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terça-feira, 13 de março de 2018

Crítica: Lady Bird: A Hora de Voar (Lady Bird, 2017)


Greta Gerwig parece entender como ninguém como é alcançar a fase adulta. Diretora e roteirista, ela cria uma obra que conversa e muito com seus outros trabalhos, "Frances Ha" (2012) e "Mistress America" (2015). Quase como uma trilogia não oficial, ela oferece uma espécie de manual sobre amadurecimento. Seu cinema é gostoso de ver porque é fácil se identificar e porque diz mais sobre nós do que queremos admitir. 

por Fernando Labanca

É preciso ressaltar e não poderia iniciar essa crítica de outra forma a não ser dizendo que "Lady Bird" é um filme muito agradável. Parece pouco afirmar isso de alguma obra, mas a questão é que são poucas a conquistar isso. Aquela sequência de imagens que passam por nós e nem sentimos o tempo passar. Aquele conjunto de elementos tão bem orquestrados que nos impede de pensar em qualquer outra coisa. O coming of age de Greta Gerwig funciona porque nos leva para dentro da tela e é um prazer enorme acompanhar seus deliciosos minutos. Dá vontade de abraçar toda sua criação e agradecê-la por entender tão bem o que é ser jovem, o que é crescer. Por levar tão a sério os dilemas mais fúteis da adolescência e nos fazer enxergar naquela protagonista tão problemática um pouco de nós. O filme acompanha este momento de amadurecimento de uma jovem que se auto denomina Lady Bird. Estudante de uma escola católica, vive com sua família em Sacramento, uma cidade que parece não ter nada a lhe oferecer. E entre amores, desilusões e novas descobertas, tenta a todo custo ingressar em uma faculdade bem longe dali, sonhando sempre um pouco mais alto, tentando ser mais do que todos ali esperam dela e mais do que ela espera de si mesma. 


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Crítica: Killer Joe - Matador de Aluguel (Killer Joe, 2011)

William Friedkin é um nome de peso na história do cinema, foi o responsável por dirigir o clássico “O Exorcista” e desde então, porém, escolheu por trilhar um caminho não tão óbvio em Hollywood, esteve sempre distante dos holofotes, realizando alguns projetos bastante desconhecidos do grande público, tendo até uma filmografia curta pela longa carreira que tem. Eis que ele retorna, aos 77 anos de idade, provando que ganhou muita experiência ao longo dessas décadas e é ainda capaz, mesmo que num filme tão simples, provar seu potencial em construir uma obra memorável, provar sua força, genialidade e ousadia como diretor.

Por Fernando Labanca

Baseado na peça de teatro de Tracy Letts, que também assina o roteiro, o filme gira em torno de uma família disfuncional e a estranha relação que ela passa a ter com um matador de aluguel. Tudo se inicia com um plano bizarro de Chris (Emile Hirsch), o filho mais velho, que devendo para traficantes perigosos chega a conclusão de que o único modo de conseguir dinheiro e quitar suas dívidas é recebendo a apólice de seguro de sua mãe, neste caso, só acontecendo com ela morta. Para isso, ele,  ao lado do pai (Thomas Haden Church) e da madrasta (Gina Gershon), decide contratar Joe Cooper (Matthew McConaughey), um detetive que é assassino nas horas vagas, para mata-la. Com o dinheiro em mãos, o plano era pagar a metade para Joe, e o resto dividir entre os membros da família, inclusive para a filha mais nova, a inocente Dottie (Juno Temple). Os piores conflitos surgem quando, ao não receber o pagamento adiantado, assim como o de costume, Joe exige uma garantia: Dottie, o que causa a fúria em Chris, que coloca a proteção de sua irmã acima de qualquer coisa. 


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