segunda-feira, 30 de abril de 2012

Crítica: Jovens Adultos (Young Adult, 2011)


Em 2007, o cinema independente norte-americano conheceu uma tal de Diablo Cody, uma ex-stripper que acabou vencendo o Oscar de Melhor Roteiro pela comédia "Juno", sucesso de público e crítica. Ela, escreveu outros roteiros, mas acabou se perdendo em filmes como "Garota Infernal" e "Burlesque". O diretor de "Juno", Jason Reitman, que já havia sido consagrado pela comédia "Obrigado por Fumar" de 2005, conquistou o estrelato e diferente de Cody, realizou um outro grande trabalho, "Amor Sem Escalas", em 2009.

Quatro anos após o sucesso de "Juno", Diablo Cody e Jason Reitman retornaram com mais um novo projeto, "Jovens Adultos". Entretanto, o filme não alcançou as expectativas de todos, aqui no Brasil, fora simplesmente ignorado. Acontece que se em 2007, a dupla revitalizou o cinema independente, em 2011, eles destroem tudo o que este subgênero conquistou. Não chamo isso de burrice. Chamo isso de ousadia. De originalidade. 



por Fernando Labanca

O filme começa nos mostrando o monótono cotidiano de Mavis Gary (Charlize Theron), divorciada, vive num apartamento na cidade grande ao lado de sua cachorra. É escritora de uma coleção de livros destinados ao público jovem e adulto que já não faz mais sucesso. Até que vasculhando seus e-mails, vê que fora convidada por seu ex-namorado Buddy Slade (Patrick Wilson) para uma festa de comemoração do batismo de sua filha. Os dois namoraram na época do colégio. Época em que Mavis era a rainha, todos a admiravam e conseguia tudo o que queria. 

Convicta de que Buddy, na verdade está pedindo socorro por estar casado e com uma filha, Mavis viaja até sua pequena cidade natal, Minessota, para salvar a vida dele e reconquistá-lo, recuperando os anos de glória do colégio. O problema é que ninguém na cidade a vê como vencedora, assim como ela imaginava, muito pelo contrário, a recebem com um certo desprezo, e o único que a respeita acaba sendo Matt (Patton Oswalt), que estudaram juntos, mas era um nerd fracassado e assim como ela, se prende no passado, sempre com receio de encarar a triste realidade, a de que eles cresceram e já não são mais adolescentes. 


"Jovens Adultos", sem querer, acabou sendo vendido como comédia. Comédia dramática com o selo do Festival de Sundance. Isso porque tem em seus créditos, Diablo Cody e Jason Reitman. Acontece que o filme é bem diferente de tudo isso. Não é mais um filminho norte americano independente. Não é uma comédia. É na verdade um drama intenso, com uma trama melancólica. É um estudo profundo na mente desta incrível personagem chamada Mavis Gary, complexa, onde o roteiro arma situações inusitadas afim de justamente estudar esta mente com personalidade desprezível e com sérios problemas psicológicos. Ainda há humor, com referências a cultura nerd, cheia de boas sacadas e muito sarcasmo e cinismo, mas diferente dos outros trabalhos da dupla, aqui o alvo não é a excentricidade de uma sociedade, o alvo é sua protagonista, nos revela de forma assustadora suas manias, suas falhas, seus medos, mesmo que nem ela seja capaz de enxergá-los. 

E o filme vai causar certo estranhamento naqueles que assistem. Mavis não é a heroína da história, muito menos a mocinha. É tudo muito bizarro a trajetória desta protagonista, a risada vem pela vergonha alheia e o mesmo ocorre com o nosso coadjuvante, Matt. É engraçado como ela enxerga sua vida, jamais conseguindo compreender o quanto ela falha, o quanto seus atos não fazem o menor sentido. Ao mesmo tempo, não conseguimos achar graça de nada disso, pois é tudo muito melancólico, vê-la a ponto de cometer grandes erros, vê-la acreditar que os anos do colégio ainda permanecem, que as atitudes de uma garota fútil, esnobe, amarga ainda podem fazê-la conquistar seus sonhos, vê-la desprezando uma vida de família, casamento, filho, como se esta fase marcasse o verdadeiro fracasso de uma pessoa. Assim como Matt, que se prende em seus objetos e brinquedos de adolescente nerd, que se fecha em seu mundinho, tudo por seu fracasso no passado, que não teve o direito de ser visto como herói nem mesmo quando virou deficiente. Como se a vida não tivesse mais espaço para eles. É triste notar que os anos passaram. É exatamente isso que "Jovens Adultos" retrata, os anos que ficaram para trás e o quanto é difícil aceitar que crescemos, encarar as responsabilidades da vida adulta e o dilema que os protagonistas enfrentam, se jogar na chatice de ser responsável ou se prender na felicidade artificial dos anos do colégio.

O roteiro de Diablo Cody beira a genialidade. Quando escrevi que ela havia destruído o que "Juno" havia construído, era justamente por conseguir quebrar os estereótipos das comédias independentes. Em "Juno" e em todos os outros filmes do gênero, todos os problemas eram resolvidos, tudo acontecia de forma agradável e com uma música indie alegre no fundo. E este universo, Cody e Reitman ajudaram a consolidar e para minha surpresa são os mesmos que resolveram quebrar com tudo isso. Em "Jovens Adultos", a dupla mostra uma outra faceta do cinema independente, com uma história dramática, com grande carga psicológica, sem músicas alegres, sem final feliz, sem lições de moral e protagonistas vencendo os próprios medos e aprendendo com seus erros. Mavis Gary é uma revolução. É a anti-heroína. E Jason Reitman soube mais uma vez traduzir as idéias de Diablo para as telas, em cenas frias, monótonas, tão amargas quanto a mente de Gary. 

Se em "Juno" foi seu grande roteiro que ganhou destaque, em "Jovens Adultos" é sua protagonista que ganha maior notoriedade. A verdade é que Charlize Theron consegue ser maior que tudo isso. Maior que o roteiro. Maior que as belas sacadas. Maior que a direção de Reitman. "Jovens Adultos" poderia muito bem ser resumido em duas palavras: Charlize Theron. Ela é o filme. Consegue com perfeição nos mostrar esta personagem de ouro, a sua imaturidade, sua falta de senso, de noção, seu jeito de adolescente bagaceira, de adulta que se recusa a crescer. Uma atriz talentosa que prova em cada diálogo ser uma das melhores da atualidade, é simplesmente fantástico o que ela realiza aqui, além de "Monster" e "Terra Fria", este filme marca um grande momento de Theron nas telas. Ainda temos um grande coadjuvante, o desconhecido Patton Oswalt, que também surpreende. No elenco, ainda nomes como Patrick Wilson e Elizabeth Reaser, corretos. 

Um filme ousado, que foge do convencional, que foge daquilo que esperamos dele. O problema é que ele foge para um lugar não tão agradável assim. Ás vezes é difícil acompanhar a trama, tudo é muito melancólico, lento, monótono, o que faz com a grande idéia de Cody perca a força. E os conflitos nem sempre são resolvidos da melhor maneira e há cenas que se não fossem o poder de Theron poderiam ter sido descartadas. Faltou ritmo e uma intenção de transformar o longa em algo mais memorável. É um projeto ousado por suas inovações, mas infelizmente parece pequeno, onde a protagonista é muito maior que a própria história. Ainda assim, vale a pena, aliás, não é sempre que temos a chance de conferir um filme como este, que vai além do que já foi feito. 

NOTA: 8


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Crítica: Shame (Shame, 2011)

"Shame" entrou para a lista dos ignorados no Oscar 2012. Trás para as telas, pela direção de Steve McQueen, a conturbada rotina de um homem viciado em sexo. Acredito que a temática o tenha afastado das grandes premiações, logo que vemos um grande filme, ousado em sua proposta e se mostra para o público sem medo de assustar ou criar polêmicas, além de ter em cena dois grandes atores em belíssimas performances, Michael Fassbender e Carey Mulligan.

por Fernando Labanca

Conhecemos Brandon (Fassbender), aparentemente um homem comum, trabalhador que vive em Nova York e mora sozinho em seu apartamento. Entretanto, por de trás desta fachada, existe seu segredo. O seu vício. O sexo. A louca obsessão que ele tem por sexo. Faz por prazer e nunca por amor, tem uma eterna sede de se relacionar com alguém, não importa quem e nem quando. Tem problemas em seu computador pelos virus recebido ao entrar em sites pornográficos, não perde tempo em se masturbar nas horas vagas e em sua vida noturna, vai atrás de sua caça.

Tudo muda com a chegada de sua irmã, Sissy (Carey Mulligan). Ela é suicida, sente um eterno vazio em sua vida e nunca encontra algo para preencher. Passa a conviver diariamente no mesmo apartamento que Brandon, sem planos para ir embora e assim, ele se depara com a invasão de sua suja privacidade, Sissy passa a interferir em sua rotina e abala completamente seu mundo de sexo, pornografia e estranhas obsessões, o fazendo ir ainda mais fundo em sua loucura, se tornando vítima de seu próprio vício.

"Shame" é provocador. É agressivo. É ousado. É o típico filme para se ver sozinho, admirar em sua privacidade. É quase que constrangedor dividí-lo com alguém. Há inúmeras cenas de nudez e sexo e isso pode incomodar os mais conservadores. Por outro lado, elas aparecem com intuito, com propósito, não é obsceno e muito menos apelativo, faz parte da proposta, que aliás, o roteiro, também assinado por McQueen, consegue com competência nos mostrar este universo de Brandon, entramos neste mundo sujo, vivenciamos naqueles minutos a intensidade daquela rotina. A nudez, por sua vez, surge naturalmente, sem querer ser sensual, apenas abre a porta daquele simples apartamento e vemos aquelas personagens em seus cotidianos. E assim, "Shame", foge completamente do convencional, além da trama um tanto quanto inovadora, a maneira como McQueen guia este roteiro é tão fascinante, prende a atenção mesmo quando nada acontece. E apesar da tal agressividade, o longa também consegue ser sensível, de forma sempre madura, há cenas deliciosas de puro diálogo, por vezes cômicas, outras, dramáticas. Como por exemplo, o divertido relacionamento entre os irmãos, que ocorre de forma simples e extremamente espontânea. 

Por outro lado, este roteiro apresenta suas falhas. O filme despe suas personagens, mas isso, infelizmente, não ocorre de forma literal. Apesar de conhecermos a privacidade de Sissy e Brandon, nunca sabemos ao certo quem eles são. O que a irmã faz no apartamento dele, qual a causa de sua depressão e talvez o mais intrigante, o que realmente existia entre os dois. A relação dos irmãos causa um certo estranhamento, a liberdade que um tem com o outro, a raiva que sentem entre eles, e por vezes há algo que remete a uma relação incestuosa, desde a aproximação quase que carnal e o ciúmes que surge em uma das cenas, além do repentino momento de choro de Brandon ao ver Sissy cantar, mesmo ele sendo tão insensível. Enfim, acontece que a história ocorre e ficamos que a parte de tudo, nunca sabemos o que de fato está acontecendo, justamente por não termos a chance de conhecermos as personagens ali retratadas. O filme nos faz acreditar que entramos na mais intima privacidade de Brandon, que conhecemos seus mais profundos segredos, mas não, em nenhum momento isso ocorre e quando acaba fica um certo sentimento de vazio. 

O grande destaque de "Shame", sem sombra de dúvida, é sua dupla de atores. Michael Fassbender é novo queridinho de Hollywood e a cada filme que faz prova o porquê. É um ótimo ator, dá um show na tela, se mostra confortável num papel difícil que exige muito mais que uma grande atuação. Seu momento mais marcante é exatamente no clímax do filme, ao transar com mais de uma mulher, numa cena cheia de cortes e desfoques, e é no olhar de Fassbender que nos prendemos, há um certo pedido de desculpas pela vergonha de sua vida, há um olhar desesperado que pede por ajuda, é simplesmente impactante. Carey Mulligan é uma coadjuvante de ouro, brilha de forma intensa, tem carisma e consegue criar uma personagem bem diferente do que a atriz já fez no cinema, desde suas expressões, seu jeito de agir e de falar, é uma outra mulher. Acredito que Muligan tenha conseguido com Sissy chegar a um outro patamar, é, definitivamente, uma atriz completa, que se entrega de forma ousada e espanta por sua incrível performance. E acredito que Steve McQueen tenha exposto no filme o melhor dos dois.

"Shame" apesar de ser um belo e ousado projeto, não chega a ser uma obra tão inesquecível e importante no cinema. Ser ignorado no Oscar, pode ter sido por esta tal ousadia, por não ser convencional, por ser completamente diferente do que a Academia está acostumada a premiar, entretanto, houve filmes muito mais completos entre os indicados. Porque "Shame" não é um filme completo, tem inúmeras qualidades, mas faltou alguns elementos para ter se tornado excelente. Acredito também que o roteiro tenha se esquivado de conflitos mais intensos, como seu final que acreditamos que enfim algo extremamente chocante aconteceria e não acontece, continua na mesma. Acaba que o filme dá uma volta, cheia de idéias, de cenas ousadas, de pura originalidade, mas volta ao ponto zero e termina da mesma forma que começou. Pois nada é revelado, nada é alterado, nada é concluído. Destaque para os grande atores, pela direção de McQueen e pela belíssima trilha sonora que eleva a qualidade da obra. No geral, um filme interessante e atraente, que possui seus erros, mas ainda assim prende a atenção, hipnotiza, que consegue provocar em seu público, sentimentos fortes que muitas vezes geram a emoção. Vale a pena conferir.

NOTA: 7,5


domingo, 22 de abril de 2012

Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012)

Desde que se percebeu que a saga "Harry Potter" infelizmente teria um fim, o cinema, mais precisamente, Hollywood, tentou investir em outros projetos que tivessem a mesma força do bruxo britânico, geralmente buscando suas fontes em adaptações de livros voltados para o público jovem e que tivessem sequências. Nisso, assistimos ao bom começo de "As Crônicas de Nárnia" até seu crescente fracasso. Vimos também o desinteresse de grandes estúdios em "A Bússola de Ouro" que para a surpresa de todos só teve um filme, além da aposta em "Percy Jackson" que não foi bem realizada e nem bem recebida pelo público. E, claro, o fraco, mas que acabou "dando certo", a saga Crepúsculo, que conseguiu manter seu público até o quarto filme. Pois bem, Hollywood ainda não desistiu. Surgiu então, nas livrarias, aquela trilogia que poderia trazer de volta o público jovem, "Jogos Vorazes", obra de Suzanne Collins. A adaptação ficou por conta da própria autora ao lado do diretor, Gary Ross. E assim fica a pergunta, "Jogos Vorazes" merece realmente toda essa atenção, toda essa aposta? Ao término do filme, compreendi. Sim, merece.


por Fernando Labanca

O filme nos leva para um futuro pós-apocalíptico distante, numa região conhecida como Panen. A região era dividida por 12 distritos, todos habitados por uma sociedade assustada e pobre. Viviam sob um regime totalitário comandado pela Capital, uma metrópole habitada por seres fúteis e bizarros. No passado, houve uma rebelião nesses distritos contra a opressão da Capital e como consequência deste ato, os poderosos opressores criaram uma espécie de reality show, colocando numa arena, assim como os antigos gladiadores, jovens entre 12 a 18 anos, onde cada divisão deveria oferecer um casal como tributo. Nesta arena, os 24 escolhidos deveriam lutar pela sobrevivência e para isso, deveriam matar seus oponentes. Como ninguém se oferecia, anualmente era feito um sorteio, é então que no 12º distrito, para salvar a pele de sua pequena irmã que fora escolhida, Katniss (Jennifer Lawrence) se coloca no lugar, enfrentando Peeta (Josh Hutcherson), o outro sorteado.

Um casal de cada distrito é lavado para Capital. Lá, eles conhecem um estranho mundo, cheio de mordomias e riquezas. Katniss e Peeta seguem com o auxílio de Haymitch (Woody Harrelson), um ex-sobrevivente que conhece as táticas para vencer no jogo, e logo os dois percebem que tudo é uma questão de saber se vender, pois haviam os ricos que patrocinavam os Jogos Vorazes e quanto mais gostavam do casal, mais os ajudariam na arena. Já no campo de batalha, Katniss, Peeta e todos os outros jovens, se enfrentam numa guerra onde os valores que aprenderam são completamente ignorados, seja como amizade, companheirismo ou até mesmo o amor, são confundidos como táticas de jogo, onde tudo o que importa é sobreviver, é vencer. Não importa quem perca, não importa quem morra.


Confesso que tinha um enorme preconceito com "Jogos Vorazes", não passaria de um filminho para adolescentes, com romances e um elenco com rostos bonitos. O que foi bom, pois minhas expectativas eram extremamente baixas. O que vi na tela foi um filme poderoso, com uma idéia promissora capaz de sustentar uma trilogia, cheio de boas sacadas e conflitos incrivelmente bem escritos que preencheram bem as duas horas e meia de duração. O futuro mostrado no filme foi trabalhado com certo primor de detalhes, seja naquela sociedade pobre dos distritos, criando toda uma nova cultura, seja na Capital, onde os figurinos e maquiagem assustam pela bizarrice, mas enchem os olhos pela originalidade. Tudo foi muito bem pensado, passamos a acreditar naquele universo, se torna real. Aliás, "Jogos Vorazes" conta com um roteiro raro, sem a necessidade de correr para mostrar as batalhas, sem a necessidade de grandes efeitos visuais e sem a necessidade de criar cenas forçadas de romance. Tudo ocorre naturalmente e nem por isso deixar de ser frenético, hipnotizante. 

A escolha da direção foi outro grande acerto. Gary Ross ("A Vida em Preto e Branco" e "Seabiscuit") realiza um trabalho notável, é belo o que o diretor faz deste filme. Já no início ele nos prova sua competência, desde os cortes bruscos, a incrível composição das cenas, enfim, contribuindo e muito para a qualidade da obra. Vale destacar os figurinos, a fotografia e a ótima trilha sonora de James Newton Howard. Aliás, há uma bela direção de arte, desde as locações, os cenários, fortemente influenciados pela Art Deco da década de 30, um visual futurístico retrô, pois é este o universo retratado, nada mais conveniente, um futuro regido por ordens passadas.  Mas a grande sacada do filme é sua idéia, a noção que eles passam daquele regime totalitário, a maneira como tudo acontece, as críticas da sociedade moderna, o vazio de uma guerra que parece nunca fazer algum sentido, o vazio também daquelas pessoas, fascinadas por moda e futilidades, a influência do poder, pessoas corrompidas por ele, se vendendo por ele, questionamentos sobre o que o ser humano é capaz de fazer para sobreviver, até onde ele carrega consigo seus valores, qual é seu limite. Cada pensamento, cada reflexão, inserida de forma madura, que respeita a inteligência de seu público, onde as personagens são colocadas em situações complicadas, que por vezes nos tira o fôlego, por outras nos mostram aquelas situações do tipo "o que você faria?", e assim o roteiro sempre procura seguir por caminhos não muito óbveis, provando a grande ousadia do projeto.

Ter Jennifer Lawrence como protagonista é o sonho de muitos diretores e produtores atualmente, e a atriz consegue mais uma vez provar o porquê de ser tão requisitada. Ela eleva o nível da produção, faz qualquer blockbuster parecer melhor, o que conseguiu fazer com "X-Men: Primeira Classe" e que faz aqui novamente. Talentosa, versátil, cumpre bem seu papel, mas vai além, não é simplesmente a mocinha corajosa, Lawrence tem posição, encarara a personagem, emociona nas cenas dramáticas e também convence na ação. Josh Hutcherson (aquele ator que parece crescer a cada filme que faz) foi uma boa escolha também, apesar de jovem, é veterano no cinema, já sabe o que faz e faz bem. Ambos surgem na tela com personagens raros, são complexos, possuem diversas facetas e surpreendem por suas atitudes, não são um mero casalzinho de filme adolescente, são melhores. Além deles, coadjuvantes interessantes, Woody Harrelson fazendo o que sabe fazer de melhor, o bêbado com cara de psicopata, Elizabeth Banks, quase que irreconhecível, e o jovem há muito tempo afastado do cinema, Wes Bentley. Além do veterano, Donald Sutherland e o sempre ótimo, Stanley Tucci. 

"Jogos Vorazes" merece toda a atenção que teve na mídia. Um filme que merece as apostas, tem potencial para ser uma grande saga, pelo menos se conseguir manter no grande nível deste primeiro. Uma obra surpreendente, que hipnotiza por seus acontecimentos, cheio de conflitos interessantes e bem desenvolvidos, com um roteiro brilhantemente bem escrito, que vai muito além de um filme para adolescentes, é um filme poderoso, com grandes idéias, que não subestima seu público, oferece algo de qualidade, que aposta na inteligência daquele que assiste. Um filme ousado, seja pelos elementos já citados, mas também pela violência, que surge de forma inesperada e de uma maneira quase nunca explorada pelo cinema, ousa tembém por seu final, definitivamente, muito longe daquilo que todo mundo esperava. Fantástico. Recomendo. Que venham mais "Jogos Vorazes". 

NOTA: 9






sexta-feira, 6 de abril de 2012

Crítica: Como Você Sabe (How Do You Know, 2010)

James L.Brooks, que em 1997 realizou sua obra-prima "Melhor é Impossível", retorna em 2010, com filme lançado ano passado aqui no Brasil, a comédia romântica "Como Você Sabe", trazendo de volta o que o roteirista sabe fazer de melhor, a originalidade de seus diálogos e a inusitada composição de seus excêntricos personagens. Muitos apontaram como o grande fracasso de sua carreira como autor e diretor. Vejo diferente. Vejo como um filme incompreendido pelo público e pela crítica, que não teve espaço justamente por não ser convencional e apostar em algo que o gênero nunca explora, a reflexão e a inteligência.

por Fernando Labanca

Começamos pela história, que de longe parece muito clichê, mas de fato, não é. Infelizmente pela sinopse não é possível compreender a originalidade da obra, devido a isso, o longa surpreende bastante. Reese Witherspoon interpreta a impulsiva Lisa, jogadora profissional de tênis, que nunca sabe o que quer exatamente de sua vida, mas segue em frente, mesmo assim. Namora um outro jogador, Manny (Owen Wilson), nada afetivo e que não filtra muito bem suas palavras. Lisa, por sua vez se questiona com uma amiga sobre a possibilidade de namorar alguém que não tenha a mesma vida que a dela, é então que é apresentada a George (Paul Rudd), um cara muito azarado que está passando por um momento difícil, levou um fora de sua namorada e seu nome foi levado na justiça graças aos erros de seu pai (Jack Nicholson).

Para mais azar de George, que conhece Lisa num péssimo dia e se torna então, um péssimo pretendente. Na mesma época, porém, Lisa é colocada de fora dos campos por seu técnico, perde seu chão, seu rumo, seus objetivos. Duas pessoas que se encontram e nada compreendem de suas trajetórias. É então que ambos se tornam grandes amigos quando descobrem que possuem algo em comum, a busca de um sentido maior para suas vidas. No entanto, Lisa encontra em Manny o que muitas vezes procurava, sua insensibilidade, além de ter em comum com ele sua incapacidade de amar.

"Como Você Sabe" aborda as dúvidas da mente humana. Como saber se tal pessoa é a que devemos escolher para o resto de nossas vidas? Como saber que estamos caminhando pelo caminho certo? Como saber se estamos encontrando o que queremos e não mais o que precisamos? O roteiro brilhantemente escrito por James L.Brooks explora com delicadeza e inteligência esses conflitos. É quase que impossível não se identificar com alguns dilemas vividos por algum dos personagens, tantos questionamentos, não só sobre as relações afetivas, mas também sobre o que estamos fazendo de nossas vidas, sobre nossas escolhas. A caracterização de Lisa é interessante, uma protagonista que não sabe o que faz, que não sabe onde ir, que se prende em frases clichês sobre superação, mas nunca consegue tomar uma atitude sem parecer fria ou impulsiva. Melhor ainda é ver que a trama não é sobre alguém perdido que se encontra, mas sim sobre alguém como todos nós, que permanece e permanecerá sem rumo, em busca de uma resposta que no fundo todos sabem a verdade, nunca virá. E como certa hora o filme coloca em discussão, não é sobre descobrir o que se quer da vida, é sobre saber como pedir, como ir atrás daquilo que almejamos.

Assim como todos os filmes de James L.Brooks, algumas cenas surpreendem. É comédia romântica, dificilmente assistimos esperando algo inusitado, algo que fuja do convencional. E este é o maior triunfo do filme, fugir do lugar comum, usa uma premissa até que simples, o coração da moça dividido por dois homens, não havia como não subestimá-lo. Eis que ele nos surpreende. Surge na tela, sequências tão originais quanto belas. Foi bizarro e ao mesmo tempo interessante ver Lisa chorando enquanto lia suas frases manjadas no espelho escovando os dentes, ou vê-la abrir seu coração, revelando sua incapacidade de encontrar sentido naquilo que todas as mulheres encontravam, como amar, casar e ter filhos, um diálogo nada menos que complexo e de extrema sensibilidade. E mais uma vez, a originalidade de Brooks se encontra nos incríveis diálogos, seja nos mais humorados, seja nas belíssimas declarações de amor, que assim como "Melhor é Impossível" supera inúmeros filmes românticos, mesmo se tratando de uma comédia. Como as últimas declarações de George a Lisa, é simplesmente de cortar o coração, como há muito tempo eu não via. Foi ótimo ver, numa época em que fazer filmes românticos se tornou clichê, que ninguém mais é capaz de fazer o público suspirar por um diálogo entre duas pessoas apaixonadas, algo inteligente, comovente e original, que utiliza de inúmeros recursos, menos do que já foi usado pelo cinema. Uma comédia, para rir e pensar. Pronto, já é um tempo válido, pois é algo muito raro em Hollywood.

James L.Brooks como roteirista, o colocaria entre os grandes gênios do cinema atual. Entretanto, como diretor, ele se perde. Há cenas fracas, que mesmo com grandes atores em cena interpretando grandes personagens, é nítido a má qualidade de inúmeras sequências. Por vezes, me sentia diante daquelas cenas deletadas que encontramos nos extras de qualquer DVD, sem ritmo, sem nada que empolgue, só o que vemos são motivos para terem sido facilmente deletadas. Mais uma razão para isso é sua longa duração. Os conflitos poderiam ser mais concisos, há muita coisa que se estende sem a necessidade e muitas cenas descartáveis, como quase todas de Jack Nicholson, onde os conflitos vividos por ele e Paul Rudd são tão chatos que não há como ter algum interesse nos problemas do pai e filho. Sendo a única coisa interessante entre eles, a resolução, que como tudo no roteiro, acontece de forma simples e bastante madura. Mas é válido citar que nem sempre Brooks erra como diretor, também há seus momentos que causam um certo interesse visual, auxiliado pela fotografia e a boa trilha sonora de Hans Zimmer.

O elenco é outro ponto positivo do filme. Reese Witherspoon soube passar muito bem os estranhos sentimentos de Lisa, suas oscilações e sua incompreensão da vida, com seu olhar vazio e distante, conseguindo se destacar muito bem nas variações de sua personagem, da comédia para o drama, e claro, seu grande carisma ajuda a nos afeiçoarmos a ela. Assim como Paul Rudd, sempre muito carismático e muito versátil em cena, entretanto, seu personagem só se torna interessante ao lado de Reese. Owen Wilson está até interessante, é o grande alívio cômico do longa e consegue arrancar alguns risos, fazendo sua atitudes patéticas parecerem normais, convence. Jack Nicholson quase que dispensável se não fosse sua grande atuação, mas tem lá sua importância na trama, mas é tudo muito chato. Outra coadjuvante que acaba surpreendendo é Kathryn Hahn, que não é importante na história, mas acaba se destacando.

"Como Você Sabe" começa com inúmeros defeitos e prometendo ser uma grande bomba. História até certo ponto desinteressante, diálogos fracos e humor que em nada agrada. É então que ele cresce, os personagens mostram suas verdadeiras intenções e o roteiro surpreende com diálogos e situações raras no gênero comédia romântica. Quando ele termina há um sentimento que poucas vezes senti diante de uma comédia, estive, definitivamente, diante de algo maior do que parece, que faz pensar pelas ótimas frases de efeito, que faz refletir por inúmeros questionamentos um tanto quanto complexos para o gênero, sem querer ser dramático ou exageradamente existencialista e faz emocionar como poucos filmes românticos conseguiram. Existem erros, existem. Porém, a obra é de uma raridade tão grande que vale e muito a pena conferir. Se para muitos críticos, James L.Brooks "perdeu a mão" aqui, ainda torço para ele continuar o mesmo, porque mesmo realizando este tal fracasso de sua carreira, ele conseguiu ser muito melhor que qualquer diretor e roteirista que circula por Hollywood.

NOTA: 8,5


sexta-feira, 16 de março de 2012

Crítica: Melhor é Impossível (As Good as It Gets, 1997)

Vencedor do Oscar 1998 de Melhor Ator para Jack Nicholson e Melhor Atriz para Helen Hunt, "Melhor é Impossível" é um longa-metragem norte-americano que conta com a direção de James L.Brooks, mais conhecido por ser roteirista e produtor executivo da série de TV "Os Simpsons". Além do seriado, James trabalhou como diretor em filmes como "Laços de Ternura" (1983) e "Espanglês" (2004). O filme em questão é uma comédia dramática, mas que alcança, devido a seu ótimo roteiro, momentos de grande emoção com seu romantismo.

por Fernando Labanca

Jack Nicholson interpreta Melvin Udall, um escritor de romances de Nova York e que sofre de transtorno obsessivo-compulsivo, que não pisa nas rachaduras das calçadas e joga fora seu sabonete após um único uso, sem contar outras tantas manias que ele utiliza para se sentir bem consigo mesmo. Não o suficiente, Melvin é racista, homofóbico e misantropo, aquele que tem aversão a qualquer outro tipo de vida. Com todas essas características, o escritor tem grandes problemas de convivência, principalmente com seu vizinho homossexual, Simon (Greg Kinnear) e com a garçonete Carol (Helen Hunt), a única que compreende suas estranhezas e o modo como ele gosta de ser atendido, mas se irrita facilmente quando ele resolve abrir a boca.


Tudo muda na vida de Melvin Udall quando Simon é agredido e passa a ter um fracasso total em sua profissão, entrando em uma profunda depressão e Udall é o único vizinho que aceita cuidar do suicida pois tinha uma grande simpatia por seu cachorro, animal que faz nascer sentimentos desconhecidos no escritor. Para piorar, Carol sai do restaurante para cuidar de seu pequeno filho que sofre de asma. É então, que para ter sua garçonete de volta, Melvin contrata um médico particular ao garoto, para que ela pudesse trabalhar e servi-lo. De imediato, achando tudo estranho, Carol compreende que o irritante senhor havia salvado sua vida. E numa troca de favores, a vida de Melvin, Carol e Simon irão se entrelaçar de formas inimagináveis. Três pessoas completamente diferentes com uma única coisa em comum, o medo de encontrar a normalidade em suas vidas. 

"Melhor é Impossível" conta com um roteiro brilhantemente escrito também por James L.Brooks. É um dos pontos altos do filme. Tudo o que vemos na tela é de extrema originalidade, não remete a quase nada do que o cinema já fez. E assim, cada passo das personagens se torna inesperado. A total ausência dos clichês a torna uma obra imprevisível. Interessantíssimo a composição dessas personagens, aliás. Melvin Udall é muito bem desenvolvido na trama, a construção de suas estranhas características o fazem um indivíduo muito único na história do cinema. Assim como a garçonete Carol, com seu medo de ter uma vida normal, feliz, pressionada por suas responsabilidades. A união desses indivíduos acaba que resultando em cenas adoráveis e de extrema inteligência. O roteiro de Brooks também se destaca por seus diálogos, muito originais, que surpreendem. Há muito humor, um humor diferente mas que funciona quase sempre. Os diálogos se tornam ainda mais interessantes quando o filme se joga no romance, e surpreende também, pois no meio daquela comédia surge um romantismo tão belo, tão profundo, cheio de boas intenções e emociona. Desde o comovente pedido de desculpas de Carol às belíssimas declarações de amor de Melvin, tudo muito bem escrito, algo a ser admirado. 


Jack Nicholson é Jack Nicholson. É um grande ator e isso é inegável. O que ele faz na tela é maravilhoso, sabe ser cativante, engraçado, sabe muito bem emocionar, é expressivo e sem ele, a força desta incrível personagem não seria nítida. Consegue com perfeição demonstrar este "estranho mundo de Melvin". Helen Hunt também realiza um trabalho admirável, surpreende muito na tela, faz cenas que chegam a ser memoráveis, se entrega com vontade, convence. Acredito que ela tenha sido o grande brilho do filme, uma atriz poderosa, que chega em cena e faz qualquer diálogo ser melhor do que já é. Não foi a toa que Nicholson e Hunt levaram o Oscar para casa. Ainda temos o coadjuvante de ouro, Greg Kinnear, no papel de sua carreira. É incrível o que o ator faz, principalmente na primeira metade do longa, Greg consegue carregar muita emoção em seu olhar. E ver os três atores contracenando é algo que já vale e muito a pena conferir a obra. Além deles, Cuba Gooding Jr, ótimo.

Com uma direção segura de James L.Brooks, que soube mostrar o melhor de seus atores, além das belas composições de diversas sequências, o filme ainda possui a bela trilha sonora de Hans Zimmer que realça ainda mais o trabalho de Brooks. "Melhor é Impossível" peca por alguns conflitos repetitivos na trama, como as diversas discussões entre Melvin e Carol que parecem começar sempre do mesmo ponto, sempre pelos mesmos motivos e terminam sempre da mesma forma, e mesmo que nessas discussões o brilhante roteiro soube inserir belíssimos diálogos, ainda não foi suficiente para apagar o sentimento de "déjà-vu". Vale por esses incríveis diálogos, vale pela originalidade da obra, pelos belos momentos românticos, que mesmo sendo uma comédia soube emocionar muito mais que filmes do próprio gênero romance. Vale principalmente pelas incríveis atuações de Jack Nicholson, Helen Hunt e Greg Kinnear. Divertido, original, inteligente, romântico e emocionante. Recomendo.

NOTA: 8



segunda-feira, 12 de março de 2012

Crítica: Tão Forte e Tão Perto (Extremely Loud and Incredibly Close, 2011)

Baseado na obra de Jonathan Safran Foer, o longa indicado ao Oscar de Melhor Filme este ano, narra a história de um garoto que perdeu o pai no fatídico 11 de setembro, sendo muito mais do que apenas uma homenagem às perdas desta data, "Tão Forte e Tão Perto" é um drama competente, extremamente bem dirigido por ninguém mais que Stephen Daldry, nome por trás de belíssimos projetos como "Billy Elliot", "As Horas" e "O Leitor", sendo este, apenas seu quanto filme e por incrível que pareça, sua quarta indicação ao Oscar.

por Fernando Labanca

Assim como em 1999, Stephen Daldry lançava ao cinema um ótimo protagonista mirim, Jamie Bell em "Billy Elliot", neste seu novo trabalho, coloca o jovem Thomas Horn para guiar toda a história. Horn interpreta Oskar Schell, um garoto que tem a síndrome de Asperger, possuí graves problemas de comunicação e interação social, encara o mundo de outra forma e para isso conta sempre com a ajuda de seu pai, Thomas (Tom Hanks) que inventa diversos "mistérios" na cidade de Nova York para incentivar seu filho a interagir com a sociedade enquanto fizesse suas "investigações". Até que Thomas falece por uma ironia do destino, estava presente no World Trade Center no dia 11 de setembro de 2001. Oskar, então, se vê perdido no mundo, sem chão. Eis que ele encontra, guardado nas coisas do pai, uma chave dentro de um pequeno envelope com o nome "Black". 

A partir deste momento, o garoto resolve ir atrás de todas as famílias Black's da cidade, acreditando que encontraria um segredo importante guardado por seu pai. Desenvolve, então, um roteiro rico em informações e detalhes para sua incrível jornada, para isso, passa a contar com o auxílio de um misterioso vizinho (Max Von Sydow), um senhor mudo que se comunica através da escrita. E a cada porta em que bate, uma nova vida que conhece, uma nova história. E a cada passo que dá, mais perto se vê de seu pai, porém, mais longe se vê de sua mãe (Sandra Bullock).


"Tão Forte e Tão Perto" me surpreendeu e muito e acredito que possa surpreender muitas pessoas também. É aquele filme que chega do nada, ninguém espera muita coisa e quando ele termina, aquele sentimento de imensa satisfação. A verdade é que eu não esperava muita coisa, desde que vi seu nome entre os indicados ao Oscar, não acreditava em seu potêncial e nem que pudesse existir algum motivo para o filme estar ali. Também achava que seria mais um clichê hollywoodiano sobre o 11 de setembro. O longa de Stephen Daldry mereceu estar entre os indicados e é mais ou tão poderoso quanto qualquer outro indicado este ano. O ataque terrorista, aqui, serve como pano de fundo de uma história muito mais profunda, o roteiro não usa do ocorrido para criar a emoção ou pena no público, o roteiro é bom demais e não se permite a isso, consegue ir muito mais além, emociona, mas não por isso. Emociona pelo todo, por toda a trajetória de Oskar, sua relação com o pai falecido, os fantasmas de suas lembranças, emociona pela delicada relação com sua mãe, ou por inúmeros outros detalhes de uma trama muito bem escrita, que não força a barra e não exagera ao tentar criar esta comoção no público, como muitos críticos vem apontando, a empatia para com as personagens vem fácil, logo, nos vemos envolvidos por seus dramas. Vale citar que os conflitos na família gerados pela morte do pai são fortes e nem sempre trilham pelo caminho fácil e pelo clichê, vemos então, ótimas cenas, que comovem pelos bons e surpreendentes diálogos.

O roteiro tem a assinatura de Eric Roth, conhecido por seu trabalho em "Forrest Gump" e "O Curioso Caso de Benjamin Button". É interessante notar algumas pequenas semelhanças na sua escrita, o talento que ele tem para criar algo grandioso, pegar uma personagem, seja Forrest, Benjamin ou agora Oskar, e colocá-lo diante de uma jornada, onde ele acaba se envolvendo com outras histórias e acaba tirando lições destas novas relações. Este mesmo roteiro, surpreende em outros detalhes, como a personificação do garoto, a maneira como trabalham suas manias e estranhezas, ajudado sempre pela ótima direção de Daldry. Achei interessante também as voltas que a história dá, ganha força ao não seguir uma linha cronológica correta, por vezes nos revelando eventos passados e que fazem toda a diferença, melhor ainda é seu final, onde um pequeno detalhe revelado muda toda a forma como estávamos vendo a história, o roteiro nos mostra uma outra perspectiva, acaba sendo inovador essas sacadas e por elas o filme ganha fôlego, onde a cada instante, uma nova informação. O roteiro não usa sua premissa inicial, o segredo do pai, para prender a atenção do público, consegue criar diversos elementos interessantes na trama para isso. O talento de Roth é nítido, infelizmente não sei avaliar como adaptação, mas como cinema, tudo funciona perfeitamente bem. 

As atuações é outro ponto alto do longa. Thomas Horn, o jovem protagonista consegue e com muito êxito passar as emoções de sua personagem, mesmo que Oskar seja chato e extremamente irritante, o ator mandou muito bem e soube guiar o filme, trabalho difícil, talento provado. Os coadjuvantes são de grande peso, Tom Hanks faz uma pequena participação e convence, fazia tempo que não o via tão a vontade e tão bem num filme. Mas os grandes destaques ficam para o indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante, Max Von Sydow, o senhor mudo e consegue dizer tanta coisa sem ao menos dizer, passa tanta emoção sem usar nenhuma palavra, belíssima performance. Assim como Sandra Bullock, que surpreende e muito na pele da mãe do garoto, se destaca nas cenas dramáticas, para minha surpresa, está mais ousada que o normal, se entrega de forma fantástica, emociona e constrói algumas das melhores cenas do filme. Ainda vemos ótimas participações de Viola Davis, Jeffrey Wright e John Goodman.

Com um elenco poderoso, um roteirista de primeira como Eric Roth e um dos diretores mais brilhantes do cinema norte-americano, Stephen Daldry, não teria como dar errado. Daldry soma este poderoso filme a sua belíssima filmografia, e assim como todos seus outros trabalhos, realiza algo admirável, soube guiar o ótimo roteiro, faz ótimas sequências, contando com o auxílio da incrível trilha sonora de Alexandre Desplat, além da bela fotografia. Perde um pouco de pontos pelo excesso de narração em off, por vezes, revelando o que já estava na tela e por algumas atitudes exageradamente estranhas de Oskar que acabam o afastando do público. Para se ver, se envolver, se emocionar, admirar. Hollywood já realizou inúmeros filmes sobre 11 de setembro, mas nenhum conseguiu ser tão completo como este. Recomendo. 

NOTA: 8,5




quarta-feira, 7 de março de 2012

Crítica: Reino Animal (Animal Kingdom, 2010)

Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance em 2010, o longa independente e australiano ganhou notoriedade pelas diversas indicações à prêmios importantes de cinema na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, para a desconhecida Jacki Weaver, incluindo o Oscar 2011. Lançado nos cinemas ano passado aqui no Brasil, o filme surpreende pela grande qualidade, com pouco custo e totalmente fora dos padrões do Festival de Sundance. Para quem procura algo novo, bem feito e fora do circuito hollywoodiano, "Reino Animal" é uma ótima escolha. 

por Fernando Labanca

O filme começa com uma cena bastante inusitada. Joshua "J" Cody (James Frecheville), um jovem que aguarda a chegada da ambulância para levar sua mãe morta por overdose de drogas. Sem saber o que fazer, liga para sua avó distante, Janine 'Smurf' (Jacki Weaver). Há muitos anos perdera contato com seus parentes e agora passa a viver com eles, na mesma casa. Vovó Smurf e seus três filhos, Craig (Sullivan Stapleton), Darren (Luke Ford) e o foragido da polícia e um dos bandidos mais procurados do bairro, Andrew 'Pope' (Ben Mendelsohn), além de Barry Brown (Joel Edgerton) que mora fora. Uma família que tem uma matriarca, mas são os homens que comandam e comandam a cidade também, por seus crimes e ações ilegais. É neste cenário que J é colocado, num ambiente onde a violência reina e é obrigado a se adaptar a ela. Eis que surge um detetive (Guy Pearce) que decidido a encontrar provas concretas para prender os membros da família, começa a usar o jovem, prometendo uma salvação e lhe mostrando que ali não era seu lugar. 


O reino animal. Já dizia Darwin, os mais fortes sobrevivem. Há outras teorias que provam que a sobrevivência está relacionada com a adaptação. É exatamente sobre isso que o roteiro coloca em pauta, a adaptação dos seres humanos. "J" não pertencia aquele mundo, mas foi obrigado a fazer parte daquilo, era uma questão de sobrevivência, ignorando seus ideais, seus valores. O roteiro também nos apresenta esta inusitada família como verdadeiros animais, que seguem firme na cadeia alimentar, matando para sobreviver, são caçadores que temem a todo instante se tornarem a caça, além de suas atitudes grosseiras que por vezes assustam, ações de homens que usam somente a razão, que ignoram qualquer tipo de emoção, que já não se importam com o que é certo ou errado. A mãe coruja que cuida de seus eternos filhotes em seu ninho. Vemos também a reflexão sobre a nossa missão aqui neste reino animal que é a vida, sempre buscando um espaço para se encaixar, sempre procurando um grupo para se fazer parte.

Dirigido por David Michôd, o australiano realiza um trabalho admirável, suas movimentações de câmeras são geniais e nos apresenta cenas brilhantes. É interessante como um filme de baixo custo se concentra tanto em sua realização, é tão bem cuidado, a fotografia é belíssima e tudo na tela funciona perfeitamente bem. Mesmo sendo um filme independente, Michôd não levou seu trabalho "nas cochas", levou muito a sério, se preocupou em mostrar ao mundo um cinema australiano de alta qualidade. Vale a pena ver o filme somente por sua grande direção, é belo como tudo é mostrado, a câmera lenta, os cenários, em junção com uma trilha sonora que remete a algo grandioso, memorável. Tudo muito estiloso. É isso o que "Reino Animal" é, estiloso, cool. 

As atuações estão corretas, no geral. Apenas vemos Guy Pearce de conhecido no elenco e fez o que tinha de fazer, não surpreende, mas cumpre bem sua função. Joel Edgerton, Sullivan Stapleton e Luke Ford estão bons, convencem bem seus respectivos personagens, cada um com sua característica, e Ben Mendelsohn como o tio mais procurado pela polícia local, faz uma personagem bem diferente que aos poucos vai se mostrando quase como um psicopata, frio e calculista e acaba surpreendendo. Já o protagonista, James Frecheville, é bem fraco, chega a ser lamentável algumas de suas cenas, mas é notável que o diretor percebeu as limitações do ator e deixou para os coadjuvantes fazerem as partes mais difíceis. E não há como não reparar e prestar maior atenção em Jacki Weaver, devido as indicações e aos prêmios que recebeu por sua interpretação. A meu ver, tem uma atuação boa, mas nada oscarizável, a personagem é incrível, surpreendente, eu diria e tem seu grande momento na reta final do longa, onde faz um discurso sobre os novos rumos da família e seus aliados, é de arrepiar!

"Reino Animal" é um filme bastante inovador, recheado de bons e inesperados acontecimentos, com ótimas reviravoltas, onde eventos que acreditávamos que aconteceriam apenas no final, acontecem nas primeiras, com um constante clima tenso, com boas atuações, personagens extremamente interessantes e cativantes e uma história que prende do início ao fim, com direito a grandes cenas que permanecerão na memória, isso, principalmente, à ótima direção de Michôd, não deixando de citar o ótimo roteiro, muito bem escrito também por ele. Enfim, um filme surpreendente e muito bem realizado, com idéias bem desenvolvidas, mostrando o poder de um cinema que eu desconhecia, o australiano. Sim, um filme poderoso, que merece ser encontrado já que é desconhecido por grande parte das pessoas. E para completar, um final memorável. Recomendo!

NOTA: 9





domingo, 4 de março de 2012

Crítica: Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin, 2011)

Baseado na obra escrita em 2003 por Lionel Shriver, "Precisamos Falar Sobre o Kevin" estreou ano passado no Festival de Cannes, em competição, sendo indicado a Melhor Diretor para Lynne Ramsay. O filme mostra de forma bastante complexa e intrigante o nascimento de um psicopata, só que por um outro ponto de vista, o da própria mãe. Para escrever o livro, por sua vez, a autora havia se baseado em casos reais de massacres em escolas, ato que se tornou comum, infelizmente, e o filme consegue com perfeição resgatar este realismo das situações e por isso é uma obra tão chocante. 

por Fernando Labanca

Casos como o Massacre de Columbine de 1999, nunca saiu da mente dos norte-americanos. Jovens que por algum motivo entram em suas escolas e cometem o crime, o assassinato de outros adolescentes. A mídia está aí para condenar estes indivíduos e seus pais, que muitos julgam serem os principais culpados. O trauma, a violência, a ausência de bons valores, vem do berço, como muitos acreditam. O filme, assim como o livro, mostra exatamente o que não queremos compreender ou que ignoramos, a vida dos pais deste jovem, mais precisamente, neste caso, a vida da mãe. O que aconteceu nesta família? Como ela era como mãe? O que ela fez para ele? Perguntas que muitos fazem para encontrar uma justificativa ao ato criminoso, entretanto, "Precisamos Falar Sobre o Kevin" em nenhum momento tenta entregar essas justificativas, mas sim, nos levar fundo ao psicológico das personagens, entrar na mente delas, sem moralismos ou respostas fáceis, a difícil jornada de uma mulher e tudo o que ela viu, sentiu e sofreu e nos deixa fazer nossas próprias conclusões. 

Sem seguir uma linha cronológica correta, do presente ao passado, e vice-versa, conhecemos Eva (Tilda Swinton) que mora em uma pequena casa, é mal vista pelos vizinhos que a encaram e a humilham sempre que podem, ela tenta se reerguer na vida pois algo de muito terrível aconteceu em seu passado. Neste mesmo passado, a união com o homem que amava, Franklin (John C.Reilly) e logo o nascimento de Kevin. Com a chegada do bebê, Eva percebe que perdeu o que mais admirava, a liberdade, não consegue aturar os berros de seu próprio filho e se vê presa na pele de uma mãe que nunca sonhou ser. Vemos Kevin crescendo e aos poucos vai mostrando uma personalidade misteriosa, encara sua mãe, lhe diz coisas que crianças não sabem, a chantageia, goza de suas imperfeições e falhas. Já adolescente (Ezra Miller), suas atitudes pioram, surge um jovem quieto, com segredos e Eva se vê perdida nesta situação, ao mesmo tempo em que se assusta e teme pela vida das pessoas que ama, ela tenta se reaproximar, tentar criar um elo que jamais conseguiu ter, o elo entre uma mãe e um filho. E o filme segue até o grande momento, onde descobrimos o que aconteceu na vida desta mulher e deste jovem, um ato que definiu suas vidas.


"Precisamos Falar Sobre o Kevin" é um filme difícil. É duro, é cruel. A diretora Lynne Ramsay em nenhum momento tenta aliviar a tensão e constrói uma obra impactante, onde este mesmo impacto surge em cenas simples, uma pequena sequência que mostra a rotina das personagens, a tensão está ali, no clima, há uma atmosfera pesada em cada uma delas. Seja ainda em cenas como quando Eva descasca a sujeira de sua parede ou quando Kevin come suas unhas, com closes, que nasce em nós, uma sensação de desgosto, de inquietação. Neste quesito, a diretora realiza um trabalho excepcional, o uso das câmeras, os cortes, a edição rápida que nos empolga e nos hipnotiza em cada situação mostrada. Palmas para o roteiro, também de Ramsay, onde ela consegue colocar na tela momentos cruciais para a compreensão de tudo, onde cada cena parece querer dizer algo, nada do que vimos está ali por acaso, tudo tem um motivo, um olhar, uma expressão, um diálogo, cada pequeno elemento da história tem um motivo para estar ali e muito dizem sobre o que queremos saber. A verdade é esta, o longa nos oferece todos os argumentos que precisamos para formar nossa opinião, as perguntas, as respostas, estão ali, a diferença é que nós, como público é que temos que formulá-las, o roteiro não as entrega. Ramsay não usa sua obra para gerar respostas, não tenta encontrar uma moral para a história, nem julgar o que há de certo ou errado numa situação como esta.

O roteiro também acerta ao não seguir uma ordem cronológica dos fatos, assim, consegue criar no público, uma curiosidade, o filme nos mostra logo de início que algo muito grandioso aconteceu na vida das personagens, mas não revela o que, e a partir deste evento conhecemos o que houve antes e depois dele. Não há como não se prender na história, a vontade de querer saber o que houve, o porquê daquela mulher ser tão vazia, tão sofredora. Mas antes mesmo de chegar ao fim, o filme consegue impactar, por cada cena, as atitudes de Kevin realmente assustam, vê-lo tentando acertar sua mãe com uma flecha ou pouco se importando quando sua irmã perde um dos olhos, é de uma frieza tão grande e faz de Kevin um dos personagens mais incríveis que o cinema viu nos últimos anos. Ver Eva como mãe chega a ser até brilhante, o filme nos mostra um outro lado da moeda, onde ela chega ao ápice de chegar perto de uma britadeira na rua para não ouvir os choros de seu filho ou dizer sem nenhum remorso "você destruiu meus sonhos" para o bebê enquanto brincam. A relação de Eva e Kevin é o que há de melhor do longa, é de um nível tão complexo que parece que nossa mente demora a acreditar no que vê. E o final? Nada menos que chocante, um soco forte na alma, e o realismo como tudo acontece faz com que tudo seja mais doloroso, mais difícil de encarar, de engolir.

Tilda Swinton. Uma atuação antológica, sem mais. A atriz brilha e marca, acredito eu, o melhor momento de sua carreira. Se entrega de corpo e alma, se deixa levar pela trama e pelos conflitos de uma forma tão real, tão natural, convence e por isso nos faz sofrer com ela, sua personagem é tão intrigante, tão fascinante, e ela soube trabalhar perfeitamente as nuances de Eva, seus sorrisos forçados, seu olhar afastado e vazio, suas expressões que parecem contar toda uma trajetória. O jovem Ezra Miller também caiu perfeitamente no papel de Kevin, realiza um trabalho notável e sem sua grande atuação o filme não teria o mesmo poder, vale citar ainda as crianças que fizeram as outras fases da personagem e mandaram muito bem. John.C.Reilly sem muito destaque, está correto.

A trilha sonora "alegre" entra em oposição aos conflitos pesados da trama, como se a todo instante algo na vida daquelas pessoas estava errado, alterada de alguma forma. Destaque pelas grandes atuações, direção e roteiro brilhante de Lynne Ramsay, que conta com uma ótima edição e fotografia, que nos transforma em sádicos, pois acaba que sendo uma experiência extremamente agradável assistí-lo, mesmo se tratando de uma trama tão densa, tão violenta, tão forte, pois é uma obra muito bem realizada, como cinema é um primor só, de um nível extremo de qualidade. É realmente muito difícil dissertar sobre este filme, uma obra que nos faz refletir sobre o assunto, esta estranha personalidade dos psicopatas, e isso ocorre na tela de uma maneira, confesso, como nunca havia visto antes. Sabe emocionar sem forçar nenhuma situação, funciona também quase como um terror psicológico, nos amedronta pelas ações das personagens, por seus diálogos inesperados e chocantes, é realista, é pesado, é cruel, uma obra grandiosa, impactante, agonizante, que nos faz esquecer por completo nossa realidade, que é quase impossível se sentir indiferente a ela. Um filme que lhe tira o chão, lhe tira a alma, parece difícil voltar a respirar ao seu término. Enfim, maravilhoso, e mesmo ignorado pela Academia do Oscar, é definitivamente superior a seus indicados. Como alguns acreditam, talvez, os norte-americanos não estejam prontos para encarar esta triste verdade, não desta forma. Brilhante, memorável...o melhor filme do ano, até agora, fato!

NOTA: 9,5



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Oscar 2012 - Os Vencedores


por Fernando Labanca

Aconteceu neste último domingo, dia 26 de fevereiro, a grande premiação do cinema, o Oscar. Foi, literalmente, uma noite marcada pela nostalgia, pelo antigo, pela tradição. Seja pela retomada de um conservadorismo maior, prezado durante anos, sem inovações e sem muitas enrolações, seja pelos principais premiados, ambos os projetos, homenageiam o cinema. "A Invenção de Hugo Cabret" com 5 premiações técnicas e podemos dizer, o grande vencedor da noite, "O Artista", também com 5 estatuetas, porém, as mais importantes, Filme, Diretor para Michel Hazanavicius, Ator para Jean Dujardin, Trilha Sonora e Figurino. 

Os prêmios foram bem justos, no geral. Ainda vejo o filme de Terrence Malick, "A Árvore da Vida" como ao melhor dentre os indicados. Entretanto, a obra parece grande demais para o Oscar, era óbvio que não ganharia, acredito que "O Artista", estando mais nos padrões da Academia e por ser o melhor dentre os favoritos "Hugo Cabret" e o fraco "Os Descendentes", mereceu levar o de Melhor Filme. Foi justo.


Erros. Acredito que os injustiçados da noite tenha sido em apenas três categorias. Efeitos Especiais, que premiou "A Invenção de Hugo Cabret", sendo que na mesma categoria havia nomes como "Harry Potter e as Relíquias da Morte-Parte 2" e "O Planeta dos Macacos - A Origem", que definitivamente mereciam mais o prêmio. E a estatueta para Fotografia, também entregue para "Hugo Cabret", que possui sim um belo trabalho, mas o que dizer de "A Árvore da Vida"? O uso da fotografia neste filme é de um nível extremamente superior, as cenas são fantásticas, tão belas que não justificam sua derrota. Mas favorito é favorito. Além de "Os Descendentes" vencendo como Melhor Roteiro Adaptado, lamentável, os outros concorrentes era bem melhores neste quesito, como "Hugo" e "Tudo Pelo Poder".

Melhores Momentos. Entre os melhores momentos da noite, citaria a premiação de Octavia Spencer como Melhor Atriz Coadjuvante, foi belíssimo ver sua emoção, mais belo ainda foi ver toda a platéia a aplaudindo de pé. Ver Meryl Streep surpresa também rendeu um ótimo momento a noite, a veterana que já possuí 2 Oscars, venceu seu terceiro e parecia não acreditar e ainda dizia que ouvia metade dos norte-americanos reclamando por sua vitória. Ela mereceu. Christopher Plummer e o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, sendo o mais velho ator a vencer o prêmio. Teve ainda uma incrível performance do Cirque du Soleil com composição de Danny Elfman, suprindo a falta das Canções Originais que pela primeira vez não foram apresentadas ao vivo.



Vamos aos vencedores...

MELHOR FILME
O Artista

MELHOR DIRETOR
Michel Hazanavicius (O Artista)

MELHOR ATRIZ
Meryl Streep (A Dama de Ferro)

MELHOR ATOR
Jean Dujardin (O Artista)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
A Separação (Irã)

MELHOR ANIMAÇÃO
Rango (Gore Verbinski)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Meia Noite em Paris

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Os Descendentes

MELHOR TRILHA SONORA
Ludovic Bource (O Artista)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Man or Muppet (Os Muppets)

MELHOR FOTOGRAFIA
A Invenção de Hugo Cabret

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
A Invenção de Hugo Cabret

MELHOR MAQUIAGEM
A Dama de Ferro

MELHOR FIGURINO
O Artista

MELHOR EFEITOS ESPECIAIS
A Invenção de Hugo Cabret

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
A Invenção de Hugo Cabret

MELHOR MIXAGEM DE SOM
A Invenção de Hugo Cabret

MELHOR EDIÇÃO
Millennium- Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

MELHOR CURTA-METRAGEM
The Shore

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Undefeated

MELHOR DOCUMENTÁRIO (curta-metragem)
Saving Face

MELHOR ANIMAÇÃO (curta-metragem)
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

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