Confesso que tenho um prazer enorme em fazer essa lista, principalmente quando consigo reunir e destacar o trabalho de tantas atrizes que admiro. Sim, foi difícil porque tive que deixar outras que gosto para trás e fechar as 15 melhores atuações femininas. Espero que gostem dessa retrospectiva 2018 e se lembrarem de outros nomes que ficaram de fora, deixem nos comentários. Vale lembrar que levei em consideração apenas os filmes lançados no Brasil durante o período de janeiro a dezembro do ano passado.
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terça-feira, 15 de janeiro de 2019
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Crítica: Três Anúncios Para um Crime (2017)
Um dos grandes destaques do Oscar 2018, "Três Anúncios Para um Crime" é tudo aquilo que não se espera dele. É revigorante, imprevisível e surpreendentemente divertido.
por Fernando Labanca
Tenho acompanhado o crescimento do diretor e roteirista Martin McDonagh e confesso que me deixa feliz ver onde ele chegou. Suas comédias britânicas "Na Mira do Chefe" (2008) e "Sete Psicopatas e Shih Tzu" (2012) não foram exemplo de sucesso de público, mas definitivamente, fugiam do lugar comum. Era nítido que por trás desses excêntricos projetos estava alguém que pensava além, adentrava em um universo que o cinema ainda desconhecia. "Três Anúncios Para um Crime" é o ápice desta sua pequena jornada e apesar de ser seu produto mais maduro e denso, ele não ignora o humor, que não só torna sua trama pesada mais digestiva, como prova seu talento como escritor. Logo que temos aqui uma aula de roteiro, que espanta pela qualidade narrativa, desde seus brilhantes diálogos até a fantástica composição de cada personagem.


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
Globo de Ouro 2018 - Os Vencedores
Aconteceu neste domingo, 7 de janeiro, a Cerimônia de premiação do Globo de Ouro, conhecido por ser um dos maiores termômetros para o Oscar. A 75ª edição do evento foi apresentada pelo comediante Seth Meyers e foi marcada por discursos sobre assédio sofrido pelas mulheres dentro da indústria - onde todos foram de preto em forma de protesto - além, é claro, sobre igualdade de gênero.
sábado, 13 de outubro de 2012
Crítica: Aqui é o Meu Lugar (This Must Be the Place, 2011)
Nasceu no Festival de Cannes do ano passado, no qual concorreu na categoria Melhor Ator para Sean Penn. É o primeiro trabalho em solo norte-americano do italiano Paolo Sorrentino e conta, através de um road movie bastante peculiar, a trajetória de um ex-astro do rock decadente em busca de vingança.
por Fernando Labanca
Conhecemos Cheyenne (Sean Penn) e seu estranho mundo, é um astro da música que não pisa no palco há mais de duas décadas, chegou aos cinquenta anos e vive de sua antiga renda ao lado de sua companheira (Frances McDormand) numa mansão. No entanto, age como nos tempos em que era um rockstar, como se fosse um adolescente, transvestido daquilo que ele não é, fala de modo estranho, age de forma excêntrica, sem muitas responsabilidades e com muito pouco com que se preocupar. Eis que decide viajar para Nova York, assim que recebe a notícia que seu pai estava mal de saúde, um homem com quem não conversava há trinta anos. Porém, chega tarde demais, ele havia falecido e como último ato para seu pai, decide se vingar, partindo pelas longas estradas dos Estados Unidos, em busca daquele que o torturou no campo de concentração de Auschwitz nos tempos de guerra.
"Tem algo errado aqui, não sei o que é, mas tem." Esta frase é dita por Cheyenne durante todo o filme, diante de cada situação bizarra que enfrenta em sua vida. Curioso o fato desta mesma frase traduzir o sentimento que senti durante toda a trama, há algo de muito errado em tudo aquilo, mas é sempre difícil de definir exatamente o que é. Assim que o filme termina se instala um sentimento de vazio, um road movie que não nos leva para longe, que viaja mas não sai do lugar. A impressão que fica é que Paolo Sorrentino pensou em seu roteiro em partes, mas se esqueceu de visualizá-lo como um todo. Tudo é extremamente bem feito, cenas cheias de detalhes, muitos deles desnecessários, mas tudo acontece com um cuidado que chega a ser comovente, a direção de Sorrentino é definitivamente primorosa, as situações mostradas nos prende pela excentricidade, pela curiosidade de compreender aquele universo, há também diálogos inteligentes que por vezes surpreendem. No entanto, enquanto esses elementos funcionam perfeitamente bem isoladamente, se tornam incoerentes quando vistos como um todo, uma sequência de situações aleatórias, que separadas, são belas, mas juntas, não funcionam, é como se não fizessem parte de uma mesma ideia. É extremamente nonsense sua busca por vingança, a relação daquele astro com o Holocausto, pensamentos tão distantes que não há um porquê de estarem no mesmo roteiro. Chegamos ao seu fim e mal nos lembramos de seu começo, logo que não há nenhuma ligação entre eles.
"Aqui é o Meu Lugar", apesar de sua nítida incoerência narrativa, possui seus momentos brilhantes, isso devido a belíssima direção de Sorrentino, que constrói cenas muito bem planejadas, visualmente falando, é então que a fotografia se torna um grande destaque. A trilha sonora é outro ponto positivo, enaltecendo cada cena, cada sentimento. Alguns diálogos, também, são quase uma bela poesia, "Há muitas formas de morrer, a pior delas é continuar a viver", "antes do inferno, havia meu lar", entre outras vindas de um roteiro bem escrito e bastante inspirador. Muito desses diálogos servem para costurar a personalidade do protagonista ao decorrer do filme, é ele a grande atração de tudo, o longa cativa pela peculiaridade de sua vida e de sua jornada, mesmo que no fim, ela não chegue a lugar algum. Para isso, Sean Penn em mais uma boa atuação de sua carreira, porém alguns trejeitos soam forçados como a soprada constante em seu cabelo caído na testa e de fato não se compara aos grandes momentos do ator no cinema, mas ainda assim, se destaca, consegue traduzir bem este estranho homem, sem parecer cômico demais, exagerado demais, trás naturalidade, algo que parecia impossível. Ainda revemos a sempre ótima Frances McDormand e conta com algumas boas participações de um elenco desconhecido, tendo com uma das melhores sequências, a participação da irlandesa Kerry Condon que emociona por sua delicadeza. E como curiosidade, a ilustre presença de David Byrne, o vocalista da banda Talking Heads, no qual o próprio título do filme teve como inspiração uma de suas canções.
Vale pele originalidade e pela qualidade, por mais que tenha seus defeitos, não deixa de fazer parte de um cinema raro. Mesmo fora de seu país, Paolo Sorrentino realiza um trabalho, no mínimo, interessante, pecou em seu roteiro, que mesmo possuindo bons diálogos e boas intenções, não consegue criar um foco em sua narrativa, construindo um amontoado de situações aleatórias, desperdiçando uma premissa que de início pareceu boa, deixando seu grande personagem vagando em direção ao nada, onde sua complexidade e peculiaridade são ignoradas em prol de um destaque sem fundamento, o campo de concentração de Auschwitz, a história de seu pai, as torturas que sofreu, enfim, não era o momento para tais discussões, logo que tudo acaba sem grandes conclusões. No entanto, ainda consegue divertir em diversas passagens e emocionar com a trajetória de Cheyenne, este homem que esqueceu de crescer, que mais do que ir atrás de vingança, foi atrás de uma dor real, que fizesse ele sentir algo profundamente, mesmo que esta dor não fosse sua, queria sentir vida, a vida que o vazio de sua rotina o fez esquecer. NOTA: 7
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Crítica: Queime Depois de Ler (Burn After Reading, 2008)

Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme-Comédia, além de outras indicações a prêmios importantes, Queime Depois de Ler empolga o espectador com uma história inusitada, mas o resultado final é nada mais que decepcionante.
por Fernando
Uma mulher que sonha em fazer plástica, um homem que trabalha em uma academia e faz loucuras para ganhar dinheiro fácil, um ex-agente da CIA, sua ex-mulher e atual amante de um homem casado. Pronto. Queime Depois de Ler poderia se resumir a isto, mas vamos tentar tirar mais proveito disso.
Osbourne Cox (John Malkovich) é demitido repentinamente da CIA, onde era analista e acreditava que participaria de mais uma missão ultra-secreta, mas recebe a trágica notícia, isso ocorreu devido ele ter um sério problema com bebidas. Quase entrando em depressão por estar desempregado, Osbourne decide fazer algo novo, escrever um livro sobre sua vida profissional na agência e divulgar informações importantes e secretas do local. Enquanto isso, sua mulher Katie (Tilda Swinton) começa a estranhar suas novas atitudes e desaprova a idéia do livro e teme que ele morra sem lhe entragar todo o dinheiro que ela tem por direito, ao mesmo tempo, se dedica a sua vida amorosa com seu amante, Harry (George Clooney), que por sua vez também é casado, tem uma mulher adorável mas tem o péssimo hábito de se envolver com outras mulheres, já que Katie não é sua única amante.
No meio dessa confussão, surge os elementos principais. Linda (Frances McDormand) trabalha em uma academia, e pelo fato de trabalhar com sua imagem, ela decide fazer várias plásticas, porém o que lhe falta é dinheiro para realizar esse grande sonho. Linda está envelhecendo, já não tem as curvas da juventude e o pior, ainda não encontrou sua cara-metade e por isso, nas horas vagas se prende na internet atrás de sua alma gêmea. Na mesma academia trabalha seu melhor amigo, Chad (Brad Pitt), como personal trainer.
Osbourne escreve o livro, envia para a editora, suas palavras são gravadas em um CD. O mesmo é deixado sem querer na academia onde Linda e Chad trabalham, que por sua vez, cai bem em suas mãos. Chad, apesar de parecer idiota e agir como tal, não é tão idiota assim, e bola um plano para se sair bem com as informações que conseguiu, logo que de cara ele percebe estar com informações secretas da CIA. Ele se une a Linda que precisava muito do dinheiro e os dois entram em contato com Osbourne Cox para chantagea-lo. O problema é que as informações nem eram tão secretas assim e não destruíria a fama da CIA e por isso Cox não cede tão fácil e os dois completamente desajustados no ramo de chantagens, perseguições e ligações misteriosas, se perdem nesse mundo e se veem sem saída, porém esta jogada pode ser bem mais perigosa do que eles imaginavam.
Cox decide se afastar. Harry começa a frequentar a casa dele para ficar com Katie, apesar dela não demonstrar nenhum tipo de afeto por ele. Enquanto isso, Harry conhece Linda pela internet, ela começa a se envolver muito com ele, e para surpresa dele, como sendo um galinha de primeira, começa a se envolver demais com ela também. Harry sempre foi paranóico com perseguições, sempre acha que está sendo perseguido, a cada instante, a cada lugar que frequenta, principalmente por ser amante da mulher de agente da CIA, mas sua paranóia piora quando ele toma a pior de suas atitudes, ele mata um homem, agora além de amante infiel, ele também é assassino.
Chad decide ir além no plano, vai atrás de Cox, porém o que ele também não imaginava é que ele estaria fora, e acaba sendo assassinado por Harry, que o mata por puro reflexo, levou um susto por ver um homem estranho na casa de Katie e atirou. Linda mesmo não sabendo da morte de Chad, percebe que o plano seguiu muito além do que ela esperava, para ela o amigo estava desaparecido e teme que algo de ruim tenha acontecido com o amigo, seu grande amigo.
Um plano simples que acaba ganhando proporções inimagináveis. Pessoas desconhecidas que acabam se relacionando por motivos inusitados. Esse é Queime Depois de Ler, filme dirigido pelos irmãos Joel e Ethan Coen pouco tempo depois de filmarem Onde os Fracos Não Têm Vez.
O filme fala sobre pessoas que já chegaram a certa idade, mais precisamente na casa dos trinta, que tantam simplesmente sobreviverem, cada um de sua forma, cada personagem cria sua própria batalha para conquistar seus desejos, sejam eles pecados, poder, riqueza, caprichos.
Mas Queime Depois de Ler não passa de um filme experimental dos irmãos Coen que parece terem brincarado de fazer filme. Talvez essa não tenha sido a intenção, mas o filme parece um rascunho, algo criado para futuramente ser algo maior. Não tem muito propósito e nem sentido e por isso parace ser uma brincadeira, uma brincadeira de gente grande. É divertido, mas não funciona como cinema, a impressão que fica é que perdemos o nosso tempo assistindo uma obra engraçada, mas uma obra particular, feita por eles e para eles, agrada pelas personagens e pelas situações originais, mas peca feio ao tentar construir uma história, onde no final, tudo se resulta em nada.
O grande ponto positivo foram as atuações. Tilda Swinton é sempre surpreendente, tem uma cara que (aparentemente) não expressa muita coisa mas ao mesmo tempo consegue ter multiplas faces e nesse filme não é diferente. George Clooney, sem dúvida, tem sua melhor atuação, há anos eu vejo filmes com ele e ele simplesmente consegue fazer a mesma coisa sempre, inclusive ano passado quando foi indicado ao Oscar por ter feito o mesmo de sempre, mas nesse filme, ele conquista o público mesmo sendo tão errado. John Malkovich também está ótimo com seu Osbourne Cox e convense na pele do ex analista da CIA. Mas os melhores foram Frances McDormand, que está simplesmente incrível no filme, tem uma naturalidade que poucas atrizes tem, é carismática e divertida e as cenas em que está presente são os bons momentos do filme, o mesmo acontece com Brad Pitt que segue firme num dos momentos mais brilhantes de sua carreira, logo após surpreender com seu Benjamin Button, ele enche nossos lábios de sorriso com seu Chad, irreverente, original e extremamente carismático. O filme ainda conta com boas participações de Richard Jenkins (indicado ao Oscar esse ano) e J.K Simmons.
Se for para perder seu tempo assistindo esse filme, que seje pelos atores. É divertido e original, mas não espere muita coisa, a decepção pode ser grande. Os irmãos Coen conquistou grande parte da crítica, só falta tantar conquistar o público. Mas particularmente, se existe um grande defeito em suas películas é o fato deles simplesmente não se importarem em concluir o filme. Isso é básico, toda obra, tem seu inicio, meio e fim e eles se recusam a fazer um fim para cada roteiro que escrevem. Eles colocam uma arma nas mãos de uma personagem e pronto, o fim está feito. Foi assim em Matadores de Velinhas e Onde os Fracos Não Têm Vez. E com isso, faz com que o filme não valha a pena, pois simplesmente foi algo que aconteceu mas não se concluiu.
NOTA: 5
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