por Fernando Labanca
O diretor Breno Silveira sempre foi conhecedor de seu público e sempre fez suas obras muito consciente sobre quem as destina. Filmes como "2 Filhos de Francisco" (2005) e até mesmo "Gonzaga: De Pai pra Filho" (2012), que inclusive ganhou uma versão na TV, tem traços de novela, com histórias de superação e momentos feitos para emocionar. Essa característica, muitas vezes, é vista como algo negativo, pejorativo, no entanto, Silveira faz isso com tanta propriedade que nos convence de suas intenções. Seu produto funciona na televisão sim e nem por isso é ruim, de qualidade menor. Bem pelo contrário.
Baseado no livro "O Cangaceiro e a Costureira", o filme nos mostra Pernambuco na década de 30 e como o tempo separou duas irmãs. Vivendo uma vida simples naquele local, Emília (Marjorie Estiano) é do tipo que sonha alto, sempre se vendo longe dali, encontrando o príncipe encantado e indo morar na cidade grande. Bem diferente de Luzia (Nanda Costa), que por ter um braço atrofiado, sempre se viu por baixo, digna daquela vida sem perspectiva. Tudo muda quando a cidade é invadida pelo cangaceiro Carcará (Julio Machado) e seu bando, que obriga Luzia a fugir com eles. Estranhamente ela não hesita e percebe que aquela é sua chance de fazer algo de sua vida, abandonando sua irmã e seguindo outro rumo. O filme, então, acompanha a jornada das duas a partir deste ponto e em como uma não foi capaz de esquecer a outra, mesmo com a distância e a dúvida do destino que cada uma teve.


"Entre Irmãs" tem formato épico. É longo, conta diversas histórias e ainda pede auxílio de uma trilha sonora pesada e fotografia deslumbrante. Breno Silveira e sua equipe não pouparam esforços em fazer um produto marcante - que tem cara de novelão sim - mas que funciona perfeitamente na tela grande também. Claro que é nítido que a proposta daria certo como uma série de TV, logo que são tantos personagens que ganham destaque ao longo da obra, que a duração de um filme não permite que todos eles tenham suas tramas contadas no devido tempo e espaço. Por outro lado, o roteiro consegue driblar esses empecilhos e não passa a sensação de ser corrido ou que algum acontecimento foi atropelado. As sequências são fluídas e penso que durante suas quase duas horas e meia, tudo foi tratado com bastante cuidado. São tantos assuntos debatidos, que vai do feminismo a homossexualidade, e se sai bem em tudo o que pretende dizer, se provando, aliás, uma obra necessária.

NOTA: 8,5

País de origem: Brasil
Duração: 160 minutos
Distribuidor: Sony Pictures
Diretor: Breno Silveira
Roteiro: Patrícia Andrade
Elenco: Marjorie Estiano, Nanda Costa, Rômulo Estrela, Júlio Machado, Letícia Colin, Ângelo Antônio, Fábio Lago, Cyria Coentro, Claudio Jaborandy
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