que permanecessem ao lado daqueles que amam. Há um constante choque entre a inocência dos protagonistas com o cenário sujo em que são submetidos a caminhar, vivendo o fardo dos erros que não cometeram, da humanidade que aparentemente desconheciam. E este embate entre a felicidade quase que fantasiosa com à realidade crua e chocante é o que torna o longa tão impactante, tão doloroso, e ao mesmo tempo, tão único.

"Mas e se conseguirmos passar por isso e houver vida do outro lado?
Se houver...quero estar aqui, com você. É assim que quero viver."
Saoirse Ronan é, com certeza, uma das atrizes mais brilhantes de sua geração, que continua surpreendendo a cada nova interpretação que apresenta. Surge aqui com uma personagem difícil, que tem pouco tempo e espaço para suas breves transformações, que são drásticas, da jovem alienada e ríspida, se torna naquela que protege, que se preocupa, que ama. E ela deixa essa evolução evidente, e demonstra uma força, coragem e versatilidade muito rara. O elenco de apoio não decepciona e revelam uma deliciosa harmonia, causando uma empatia fácil no público, como os jovens talentosos Harley Bird e Tom Holland. O casal apaixonado também funciona, graças a boa química entre Ronan e o ótimo George MacKay.


Duração: 101 minutos
Elenco: Saoirse Ronan, George MacKay, Harley Bird, Tom Holland
Diretor: Kevin Macdonald
Roteiro: Jeremy Brock, Penelope Skinner, Tony Grisoni
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