Greta Gerwig parece entender como ninguém como é alcançar a fase adulta. Diretora e roteirista, ela cria uma obra que conversa e muito com seus outros trabalhos, "Frances Ha" (2012) e "Mistress America" (2015). Quase como uma trilogia não oficial, ela oferece uma espécie de manual sobre amadurecimento. Seu cinema é gostoso de ver porque é fácil se identificar e porque diz mais sobre nós do que queremos admitir.
por Fernando Labanca
É preciso ressaltar e não poderia iniciar essa crítica de outra forma a não ser dizendo que "Lady Bird" é um filme muito agradável. Parece pouco afirmar isso de alguma obra, mas a questão é que são poucas a conquistar isso. Aquela sequência de imagens que passam por nós e nem sentimos o tempo passar. Aquele conjunto de elementos tão bem orquestrados que nos impede de pensar em qualquer outra coisa. O coming of age de Greta Gerwig funciona porque nos leva para dentro da tela e é um prazer enorme acompanhar seus deliciosos minutos. Dá vontade de abraçar toda sua criação e agradecê-la por entender tão bem o que é ser jovem, o que é crescer. Por levar tão a sério os dilemas mais fúteis da adolescência e nos fazer enxergar naquela protagonista tão problemática um pouco de nós. O filme acompanha este momento de amadurecimento de uma jovem que se auto denomina Lady Bird. Estudante de uma escola católica, vive com sua família em Sacramento, uma cidade que parece não ter nada a lhe oferecer. E entre amores, desilusões e novas descobertas, tenta a todo custo ingressar em uma faculdade bem longe dali, sonhando sempre um pouco mais alto, tentando ser mais do que todos ali esperam dela e mais do que ela espera de si mesma.












