
por Fernando Labanca
Donna (Slate) é quase como uma versão masculina de Louis C.K, em sua série Louie. Comediante sem muito sucesso, ela sobe aos palcos em pequenos bares para apresentar seu stand up. Entre os dramas de sua vida, é lá que ela sente força em fazer piada de toda sua desgraça, como forma de encontrar alguma lógica em sua vida sem rumo. Após ser abandonada por seu namorado e despedida de seu emprego, Donna chega a conclusão que tudo, definitivamente, está perdido. É neste momento de crise, que ela acaba conhecendo o bom rapaz Max, com quem passa uma noite. Pouco tempo depois, ela descobre que está grávida e não sabe como lidar com esta novidade, parte porque não quer envolver um cara que mal conhece em toda essa confusão e parte porque tem a certeza de que não tem maturidade e nem condições de criar um filho.
"Obvious Child" pode pegar muitas pessoas de surpresa, por um simples elemento, seu final. É aquele tipo de final que altera nossa percepção sobre toda a trama e que ficamos ali, parados, refletindo sobre quando foi a última vez que uma comédia romântica foi tão corajosa. O roteiro pega uma premissa simples e batida, a jovem mulher que engravida de um desconhecido na primeira noite que passam juntos, e passa, a partir deste ponto, a debater um assunto bastante polêmico, o aborto. Gravidez indesejada, no cinema, parece sempre fluir para um mesmo caminho e ficamos a espera do momento em que o filme vai se render aos clichês e entregar o final que obviamente iria chegar. "Entre Risos e Lágrimas" surpreende justamente por isso, porque não é óbvio, pelo contrário, é de uma originalidade e ousadia extrema. Falar de aborto é sempre complicado e como foi incrível a maneira como eles abordaram o tema aqui, de forma leve, simples, sem julgamentos, deixou com que tudo fosse resolvido por sua protagonista, pois somente ela saberia o melhor caminho a seguir. No mínimo, uma atitude honesta do roteiro, que oferece seus argumentos e permite que discussões e reflexões sejam feitas fora da tela.

País de origem: EUA
Duração: 84 minutos
Diretor: Gillian Robespierre
Roteiro: Gillian Robespierre
Elenco: Jenny Slate, Jake Lacy, Gaby Hoffman
Estava passando ontem de madrugada na Sky, mas acabei indo dormir pq precisa levantar cedo. Pra variar, todos os canais da Sky exibe porcarias durante o dia e aos finais de semana, guardando os filmes pelo menos razoáveis para a madrugada, quando ninguém assiste. vai entender.....
ResponderExcluirDevem ter um convênio com a Ambev para nos forçar a ir ao buteco
huahuahua...uma ótima teoria, Germano! É uma pena que isso aconteça mesmo e infelizmente isso é comum. Mas o filme é bom e vale a pena ficar de olho nos próximos horários
ExcluirCara, que filme gostoso,simplesmente um dos meus melhores achados diante de tanta coisa ruim por aí.
ResponderExcluirPois é...esta é uma excelente definição: Um dos melhores achados! Fiquei feliz quando eu o descobri, é uma pena que pouca gente o viu
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