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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Crítica: A Guerra dos Sexos (Battle of The Sexes, 2017)

Depois do sucesso indie "Pequena Miss Sunshine" (2006), os diretores Jonathan Dayton e Valerie Faris retornam em mais um filme agradável, que além de trazer excelentes atuações de Emma Stone e Steve Carell, debate na tela um assunto de extrema relevância: a igualdade entre os sexos.

por Fernando Labanca

Acho sempre curioso quando o cinema aborda essas histórias que aconteceram no passado, mas que estão diretamente ligadas aos tempos de hoje. Apesar de acontecer na década de 70, "A Guerra dos Sexos" fala muito sobre os dias atuais e sobre um tema que ainda muito se discute, trazendo uma verdade que às vezes muitos preferem ignorar, a discrepância existente na remuneração entre homens e mulheres no ambiente de trabalho, quando realizam exatamente a mesma função. É triste pensar que esta é uma batalha ainda não ganha, no entanto, o longa traz este viés inspirador e esperançoso. Nos faz acreditar que estamos no caminho, que existem pessoas lutando por isso e é incrível ver a jornada real da tenista Billie Jean King e como, em um ato de extrema coragem, desafiou a história e deu um passo a frente nesta luta por direitos iguais.


quinta-feira, 17 de março de 2016

Crítica: Steve Jobs (2015)

Brilhantemente escrito por Aaron Sorkin (A Rede Social) e dirigido pelo sempre competente Danny Boyle (Trainspotting), "Steve Jobs" é um filme fora do convencional e diferente do que se espera de uma cinebiografia, esta não tem a intenção de criar um herói por trás de suas criações e sim o homem, com todas as suas falhas, por trás de seu nome.

por Fernando Labanca

Fiquei bastante surpreso quando me deparei com "Steve Jobs". Apesar de sempre ter admirado o trabalho de Boyle como diretor e de já imaginar que Aaron Sorkin se recusaria a entregar um texto ordinário, cinebiografias são sempre cinebiografias e no fundo, pensava que esta não seria diferente, iriam glorificar seu nome assim como as pessoas e a mídia o glorificavam. Que interessante ver que justamente "seu filme", que tinha o espaço e chance para isso, decidiu seguir outro caminho e longe de tantas histórias reais sobre homens importantes, esta não esconde suas falhas, seus erros diante de tantas conquistas, seja por sua ausência como pai, seja por seu estranho comportamento diante dos outros. E este é o grande acerto da obra, não só conseguir fugir das armadilhas do gênero, como entregar algo muito além do que se esperava de um filme sobre Steve Jobs.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Crítica: Em Transe (Trance, 2013)

Mais um brilhante trabalho de Danny Boyle (Extermínio, Quem Quer Ser Um Milionário?), onde mesmo sendo um projeto tão diferente dos que ele já realizou, ainda assim, é coerente com toda sua filmografia. Original e de uma inteligência extrema, vemos um dos filmes mais interessantes que passou pelos cinemas este ano. Um quebra-cabeça bem elaborado, com reviravoltas surpreendentes e cenas de grande impacto. Prepara-se para fundir sua mente.

Por Fernando Labanca

Já em seu início percebemos, há algo de errado ali, precisamos prestar atenção aos detalhes. E sim, é daqueles filmes que com um diálogo perdido, sua interpretação poderá ser alterada e sua compreensão se tornará mais difícil. Conhecemos Simon (James McAvoy) que trabalha em um leilão de pinturas clássicas, e certo dia presencia uma tentativa de roubo realizada por Franck (Vincent Cassel) e sua gangue. Simon, por sua vez, fica responsável por proteger o quadro, o levando até um cofre seguro, eis que ele é interditado por Franck que lhe dá um soco na cara e leva o quadro embora, logo percebendo, porém, que a pintura não estava mais lá e somente Simon saberia onde a escondeu. Ele e Franck, na verdade, trabalham juntos no furto, no entanto, aquele soco não planejado faz com que Simon tenha uma amnésia, o que o leva ao encontro de Elizabeth Lamb (Rosario Dawson), uma hipnoterapeuta que mergulhará em sua mente em busca do local que todos estão a procura, escondida na mais profunda lembrança deste homem, totalmente atordoado pelos atos do passado, mas que aos poucos seus segredos mais íntimos serão liberados, até mesmo aqueles que ele fez questão de esquecer, revivendo lembranças que nem mesmo ele sabia que havia vivido.


“O que nós somos é a soma de tudo que alguma vez dissemos, fizemos e sentimos, tudo envolvido num único encadeamento que é constantemente revisto e recordado. Então, para ser você mesmo, tem que, constantemente, se recordar de você. É um trabalho constante, mas é assim que funciona.”

A mente humana. Não há nada mais complexo que a mente humana. O roteiro faz uma viagem por dentro da cabeça de seu protagonista e expõe o que há de mais monstruoso e conturbado dentro dele. E assim como aqueles quadros valiosos mostrados ao início do filme, que diante de algum incidente, devem ser retirados e colocados num lugar seguro, assim também ocorreu com as lembranças de Simon. Um item valioso, um detalhe importante, que definiu quem ele era lhe foi retirado para sua segurança e desde o começo não sabemos exatamente qual a sua índole, qual é sua verdadeira identidade e aos poucos, quando sua mente vai sendo exposta e descoberta através da hipnose, vamos descobrindo quem ele é, e sensações vão sendo desencadeadas, como sua fúria, seu sentimento de traição. “Em Transe” é um suspense bem arquitetado, um jogo violento, agressivo e sensual, que coloca seus personagens em situações extremas, expondo o que há de pior e melhor em cada um, e vamos revisitando as recordações que os definem, que os tornaram mais fortes e as que os tornaram mais frágeis. E em cenários com bastante utilização de espelhos, vemos cada um desses personagens revirando o passado, seus reflexos, neste grande exercício da mente, onde o que eles precisam enfrentar de mais doloroso é olhar para si mesmos.

O que há de mais interessante em “Trance” são seus personagens. Simon, Elizabeth e Franck. Simplesmente não há como saber quem são os mocinhos ou vilões, quem é a vítima ou o espertão, o roteiro brilhante jamais deixa vestígios e com suas reviravoltas e surpresas constantes, sempre voltamos atrás sobre aquilo que achávamos acreditar. Nada é confiável nesta obra e até seu instante final, ficaremos rodeados de perguntas, tentando encaixar cada peça deste confuso e interessante quebra-cabeça, onde seus personagens vão crescendo, evoluindo a cada diálogo e a cada informação nova mudamos nossa opinião sobre cada um. E para isso funcionar tão bem, escalaram três grandes atores que se entregam com força, é o típico papel ideal para um ator mostrar seu talento, pois o roteiro lhes dá a chance de transmitir diversos sentimentos e todos trabalharam perfeitamente bem suas oscilações. Rosario Dawson, fazia tempo que não a via tão linda e irradiante em um filme, sem dúvida, um dos trabalhos mais memoráveis da atriz. James McAvoy, mais uma vez, incrível e Vincent Cassel também se esforça e se destaca, como sempre, um excelente coadjuvante.

“Em Transe” é, com certeza, um dos filmes mais geniais que vi este ano, me surpreende não ter feito sucesso nos cinemas, espero que o público o descubra, é uma obra de inteligência rara, que nos prende até seu final, com seus diálogos bem escritos e cenas tão bem montadas que nos obrigam a ficar vidrados a cada sequência, há tensão a todo o momento e sua fantástica trilha sonora nos faz ter diversas sensações. Aliás, o diretor Danny Boyle, mais uma vez, surpreendendo e depois de várias obras-primas em sua filmografia, ele retorna tão bom quanto antes em um dos filmes mais interessantes que ele já realizou. Um excelente diretor que nos entrega um filme belíssimo, impactante, poderoso. É daqueles para se ver, rever e ainda assim permitir que sua história fique remoendo em nossa cabeça. Genial, brilhante. Recomendo.  

NOTA: 9,5



País de origem: Reino Unido
Duração: 101 minutos
Elenco: James McAvoy, Rosario Dawson, Vincent Cassel
Diretor: Danny Boyle
Roteiro: Joe Ahearne, John Hodge



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Crítica: 127 Horas (127 Hours, 2010)


Depois de um tempinho fora, voltei ao Cinemateca, e de cara já com um bom filme para comentar.


Por Bárbara

127 Horas, de Danny Boyle, na minha humilde opinião, não é bom o suficiente para ser indicado ao Oscar, porém é um belo filme, que te fazer pensar horas a fio depois de tê - lo assistido.
O longa conta a história real de Aron Ralston (James Franco), um jovem aventureiro de 28 anos, que em 2003, ficou com o braço preso em uma rocha numa fenda conhecida como Blue John, em Utah. Costumado a sair para as suas expedições quando lhe dava na telha, Aron não disse a ninguém onde ia e saiu sem atender as ligações de sua mãe.

Chegando no local, antes de ficar preso, conheceu duas garotas, Megan (Amber Tamblyn) e Kristi (Kate Mara), que ajudou a chegar no local onde elas queriam explorar. Depois disso, quando Aron ia passar por uma fenda, uma rocha rolou e prendeu seu braço.

Imediatamente, ele tenta se soltar e pedir socorro, mas ele estava completamente sozinho naquele lugar.As horas foram passando, a exaustão, o frio, a fome e principalmente a sede estavam acabando com Aron. Chegou um momento, em que ele não tinha nada para beber e teve que tomar a própria urina, se lembrando com tristeza que trouxe duas garrafas de bebida isotônica, e que uma delas ainda estava no carro. Ainda que estivesse desesperado, Aron conseguiu manter o bom humor, mostrado em uma das melhores cenas do filme: ele entrevistando a si próprio, se lembrando que se tivesse atendido a ligação da mãe ou ao menos tivesse avisado alguém para onde iria, era somente uma questão de tempo para ele ser resgatado.

Enquanto passava as horas preso, gravava mensagens a família, falando como ele estava e de certa forma, se despedindo. Entre lembranças, delírios e alucinações, o que fez Aron lutar pela sua vida foram a visão de ser pai, a lembrança de ser criança e a saudade da família. Então, Aron teve que tomar uma atitude drástica...

Um dos melhores filmes do ano, na minha opinião..mas volto a ressaltar que pra mim, não era um filme de Oscar.É um belo filme, mas quando acaba o espectador fica com aquela cara de "tá, e daí?" e nunca sabemos o por que de Aron ser tão distante da família e tão individualista. Nunca fica claro por que ele terminou o relacionamento com Rana (Clemence Poesy) e pra mim, não tem como simpatizar ou torcer por um personagem tão raso. Já a Academia pensa diferente, né?? Fazer o quê...histórias de superação são as preferidas deles...basta prestar atenção até mesmo em alguns concorrentes de 127 Horas, como por exemplo O Discurso do Rei - superação da gagueira do rei George VI e O Vencedor - superação do boxeador contra os seus adversários e contra a própria família...

Se conhecendo um pouco do trabalho de Danny Boyle eu tinha quase certeza de que viria algo bom, com James Franco não foi a mesma coisa. Eu simplesmente queimei a minha língua feio com esse cara aí. Depois de muitos filmecos "teen" (Ela é Demais, por exemplo) e de dar vida ao mala sem alça Harry Osborn na primeira trilogia do Homem-Aranha, finalmente ele mostrou que não está em Hollywood a passeio...Se bem que a minha admiração por ele já vinha se aflorando desde Milk - A Voz da Igualdade, mas agora ela se consolidou! O cara está fantástico!
Eu sei que o Oscar vai para Colin Firth ou Jeff Bridges (quando a Academia gosta de um ator, chega a irritar), mas justiça seja feita, bem que poderia ir para James esse ano. Ele não interpretou Aron Ralston, ele FOI. A presença do Aron Ralston real no final do filme prova isso.


Sem mais delongas, é um filme que merece ser visto e lembrado. E a música-tema, If I Rise é simplesmente maravilhosa. Recomendo!

Nota: 8

quinta-feira, 5 de março de 2009

Crítica: Quem Quer Ser um Milionário?

Amanha, 06 de março, é a estréia oficial de Quem Quer Ser um Milionário?, filme de Danny Boyle ganhador de 8 Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. O filme ainda ganhou os principais prêmios no Globo de Ouro e no Bafta. Resumindo, é o filme do ano, e felizmente, ele merece esse título.

por Fernando

Quem Quer Ser um Milionário? conta a saga de Jamal Malik, um morador da favela de Munbai na Índia que conquistou em um pragrama de Tv o seu grande estrelato, mas não é sobre fama, e sim sobre a busca de uma vida melhor e mais do que isso, a busca pelo grande amor de sua vida.

O filme se inicia quando Jamal está prestes a responder a última pergunta do programa Quem Quer Ser um Milionário?, um grande sucesso da Tv onde ele decide participar. No auge do programa ele vai embora para voltar no próximo dia para responder a pergunta que deixará ele milionário!! Mas nesse intervalo, ele é raptado, pois todos acreditam que Jamal está trapaciando, logo que ele é um favelado e, como pode um morador da favela conseguir responder todas as perguntas? E através de torturas, dois capangas retiram a verdade de Jamal para descobrir como ele sabia de tudo e como ele foi parar ali. A partir de então, conhemos sua grande jornada, pois foi através de toda sua experiência de vida que ele encontrou as respostas para as perguntas feitas.

Tudo começa com ele criança morando na favela com seu irmão Salim, sua mãe morre em um conflito de caça aos moradores muçulmanos, a partir disso, eles são obrigados a ficar sozinhos e a tentar sobreviver de todas as formas, no meio da violênicia, da miséria e do caos da favela, onde a vida é limitada, ninguém consegue ser grande se não jogar sujo. Nessa correria, eles conhecem Latika, uma garota que assim como eles, perdeu a família. Os três se unem e vão parar uma suposta escola de música feita por moradores carentes, mas logo eles percebem que tudo aquilo era uma armação, feita por bandidos da pior espécie e viciados em drogas em busca de dinheiro fácil através das pobres crianças. Eles, mais uma vez fogem, mas Latika não consegue e é raptada novamente.

A partir de então, a vida de todos mudam. Eles crecem, se tornam pessoas espertas e acostumadas com a malícia da favela. Salim, por outro lado, entende mais que Jamal que para vencer ali é preciso mais, e começa a se infiltrar no tráfico e a se envolver com bandidos, pois essa, para ele, era a única maneira de ganhar dinheiro e vencer na vida. Salim, por sua vez, sempre acreditou na bondade e que conseguiria vencer no trabalho limpo. Ele faz de tudo, trabalha em restaurantes, como auxiliar de turismo e enfilm acaba como um entregador de chá em uma companhia de telemarketing. Mas com tudo isso, ele sempre teve algo a mais em mente, Latika.

Ele, então, vai atrás da garota perdida. Ele a encontra se prostituindo com os mesmos bandidos do ínicio, mas ele, com a ajuda de Salim a salva. Ele acaba se envolvendo demais com ela, e entre encontros e desencontros de suas vidas, altos e baixos, entre a violência e o tráfico, eles vão se perdendo, vão se encontrando, vão se apaixonando.

Tudo dá errado para os dois, como se o destino tivesse escrito que eles nunca ficariam juntos, mas Jamal nunca desiste de encontrá-la. E foi por Latika que ele resolveu participar de Quem Quer Ser um Milionário?, pois ele sabia que ela veria o programa e assim que ela o assistisse, ela iria encontrá-lo. Era sua única chance de viver um grande amor, o amor que ele sempre sonhou, mesmo diante de tantas dificuldades.

Jamal em sua jornada para a felicidade e melhoria de vida, acaba vivenciando tudo o que é possível e impossível, uma história jamais contada, experiências jamais vividas. E em cada momento que viveu, ele busca em suas lembranças mais rotineiras as respostas mais inusitas.

Quem Quer Ser Um Milionário? é um filme todo rodado na Índia, completamente fora dos padrões Hollywoodianos, totalmente original. É um filme para ser lembrado.

Danny Boyle fez seu melhor trabalho como diretor, é uma obra prima, fora dos padrões, mais uma vez, do que se chama de um filme clássico, pois é isso o que ele é. É um drama, repleto de situações engraçadas em uma bela história de amor. É divertido, original, dinâmico, brilhante, empolgante, ousado, romântico, emocionante, criativo, excitante, inspirador.

Um dos melhores filmes que vi em minha vida e olha que já foram muitos. Com certeza, mereceu suas premiações. Sua trilha sonora é invejável e assim como o filme, original e empolgante. Fotografia marcante e cenas magistralmente editadas. Músicas memoráveis com direito a uma dança no final do longa.

Outro ponto positivo são os atores, completamente desconhecidos...até agora, pois depois desse filme eles têm tudo para serem um seucesso. Falo de Dev Patel que interpreta Jamal na adolescência e a bela Freida Pinto (que já está no novo projeto de Woody Allen) que interpreta delicadamente Latika, também na fase da adolescência. Anote esses nomes.

Mais do que recomendável, assista de qualquer maneira. Quem Quer Ser um Milionário? tem tudo para ser um grande sucesso, principalmente aqui no Brasil, tem um toque bem divertido e colorido que vai chamar a atenção dos brasileiros, tanto os intelectuais apaixonados por cinema, quanto os mais desligados na sétima arte.

Quem Quer Ser um Milionário? já é um clássico e dos mais inovadores. Excelente direção em uma excelente história. O melhor filme ganhador do Oscar desde Crash- No Limite, deixa Os Infiltrados de Martin Scorcese (que ganhou o prêmio como consolação de uma vida inteira tentando ganhar o Oscar) e Onde os Fracos Não têm Vez dos irmãos Cohen (que de melhor filme não tem nada) envergonhados. Entre tantos outros filmes que já ganharam mas que não mereciam, e se mereciam, nem eram tão bons assim. Mas Quem Quer Ser um Milionário? merece, é simplesmente perfeito. Assista para se divertir, se descontrair, não é mais um drama sobre política, desgraças e mortes tristes no final, é um filme alegre, inspirador, de deixar qualquer um feliz por ter acabado de ver uma grande história. É sobre a luta de uma pessoa para ser alguém na vida, atravessando os obstáculos que se tornavam pequenos diante de sua fé e vontade de vencer, e é claro, sobre a busca pelo amor, que não é preciso sorte, dinheiro ou malandragem para conquistar um amor verdadeiro. Destino é destino.

NOTA: 10

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