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quarta-feira, 18 de abril de 2018
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Crítica: Força Para Viver (Rudderless, 2014)
Primeiro longa-metragem dirigido pelo ator William H.Macy, "Rudderless" é muito mais do que aparenta ser. Passando pelo drama familiar ao musical descompromissado, o filme acaba se tornando uma das tramas mais chocantes e mais tocantes do ano.
por Fernando Labanca
Após a morte de seu filho adolescente, Sam (Billy Crudup) abandona a carreira de executivo e se vê cada vez mais perto do fundo do poço. Desmotivado, ele acaba encontrando forças quando recebe de sua ex-esposa (Felicity Huffman), uma caixa com objetos que pertenciam ao garoto. Ali, ele encontra letras de músicas e algumas gravações originais, descobrindo, então, um lado de seu filho que desconhecia, um talento jamais revelado. É então que Sam resolve subir ao palco e cantar essas canções como forma de superar sua perda, não demorando muito até que o jovem Quentin (Anton Yelchin) entre em seu caminho, fascinado por sua qualidade musical, ele se mostra disposto a montar uma banda com o desconhecido. Sucesso em um bar local, eles montam a "Rudderless", sem ninguém imaginar o que realmente motiva aquele estranho homem solitário a continuar cantando.
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terça-feira, 2 de julho de 2013
Crítica: Além da Escuridão - Star Trek (Star Trek Into Darkness, 2013)
J.J. Abrams é o diretor do momento. Escalado para
levar adiante a franquia de Star Wars, ele possui a grande qualidade de saber
comandar um blockbuster. É um nome a se destacar do cinema de Hollywood,
conseguindo trazer as telas filmes extremamente ágeis e muito bem elaborados,
como foi o caso de "Super 8" (2011) e o primeiro "Star
Trek" (2009), que agora ganha sua bem-vinda sequência. A saga que já teve
inúmeros seriados e filmes, ganhou um novo fôlego com as mãos de Abrams, um
filme empolgante e que tem tudo para agradar os fãs.
por Fernando Labanca
O longa se inicia com o Capitão Kirk (Chris Pine)
e Spock (Zachary Quinto) em uma missão num planeta desconhecido, o plano falha
e Spock quase morre, deixando Uhura (Zoe Saldana) inconformada devido a sua rápida
aceitação diante da morte. Logo após, uma nova missão surge para os tripulantes
da Entreprise, ir atrás de um misterioso homem, John Harrison (Benedict
Cumberbatch), que tem realizado atos terroristas contra a Frota Estelar. E
nesta busca, todos tentam descobrir as verdadeiras intenções de Khan, enquanto
que Spock, com sua ausência de sentimentos e excesso de lógica, precisa lidar
com a arrogância de seu companheiro, além de traçar sua própria jornada de auto
descobertas.
Se na década de 60, com o lançamento da série
original, o que existia era um grupo de tripulantes numa jornada pelo espaço em
busca de lugares desconhecidos, onde tudo era focado na exploração do universo,
hoje, com este reboot, e também devido a alta tecnologia, o que vemos na tela é
uma guerra interminável, com batalhas, perseguições e explosões. Apesar de
ainda haverem os personagens clássicos, como Kirk, Spock, Uhura, McCoy, Sulu,
Chekov e Scotty, o que JJ.Abrams fez é muito mais do que apenas mais uma
sequência, ele reconstrói a saga, dá um novo sentido, abandona a calmaria e
coloca a Enterprise em perigos mais "reais", dando um novo fôlego,
uma roupagem mais moderna, e se utilizando de antigas referências, consegue
atingir desde o público mais fanático até os mais novos. E como já é tradição
também, "Além da Escuridão" coloca a frente de seus conflitos, um
vilão marcante, neste caso, Khan, interpretado pelo ótimo Benedict Cumberbatch
(de "Desejo e Reparação" e "O Espião Que Sabia Demais"). No
entanto, o que acaba mais chamando a atenção neste novo "Star Trek" e
acredito que este seja seu maior trunfo, é a bela sintonia entre todo o elenco,
agem como se realmente se conhecessem, há uma naturalidade nas cenas, o que
acaba reforçando ainda mais aquilo que a trama se propõe, falar sobre união e
amizade, apesar de clichê, os sentimentos (ou a ausência deles) transmitidos
pelo elenco são tão convincentes que acreditamos nisso, acreditamos naquela
convivência.
Por outro lado, não consigo deixar de ver o que
houve de negativo nesta "versão mais moderna" de Star Trek. Para
começar, achei o primeiro de 2009 bem mais interessante e infelizmente há uma
diferença gritante entre os dois filmes. Enquanto que no primeiro, o bom
roteiro valorizava os bons diálogos, o desenvolvimento e a evolução de cada
personagem, dava espaço para a construção de uma história, ou seja, fazia
pensar. Neste, o que vi, para minha total decepção, foi um amontoado de
sequências de cegar qualquer um, explosões, batalhas que nunca terminam, ação
do primeiro ao último minuto, não há espaço para nenhum diálogo decente, uma
conversa que tenha alguma conclusão, a todo instante, um obstáculo surge e tudo
é motivo para mais explosões. Quase não vi os personagens, quando estavam em
cena, estavam correndo ou lutando. Em seu final, apelam para o emocional,
inserindo uma "comovente" sequência, dando um contraste tão absurdo
com o restante do filme, que ficou vazio, sem sentido. O vilão que prometia
tanto pelo trailer, é fraco, nem mesmo a boa atuação de Cumberbatch conseguiu
salvá-lo do fiasco. O que mais me espanta, é que precisaram de três pessoas
para escrever esta brilhante história. Achei uma grande pena, desperdiçaram o
potencial de ótimos atores e um diretor competente, entregando um filme na
medida para o sucesso, mas a meu ver, desrespeita o que conhecemos por ficção
científica, é um puro filme de aventura, que cega seu público com tantos
efeitos especiais, tapando os buracos de seu frágil roteiro.
O elenco, assim como no primeiro, é de grande
destaque, Chris Pine e Zachary Quinto mandam muito bem na pele de Kirk e Spock,
não há dúvidas de que merecem estar ali, os dois são ótimos e graças a eles o
filme se mantém num bom nível. Do restante, todos ótimos, mas muito apagados
devido ao roteiro que não deu espaço para ninguém mais, nomes como Zoe Saldana,
Karl Urban, Anton Yelchin, John Cho e Simon Pegg são alguns deles, além da
perdida Alice Eve que não faz nada no filme além de ser bonita. Outro bom
destaque da produção, claro, os efeitos especiais e sonoros, são extremamente bem
feitos, como há muito não se via no cinema, JJ.Abrams mais uma vez provando seu
talento neste tipo de filme, comandando com competência a ação. Vale citar
também, a trilha sonora de Michael Giacchino dando o fôlego e a emoção que o
longa precisava, além da belíssima direção de arte, seja de maquiagem, cenários
e figurinos, tudo em perfeito estado. "Além da Escuridão", mesmo
estando muito abaixo das minhas expectativas, não posso negar suas qualidades e
não me surpreendo se agradar muita gente, é bem provável que agrade. Achei
muito bem realizado como um todo, se sua proposta era divertir, entreter seu
público com muita aventura, conseguiu e com muito êxito, porém, seu grande erro
está justamente na base de tudo, seu roteiro, e não há efeito especial capaz de
maquiar isso, com direito a um final sem clímax e nenhuma cena marcante que
fique na memória.
NOTA: 7
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domingo, 30 de outubro de 2011
Crítica: A Hora do Espanto (Fright Night, 2011)
Refilmagem do clássico de terror "A Hora do Espanto" dirigido por Tom Holland em 1985, que se tornou referência para muitas outras obras do gênero, este, realizado por Craig Gillespie (A Garota Ideal) faz uma repaginada, com bons sustos mas que nada inova no cinema.por Fernando Labanca
Conhecemos Charley (Anton Yelchin), um jovem apaixonado por Amy (Imogen Poots), e que nunca conseguiu entender como conseguiu essa garota, simplesmente por ele não fazer o tipo que encanta as mais populares. Tem como melhor amigo, Ed (Christopher Mintz-Plasse), mas anda se desentendendo com ele, logo que este passou a agir de forma estranha depois que alguns de seus amigos passaram a desaparecer misteriosamente, acreditando que se tratava de ataques de vampiros e alerta Charley sobre seu novo vizinho, logo que não havia dúvida para ele, o estranho certamente era um vampiro.
Jerry (Colin Farrell) é o encantador novo vizinho de Charley e que chama muito a atenção de sua mãe, Jane (Toni Collette). Depois que Ed desaparece, o jovem passa a questionar sobre suas loucas teorias de que seu vizinho fosse realmente um vampiro, até que ao invadir sua casa, a verdade surge, por trás de todo aquele charme e mistério, havia uma criatura sedenta por sangue. A partir de então, Charley tenta fazer de tudo para salvar sua pele e das pessoas que ama, e para isso vai atrás de sua única salvação, Peter Vincent (David Tennant), um mágico que aparentemente entendia tudo sobre vampiros, eis que surge a oportunidade de provar seus conhecimentos, para sua infelicidade.

O filme começa perfeitamente bem, todo o clima, tem um estilo bem cool, desde a composição de seus personagens que são muito bem inseridos nas cenas, até a maneira descontraída como nos apresenta o terror. Há um suspense muito bem amarrado, desde o misterioso desaparecimento de algumas pessoas até o surgimento do vampiro Jerry, nos prende facilmente. Gosto do visual, dos cenários, da maquiagem e dos efeitos especiais, tudo bem trash, mas pra lá de estilosos (estragados em parte pelo 3D, mais uma vez, que escurece muitas cenas). O longa tem uma pegada bem jovem, passando pela ótima trilha sonora, até os bons personagens adolescentes que protagonizam a trama, que não são frágeis e vulneráveis, todos possuem personalidade e encaram o problema de frente, até mesmo a mocinha, não faz o estilo "tapada" dos filmes de terror.
Os atores estão muito bem em cena. Anton Yelchin cada vez mais vem surpreendendo e se mostra capaz de protagonizar um filme, tem carisma e convense como Charley. Imogen Poots também agrada, além de ser linda, soube aproveitar seu texto para mostrar seu talento, assim como Christopher Mintz-Plasse que surge num personagem bem diferente do que costuma fazer e não decepciona, mas também não surpreende. Colin Farrell convense como o vampiro sedutor, é bastante caricato, mas funciona no propósito do filme, assim como David Tennant, que rouba algumas cenas apesar de seu personagem ser bizarro. Toni Collette parece estar lá somente por diversão, é uma fantástica atriz e não vejo o porquê de estar neste filme, ainda que seja muito bom revê-la.
Perde muitos pontos por resolver o bom mistério logo no início do filme, depois que descobrimos a verdade, o filme parece escorregar num buraco sem fim, o roteiro não consegue manter o bom ritmo da primeira meia hora, e até seu final, vemos uma sequência de cenas com sustos, perseguições, sangue mas que não possuem força. O filme é curto mas parece durar uma eternidade, não inova em nada no gênero, só vem para provar a falta de criatividade daqueles que realizam filmes de terror, que resgatam algo do passado e nem ao menos conseguem trazer algo de novo na adaptação, é tudo muito fraco, não há motivos para tê-lo refeito, possui uma trama boba, imatura, com bons personagens e bons atores em cena mas a presença destes elementos não são o suficiente para impedir "A Hora do Espanto" do fiasco. Ainda assim, Craig Gillespie realiza algumas cenas boas, como a sinistra perseguição de Jerry no carro da família em alta velocidade, entre outras. Como entretenimento barato, funciona, mas é o típico filme que se esquece segundos depois de ter terminado.OBS: 3D desnecessário e ótimos créditos finais!
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sexta-feira, 24 de junho de 2011
Cinema: Um Novo Despertar (The Beaver, 2011)
Este não é só um retrato de Walter Black, é um retrato de uma triste sociedade moderna.por Fernando Labanca
De inúmeros escândalos em sua vida pessoal, Mel Gibson se tornou alvo de polêmicas e muitos viram "Um Novo Despertar" como sua redenção, um ato de uma grande amiga, no caso, Jodie Foster, a diretora, de reerguê-lo provando seu talento como ator, infelizmente muitos não conseguiram ir muito além disso, veem como um mero filme de um ator tentando retornar a carreira, muitos nem assistiram como se o ato de assistir fosse como uma aprovação a suas atitudes. Há ainda críticos que avaliam a obra levando em consideração a vida pessoal de Gibson, o que é patético e nem um pouco profissional. Enfim, o filme fora aplaudido de pé recentemente no Festival de Cannes, e marca a realização de uma diretora promissora e de um ator que ainda pode fazer e muito ao cinema.
Na história, conhecemos esse tal de Walter Black (Gibson), um cara perdido em sua própria existência, com sua alma morta e sem nenhuma motivação para querer viver, acaba passando este modo depressivo de encarar seus dias para as pessoas ao seu redor, não consegue mais ter idéias para alavancar sua empresa na qual é diretor e muito menos ser um pai e um esposo presente. Como única saída, sua mulher, Meredith (Jodie Foster) o expulsa de casa. A trama começa com sua saída e suas tentativas frustrada em cometar suicídio num quarto de hotel, é quando se depara, jogado no lixo, com um fantoche de castor, coloca em seu braço e passa a usá-lo com um alter-ego, como algo para enfim lhe salvar, salvar seu coração morto e vazio, como se precisasse que algo o representasse e lhe dissesse o que era preciso para acreditar na vida novamente.
Como castor, Walter reencontra seu filho mais novo (Riley Thomas Stewart) que passa a adorar a nova personalidade do pai, que fala, que sonha, que brinca, e aos poucos retorna para sua casa, volta a ser homem de verdade, reconquista Meredith que jamais quis abandoná-lo, pelo contrário, sempre arranja forças para apoiá-lo, além de criar novas e brilhantes idéias em sua empresa, e tudo isso, com o pretexto de que o fantoche fora ideia de seu psicólogo como forma de tratamento. O problema é que seu filho mais velho, Porter (Anton Yelchin) não aceita seu retorno, enquanto isso, ganha a vida fazendo lições para outros alunos, é quando aparece Norah (Jennifer Lawrence) que faria o discurso de formatura e lhe pede ajuda, para dizer o que não conseguia, lhe permitindo entrar em sua vida, e nisso ele descobre alguns segredos de seu passado. E Walter tenta se aproximar de Porter sem saber o quão complexa e depressiva é a mente de seu filho distante.
Imagine ver um filme onde o protagonista passa a maior parte do tempo com um fantoche nos braços, falando com outra voz, e agindo como se estivesse atuando diante de todos! Ok, pode parecer bizarro, aliás, de fato é muito bizarro e muito estranho, mas o que vale mesmo é a intenção, "Um Novo Despertar" é um projeto único, que se arrisca, vai muito além do que se espera de um filme, é algo muito novo, fiquei extremamente contente ao me deparar com essa situação tão diferente, tão fora do habitual. É tão bom ver o cinema provando novas possibilidades e no meio de tantos blockbusters surgindo nas telas, só posso dizer que este veio na hora certa, um alívio.
A idéia é bizarra, mas é fantástica. Walter Black é um grande personagem, a maneira como o roteiro trabalha sua trajetória é algo tão novo e ao mesmo tempo tão belo e complexo, às vezes a trama parece previsível, mas não é, parece só uma história boba sobre redenção, mas vai muito além disso e por isso surpreende. Os conflitos que vão sendo mostrados são extremamente interessantes, gosto da maneira como esta "redenção" de Walter Black é trabalhada, não é aquele homem deprimido que simplesmente se salva e tudo vai ficando bem, ele é complexo demais para se limitar a isso, em uma das cenas no qual me emocionei muito, Meredith acreditando em sua salvação lhe mostra fotos da família e este enlouquece, não por odiar a família, mas por sofrer ao se lembrar o quão mal aquele homem do passado fez aqueles que amava. Não é bem sobre redenção, quase não há, na verdade, e por isso é tão inteligente e original, é um longo processo de aceitação como pessoa, a depressão simplesmente não some, ela o acompanha em toda sua jornada, não é aquele filme de motivação que lhe diz "vai ficar tudo bem no final", é uma obra melancólica que nos mostra que é uma mentira nos dizer que vai ficar tudo bem, a tristeza, a infelicidade existe, é real, nos acompanha.
"Um Novo Despertar" é uma obra incrível, ao terminar, fiquei realmente sem palavras, estático em minha poltrona, tentando digerir toda aquela complexidade e intensidade, que vai fundo na alma de cada personagem, onde cada um tem um drama escondido que aos poucos vai sendo trabalhado, e tudo vai sendo guiado e mostrado de forma tão única, tão nova, que emociona e nos faz refletir sobre tantas coisas. Havia tempo em que não via um drama familiar tão bom quanto este. Uma hora ou outra, Hollywood produz grandiosos filmes, e este, de fato, é um deles, simples no formato, há poucas locações, poucos cenários, mas a idéia e a maneira como ela é mostrada faz de "Um Novo Despertar" um projeto rico, inovador, e acima de tudo, uma obra sincera, humana e que mexe com os sentimentos mais profundos. Não recomendo para todos, logo que não se trata de algo muito convensional. Mas ao meu ver, é digno de palmas.NOTA: 9,5
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