quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Crítica: Valente (Brave, 2012)

A cada ano a Disney Pixar lança um filme e sempre carrega junto de si aquela expectativa no público e a dúvida se o próximo projeto será tão bom quanto os anteriores, logo que a empresa é responsável por verdadeiras obras-primas nos últimos anos, como "Toy Story", "Wall-e" e "Up". E depois de um sucesso atrás do outro sempre veio a pergunta, até quando eles reinariam? E "Valente" vem ao cinema como a prova de que infelizmente a Pixar não passar por sua melhor fase, carente de um bom roteiro, carente, por incrível que pareça, de inteligência e criatividade, itens que estiveram presentes em todos os filmes e que devido a eles nos afeiçoamos às suas animações.

por Fernando Labanca

A Disney desde muito tempo foi aquele estúdio que nos apresentou um mundo lúdico dos contos de fadas, o universo das princesas, dos reis e rainhas. Com um cenário medieval, mais precisamente, uma antiga Escócia, a Pixar retorna ao universo das princesas, entretanto com um tempero a mais, temos como heroína a princesas Merida, aquela que vai contra os padrões, que não aceita aquele velho destino de qualquer filha de um grande reino, casar e ser líder, agir como uma mulher respeitada, seguir ordens. Para seu desespero, Merida conta com a ajuda de sua mãe, que se mantém ao seu lado para lhe dar ordens e ditar tudo e como ela deve ou não deve agir. Eis que Elinor, sua mãe, decide realizar um torneio, colocando três primogênitos de três reinos diferentes, para que disputem a mão de Merida, que não aceita e decide lutar pela própria mão. Como último ato de querer fugir daquilo que já lhe estava pré-estabelecido, ela encontra uma poção mágica capaz de mudar sua mãe e como consequência, seu destino. 


A premissa de "Valente" é ótima, não há como discutir isso, reconstruindo o universo clássico de uma princesa, lhe atribuindo características novas, Merida é de fato, uma personagem interessante, jovem, querendo viver a vida e não simplesmente aceitar sua vidinha comum. A relação que ela tem com a mãe fortalece ainda mais a idéia, quando a rainha vai contra a tudo o que sua filha diz, jamais aceitando suas atitudes, muito comum numa relação mãe-filha. O filme ganha força neste momento, mas é logo destruído quando de repente, muda seu foco e a trama segue por um caminho não tão óbvio, mas muito sem graça. O filme começa com um torneio que tinha tudo para ser interessante, homens disputando por aquilo que a protagonista jamais entregaria, é então que o roteiro simplesmente ignora esses fatos iniciais e segue mais no drama familiar, o grande problema é que para revelar esses conflitos, eles transformam a mãe num urso e pronto, a porta para o fiasco é aberta e a trama vai decaindo a cada passo que segue. Quando soube que a história seria centrada nesta relação entre as duas, isso me animou, mas acabou sendo decepcionante. Os conflitos entre Merida e Elinor são facilmente resolvidos, sem um grande momento, sem grandes inovações, longe do que conhecemos dos roteiros da Pixar. A trama ainda reserva um espaço para o humor que não faz rir e se mostra pobre e por vezes forçado, além de uma forjada aventura, aquela mostrada nos trailers, onde tudo se resume a princesa correndo com seu cavalo por cenários limitados, sem ter que enfrentar nenhum perigo ou nenhum obstáculo, tudo muito rápido, muito fácil, que não diverte e nem empolga.

O que chama mesmo a atenção em "Valente" é seu visual, a cada ano as técnicas em animação se mostram ainda mais aprimoradas e o filme revela um nível assustador, desde os cenários bastante realistas, aos riquíssimos detalhes dos personagens. É claro que o que mais se destaca é o tão comentado cabelo da protagonista. É simplesmente belo, extremamente bem feito, mas chega a ser um grande problema quando o grande atrativo do filme é o cabelo da personagem e não as "aventuras" que ela está vivendo. A trilha sonora ajuda a compor a trama, composta por Patrick Doyle, ele realiza um trabalho bom, mas que não vai além do que se espera de uma história medieval, nada que fique na cabeça ao seu término. 

"Valente" vale por seu visual, apenas. Parece um exercício do estúdio para treinar e mostrar o quão a animação está avançada, mas dessa vez, bem diferente do que a Disney Pixar realizou nos últimos anos, acabou deixando a inteligência e um bom roteiro de lado, optando por caminhos fáceis e sem nenhuma criatividade. E no fim, a sensação que fica é que ele vai contra a tudo o que desenvolveu em sua premissa, a liberdade daquela jovem e aquela ousadia de querer fazer as coisas diferentes, fugir do padrão, tudo parece errado em seu final, pois toda a desgraça que acontece entre a família foi causada por sua ousadia, o que podemos concluir disso? Faça tudo o que te mandam fazer, não fuja dos padrões. Pois bem, a Pixar resolveu pôr isso em prática e fez exatamente o que a trama dizia, não ousou, não arriscou e nisso, acabou realizando seu mais fraco trabalho, longe de ser lamentável, o filme tem suas qualidades, é bem feito e isso é inegável, no entanto se mostra limitado demais, pequeno demais, fraco para um estúdio que nos provou que tudo era possível. 

NOTA: 6



terça-feira, 24 de julho de 2012

Crítica: Na Estrada (On The Road, 2012)

Um dos candidatos na categoria Melhor Filme no último Festival de Cannes, o novo longa do brasileiro Walter Salles traz para as telas uma obra que eu diria inadaptável, publicada em 1957, "Pé na Estrada", a obra do norte-americano Jack Kerouac é considerado a bíblia da "geração beat" e uma das obras literárias para importantes do século XX. Serviu como grande influência da juventude dos anos 60 e relata como um diário a vida dos jovens da contracultura, que se perdiam em meio de sexo, drogas e jazz, que amavam a arte, a poesia, a literatura, que viviam à margem dos acontecimentos da época. Mais do que uma adaptação quase que impecável, mais do que um grande respeito à obra original, o que vemos é um filme belo, inspirador, e o que parecia impossível, tão complexo e poético quanto o livro.

por Fernando Labanca

Jack Kerouac, autor de livros, após viver o momento de sua vida que ele denominou como "vida na estrada", resolveu escrever num rolo de quilômetros de papel toda sua incrível jornada, sem respeitar parágrafos nem capítulos, ele colocou no papel tudo o que recordava. Seu livro, então, foge completamente do padrão, não há começo, meio e fim, é tudo linear, sem deixar de ser interessante, não há clímax, mas ainda assim surpreende. E o filme de Walter Salles logo de início tinha já um grande obstáculo, adaptar o inadaptável. Mais do que contar a trajetória de Jack, sua obra vai muito além de uma história, é sobre sentimentos, sensações, sobre as relações que ele tinha com as pessoas que ele se deparava em seu caminho. Uma tarefa nada fácil, e com o brilhante roteiro de José Rivera (com quem Salles trabalhou junto em "Diários de Motocicleta") e com produção de ninguém mais que Francis Ford Coppola, a equipe desenvolveu algo admirável, que para muitos seria impossível, logo que durante anos tentaram adaptá-lo, mas não conseguiram. Um filme que faz jus a sua obra original.

Conhecemos Sal Paradise (Sam Riley), o alter ego de Jack Kerouac, que após a morte de seu pai, tenta se concentrar para terminar seu livro, sem grandes inspirações. Eis que conhece, junto com seus outros amigos hipsters, Dean Moriarty (Garrett Hedlund), casado com uma jovem menor de idade, Marylou (Kristen Stewart), ele acabara de sair da prisão e vive sua vida como um grande vigarista, mais do que isso, ele vive uma vida sem limites e é ao lado dele que Sal inicia sua jornada na estrada. E durante vários meses, Sal e Dean de perdem numa louca viagem, sem destino, sem razão, conhecem pessoas, se apaixonam, abandonam, curtem a música, a poesia, numa época pós-guerra, onde os jovens estavam a procura de novas descobertas, experimentações, como sexo e drogas. E no meio disso tudo, eles crescem, uma longa jornada de autoconhecimento.



"Na Estrada" é um filme complicado de analisar. Ele se assemelha e muito ao livro e devido a isso pode assustar grande parte do público. Ele já inicia contando uma história, sem a necessidade de introduzir aquele que assiste a trama ou aos personagens. Tudo ocorre muito rápido e muitos ficarão sem entender as razões pelo qual tudo acontece. Isso é ruim pois ele afasta aqueles que nada conhecem sobre a obra, entretanto, isso acaba que sendo seu maior triunfo, pois vai muito além do que o cinema costuma mostrar, pois vai além do que esperamos de um filme comum, ele consegue traspor para a tela todo um pensamento, todo o sentimento que a obra original tinha, aquela que um dia inspirou toda uma geração. É belo o que Walter Salles realiza aqui, pois o roteiro poderia muito bem ter caído no lugar comum, ter colocado inúmeros clichês para contar a mesma história, ter criado um clímax e um final chocante. Mas não, ele vai contra aos padrões e assim consegue manter toda a beleza e originalidade de Jack Kerouac, longe de ser pretensioso, sendo complexo e emocionante sem ter a intenção, onde mantêm a simplicidade das cenas e a poesia dos diálogos.

A partir da narração em off do personagem principal, entramos a fundo em sua viagem, o filme nos convida a viver durante aqueles minutos a verdade que tenta mostrar. De diversas cidades norte-americanas, conhecemos inúmeros personagens, cada um com sua peculiaridade, cada com seu drama, todos vivendo um só ideal, a liberdade, a vontade de viver. E todos são mostrados de forma bastante convincente, e em poucos minutos nos afeiçoamos aos rostos que surgem, pois é tudo muito real, muito humano. Nós somos Sal Paradise, perdidos naquele universo e querendo desfrutar de tudo um pouco, seguindo atrás daqueles loucos, querendo ser loucos como eles, e assim como Sal, criamos em nós uma certa devoção à Dean Moriarty, ele passa a ser nosso ídolo, nos apaixonamos por ele. Essa conexão acontece justamente pela maneira como cada ser ali dentro da trama é desenvolvido, onde não há como definir ou chegar a alguma conclusão sobre nenhum personagem, criamos em nós uma certa curiosidade sobre cada um, são tão humanos, e por isso, complexos, que oscilam a cada instante, que surpreendem por seus atos. Além de tudo isso, a trama acontece como uma verdadeira viagem, ao som de boa música, da belíssima trilha sonora de Gustavo Santaolalla, auxiliada pelas belas paisagens devido a fotografia que também merece destaque. A direção de Walter Salles é bastante segura, consegue extrair o melhor de cada ator, o melhor de cada situação, parece conhecer aquele cenário como ninguém e faz tudo isso se tornar real, a intensa viagem de Jack e seus sentimentos, sua paixão pela vida, sua devoção pelos loucos, pela poesia, pela liberdade.


E toda essa realidade se torna ainda mais forte com este grande elenco. Sam Riley trás muita emoção e muita alma em seus poéticos diálogos e se sai muito bem como Sal Paradise, mas acaba sendo ofuscado por seu parceiro, que definitivamente rouba a cena, Garrett Hedlund, que faz de Dean Moriarty um personagem memorável, realiza belíssimas cenas, tem uma atuação segura e ousada, consegue demonstrar todo espírito aventureiro, toda aquela sede de vida, toda deliciosa loucura de Dean. A surpresa do filme fica para Kristen Stewart, que deixa de lado toda sua falta de expressão e encara sua personagem, como se renascesse, atua de verdade como se pela primeira vez ela tivesse a intenção de fazer algo bom, se joga na pele de Marylou, se mostra muito mais a vontade frente as câmeras. Já os coadjuvantes que surgem rapidamente pela trama conseguem em poucos minutos o que muitos atores não conseguem durante um filme inteiro, todos surpreendem e esbanjam talento, como Amy Adams, irreconhecível ao lado do sempre ótimo Viggo Mortensen. Kirsten Dunst provando mais uma vez trilhar o caminho certo em sua carreira, se mostrando cada vez mais talentosa. Nos emocionamos também com o desconhecido jovem ator Tom Sturridge, na pele do poeta Carlo, ainda vemos Alice Braga, bem a vontade em cena, Terrence Howard, Elizabeth Moss e o veterano Steve Buscemi, mais ousado do que nunca.

"Na Estrada" provavelmente dividirá o público, entre aqueles que o odeiam e aqueles que o amam. Não é nada convencional, nada que se possa ver com os amigos num final de semana para se divertir. É uma proposta nova, diferente, ousada. Um filme que resgata um idealismo, que resgata toda uma geração, que vai na contramão daquele cinema que se vende e segue no caminho daquele cinema raro, que não procura um final óbvio, que não procura personagens óbvios, que não tenta encontrar soluções e nem razões para fazer o público se sentir mais confortável. Pois é justamente o que a viagem de Jack Kerouac significava, um momento de experimentação, de uma vida livre, que não procura definições, era uma jornada sem destino, e o que para muitos pode parecer uma obra sem foco, vejo de forma contrária, que aliás, se visto apenas com os olhos, "On The Road" não passará de um filme vazio, é preciso entrar nesta estrada, entender as razões daqueles jovens e o contexto em que eles estavam inseridos, é preciso entender que existem outras maneiras de se fazer cinema, de se trazer conteúdo. Um dos melhores momentos de Walter Salles, um marco neste ano. Um filme acima de tudo, inspirador.

NOTA: 9,5


terça-feira, 17 de julho de 2012

Crítica: O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man, 2012)

Ignorando completamente a trilogia de Sam Raimi (2002 -2007), assistimos a um novo início do Homem Aranha, dessa vez na pele do ator Andrew Garfield e com a direção de Marc Webb (500 Dias Com Ela). O filme revela, a meu ver, a falta de criatividade em Hollywood, sem ter mais o que lançar de novo, acaba se perdendo em remakes e reboots, agindo como se a obra original jamais tivesse existido. Existem casos em que o original é ruim e o que eles tentam é refazer tentando melhorar as falhas do anterior, mas não é este o caso, a trilogia conquistou fãs e recebeu inúmeros elogios e de fato nunca haverá uma razão para ter sido ignorada dessa forma. O reboot é bom, entretenimento que vale a pena, mas infelizmente não cumpre sua premissa básica, ser melhor que o original e este acaba sendo seu maior defeito. 

por Fernando Labanca

Nesta nova versão, Peter Parker (Garfield) ainda é aquele nerd do colégio que não é bem visto pelos populares, sente uma forte atração pela bela Gwen Stacy (Emma Stone) que não demora muito tempo para notar a presença do jovem. Quando criança, Peter havia sido abandonado por seus pais e a razão disso nunca lhe fora explicada e desde então vive com seus tios Ben (Martin Sheen) e May (Sally Field). Eis que certo dia ele encontra alguns objetos de seu pai e através deles passa a verificar seu passado e seguindo algumas pistas descobre um antigo amigo, o cientista Curt Connors (Rhys Ifans) e através dele tenta descobrir um pouco mais sobre seu pai, e nisso acaba se envolvendo em sua pesquisa, um longo estudo sobre mistura de genes de diferentes animais. Como consequência, Peter é picado por uma aranha em uma das salas da Oscorp, a partir de então, passa a ter algumas novas e inusitadas características, e passa a usar seu novo "dom" para agir como herói nas ruas violentas de sua cidade. Para sua surpresa, porém, o experimento de Connors falha e o cientista se transforma em seu pior inimigo, o lagarto. 


"O Espetacular Homem Aranha" tem como principal função dar um novo início ao herói, partindo do zero, possibilitando uma nova trilogia e novos caminhos para os personagens. Neste ponto, o longa de Marc Webb acerta, consegue fugir do que Sam Raimi já havia feito, procura outras alternativas e como estrutura, o novo filme pouco se assemelha com o original. Vemos na tela, um outro Peter Parker, surge mais natural, mais engraçado, mais jovem e isso faz bem para a trama e o talento do expressivo Andrew Garfield contribui e muito. Por outro lado, por mais que a presença de Tobey Maguire não seja tão marcante quanto a de Garfield, a composição e o desenvolvimento de Peter Parker original se mostra superior, parece sofrer dilemas um pouco mais intensos e se depara com conflitos ainda maiores e toda a forma como o Homem Aranha compreende seus poderes e como tudo se inicia, ainda fico com a versão anterior, logo que dessa vez, tudo ocorre de forma muito rápida, parece não haver processos, uma cena ele não tem poderes, na próxima ele já sabe como lidar com eles, em uma cena ele se mostra interessado pela mocinha, na próxima ela já o convida para conhecer a família. Por falar na mocinha, ela ganha destaque simplesmente por ser Emma Stone, mas infelizmente pouco interage com a história, está presente somente para ser o par romântico e diga-se de passagem, as cenas do casal são bem feitas e são devido a elas que o filme acaba se aproximando ainda mais de seu público. Entretanto, Mary Jane de Kirsten Dunst parecer ter maior importância na trama, existe toda uma história da personagem que se desenvolve durante a trilogia. Já o vilão, o lagarto, está longe de ser tão bom quanto qualquer outro vilão da versão original, há algumas sequências lamentáveis como sua invasão no colégio e outras em que ele parece que vai destruir tudo, mas temos a impressão que ele não põe medo em ninguém e a cidade quase não se altera com sua presença, mesmo ele sendo um lagarto gigantesco e "aterrorizante".

O filme tenta se apegar também ao passado do pai de Peter Parker e usa isso como "aquilo que a trilogia não havia mostrado", se firma nisso como se fosse sua grande revelação, o que acaba sendo decepcionante. Naquela velha história onde nada é revelado para se poder fazer um segundo filme essa trama fica vazia e sem respostas e pouco que descobrimos sobre ela não é nada surpreendente e nada que nos faça querer saber sobre ela. Como já havia dito, o pior defeito do longa é a existência da trilogia original, onde consegue superá-la em pequenos pontos, como seu humor, as boas cenas de ação e de romance, mas no geral, fica devendo, se mostra um filme de ação como qualquer outro de herói, com direito aos velhos clichês, como o herói observando a cidade pela ponta de um prédio, ele tirando a máscara para dizer algo importante, aliás ele faz isso demais como se não entendesse o lance de ser um herói mascarado, além do vilão que nasce de um experimento malsucedido. Enfim, pouco inova como cinema, tenta fugir da versão anterior, mas não consegue fugir dos velhos hábitos do gênero ação.

No entanto, "O Espetacular Homem Aranha" tem como grande ponto positivo a escolha de seu elenco. Andrew Garfield já havia provado ser um grande ator em filmes como "A Rede Social" e "O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus" e aqui ele se mostra a vontade na pele do herói. Já Emma Stone mostra mais uma vez seu enorme carisma e convence na pele da mocinha, que aliás, não é tão indefesa quanto o de costume. Destaque também para os tios de Peter, Martin Sheen está incrível na pele do Tio Ben, assim como Sally Field, que para minha grande surpresa, consegue fugir de seus trejeitos da série "Brothers and Sisters". O vilão de Rhys Ifans está normal, não decepciona, mas também não surpreende. 

Os efeitos especiais estão bons, apesar da composição do vilão por vezes parecer um pouco bizarra, mas no geral, agrada. O 3D faz sua parte, faz diferença em determinadas cenas. Um filme que diverte pelo bom humor e por seus personagens interpretados por grandes atores, tenta focar a trama mais na história de Peter e não tanto no vilão, mas acaba falhando neste quesito, pois o roteiro não consegue criar nada de tão interessante. Aliás, o roteiro é bem óbvio, não vai além dos caminhos já percorridos por outros filmes e é quase que impossível não compará-lo ao original, que a meu ver, não o supera. Um filme, de certa forma pretencioso, que pretende ser melhor que o primeiro, mas não consegue. Que pretende revelar uma grande novidade jamais revelada sobre o herói, mas falha em sua premissa. Que pretende ser mais emocionante, mas também não consegue, os dramas de Peter nunca aparecem de forma palpável, se tornando um mero filme de ação que tenta trazer uma carga psicológica ao personagem e não consegue devido ao razoável roteiro e nisso a trilogia de Sam Raimi teve mais êxito, sem a intenção de emocionar, emocionava mais e sem a intenção de ser tão grandioso, conseguiu ser mais memorável. Muito aquém de um diretor que um dia realizou "(500) Dias com Ela. Vale a pena, mas infelizmente não foge do rótulo..."mais um filme de herói". 
  
 NOTA: 6,5




terça-feira, 10 de julho de 2012

Crítica: Sombras da Noite (Dark Shadows, 2012)

Baseado num seriado norte-americano que fora transmitido pelo canal ABC no final da década de 60, "Sombras da Noite" parecia ser o cenário perfeito para o retorno do visionário Tim Burton, longe das telas desde 2010 com o fraco "Alice no País das Maravilhas". Um filme de época, com direito a fantasmas e uma família disfuncional, elementos que Burton já havia trabalhado antes e mostrado todo seu talento, seja em obras como "Beetlejuice", "Edward Mãos de Tesoura" ou "Noiva Cadáver", entretanto, o diretor carece, diferente desses citados, de um bom roteiro e o resultado acaba que sendo um pouco decepcionante diante de tanta expectativa que girava em torno deste seu retorno. 

por Fernando Labanca

Com mais uma parceria entre Tim Burton e o ator Johnny Depp, aqui o astro interpreta Barnabas, que teve o desprazer de conhecer Angelique (Eva Green), uma bruxa que se apaixona perdidamente por ele no final de século XVIII e devido a sua paixão sem limites, usa seus poderes para matar não só Barnabas como também a bela Josetta (Bella Heathcote), aquela a quem o jovem era apaixonado. Quase duzentos anos depois, mais precisamente no ano de 1972, ele retorna do mundo dos mortos, como um vampiro, sedento por sangue e sem compreender que os anos se passaram. É então que ao chegar em sua mansão, conhece sua família, seus descendentes, cheia de problemas, o garoto que vê fantasmas, a jovem (Chloë Moretz) que gosta de fugir dos padrões, a médica que não aceita a velhice (Helena Bonham Carter), o pai ausente (Jonny Lee Miller) e a mãe que tenta ser o pilar de tudo isso (Michele Pfeiffer), sendo que apenas ela sabe a verdadeira situação de Barnabas. A partir de então, ele tenta recuperar o status da família, reerguer os negócios de pescaria e enfrentar a grande rival, Angelique, que ainda vive e ao saber do retorno do amado tenta a todo custo tê-lo de volta, nem que para isso, ela precise matá-lo outra vez.


Como havia escrito no início, "Sombras da Noite" carece de um bom roteiro. Escrito por John August e Seth Grahame-Smith, não é, porém, a todo momento que eles falham. A introdução é incrível, a maneira como as personagens nos são apresentadas, a rotina mórbida daquela família, a chegada de Barnabas a um mundo que ele desconhece, gerando sempre boas piadas, enfim, tudo é colocado no seu devido lugar e funciona tudo perfeitamente. Para melhorar, ouvimos alguns bons diálogos, humor esperto, bem elaborado, até mesmo nos momentos mais românticos, a dupla de roteiristas se mostraram inspirados. Entretanto, quando o filme caminha para seu final é que a fraqueza daquela estrutura vem a tona. Em um seriado de TV, ter inúmeras tramas é sempre uma qualidade e também pelo tempo, é sempre possível trabalhar diferentes situações de uma mesma história. No cinema, porém, se não houver um roteiro firme que sustente tanto elemento é difícil não fugir do fracasso e é o que ocorre aqui, e em sua conclusão, parece não conseguir arranjar um final decente para cada um desses elementos e tudo acaba de um jeito apressado e nada lógico, desrespeitando toda a trama, chegando a desrespeitar o próprio público, que envolvido na magia daquele universo lúdico e bizarro de Burton se depara com soluções patéticas, onde nada faz realmente muito sentido.

Johnny Depp está lá mais uma vez, cheio de maquiagem interpretando um personagem estranho. Há anos atrás, isso surpreendia, hoje, não mais. Sua atuação é ótima, isso é inegável, mas não vai além do que esperamos dele. O resto do elenco cumpre sua função, por vezes caricatos demais, outras, quase que no piloto automático, Michele Pfeiffer, Jonny Lee Miller, a sempre encantadora Chloë Moretz, a sempre presente Helena Bonham Carter, o divertido Jackie Earle Haley e a novata Bella Heathcote, um pouco sem sal, mas agrada.  O grande destaque, porém, fica para a veterana Eva Green, com seu olhar hipnotizante e seu persuasivo sorriso, a atriz definitivamente rouba a cena, demonstra compreender a brincadeira de Burton, brilha como a vilã e faz tudo ao seu redor parecer pequeno.

Não há como analisar Tim Burton sem não citar o visual de sua obra que mais uma vez é um dos pontos positivos. Com uma bela fotografia e cenários bem construídos, o visual agrada e remete e muito aos trabalhos anteriores do diretor, como "Sweeeney Todd", "Edward" ou "Big Fish". Ainda vemos belos figurinos bem detalhados e que ajudam nas composições das diferentes épocas retratadas. Aliás, muito do que vi em "Sombras da Noite" me remeteu a outras obras de Burton e isso de certa forma é bom, aquele clima de aventura familiar como em "Beetlejuice" e toda aquela forma excêntrica com que ele trata a morte como em "Noiva Cadáver". No entanto, aqui tudo parece um pouco menor, seja pela simplicidade das ideias, sem grandes inovações ou pela simplicidade do próprio formato, onde há poucas locações, tudo parecendo um teatro ou uma pequena série de TV e isso foge bastante da grandiosidade "Burton". Entretanto, por mais que seja uma obra menor do diretor não figura entre os piores dele e se colocado perto de filmes como "Marte Ataca", "A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça" e "Alice", de fato, parece genial. Apesar de seu péssimo final, consegue divertir e envolver o público em sua trama. Recomendo, mas não tenha pressa, terá o mesmo sentido se visto dublado e com intervalos comerciais daqui alguns anos na TV.

NOTA: 7


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Crítica: Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses, 2011)

Pegando carona no humor ágil de "Se Beber Não Case", a comédia dirigida por Seth Gordon (Surpresas do Amor, 2008), trás também um trio de protagonistas masculinos, os atores cômicos Jason Sudeikis, Jason Bateman e Charlie Day, bem menos conhecidos do grande público que o trio de coadjuvantes, aqueles que roubam a cena, Jennifer Aniston, Kevin Spacey e Colin Farrell. Se no longa de Todd Phillips, o bando de lobos enchia a cara por pura diversão, a premissa desse se mostra bastante diferente, quando o trio, aqui, para se livrar da opressão no ambiente de trabalho decidem fazer algo bem inusitado, matar seus respectivos chefes. A diversão vem fácil, criatividade, nem tanto.

por Fernando Labanca

Conhecemos os três amigos, que se encontram a noite numa mesa de bar para lamentar a pressão que sofrem no dia-a-dia, mais especificamente, no local onde trabalham. Nick (Bateman) que se mata em seu escritório para conseguir uma promoção, mas só o que consegue é ser traído por seu próprio chefe (Spacey), além de ter que aturar seu constante mau-humor e sua falta de caráter. Kurt (Sudeikis) que após a morte de seu adorável chefe (Donald Sutherland) vê o cargo sendo ocupado pelo herdeiro Bobby (Colin Farrell), o filho idiota e irresponsável que não tem noção de como comandar uma empresa. Já Dale (Charlie Day), enfrenta o problema que nenhum dos outros dois consegue ver como um sério problema, é assediado por sua chefe gostosona e ninfomaníaca (Aniston), mas detesta ter que enfrentar isso por ser apaixonado por sua noiva. Até que decididos a por um fim nisso tudo, eles chegam a conclusão que a única saída é matando seus superiores, é então que eles partem para uma louca jornada, descobrindo o "submundo" do crime e tentando encontrar soluções viáveis para as mortes. 


"Quero Matar meu Chefe" consegue agradar fácil, isso devido ao bom roteiro que leva seus protagonistas a uma inusitada trama, onde cada passo é uma nova surpresa. O fato deles quererem matar seus chefes em nenhum momento parece agressivo demais e em nenhum momento nos convencemos de que a morte seja realmente a única saída, mas para um filme de comédia aceitamos esse pequeno detalhe e embarcamos na história. É tudo muito hilário essa jornada, o trio planejando as mortes mesmo não sabendo como, três homens completamente comuns se envolvendo num assassinato acaba que gerando boa piadas e sequências bastante engraçadas, dando espaço a algumas referências como O Silêncio dos Inocentes, CSI e até mesmo Woody Allen. Consegue ainda manter um certo suspense em toda a trama e este talvez seja um dos grandes triunfos da obra, por prender a atenção do começo ao fim, desde as invasões que o trio faz da privacidade de seus chefes até a curiosidade que nos cerca sobre como esses personagens irão morrer, se é que o plano vai realmente dar certo. O ótimo roteiro acerta também quando nos surpreende em diversas passagens, onde foge completamente do que imaginávamos, se tornando assim, até certo ponto, uma trama imprevisível. Mas peca justamente quando prevê na metade da história como tudo iria terminar, é então que tudo caminha exatamente como o próprio filme havia revelado, tendo então, um final planejado, sem nenhuma surpresa, indo na contramão do que supostamente era, algo original e surpreendente.

O filme tem uma grande arma nas mãos, a composição de seus excêntricos personagens, que por vezes se tornam mais interessantes que a própria história. Entretanto, ao mesmo tempo em que tem com seus personagens um ponto positivo, são eles também que prejudicam algumas passagens. A personagem Julia Harris, por exemplo, chama muito a atenção por ser interpretada por Jennifer Aniston, a atriz se mostra a vontade e desenvolve trejeitos novos, bem diferentes do que havia feito em toda sua carreira, no entanto, está perdida na trama, parece a única que não faz realmente parte de todos os planos, é a única que não interage com outros personagens e a única que parece não ter uma razão para ser assassinada. Colin Farrell aparece pouco, apesar de estar bem caricato, diverte, mas é pouco explorado pelo roteiro. O trio de protagonistas é bastante comum e por isso, perde espaço para os coadjuvantes, isso porque os veteranos do elenco tem a chance de provar talento em composições inovadoras. Jason Sudeikis agrada e assim como Jason Bateman, tem carisma. O pior dos três é sem sombra de dúvida, Charlie Day, que desenvolve algum dos piores momentos do filme, é chato, irritante, imaturo e perde grande parte de seu tempo gritando e agindo de forma caricata e forçada. É então que vemos na tela um tal de Kevin Spacey, e aponta como o grande vilão da história, mais do que isso, o grande personagem do filme, numa atuação admirável, é por ele que a obra vale a pena. Tem ainda boas participações de Jamie Foxx e Julie Bowen.

"Horrible Bosses" é divertido, acima de tudo, entretêm e nos faz esquecer um pouco da realidade, mas não vai muito além. Parece pequeno, é como um episódio bem feito de alguma série cômica de TV, onde os conflitos são fáceis e são resolvidos de forma sem graça, longe de ser algo memorável e bem perto de ser um sucesso na Tela Quente. Vale para reunir um grupo de amigos e dar algumas gargalhadas, vale ainda mais para presenciar Kevin Spacey, e é por ele e pelo bom roteiro que a obra consegue se manter acima da média.

NOTA: 7


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Crítica: Solteiros Com Filhos (Friends With Kids, 2011)

Não muito conhecida aqui no Brasil, a roteirista e atriz Jennifer Westfeldt, de "Beijando Jessica Stein" (2001), retorna depois de tantos anos no mesmo gênero, a comédia romântica, não aquela repleta de clichês e situações forçadas, constrói uma trama madura, original e com pitadas de drama, que emociona e consegue de forma bastante espontânea trazer grandes reflexões. 

por Fernando Labanca

"Solteiros Com Filhos", de longe, até parece uma continuação de "Missão Madrinha de Casamento", isso porque, Westfeldt reúne em seu novo longa, Kristen Wiig, Maya Rudolph, Jon Hamm e Chris O'Dowd, que estiveram juntos na comédia lançada ano passado. Mas não se engane, em nada se assemelha com o filme de Paul Feig, longe das piadas escatológicas e do humor quase que pastelão. O que retorna é a nítida química que existe entre todos eles, parecendo grandes amigos que se reuniram para realizar um projeto, o que de fato, é um dos pontos mais positivos, pois torna toda a obra em algo verossímil, convincente. 

Conhecemos os seis amigos inseparáveis já na fase adulta. Dois casais, Leslie e Alex (Rudolph e O'Dowd) que parecem terem sido feitos um para outro, cheios de planos e compromissos e Missy e Ben (Wiig e Hamm) que possuem uma ligação sexual bastante forte. Além deles, a dupla de amigos, Julie (Westfeldt) e Jason (Adam Scott), aqueles que ligam de madrugada para conversar sobre assuntos idiotas e dividem todas as experiências de vida. Eis que a vida dos amigos muda, quando os dois casais avançam para o próximo estágio, a paternidade. É então que, Julie e Jason analisando o quão amargos e infelizes os quatro amigos se tornaram após o nascimento dos filhos, eles decidem inovar. Desde muito tempo, sonhavam em ser pais, mas temiam o casamento, o compromisso, a rotina, queriam estar ligados com a pessoa a quem mais admiravam sem correr o risco disso ter um fim. Pois bem, os dois tem um filho juntos, mas longe de todas as regras de um casamento oficial, continuam amigos e felizes e toda essa revolução acaba afetando a vida de todos os amigos, pois é quando todos passam a refletir sobre as decisões que tomaram. 


Comédias românticas existem de monte, mas poucas conseguem ser tão eficientes, como é o caso desta. Nos apresenta uma história um tanto quanto simples, mas o roteiro é tão bom que consegue se expandir dentro da tela, é bastante original, foge dos clichês, nos apresenta personagens humanos com conflitos possíveis e convence em cada diálogo, cada situação. É eficiente pois joga uma idéia e o bom roteiro consegue explorar todas as possibilidades disso e alcança êxito boa parte da trama. O roteiro de Jennifer Westfeldt é primoroso, conta toda uma história sem a necessidade de contá-la em detalhes, como por exemplo, a trama acontece durante vários anos e compreendemos inúmeros acontecimentos, principalmente dos coadjuvantes sem a necessidade de mostrá-los, um único diálogo, um único olhar, já deciframos o que nos fora omitido. Como é o caso do casal Missy e Ben, que em poucas cenas na tela, é construída toda uma história e os personagens são bem desenvolvidos, mesmo sem espaço. Melhor ainda quando o roteiro não se limita ao casal principal e todos os conflitos que eles sofrem, ganha muitos pontos quando vai além do que esperamos, quando nos revela o quanto as ações do casal afeta os outros amigos, quais são as consequências que cada personagem sofre. Brilhante. 

Não teria o mesmo efeito sem as grandes atuações. Jennifer Westfeldt, não a conhecia e me surpreendi. Confesso que foi muito bom vê-la em cena, um rosto novo, o que faz tudo ser ainda mais interessante. Nos revela de forma convincente seus sentimentos, desde sua infantilidade e ingenuidade, seu medo de se magoar e sua naturalidade com que enfrenta as situações inusitadas de sua vida. Melhor ainda é quando ela divide a tela com outra grande surpresa, Adam Scott, que realiza alguns dos melhores momentos do filme, de coadjuvante esquecível, Scott prova ser um ator promissor, talentoso. Dentre os coadjuvantes, todos se destacam de forma positiva, da espontaneidade à bela química que o quarteto possui, fazendo as cenas parecer quase que um improviso, Kristen Wiig surpreende num papel mais dramático que o de costume, é uma pena que tem pouco espaço, e seu parceiro Jon Hamm esbanja carisma, juntos, funcionam perfeitamente bem. Assim como Maya Rudolph e Chris O'Dowd que demonstram grande afinidade e convencem. O longa ainda conta com participações de Edward Burns e Megan Fox.

"Solteiros Com Filhos" peca em seu final e peca feio. Com pressa de terminar ou medo de não conseguir vender seu filme, Jennifer nos entrega uma sequência furada, que não faz jus a tudo o que havia construído, toda a originalidade e inovação se perde, vai contra a própria personalidade criada para seus personagens. Um desastre. Entretanto, o filme como um todo é quase que genial, foge do que é convencional, nos oferece uma obra interessante, com ideias bem desenvolvidas que consegue fazer o público refletir, pensar no que já viveu, pensar nas decisões que irá tomar no futuro, o quanto o casamento pode transformar a vida de alguém, mas diferente de todos os outros filmes, o longa coloca alguns "porém", a união de um casal, o nascimento de um filho, tudo ocorre de forma real, portanto, longe de ser um conto de fadas, há a tristeza, o desencantamento, nos mostra a vida de forma palpável, verossímil. Não é aquela comédia que fará o público dar gargalhadas, haverá risos contidos, não desmerecendo o humor, que aliás, funciona. Mas é nos momentos mais românticos e dramáticos que o filme ganha força, onde alcança seu clímax numa incrível cena onde os personagens de Jon Hamm e Adam Scott se enfrentam num jantar entre os amigos, colocando para fora as diferenças que cada um enxerga sobre o casamento, é então que Jason faz uma belíssima declaração para Julie. Não uma declaração de amor, uma declaração de amizade, aquela amizade verdadeira que a gente luta a vida inteira para encontrar. Esta é a intenção do filme, nos fazer pensar sobre o que é melhor na união entre duas pessoas, sobre o quão triste para um filho é ver seus pais serem infelizes pois antes de tudo, não foram amigos. Uma nova definição para o que é família. Original, brilhante, maduro e surpreendentemente, emocionante. Um raridade. Recomendo.

NOTA: 8,5




segunda-feira, 11 de junho de 2012

Os Melhores da Década - Ideias Criativas


2012 chegou, o fim do mundo está por vir. Nada melhor que continuar o especial que comecei ano passado, relembrando o que houve de melhor na última década (2001-2010). Antes que tudo acabe, é válido homenagear o que vimos de bom nos anos que passaram.

A postagem da vez é sobre as grandes ideias que foram mostradas no cinema. Não necessariamente os melhores roteiros, isso, definitivamente, seria difícil avaliar. Mas serão citados aquelas ideias marcantes, que até hoje nos lembramos. Filmes criativos, que usaram da inteligência para criar algo novo, que apostaram em seu público, que nos fizeram pensar, refletir, ver de novo, compreender, refletir mais uma vez. Porque apesar de inúmeras bombas e inúmeros clichês que vimos nesses últimos dez anos, seria hipocrisia não admitir que de 2001 à 2010 o cinema presenciou verdadeiras obras-primas, com grandes pensamentos.

Como critério: inteligência, originalidade e criatividade. Seja pela ótima história, seja pela forma como o filme foi feito. Filmes que fugiram dos clichês e buscaram novas alternativas para impressionar seu público. Vamos ao Top 20...


20º. Como Se Fosse a Primeira Vez (50 First Dates, 2004)
roteiro de George Wing / EUA


Uma das comédias românticas mais interessantes dos últimos anos, isso, devido a sua ótima ideia. Hanry (Adam Sandler) que conhece Lucy (Drew Barrymore, adorável), mas descobre que ela sofre amnésia, e vive todos os dias como se fosse o mesmo, esquecendo todas as memórias recentes a cada vez que acorda. Logo, para ter a amada a seus braços, o guerreiro passa a reconquistar a moça todos os dias. Cada dia, um novo contexto, um novo momento, uma nova forma de amar. Apesar de ter o humor "Adam Sandler", a boa história do filme se destaca e num gênero que ousa pouco em criatividade, "Como se Fosse a Primeira Vez" acaba sendo uma grande exceção.



19º. Shrek (Shrek, 2001)
roteiro de Ted Elliott e Terry Rossio / EUA


Quando a animação "Shrek" chegou aos cinemas onze anos atrás, ninguém imaginava a grandeza deste projeto e o quanto ela seria importante e influente nesta década. Vemos pela primeira vez o ogro verde que é constantemente vitima de caçadores, que ao perceber que seu pântano estava habitado por criaturas mágicas, decide fazer um grande favor para um Lorde, buscar a princesa encantada, presa na torre mais alta do lugar mais longe. E com a ajuda do inseparável Burro, Shrek conhece Fiona e depois vemos aquela velha história que todos amamos e vimos mais de uma vez. Criatividade foi a palavra chave desta obra, que satiriza de forma inteligente e engraçada os contos de fadas e os insere numa trama cheia de boas ideias.



18º. Irreversível (Irréversible, 2002)
roteiro de Gaspar Noé / França


A história é simples, na verdade. O segredo deste polêmico filme francês está em sua montagem, mais precisamente, em seu roteiro bem diferente e muito bem desenvolvido. Isso por que o que vimos na tela não segue uma ordem cronológica correta, tudo ocorre exatamente de trás para frente, cena após cena. Vemos a trama de dois amigos (Vincent Cassel e Albert Dupontel) que saem pelas ruas em busca de vingança do estupro da namorada de um deles (Monica Bellucci), porém, só compreendemos isso após entrarmos na brincadeira criativa do roteiro. Surpreendente e muito interessante.



17º. Click (Click, 2005)
roteiro de Steve Koren, Mark O'Keefe / EUA


Pode não parecer, mas Adam Sandler já acertou em algumas escolhas em sua carreira. "Click" entra para a lista dos melhores trabalhos do ator, isso porque se trata de uma comédia que não se garante apenas no humor, mas encontra força no brilhante roteiro. Conhecemos o personagem Michael (Sandler) que descobre o poder de um controle remoto universal, onde passa a controlar toda sua vida, descobrindo seu passado, deixando em slow motion aquilo que gosta de desfrutar e acelerando os momentos que detesta, como as doenças e as brigas com sua esposa. Tudo complica quando o controle passa a repetir as ações mais acessadas e sua vida começa a passar como um flash diante de seus olhos, perdendo assim, os momentos ao lado de sua família, justamente aqueles em que era feliz e não sabia. Muito mais do que uma comédia, "Click" trás lições valiosas de forma bastante criativa e que surpreendentemente consegue emocionar em seu final.



16º. Minority Report - A Nova Lei (Minority Report, 2002)
roteiro de Scott Frank e Jon Cohen / EUA


Apesar de se tratar de uma adaptação do conto do mestre da ficção, Philip K.Dick, "Minority Report" tem grande importância na sétima arte, mais do que isso, o filme tem importância na evolução da tecnologia, pois serviu de referência a muito do que vimos hoje. O longa de Steven Spielberg é um marco no gênero, definiu o que seria feito a partir daquele momento na ficção ciêntífica. Somos apresentados ao futuro, onde é criado a divisão pré-crime na policia, setor que revela através de seres paranormais, os criminosos antes mesmo de cometerem tal crime. A ação surge quando o próprio chefe desta divisão (Tom Cruise) é dado como o próximo a ser punido por um assassinato. Assistimos, então, uma hipnotizante perseguição, ao mesmo tempo em que a ética deste programa passa a ser questionada, é justo punir alguém por um crime que ainda não cometeu? E se no futuro, a pessoa escolhesse não cometer tal ato criminoso? Inteligente e cheio de grandes ideias um tanto quanto revolucionárias, como as tão famosas telas transparentes que flutuam e são modificadas ao toque. Genial. Um dos bons momentos da carreira de Spielberg.



15º. Fale Com Ela (Hable Con Ella, 2002)
roteiro de Pedro Almodóvar / Espanha


Não poderia não citar Almodóvar nesta lista. Acredito que qualquer filme que o roteirista e diretor tenha feito nesta década merece destaque pelas grandes histórias. Porém, dentre seus trabalhos, destaco ainda mais o longa "Fale Com Ela", um drama delicado e bastante intenso, repleto de reviravoltas surpreendentes e uma trama que prende do começo ao fim. Vemos dois homens que tem suas vidas cruzadas em um hospital, um aguarda a recuperação de sua namorada do coma, o outro, aguarda a melhora de uma estranha do coma, no qual ele conversa como se ela o ouvisse, na estranha e obcecada espera de um futuro relacionamento.  E entre encontros pelos corredores, surge uma inusitada amizade entre eles. Não posso ir além disso, o filme de Almodóvar cresce a cada cena e quando chega a parte final já não mais respiramos. Belo, maravilhoso e memorável.



14º. O Grande Truque (The Prestige, 2006)
roteiro de Jonathan Nolan e Christopher Nolan / EUA, Reino Unido


Mais um roteiro adaptado na lista. Sinceramente, não queria citá-los, a princípio, mas seria muito injusto não citar determinados trabalhos e não poderia discutir sobre grandes ideias desta década sem citar filme como "O Grande Truque". Primeiro, porque ele foi dirigido por ninguém mais que Christopher Nolan. Segundo, porque mesmo se tratando de uma adaptação de um romance, no cinema, a obra parece ganhar vida própria, com ideias tão inteligentes e criativas que se tornam belas aos nossos olhos. Vemos dois mágicos (Hugh Jackman e Christian Bale), ex-companheiros de palco, que passam a buscar o sentido de suas vidas na disputa por descobrir o segredo um do outro, se tornando rivais num nível obsessivo. Os dois passam a elaborar planos inimagináveis, que misturam ilusionismo, traição e mentiras, numa trama que já não sabemos mais quem é o vilão e o mocinho. Perfeito. Um filme tão vibrante, visualmente impecável, com um excelente elenco e um roteiro brilhantemente bem desenvolvido.



13º. O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2008)
 roteiro de Eric Roth / EUA


Mais uma adaptação. "Benjamin Button", dirigido pelo mestre David Fincher, se torna maior nas telas do cinema, o roteiro de Eric Roth transforma a simples história do velho que rejuvenescia numa obra tão completa, inesquecível, complexa e com ideias marcantes. Brad Pitt interpreta este senhor, nasceu com rugas e doenças e ao decorrer dos anos percebeu que ganhava vitalidade, se tornava jovem. Viu fatos históricos, conheceu pessoas, se apaixonou por elas, descobriu o que é viver como ninguém, descobriu e vivenciou a pior das dores, ser abandonado por aqueles a quem amava, conheceu a perda, a morte, conheceu o grande vilão de sua trajetória, o tempo. Tão grandioso e milagroso quanto a vida, tão belo e sensível como uma música ou um poema. Daqueles filmes que surgem de décadas em décadas, que são difíceis de serem julgados, difíceis de se chegar a alguma conclusão. Enfim, um dos melhores da década, um dos melhores de Fincher, um dos melhores roteiros realizado nos últimos anos.



12º. 21 Gramas (21 Grams, 2003)
roteiro de Guillermo Arriaga / EUA


Guillermo Arriaga é um dos grandes nomes do cinema atual, isso porque realizou filmes como "Amores Brutos" e "Babel", mas sua obra-prima, a meu ver, é o interessante e complexo "21 Gramas".  Vemos três histórias que se cruzam numa trama cheia de reviravoltas e surpresas, em um roteiro que não segue uma linha cronológica correta, onde aos poucos vamos montando um brilhante quebra-cabeça. Conhecemos as tramas de três pessoas comuns, uma recente viúva (Naomi Watts) que tenta lidar com morte de seu marido, Paul (Sean Penn) que está a espera de um coração novo e Jack (Benicio Del Toro), um ex-presidiário que vive atormentado por seu passado. A morte de um homem que acaba fazendo com que o destino deles se cruze. Vemos o quanto a morte afeta a vida de alguém, o quanto perdemos com ela, é então que surge a tão discutida pergunta...quanto vale a morte? Inteligente, bem realizado, roteiro cheio de detalhes que nos leva a um belo final.



11. Donnie Darko (Donnie Darko, 2001)
roteiro de Richard Kelly / EUA


Primeiro filme de Richard Kelly (A Caixa) , o filme de terror indie que conquistou os jovens nesta década, que conquistou a crítica e mesmo com pouquíssimo orçamento, se mostra uma das ficções ciêntíficas mais inovadoras desses últimos anos. Foi lançado diretamente em locadora aqui no Brasil, mas hoje é visto como cult. Conhecemos Donnie Darko (Jake Gyllenhaal), um jovem que tem sua vida salva por sua esquizofrenia, conversa com um coelho maléfico e também tem sonambulismo e devido a isso acorda certo dia longe de casa, neste mesmo dia, uma turbina de um avião cai dos céus e acerta seu quarto. Visto quase como um herói pelos outros, ele se apaixona por uma garota do colégio (Jena Malone) e passa a se interessar por viagens no tempo, ao mesmo tempo em que ele espalha o caos na cidade, sempre manipulado pelo coelho Frank. Original, criativo e complexo, que nos deixa pensando dias e dias a respeito, onde a cada vez que assistimos vemos um detalhe despercebido da vez anterior. Belo, memorável.



10. Mais Estranho Que a Ficção (Stranger Than Fiction, 2006)
roteiro de Zack Helm / EUA


Acredito que tenha sido uma das histórias mais inusitadas dentre todos da lista, vemos o dia-a-dia deste incrível personagem, Harold Crick (Will Farrell), um solitário homem que vive apenas de seu trabalho e sua rotina cronometrada, eis que passa a ter sua vida narrada por uma mulher (Emma Thompson), que revela seus pensamentos, suas ações futuras e tudo com certo primor de detalhes, fica confuso mas somente entra em desespero quando a narradora de sua história declara que no final ele morreria. Passa a ir atrás daquela que escreve sua jornada, mas antes precisaria descobrir que tipo de personagem ele era e do que se tratava sua vida, uma comédia ou um drama. Inovador, esplêndido, Zack Helm escreve algo completamente fora do comum e a experiência que temos é algo muito raro no cinema, ver uma obra completamente nova de ideias, situações, personagens e diálogos. Originalidade é a palavra que define este filme.



09º. Sinédoque, Nova York (Synecdoch, New York, 2008)
roteiro de Charlie Kaufman / EUA


A obra mais perturbadora do mestre do roteiro Charlie Kaufman, acredito que este filme tenha alcançado um nível de complexidade tão grande que poucos, ou talvez, nenhum outro roteiro tenha alcançado. Ele nos mostra o diretor de teatro Caden (Philip Seymour Hoffman), que é abandonado pela esposa e filha, sofre de uma doença rara e ao receber um dinheiro por sua aposentadoria e reconhecimento por toda sua obra, resolve ir para Nova York realizar mais uma peça, um texto criado por ele com um único intuito, compreender sua existência, onde atores são contratados para fazer sua esposa, sua amante, sua secretária e até mesmo ele, onde ele perde noção do tempo, do que é ético, do que é alcançável, constrói uma obra maior que sua própria vida, já não sabendo mais em que mundo vive e o que é real. Um filme tão intenso, forte, com diálogos memoráveis e cenas que vão muito além do imaginável. Milagroso. Genial.



08º. A Origem (Inception, 2010)
roteiro de Christopher Nolan / EUA


Obviamente não poderia deixar de citar o tão comentado filme de Christopher Nolan. Muito mais que os efeitos visuais e sonoros, a obra ganhou destaque principalmente por seu roteiro brilhante, inventivo. Cobb (Leonardo DiCaprio) é líder de uma equipe habilidosa que trabalha para grandes corporações afim de roubar ideias de empresas concorrentes e faz isso através dos sonhos, onde a mente está mais vulnerável, o problema que ele já havia perdido tudo em sua vida e ainda é perseguido devido a pequenas falhas em seu sistema, mas para se redimir e ficar livre ele precisa realizar um último grande trabalho, porém, dessa vez, ele precisa inserir uma nova ideia na mente de um jovem herdeiro de uma grande companhia e com sua equipe, eles constroem um sonho perfeitamente bem arquitetado e através de camadas de sonhos eles infiltram cada vez mais adentro da mente da vítima. Daqueles filmes que precisamos prestar atenção em cada detalhe, pois cada fala é necessária para a compreensão dos acontecimentos. Tudo muito bem realizado por Nolan, um roteiro que surpreende a cada cena. Incrível, um dos melhores da década.



07º. Vanilla Sky (Vanilla Sky, 2001)
roteiro de Cameron Crowe / EUA


Remake do filme espanhol "Preso na Escuridão" , "Vanilla Sky" é um caso raro onde a refilmagem consegue ser melhor que a obra original, onde pelo interessante e belíssimo roteiro de Cameron Crowe, ele consegue criar elementos e diálogos que fazem do filme algo ainda maior, mais poderoso, mais marcante e até mais criativo. David (Tom Cruise) é um milionário que vive a vida sem limites, até que se apaixona por Sofia (Penélope Cruz), mas acaba sofrendo um terrível acidente causado por sua enciumada  ex-amante (Cameron Diaz), deixando seu rosto completamente desfigurado. É quando ele perde a força de viver, perde espaço em sua empresa, perde o amor de Sofia. Eis que um dia ele acorda num sonho lúdico, onde tudo é perfeito, ele recupera tudo o que havia perdido, mas não demora muito até este sonho se tornar um pesadelo. Para muitos, confuso. Particularmente, não o acho. Tem um roteiro bem desenvolvido e tudo acontece de uma forma tão bela e tão envolvente. A história é genial, e chega ao ápice em seu final, não menos que épico.



06º. Efeito Borboleta (Butterfly Effect, 2004)
roteiro de Eric Bress e J.Mackye Gruber / EUA


Se por incrível que pareça a dupla de roteiristas já tenha participado de projetos como "Premonição" e todas as suas bizarras sequências, eles já tiveram seu momento "obra-prima" e foi em 2004 quando lançaram sem muitas pretensões "Efeito Borboleta" que tem caso parecido com o de Donnie Darko, lançado na locadora e acabou ficando famoso pelo boca-a-boca e hoje é cult. A história de Evan (Ashton Kutcher) que quando garoto tinha um estranho problema de memória e já crescido ele descobre a possibilidade de voltar no tempo através desses buracos criados em seus lembranças de infância e passa a usar isso para ficar com a garota que amava, mas a cada fato que alterava no passado, como consequência, alterava seu passado. Um filme pequeno mas que acaba tendo proporções gigantescas, onde passou a ser referência para inúmeras outras obras, mas que nenhuma conseguiu alcançar a inteligência e originalidade deste. Fantástico.



05º. Monstros S.A (Monsters, Inc., 2001)
roteiro de Pete Docter, Andrew Stanton e Jill Culton / EUA


Algumas animações lançadas nesta década foram sinônimo de originalidade, principalmente a "Disney Pixar" que acabou se destacando pelas grandes ideias, uma dessas obras lançadas foi a divertida animação "Monstros S.A", que teve, digamos, uma das histórias mais inteligentes e originais dos últimos anos. Nos é apresentado a esta Indústria, habitada por monstros, onde eles transformam os gritos das crianças em energia que abastece toda a cidade, e para conquistar esses gritos, a indústria disponibilizava portas, que serviam como portal onde o mundo dos monstros entrava em contato com o mundo dos humanos, mais especificamente, na porta do guarda-roupa das crianças. É neste mundo que conhecemos a dupla de amigos Sully e Mike e toda a divertida trajetória que eles enfrentam para salvar a adorável e eterna Boo. Genial. Tão inventivo, criativo e repleto de ótimas sacadas, que é capaz de entreter crianças e fazer os adultos pensarem. 



04º. Adeus, Lênin! (Good Bye, Lenin!, 2003)
roteiro de Wolfgang Becker e Bernd Lichtenberg / Alemanha


Um dos filmes alemães mais marcantes desta década, "Adeus, Lênin!" registra muito mais do que um bom momento do cinema europeu, mas também um momento onde a criatividade de brilhantes roteiristas entrega ao público uma obra tão completa, capaz de nos envolver com a trama, nos emocionar pelas ideias e nos encantar por sua originalidade. Quando a Alemanha ainda vivia separada por seus ideais, uma mulher devota ao socialismo sofre um ataque cardíaco ao ver seu revolucionário filho lutar nas ruas. O problema é que quando ela enfim acorda, o muro de Berlim já derrubado, mostrava uma nova cultura, onde o capitalismo invadia aquela sociedade e decidido a impedir que sua mãe visse os novos rumos daquele país, passa a forjar toda uma vida, escondendo propagandas, embalagens de produtos industriais e até mesmo criando programas de TV, tudo para fazer sua mãe acreditar que ainda vive na Alemanha socialista. Daqueles que temos vontade de levantar e bater palmas, tão complexo quanto emocionante, extremamente original.



03º. Amnésia (Memento, 2001)
roteiro de Christopher Nolan / EUA


Primeiro grande trabalho de Christopher Nolan, "Amnésia" conta a interessante trajetória de um homem (Guy Pearce) em busca de vingança do assassinato de sua esposa, o problema é que depois do ocorrido ele passa a sofrer de amnésia, esquecendo todas as informações recentes, passando a viver através de anotações e fotografias de cada dia, além de ficar refém das pessoas com que se encontra, jamais sabendo suas verdadeiras intenções. O roteiro narra os acontecimentos, exatamente, de trás para frente, onde vamos montando o complexo quebra-cabeça, onde para a compreensão da trama é necessário gravar na memória cada detalhe revelado. Difícil, confuso, entretanto, tão bem realizado e tão bem pensado que é sem sombra de dúvida uma das obras mais complexas e mais inteligentes dos últimos anos. Imperdível.



02º. Adaptação (Adaptation, 2002)
roteiro de Charlie Kaufman e Donald Kaufman / EUA



É sempre complicado definir os primeiros lugares, não significa que um é melhor que outro, as ordens são feitas por pura organização. "Adaptação" é talvez uma das coisas mais malucas que foram criadas nesta década, por isso merece destaque na lista. Talvez, não. Foi a obra mais maluca da década. Para deixar qualquer um confuso ao mesmo tempo em que nos deixa maravilhados com o resultado final, pois é de uma inteligência e originalidade extrema. Donald é o irmão gêmeo do roteirista Charlie Kaufman, aquele que foi indicado ao Oscar sem nunca ter existido e foi ele quem escreveu o filme. Pois bem, começando por um roteirista que nunca nasceu, conhecemos a história destes dois irmãos, ambos escrevem para Hollywood, porém Charlie (Nicolas Cage) passa por um momento de bloqueio criativo justo quando tinha em mãos a adaptação de um livro de flores, "O Ladrão de Orquídeas" da autora Susan Orleans. Sem saber o que fazer, ele decide realizar um filme autobiográfico sobre ele tentando fazer o filme, ao mesmo tempo em que conhecemos a história de Susan (Meryl Streep) ao lado do ladrão (Chris Cooper, vencedor do Oscar), com direitos a toques fantasiosos de Kaufman tentando romantizar a obra e tentando romantizar a própria vida. Onde nunca sabemos o que de fato aconteceu, o que de fato é loucura. Metafilmagem pura. Insano, que diverte pela grande ideia, que faz pensar e emocionar pelos belíssimos diálogos. Definitivamente, uma obra-prima. 



01º. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004)
roteiro de Charlie Kaufman / EUA


Um dos roteiros mais incríveis da década, a história de Kaufman fez bonito e hoje, olhando para trás, não vejo como não dizer que o filme foi um dos mais ousados e mais criativos dos últimos anos. A história de amor de Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet), vista do final para o começo, da tristeza, do ódio, da rotina à beleza do início da relação, aos sonhos, aos planos, à união. Revoltado por descobrir que a mulher que amava o apagou, literalmente, da memória, Joel decide fazer o mesmo, reunindo tudo o que lembrava dela e deletando de suas lembranças. O problema que ao revisitar a trajetória que havia passado ao lado de Clementine, ele descobre que ainda a ama e para não esquecê-la, passa a fugir dentro da própria mente, a levando para os lugares aonde não pertencia, é quando percebe que ela fez parte dos melhores momentos de sua vida. O que dizer sobre este filme? De atuações convincentes aos diálogos brilhantes de Charlie Kaufman, de cenas inesquecíveis que vão muito além do que se espera de uma obra. Original, muitos filmes são, mas nem todos conseguem guiar uma trama tão complexa e difícil tão bem quanto este. Palmas para o diretor Michel Gondry que realizou uma das obras mais significativas e mais importantes desses últimos dez anos.


Confira: Os Melhores da Década (2001-2010)
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