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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Crítica: Sem Fôlego

O visual é de tirar o fôlego sim, mas a história nem tanto.

por Fernando Labanca

"Wonderstruck", no original, significa maravilhado. Um título pretensioso que logo remetemos a sua aventura cheia de elementos deslumbrantes, feitos para encantar os olhos. Baseado no livro homônimo de Brian Selznick, que aqui também assina o roteiro, a obra muito nos lembra outra adaptação do autor, "A Invenção de Hugo Cabret". Com cenários lúdicos, maquinários retrô e seu tom de fábula infantil, nitidamente estamos falando do mesmo criador. E da mesma forma que Scorsese aproveitou para homenagear o início do cinema em 2011, Todd Haynes (Longe do Paraíso, Carol), que dirige este, acaba entregando um produto nostálgico e, também, uma bela homenagem ao cinema antigo, mudo e preto e branco, que se torna ainda mais encantador por colocar a atriz Millicent Simmonds, que é surda na vida real, para protagonizar esses instantes. Estamos falando de um diretor extremamente caprichoso, que enriquece cada pequeno detalhe e nos transporta no tempo. De fato, parece que estamos vendo um filme de anos atrás.


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Retrospectiva 2017 - As Melhores Atrizes Coadjuvantes


Seguindo adiante com a retrospectiva aqui no blog, fiz uma lista com as melhores atuações femininas em papéis secundários. Selecionei dez atrizes que se destacaram com suas personagens, tentei ser justo com minhas escolhas e se caso lembrarem de alguma que ficou de fora, deixem nos comentários!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Crítica: Manchester À Beira-Mar (Manchester by the Sea, 2016)

Indicado ao Oscar de melhor filme, "Manchester À Beira-Mar" é uma grande surpresa. Dirigindo por Kenneth Lonergan, temos aqui uma obra melancólica, densa e que vai muito além do que parecia ser.

por Fernando Labanca

Desde quando vi o trailer de "Manchester by the Sea" me questionei do porquê era visto como um dos favoritos ao Oscar e se ele realmente merecia tal posto. Alguns críticos ainda o citaram como uma das melhores obras de 2016 e pelo o que havia sido vendido, parecia algo simples como um drama familiar qualquer. Justamente por isso, a sensação que se tem ao assisti-lo é de uma constante surpresa. É muito maior do que o trailer sugeriu e a trama, incrivelmente bem escrita, emociona de forma profunda e nos deixa atordoados por cada brilhante detalhe.

Casey Affleck é um dos grandes responsáveis pela grandeza de "Manchester À Beira-Mar". Seu olhar vazio diz muito e seus silêncios são ensurdecedores. Um personagem difícil que o ator defende com força e muita honestidade. Ele dá vida a Lee Chandler, um homem que vive uma rotina insignificante em uma pacata cidade. Tudo muda quando seu irmão (Kyle Chandler) morre e com isso precisa retornar à sua cidade natal para avisar seu sobrinho, Patrick (Lucas Hedges), sobre o ocorrido.  No local, Lee passa a relembrar todos os trágicos acontecimentos que o fizeram partir dali e no meio do caos que sua vida se torna, ainda recebe a notícia de que o irmão lhe deixou a guarda do filho. 


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Globo de Ouro 2012 - Os Vencedores


Na noite deste último domingo (15/01), a Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood realizou a entrega dos prêmios do Globo de Ouro 2012. Mais uma vez apresentada pelo britânico Ricky Gervais, a premiação dá a largada oficial às apostas do Oscar que acontece em fevereiro.

por Fernando Labanca

Como era de se esperar, poucas surpresas aconteceram. "O Artista" foi o grande vencedor com três estatuetas, em seguida, a comédia dramática de Alexander Payne, "Os Descendentes", com dois prêmios. Algumas premiações foram bem óbvias: Maryl Streep para Melhor Atriz-Drama (A Dama de Ferro), George Clooney para Melhor Ator-Drama (Os Descendentes) e Michelle Williams com o prêmio de Melhor Atriz-Comédia (Sete Dias com Marilyn). 

A grande surpresa da noite, a meu ver, foi o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para Octavia Spencer por sua atuação do drama "Histórias Cruzadas". Christopher Plummer também surpreendeu e saiu com o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante por "Toda Forma de Amor". E quanto ao prêmio de Melhor Diretor, sinceramente, não esperava por essa. Martin Scorsese, de novo! É algo que já virou clichê e que de tão óbvio não esperava que a premiação se permitisse a isso. Não que ele não mereça, é um gênio, mas poderia ser uma chance de premiar outro nome. E diferente de alguns anos anteriores, o diretor vencedor não venceu por Melhor Filme. E para minha felicidade...Woody Allen e seu adorável "Meia Noite em Paris" com o prêmio de Melhor Roteiro.

Resumindo, Martin Scorsese, Maryl Streep e George Clooney. Sentiu que já viu esta premiação antes? Não. Não foi "deja vu", foi só a prova de que o Globo de Ouro não se renova e parece temer ser mais ousado. 

[veja a lista dos indicados]


MELHOR FILME - DRAMA
Os Descendentes ( de Alexander Payne)

MELHOR FILME - COMÉDIA OU MUSICAL
O Artista (de Michel Hazanavicius)

MELHOR DIRETOR
Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)


MELHOR ATOR - DRAMA
George Clooney (Os Descendentes)

MELHOR ATRIZ - DRAMA
Maryl Streep (A Dama de Ferro)

MELHOR ATOR - COMÉDIA OU MUSICAL
Jean Dujardin (O Artista)

MELHOR ATRIZ - COMÉDIA OU MUSICAL
Michelle Williams (Sete Dias Com Marilyn)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

MELHOR ROTEIRO
Woody Allen (Meia Noite em Paris)


MELHOR FILME ESTRANGEIRO
A Separação (Irã)

MELHOR ANIMAÇÃO
As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne (Steven Spielberg)

MELHOR TRILHA SONORA
Ludovic Bource (O Artista)

CANÇÃO ORIGINAL
Masterpiece (Madonna - W.E.)


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Crítica: Namorados Para Sempre (Blue Valentine, 2010)

Indicado ao Grande Prêmio do Juri no último Festival de Sundance e também indicado ao prêmio de Melhor Atriz para Michelle Williams no Oscar e Globo de Ouro 2011, "Namorados Para Sempre" trás uma trama forte sobre um intenso relacionamento, mas sem as mentiras de um filme de romance qualquer e com as dolorosas verdades da vida real.

por Fernando Labanca

Dirigido por Derek Cianfrance, o longa conta com as atuações de dois grandes atores em ascensão, Ryan Gosling e Michelle Williams. Na trama, conhecemos Dean e Cindy, casados, com uma pequena filha, que passam por alguns problemas pessoais e tentam encarar a triste rotina de um casal, enfrentando suas diferenças e incertezas. Para tentarem se livrar um pouco da dor da vida real, alugam um hotel "beira de estrada", visando salvar o casamento desgastado, é neste mesmo hotel, que o passado volta às suas mentes e passam a refletir sobre onde foi parar aquele amor de juventude. 

Dois jovens, que acabam se encontrando por acaso. Dean se apaixona loucamente, vê em Cindy seu futuro e promete a si mesmo que reencontraria com ela e se casaria com ela. O destino os coloca novamente juntos, passam a se conhecer, vem a paixão, a felicidade, uma gravidez não planejada, começam a vir as incertezas, começam a descobrir os defeitos de cada um, um rumo sem volta que os guiou até aquele hotel. E no presente, tentam encontrar naquele amor do passado forças para seguirem em frente.

 

"Você machuca aquele que ama, aqueles que não deveria machucar". Assim canta Dean em determinada cena ao lado de Cindy, sem se darem conta de que estavam fadados a cometerem tal erro, erro que muitos casais cometem. "Blue Valentine" (no original) nos mostra essa triste verdade, não vemos na tela aquele casal apaixonado e momentos de extrema felicidade, nem promessas falsas de amor eterno, vemos Dean e Cindy, um casal como outro qualquer, que erra, que sofre, que machuca. Aliás, são poucas as cenas que vemos um casal feliz, trata-se de um filme melancólico, doloroso, não chega a ser triste, mas incomoda, dói, nos faz refletir sobre os relacionamentos, e como o amor, a paixão, nem sempre são sentimentos eternos.

É muito interessante o desenvolver deste roteiro, sem uma ordem cronológica, dando muito mais charme, o tornando ainda mais impactante, vemos o passado e presente, conseguimos analisar como eram e como ficaram, como começou o amor ao mesmo tempo em que vemos ele sendo desgastado, e por muitas vezes é assim que funcionam os casais, parece que esquecem o que foram no passado, perdem a essência daquela paixão, e no filme, vemos em pequenos detalhes, pequenos diálogos, exatamente, aonde este amor ia se perdendo.

As atuações são fantásticas. Ryan Gosling provando ser um dos grandes atores de sua geração, mas é Michelle Williams quem acaba brilhando mais, é uma performance admirável, soube passar os estranhos sentimentos dessa personagem um tanto quanto complexa, além de mostrar apenas através de seu olhar e de suas expressões, o passar dos anos, há uma diferença em sua postura, vemos um olhar muito mais cansado no presente, é realmente belo o que a atriz nos proporciona, muito merecido sua indicação ao Oscar. 

"Namorados Para Sempre" peca nos momentos de conflitos, onde o roteiro parece se limitar um pouco a frases como "não aguento mais" "vai embora", não há uma discussão de verdade, onde os dois colocam os verdadeiros sentimentos para fora, senti um falta disso, acho que a trama merecia este momento. Mas no geral, o casal de protagonista convence, é um filme difícil, tenso, pesado, foge e muito dos clichês de romance, é uma ótima alternativa para quem espera por uma história de amor real. Também vemos em cena, uma boa trilha sonora e uma ótima direção Cianfrance, que nos mostra este relacionamento de forma crua, claustrofóbica. Recomendo. 

NOTA: 8,5




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