sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Os Melhores da Década - Suspense/Terror


Voltando com os especiais "Melhores da Década", desta vez o foco são os filmes de terror/ suspense, não que sejam um único estilo, mas sei que não farei dos melhores suspenses da década, até porque é um gênero complicado de definir e escolher, e todo terror tem lá sua dose de suspense, então vamos lá!

por Fernando Labanca

Analisando tudo o que ocorreu nestes últimos dez anos, realmente não é fácil selecionar os melhores, ainda assim tenho que admitir que foram lançadas muitas porcarias nos cinemas, e no meio de tanta coisa ruim, tentei encontrar aquelas obras que valeram a pena ver, não só porque deram sustus, mas porque eram simplesmente, bons filmes. Aliás, muitos veem grandes filmes de terror, como aqueles que assustam mais, como aqueles que dão mais medo, nunca acreditei nisto, claro que é sempre bom levar alguns sustos, mas o essencial é ter uma boa história, um propósito maior do que simplesmente impedir as pessoas de dormirem, ter bons atores também conta e muito, não deve ser fácil fazer um filme do gênero, é muito fácil fazer um longa de terror e falhar, isso ocorreu e muito dentre esses anos, mas vale relembrar o que houve de bom, seja uma boa direção, um bom elenco, um bom roteiro com boas sacadas.

Infelizmente nos últimos anos, terror acabou sendo assimilado com filmes nojentos, quanto mais sangue, melhor! Jogos Mortais e suas inúmeras sequências estão aí pra provar. Torturas e mais torturas, não, definitivamente, isto não é terror! Falando em Jogos Mortais, a década também fora marcada por sequências desnecessárias, como "Premonição" (que chegou no 5 recentemente), o retorno de Freddy Krueger, Jason e Michael Meyers, que não fizeram nada de qualidade, retornaram por dinheiro mesmo e falharam. Até mesmo "O Exorcista" teve sequência! Refilmagens também tiveram grande peso, mas nada inovaram, como "O Massacre da Serra Elétrica", "Viagem Maldita", "A Profecia", "Horror em Amityville" e "Madrugada dos Mortos" também houve casos como "O Chamado" e "O Grito", refilmagem de filmes japoneses, que aliás, houveram muitos. Algo que virou "modinha" também foram os falsos documentários como "REC" e "Atividade Paranormal", que fizeram bastante sucesso.

Menções honrosas: Abismo do Medo (2005), O Amigo Oculto (2005), Arrasta-me Para o Inferno (2009), Jogos Mortais (2004)

vamos ao TOP 15....


15º. O Quarto do Pânico (Panic Room, 2002)
de David Fincher / EUA


Jodie Foster encara a mãe superprotetora de Kristen Stewart neste grande projeto de David Fincher. As duas, recém chegadas em uma mansão, com inúmeros cômodos e um quarto do pânico, com portas blindadas e segurança máxima, feito para situações de perigo, o que elas não esperavam é que teriam que usá-lo não muito tempo depois da mudança, logo que a casa é invadida por três homens. Poderia ser um filme bem simples, mas o roteiro bastante original nos surpreende a cada minuto, onde vários acontecimentos inesperados surgem, reviravoltas e boas sacadas, com direito a cenas finais de tirar o fôlego! Também vale pela ótima atuação de Foster, vemos ainda boas performances de Kristen Stewart, Forrest Whitaker e Jared Leto, além, é claro, da ótima direção de Fincher, que aliás, não chega a ser tão impactante quanto seus outros projetos, mas ainda assim é um ótimo filme.



14º. Sinais (Signs, 2002)
de M.Night Shyamalan / EUA


Bom, sou um fã admitido de Shyamalan, sei que nem sempre ele acerta por completo, mas quando ele acerta, faz filmes memoráveis, é o caso de "Sinais". Também confesso que gosto de Et's, não sei porque, mas esta temática sempre me chama a atenção e quando bem pensada gera bons projetos, e este filme sem sombra de dúvida foi o que mais gostei! Vemos Graham (Mel Gibson), um homem desacreditado na vida que perdera a esposa, tem a difícil missão de cuidar dos filhos pequenos, por sorte, conta sempre com a ajuda de seu irmão, Merrill (Joaquin Phoenix). Até que estranhas imagens, misteriosamente, começam a surgir em sua plantação, formando símbolos, não muito tempo depois, percebem que não estão sózinhos naquele lugar. Surpreendente, um suspense fantástico que prende a atenção desde os primeiros minutos, um roteiro esperto que sabe guiar o mistério. "Sinais" tem uma ótima história e usando a premissa "nada acontece por acaso, tudo tem um propósito maior" o filme atinge momentos de inteligência, enfim, ótimas sacadas, final incrível, e vale destacar as atuações de Mel Gibson e Joaquin Phoenix, digna de palmas.



13º. Na Companhia do Medo (Gothika, 2003)
de Matthieu Kassovitz / EUA


Um daqueles filmes que você lê a sinopse, vê a capa, e finge que não vê, que poucas pessoas viram e poucas comentaram sobre. Chegou do nada nos cinemas e logo fora esquecido, o que é uma pena, trata-se de um ótimo filme de terror. Halle Berry vive uma psiquiatra que depois de um incidente certa noite, perde a consciência e quando acorda, descobre estar internada como deficiente mental exatamente onde trabalhava, sem saber o que houve e o porquê de estar ali. Até que descobre que matou seu próprio marido e o pior, está sendo perseguida por espíritos do mal nos corredores da clínica que tentam de alguma forma se comunicar com ela. Incrível, a história prende bastante a atenção, há ótimos personagens, e os acontecimentos são surpreendentes, cheios de bom suspense e inteligência. O filme ainda conta com coadjuvantes de peso como Robert Downey Jr. e Penélope Cruz. Ah! E o final é ótimo, grande sacada!



12º. Extermínio 2 (28 Weeks Later, 2007)
de Juan Carlos Fresnadillo / Inglaterra


Grande terror britânico, que mistura ficção ciêntífica e drama, continuação do aclamado filme de Danny Boyle de 2002. Como o título original já diz, a história se passa 28 semanas depois dos acontecimentos do primeiro, onde um vírus se espalha, transformando as pessoas em terríveis zumbís sedentos por sangue. Aqui, o caos se acalma, os sobreviventes são levados para um distrito, construído pelo governo afim de restaurar a vida e paz no local, é neste evento que uma família se reúne novamente, o pai (Robert Carlyle) e seus dois filhos, o problema que sua esposa fora assassinada pelos zumbís e ele permitiu tal acontecimento, vivendo assim assombrado de culpa e levando consigo o vírus, que aos poucos vai tomando conta dele e o transformando num monstro e graçás a sua presença, o caos retorna. Os dois irmãos fogem pela sobrevivência, é onde encontram um grupo de sobreviventes tentando escapar do distrito. Não é tão bom quanto o primeiro, mas ainda assim é uma obra fantástica, a direção é primorosa, a maneira como Fresnadillo captura as imagens é genial, as cenas de fuga, de ação, são feitas com extremo capricho, ajudado pela ótima maquiagem, trilha sonora e a bela fotografia. Um filme de terror completo, capaz de assustar e nos envolver com uma ótima história. O "Extermínio 2" também conta com Rose Byrne e Jeremy Renner no elenco.



11º. Espíritos - A Morte Está ao Seu Lado (Shutter, 2004)
de Banjong Pisanthanakun, Parkpoom Wongpoom / Tailândia


Um casal de fotógrafos atropelam um pedestre e fogem, ignorando tal acontecimento, tentam retomar suas vidas, até que percebem que isso não seria tão fácil, logo que estranhas figuras passam a surgir em suas fotos, é então que vão atrás de estudos que revelam tal fenômeno, descobrindo então que se trata de espíritos tentando algum contato. Paralelamente, alguns de seus amigos passam a morrer misteriosamente. Na mesma linha de "O Grito", fora lançado justamente quando o terror oriental fazia sucesso, o grande diferencial deste é que ele é bom. Uma história básica, mas consegue chegar ao seu objetivo: assustar, um dos poucos filmes de terror que realmente deu medo nesta década, o que dizer de seu final? Além de surpreendente, de deixar qualquer um de boca aberta, ele trás um final extremamente assustador, de ficar na memória durante muitos dias. Enfim, espíritos é um tema muito tratado em filmes do gênero, mas poucos conseguiram alcançar tal êxito.



10º. Identidade (Identity, 2003)
de James Mangold / EUA


Uma pequena obra-prima do cinema norte-americano, um terror psicológico cheio de bons diálogos, cenas de tirar o fôlego e uma riqueza de detalhes para ninguém por defeito. Devido a uma forte tempestade, várias pessoas são obrigadas a se instalarem em um hotel de beira de estrada, pessoas de vários cantos, cada um com sua personalidade, tudo vai bem até a chegada de um policial (Ray Liotta) e um prisioneiro que estraga a paz do local, piora ainda mais quando este suposto assassino desaparece, não muito tempo depois, cada pessoa ali hospedada vai sendo assassinada, é quando todos percebem estarem presos e passam a questionar sobre suas vidas e o que há de comum entre eles, logo que aquele encontro não se tratava de uma mera surpresa do destino. O longa conta astros como John Cusack, a belíssima Amanda Peet, além de Clea DuVall e Alfred Molina. Filme para se ver mais de uma vez, é complexo, cheio de detalhes, seu final deixa dúvidas, mas depois de algumas reflexões passa a fazer sentido. O cinema utilizando seu melhor recurso, a reflexão, poucos filmes do gênero ousaram fugir da linha de conforto, da linha do aceitável pelo público, James Mangold mandou muito bem neste poderoso projeto.



09º. Jogos Mortais II (Jigsaw 2)
de Darren Lynn Bousman / EUA



Cheguei a comentar na introdução a minha frustração pelas continuações desnecessárias, sim, Jogos Mortais faz parte deste grupo, mas antes de se tornar filme pra vender descaradamente, houve um momento de inteligência, isto se resume ao primeiro e segundo filme, muitos indicam o primeiro como o melhor, mas sempre vi a segunda parte como o ápice da saga. Fiquei muito tempo parado sentado no sofá ao término do filme, tentando compreender o que eu acabava de ver, não acreditava, não só pelo grandioso final, mas pelo filme inteiro mesmo, me surpreendeu e muito, mais do que eu esperava. O longa mostra mais um jogo de Jigsaw, o assassino dos enigmas afim de mostrar o valor a vida a suas vitimas, desta vez, o plano é muito maior, ele reúne várias pessoas numa casa, com veneno e elas só precisariam do antídoto para sobreviverem, o problema é que para isso, talvez elas tivessem que matar umas as outras. Enquanto isso, um policial e pai ausente que investiga o caso, descobre que seu filho está no meio daquelas pessoas. Um ótimo terror, cheio de reviravoltas, há aqueles momentos de tortura e agonia, característica da saga, mas há inteligência, ótimas sacadas e mais uma vez, um dos melhores finais do gênero nesta década.



08º. A Órfã (Orphan, 2009)
de Jaume Collet-Serra / Canadá, França, Alemanha, EUA


Um casal vivido por Vera Farmiga e Peter Sarsgaard vai atrás de uma criança para adotar, logo que perderam um filho recentemente (e devido a isso a esposa visita uma psicóloga frequentemente). Sendo um filme de terror, já dá até pra imaginar o que aconteceria, sim, a menina adotada vira a vida da família num inferno, tem atitudes estranhas e mortes misteriosas começam a apontá-la como a assassina, o pior era que a única pessoa que enxergava isso era a "mãe" que era acusada de ter recentes problemas mentais. É um daqueles filmes que desde o início apontam para o óbvio, é então que vem a surpresa e o transformam num dos melhores da década neste gênero, não só o final fantástico e super original, mas toda uma série de acontecimentos antes dele, além de interessantes, nos fazem sentir medo, agonia, e muita raiva, desta incrível personagem chamada Esther, a órfã. Me surpreendeu pois achei que seria mais do mesmo, mas não, é uma obra de terror bem feita, roteiro bem desenvolvido e muito bem finalizado, destaque para perfeita performance de Vera Farmiga.



07º. [REC] ([REC], 2007)
de Jaume Belagueró e Paco Plaza / Espanha


Ángela Vidal é uma repórter de um programa de variedades da madrugada, eis que em certa matéria, ela mostra a rotina dos bombeiros, o que ela não esperava é que eles entram em ação quando em um apartamento, vizinhos se assustam com os gritos de uma mulher, é então, que essa se mostra diferente de um ser normal, uma espécie de zumbi capaz de matar violentamente por sangue, até que todos percebem que era contagioso, e logo os moradores do local passam a se transformar em estranhas e medonhas figuras, não demorando muito até que o apartamento ficasse em quarentena, deixando os sobreviventes presos, inclusive Ángela e seu inseparável cinegrafista. Uma surpresa, uma grata surpresa. Ninguém havia comentado, ninguém esperava que esta obra chegaria, ficou conhecido por boca-a-boca quando chegou tímido aos cinemas e não demorou muito para ser aclamado. Um dos poucos filmes que me fizeram sentir medo de verdade, um dos poucos que fez fechar os olhos para não ver. A história é básica, mas o modo como ela é guiada é fantástica, nos prende facilmente, as cenas são repletas de bons sustos, e os personagens são bem desenvolvidos, caso raro no gênero. Um filme que marcou o terror nesta década, não poderia ter ficado de fora.



06º. O Orfanato (El Orfanato, 2007)
de Juan Antonio Bayona/ México, Espanha


Conhecemos Laura (Belén Rueda) que retorna 30 anos depois ao orfanato no qual foi criada afim de restaurá-lo, ao lado do marido e de seu pequeno filho, mas ao retornar fortes lembranças voltam a sua mente ao mesmo tempo em que seu filho passa a criar amigos imaginários e a ter estranhas atitudes, é então que ela percebe que o local ainda é habitado. Visualmente belo, "O Orfanato" mostra o poder do cinema mexicano, tem uma história poderosa, cheia de bons detalhes e um final surpreendente, é repleto de boas cenas e sabe lidar tanto com o suspense que é bem amarrado, quanto ao drama que nos emociona. Um filme fantástico que me pegou de surpresa e olhando para trás vejo com toda a certeza de ser um dos melhores que surgiu.


05º. O Hospedeiro (Gwoemul, 2006)
de Bong Joon-Ho / Japão, Coréia do Sul


Mais uma surpresa no gênero foi "O Hospedeiro", filme japonês que possui uma interessante história, ótimos personagens e até mesmo bons efeitos especiais. Pesquisadores norte-americanos acabam descartando certo material tóxico num lago. Neste mesmo lago, surge um terrível monstro decidido a botar o terror, neste local, trabalhava uma família, onde um irresponsável pai acaba perdendo de vista sua filha no momento do ataque, nisso, o governo depois de pesquisas descobre que o monstro é na verdade um hospedeiro de um vírus contagioso, é quando que a família, o avô, o pai e seus dois irmãos, passa a ser seguida para permanecerem em quarentena logo que tiveram contato com a criatura, mas eles decidem fugir até mesmo para reencontrarem e menina perdida. Uma ficção ciêntífica bem elaborada, de deixar qualquer obra norte-americana humilhada, rende bons sustos, mas aqui a história é o grande destaque e a maneira como ela é guiada e a meneira como estes grandes personagens vão sendo desenvolvidos, elementos raros no gênero. Uma obra que sabe usar do bom humor para ser irônica e bastante crítica, nos faz acreditar no inacreditável durante os minutos de projeção, isso graçás ao realismo como a trama é tratada. Enfim, um filme de terror que não surpreende pelo grande filnal, mas sim pela sua qualidade.



04º. A Vila (The Village, 2004)
de M.Night Shyamalan/ EUA


Uma vila perdida no tempo, pessoas que vivem com medo e moram cercadas por um bosque no qual os mais velhos fazem questão de espalhar certas lendas, como o fato daquele bosque ter a presença de cristuras do mal, criaturas cujo o nome não deve ser pronunciado, local onde nenhum morador deve ter a ousadia de atravessá-lo. Até que após um acidente, causando ferimento em dos moradores, Ivy (Bryce Dallas Howard) que era apaixonada por ele, decide enfrentar o medo de todos e atravessar a floresta para buscar remédios na cidade além do limite da vila, o problema era que ela era cega, mas seu amor fala mais alto. Enfim, muitos não compreenderam a obra de Shyamalan, muitos, aliás, detestam, mas sempre o vi como uma obra grandiosa, o melhor trabalho do diretor depois de "O Sexto Sentido", emocionante, inteligente, ousado, com um final incrível que foge dos padrões e daquilo que as pessoas esperam de um filme de terror. Um filme que soube como poucos revelar a verdadeira sociedade norte-americana, aquela que vive com medo e aquela que não aceita os que vem de fora e finge não ver o que há além de seus limites. Destaque para as incríveis atuações de Bryce Dallas Howard, Joaquin Phoenix e Adrien Brody, além é claro, da mente de Shyamalan que dirigiu e escreveu esse belíssimo filme.



03º Extermínio (28 Days Later, 2002)
de Danny Boyle / Inglaterra



Um grupo de ativistas liberam macacos que estavam sendo usados para uma pesquisa, o problema era que eles estavam infectados. 28 dias depois, Jim (Cillian Murphy) acorda em um hospital e o vê cercado do extremo vazio, levanta e anda pelas ruas e já não mais vê vida, é quando que é perseguido por seres sedentos por sangue, mas é salvo por dois estranhos, mas logo um deles morre e assim, Jim e a outra sobrevivente, Selena (Naomi Harris) continuam fugindo atrás de comida e outros sobreviventes, é então que encontram um pai e uma filha e juntos passam a migrar de lugar a lugar tentando se salvar desses zumbís, ao mesmo tempo em que descobrem sentimentos perdidos, como o amor, confiança e a sensação de ter uma família. Realmente tudo o que ocorre em "Extermínio" é uma grata surpresa, não esperava ver o que vi, acreditava que se tratava de mais um filme de zumbí, mas não, é definitivamente o melhor deles que houve nesta década, o filme não perde tempo nos mostrando sangue e mais sangue, tiros e perseguições descenessárias, Danny Boyle inova, cria um ambiente apocalíptico, mas se prende mais nos personagens e isso é o que houve de melhor, em como os personagens vão crescendo na trama, a busca deles por manter a dignidade, e nisso, há momentos emocionantes e diálogos memoráveis. Um filme marcante, uma obra fantástica, terror indie de poucos recursos, mas com idéias geniais, um dos melhores momentos de Danny Boyle nos cinemas.



02º. O Nevoeiro (The Mist, 2007)
de Frank Darabont/ EUA


Uma forte tempestade cai sobre uma cidade, fazendo com que David (Thomas Jane) decida fazer compras num mercado para deixar de estoque, levando seu pequeno filho consigo. Entretanto, muitas pessoas tiveram a mesma idéia, todos amendrontados com o ocorrido, até que surge um indivíduo sangrando e aterrorizado dizendo para fecharem as portas pois havia algo de errado do lado de fora, não demorando muito para alguns homens, inclusive David descobrirem que se tratava de uma enorme criatura capaz de matar, eles tentam convenser as pessoas de que se havia algo inimaginável, porém os moradores acabam que tomando atitudes extremas, e o medo e a insegurança os leva até o limite, vão perdendo aos poucos a humanismo, vão se degradando, e provam que o maior perigo estava dentro e não mais fora do mercado. "O Nevoeiro" fora baseado na obra de Stephen King e mostra não só uma das melhores adaptações vindas de um livro do autor, como um dos melhores terror desta década, é simplesmente genial, Frank Darabont soube criar um bom suspense, nos prende a atenção, o filme é tenso, e no fim nos surpreende com seu final denso e ousado, como poucos filmes ousaram chegar. Maravilhoso, bem feito, personagens muito bem escritos e atuações convincentes. Uma obra memorável.



1º. Os Outros (The Others, 2001)
de Alejandro Amenábar/ Espanha, França, EUA

Enfim, o primeiro lugar! Não podia ser outro, todos que estão na lista são incríveis, mas este vai além. "Os Outros" foi o único, acredito eu, que soube utilizar do há de melhor no terror, nos amedronta de verdade, sentimos medo, levamos sustos, há toda uma elaboração de um clima denso, pesado, sentimos medo de pequenos detalhes, como o andar de uma personagem, um olhar, o cenário também ajuda bastante para o clima, além da iluminação, trilha sonora e até mesmo da maquiagem, ao mesmo tempo em que se utiliza desses bons recursos, ele nos envolve numa trama inteligente e que nos faz pensar, não é entretenimento barato. Em outras palavras, um filme completo.

Conhecemos Grace que vivia num casarão com seus dois filhos na época da 2ª Guerra Mundial, certa dia acorda como se despertasse de um terrível pesadelo, é então que recebe a visita de três estranhos e logo ela se recorda serem os novos empregados da casa, porém, a vida naquele lugar havia regras: não poderiam abrir as cortinas devido a alergia de seus filhos a luz e não poderiam sair de um cômodo sem antes trancar as portas. Neste mesmo lugar, Anne, a filha de Grace passa a conversar com seres que só ela era capaz de ver, causando medo na família, e a partir de estranhos acontecimentos, eles passam a ter a certeza de aquela casa estava sendo habitada por outras pessoas.

Genial, uma história inteligente, que nos prende, nos envolve, há um verdadeiro terror, vi várias vezes e até hoje sinto medo, mesmo já sabendo de seu final, e a cada vez vejo algum detalhe que havia perdido. Nicole Kidman está fantástica, sem sua incrível performance o filme não alcançaria a perfeição, além dos coadjuvantes muito bem cena, inclusive dos pequenos atores. Tudo funciona bem em "Os Outros", trabalho de gênio. Uma obra marcante, cheia de boas cenas e um final surpreendente, talvez, um dos melhores desta década. Enfim, vale a pena ser conferido, pois ao meu ver, é o terror da década, em seu melhor estilo, o obra que marca o gênero nesses últimos 10 anos!

[Os Melhores da Década - Comédia Romântica]
[Os Melhores da Década - Comédia]

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cinema: A Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011)


Vencedor do Palma de Ouro de Melhor Filme no último Festival de Cannes, "A Árvore da Vida" mostra o retorno de um dos diretores mais aclamados da indústria, Terrence Malick (Além da Linha Vermelha, Terra de Ninguém), que em quase quatro décadas de carreira, estréia seu quinto filme, apenas. O longa, também, levou cerca de quatro anos para ser editado, mostrando o aprimoramento quase que obsessivo do diretor, e na tela vemos o resultado perfeccionista e cheio de belos detalhes. "The Tree of Life" conta com Brad Pitt e a novata Jessica Chastain no elenco.

por Fernando Labanca

Texas, década de 50, conhecemos Jack (Hunter McCracken), um garoto que vive com seus dois irmãos e seus pais, a Sra. O'Brien (Jessica Chastain) que mantém uma conexão muito forte com a natureza, enxerga beleza nas coisas mais simples, além de manter um relação muito íntima com Deus. O pai (Brad Pitt) é o patriarca, gosta de provar que ele é quem manda no lar, é rígido e não aceita desrespeito às suas regras. E através do jovem e inocente olhar de Jack, veremos a rotina desta família, os conflitos com o pai, o ciúmes que mantém de seu irmão mais novo, e a vontade de querer mais atenção e ter uma relação mais profunda com o pai, a intenção de compreender Deus assim como a mãe ao mesmo tempo em que O questiona. A beleza da mãe e toda a harmonia que ela consegue transmitir, as brincadeiras no jardim, as conversas e a liberdade que sentiam na ausência da rigidez do pai.

E essa história de família vai além, desde os primórdios da história, o início de tudo, o Big Bang, passando pela evolução humana, década de 50 no Texas, anos mais tarde, a perda de um dos filhos e o desiquilíbrio emocional que se instala, até muitos anos depois, Jack (Sean Penn) perdido em sua rotina no mundo contemporâneo, tentando encontrar algum sentido para sua vida e relembrando sua jornada e tudo o que marcou para sempre em sua mente e o transformou no que ele é hoje.


"A Árvore da Vida" dá um volta enorme para contar a jornada de uma família, mas o filme vai muito além disso, mostra o quanto nossa história se iniciou muito antes do que nós lembramos, a nossa vida é só uma pequena parte na história do universo. Terrence Malick transforma a vida em poesia, é um ode a vida, ao milagre que existe e pouco percebemos, nossa árvore genealógica se iniciou muito antes, houve grandes acontecimentos para hoje estarmos vivos, logo, cada amanhecer, cada anoitecer, uma brincadeira de família, um simples abraço, uma conversa, um olhar, é tudo um pequeno pedaço de um plano maior, é um milagre. O quanto nós somos pequenos diante do universo, mas o quanto cada pequena ação de um dia pode nos marcar, o quanto as conexões que fazemos a cada dia com as pessoas que amamos nos é impostante, e uma época feliz assim como a infância pode nos definir para sempre, pode ter valido uma vida inteira.

Terrence Malick testa aqui um cinema completamente novo, fora dos padrões, não há um roteiro organizado, não há começo, meio e fim, há apenas imagens (e belas imagens) com diálogos soltos como narrações em off, são como poesias ilustradas. E digo com toda a certeza, foi uma das experiências mais profundas e emocionantes que tive numa sala de cinema este ano, é bom ver algo novo, original, mas é melhor ainda ver algo feito com tanto cuidado, com muita alma, é tudo muito sentimental, cada palavra ali parece ter sido selecionada e feita para mexer com o público, faz com que nos emocionemos em cenas simples como um simples almoço de família, é tocante, é um projeto único, feito com verdade, para ser refletido e ser levado em nossas memórias durante muito tempo.

O visual é fantástico, fiquei realmente sem palavras, visualmente falando, o filme mais lindo de 2011 até agora, cada imagem ali é de tirar o fôlego, é tudo muito belo, as cores, o modo como a câmera as captura, é surreal. Fotografia impecável. Para aprimorar nada melhor que uma boa trilha sonora, Alexander Desplat foi o selecionado e fez, digamos, um trabalho excepcional.

O longa peca por distanciar o público em várias passagens, como uma longa sequência nos mostrando detalhadamente a evolução humana, praticamente estava diante de um documentário ciêntífico, quase me esqueci que havia uma história acontecendo ali, acredito que tenha sido um grande erro, desiquilibra o que estava ótimo, quebra o clima totalmente. Além de vários diálogos soltos que temos que deduzir quem é o destinatário, é feito de forma interessante e bastante bonita, confesso, mas nem sempre funciona. Mas o pior de todos os erros, foi a inserção de Jack adulto, na pele de Sean Penn, o personagem não faz o menor sentido, aparece em algumas cenas, não fala, e parece completamente perdido, deslocado, não há como compreender sua existência, até mesmo o próprio ator confessou recentemente que não entendeu sua presença no filme.

Não há o que comentar de Sean Penn, lamentável. Brad Pitt, por sua vez, constrói um personagem interessante, mas longe de ter uma grande atuação, faz muito bem, mas nada surpreendente. O destaque fica para os novatos, a bela Jessica Chastain está irretocável, brilha assim como a trilha sonora e as imagens surreais, está perfeita, convense como a mãe dedicada e esposa submissa, há tanta beleza e leveza em seu olhar, enfim, fantástica. O jovem Hunter McCracken é quase que um protagonista, é ele quem vai nos guiando, há muito força neste pequeno ator, como há poucos diálogos, os sentimentos se prendem no olhar, e seu olhar é poderoso, consegue transmitir os sentimentos um tanto quanto complexos de Jack.

"A Árvore da Vida", mais uma vez, é um filme belo, tanto no visual, quanto no roteiro, nas atuações, na trilha sonora, enfim, um conjunto de elementos em estado perfeito capaz de criar uma das obras mais marcantes do ano. Terrence Malick faz um incrível trabalho, me lembou por muitas cenas o cinema de Stanley Kubrick, principalmente em "2001: Uma Odisséia no Espaço", desde a riqueza de detalhes, ao silêncio, a lentidão, a perfeição. Há sim seus erros, mas são pequenos no meio de tantos acertos. Um projeto poderoso, grandioso, que fala sobre a vida e todos seus desdobramentos, sua complexidade, sua intensidade, seus mistérios, seus milagres, e sobre os caminhos que seguimos, no caso, o diretor nos apresenta dois: o caminho da graça, o dom de Deus e da natureza, a vida terrena. Recomendo, um filme memorável.

NOTA: 9



quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Cinema: Melancolia (Melancholia, 2011)


Vencedor do Prêmio de Melhor Atriz no último Festival de Cannes para Kirsten Dunst, "Melancolia" marca o retorno de um dos diretores mais polêmicos do cinema, o dinamarquês Lars von Trier. Sempre apostando num estilo mais ousado que o normal, consegue fazer o que alguns julgam de impossível, consegue chocar e mexer com os sentimentos do público de forma bem intensa, assim como "Dançando no Escuro" (2000), "Dogville" (2003) e "Anticristo" (2009). Em seu mais novo trabalho, o diretor que também assina o roteiro, faz uma mistura de drama com ficção ciêntífica.

por Fernando Labanca

Assim como em outros trabalhos do diretor, "Melancolia" também é dividido em capítulos, mas neste caso, em apenas dois: Justine e Claire. Um é uma continuação do outro, mas são bem distintos em suas idéias. Na primeira parte, vemos o passar de uma só noite, o casamento de Justine (Kirsten Dunst), já no segundo, o roteiro nos apresenta a aproximação de um outro planeta, o que poderia ocasionar uma colisão com a Terra, logo, o fim do mundo.

Na noite de seu casamento, Justine aparenta estar feliz com o grande acontecimento, até que tem uma série de atitudes estranhas e inesperadas e aos poucos vai se mostrando um tanto quanto depressiva, e todo aquele evento passa a ser um mar de superficialidade, ela fingindo que está feliz e os convidados fingindo se divertirem. Tudo fora um presente de sua irmã Claire (Charlotte Gainsbourg) e seu cunhado, o arrogante John (Kiefer Sutherland). Justine não se encontrava ali, estava infeliz e a grande noite passa a ser um evento de decepções para todos, logo que suas atitudes acabam que tendo consequências.

Na segunda parte, conhecemos Claire e sua rotina, com seu marido e seu pequeno filho. John é um cientista e soube da notícia da aproximação de Melancolia, um planeta que estava se aproximando, e sua colisão com a Terra poderia ter terríveis consequências, mas sabia que havia uma pequena probabilidade disto acontecer. Até que ela recebe em sua casa, sua irmã, Justine, agora, de forma abatida, depressiva ao extremo, sem mais fé na vida, ela já não se importa com seu fim, diferente de Claire, que tem esperança de uma salvação, mas quando percebe que tudo está indo para o caos, acaba perdendo seu controle e equilíbrio emocional que sempre provou ter.


"Melancolia" começa com uma série de imagens um tanto quanto estranhas, uma espécie de prelúdio nos antecipando de alguns eventos futuros, ao som de música clássica, von Trier nos apresenta seu filme mais completo, visualmente falando, é tudo hipnotizante, é belo, suas cores, a fotografia é fantástica, mesmo não fazendo sentido algum de imediato. Toda trilha é instrumental e forte, conversa bem com as cenas, e consegue transmitir as emoções de forma correta, mas seu visual é o que realmente mais chama a atenção. É diferente, parecem quadros de pinturas reais, nos remete um pouco uma mistura de pré-rafaelismo com surrealismo.

O roteiro é lento, tudo acontece de forma gradual. No primeiro capítulo, ele nos mostra a superficialidade daquela noite de Justine e como ela se encontrava num estado profundo da depressão, já na segunda, vemos a transformação gradual de Claire para este estado de choque. Isto é o que vemos de imediato, como primeira parte de uma interpretação, já na segunda parte desta interpretação, assim como todo trabalho de Lars von Trier, é uma obra bem pessoal, subjetivista, como consequência, cada público enxerga os eventos de maneira particular também, o filme deixa isto em aberto, não há como chegar numa conclusão concreta. O que vejo, na verdade, é a Melancolia aparecendo como duas formas distintas, uma emocional e uma mais física. Como forma de sentimento, a melancolia toma conta das personagens, em Justine ela já fazia parte e vamos assistindo ela indo ao fundo poço, diferente de Claire que vai se degradando, aparentemente era o pilar da família, forte e equilibrada, mas quando a vida é questionada e ela se depara com o caos, ela perde o controle, é onde realmente conhecemos ela, quando enxergamos sua fraqueza, ainda há uma terceira oposição, que seria John, aquele elemento na história que parece suportar tudo, mas compreendemos que isto era apenas uma casca que ele vestia, e acaba que tendo a mais surpreendente atitude dentre todos. E melancolia, em forma física, a peça que vai guiando os acontecimentos e graçás a sua presença, conhecemos os verdadeiros limites de cada personagem.

Lars von Trier também questiona a vida, existe realmente algum motivo para querermos viver? Vemos isso em Justine, que abatida não mais enxerga o porque de torcer contra o choque com Melancolia, e não possui palavras para fortalecer sua irmã, só consegue dizer que existe infelicidade, nem sempre as coisas são boas com a gente. É interessante analisar também o relacionamento com Justine com seu pequeno sobrinho, onde ele passa o filme inteiro tentando criar uma conexão maior com ela sem perceber o estado crítico em que ela se encontrava, é quando que no final, ela lhe oferece a única coisa que ela podia ali naquele momento, mesmo que não acreditasse, a esperança, era somente isso que ele precisava e somente ela percebera. "Melancolia" também nos prova o quão pequenos nós somos diante do universo e o quão sózinhos estamos neste grande planeta, e quando vemos ao filme temos este sentimento de solidão, parece não haver mais nada na Terra, somente aquela mansão onde vive a família. Esta é a ficção científica de von Trier, ele não perde tempo mostrando o quanto a colisão poderia afetar o mundo, mas sim, aquelas quatro pessoas.

Kirsten Dunst está realmente fantástica, não haveria como compreender Justine somente com o texto, precisávamos de uma grande atriz para transmitir toda a bagunça que há na mente da personagem, todas as suas oscilações, do humor ao tédio, da felicidade à forte depressão, da superficialidade de seu sorriso, do vazio do seu olhar, da esperança inexistente, do cansaço de seu andar, enfim, personificação incrível. Charlotte Gainsbourg também faz bonito, já havia trabalhado com Lars von Trier em "Anticristo" e prova aqui mais uma vez seu grande talento. Kiefer Sutherland até que me surpreendeu, não vi ali na tela um Jack Bauer, vi um ator competente. De resto do elenco, ótimos atores, personagens inúteis que nada alteram o resultado final, despediçando nosso tempo com seus diálogos.

Como citei acima, há um certo desperdício de tempo em "Melancolia", poderia ter sido resumido, sem sombra de dúvida, é um filme longo, por sua monotonia, parece ser mais longo ainda. Na primeira parte, no casamento, há ótimas sequências, mas quando percebemos que mais da metade delas poderiam ter sido cortadas pois nada explicam o que já era difícil e não fazem diferença alguma na conclusão final, digamos, dá uma certa raiva. Personagens entram e saem de cena e perguntamos, o que foi isso? Era realmente necessário? Falo disso, principalmente quando penso na presença do ótimo Stellan Skarsgard que faz o chefe de Justine, é simplesmente inútil sua passagem e o pior que há inúmeras delas, além de vários outros personagens que não fazem o menor sentido. Na segunda parte, há vários diálogos e cenas desnecessárias, é tudo muito parado, já havíamos percebido o quando Justine estava mal, mas parece que Lars von Trier não queria deixar dúvidas nessa parte, assim como as inúmeras verificações da aproximação de Melancolia, são chatas, não precisava.

E este foi o maior erro do filme, se extender por pouco, toda esta extensão não facilita sua compreensão, é tudo muito aberto, subjetivista, a reflexão maior acontece em nossa mente e não na tela, pelo contrário, parece ser algo vazio, cenas bizarras saídas da mente de Lars von Trier, o filme em si, é pouco reflexivo, é ousado somente no visual, suas idéias parecem pequenas, não há diálogos marcantes, é longe de ser criativo e intenso quanto "Dogville" ou polêmico quanto "Anticristo", é uma obra pequena perto de sua grande carreira, não que eu esperasse um filme prontinho, com conclusão dada de mão beijada, mas acredito que seja possível se fazer obras subjetivistas, com aberturas para reflexões mais profundas. No fundo, "Melancolia" não vai muito além de uma sequência de imagens nonsenses, feitas por um diretor superestimado. Vale conferir, mas não espere muita coisa, confesso que tinha grandes expectativas, e no final, senti uma grande decepção.

NOTA: 5



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Cinema: Super 8 (Super 8, 2011)


Em 2009 surgia nos cinemas "Star Trek", mostrando os eventos iniciais desta famosa franquia, grande responsabilidade para um diretor quase que iniciante, JJ Abrams, a mente por trás da série "Lost" encarou o desafio e fez não só um dos melhores filmes daquele ano, como uma das mais fantásticas ficções científicas desta década. Era fato, a sétima arte revelara um talento. Este ano, Abrams surge com "Super 8" e prova de vez que é um dos bons diretores da atualidade, numa trama criativa que relembra os clássicos da década de 80, para guiá-lo ninguém melhor que Steven Spielberg, que trabalha aqui como produtor. O cinema precisava relembrar o que já foi bom, "Super 8" veio na hora certa.

por Fernando Labanca

Verão de 79. Joe Lamb (Joel Courtney) é um garoto apaixonado por cinema e junto com seus amigos, Charles, Martin e Cary tentam concluir um filme caseiro de terror trash para participarem de uma competição local de jovens cineastas. Até que devido a um acidente, sua mãe falece, tendo que conviver apenas com seu pai (Kyle Chandler), que nunca soubera exercer a função de pai muito bem, sempre muito afastado e nunca compreendendo os sentimentos do filho. Joe, então, decide rodar o filme e esquecer seus problemas, tudo melhora, aliás, quando a atriz convidada para a única personagem feminina da trama é a garota que estava afim no colégio, Alice (Elle Fanning). Até que certa noite, quando eles resolvem filmar numa estação ferroviária, acontece um evento curioso, um trem em alta velocidade atravessa os trilhos chocando com uma caminhonete, causando uma enorme colisão.

Deste acidente, uma teia de acontecimentos começa a surgir na pequena cidade Lillian. O exército que já rondava o local passa a ir atrás de pistas para o ocorrido e compreender o que aquele motorista fazia naquele momento, o mesmo fazem os garotos que percebem que não fora um mero acidente. Não muito tempo depois, coisas começam a desaparecer, além de cachorros e pessoas, deixando um ar de mistério e suspense por todas as ruas. Mas havia uma Super 8 no memento da colisão que poderá revelar muitas respostas.

Este ano, "Super 8" iniciou uma divulgação pesada, desde teasers nos cinemas ou pequenos vídeos na internet que nada revelavam do que realmente se tratava o filme. Esse mistério valeu a pena, essa curiosidade que eles conseguiram plantar no público (pelo menos em mim, deu certo) fez com que cada cena ali na tela fosse uma grata surpresa. Há um mistério que cerca o filme inteiro e a maneira como ele é guiado é digno de grande produção Hollywoodiana, há um bom suspense e JJ Abrams acerta mais uma vez, sabe guiar esses acontecimentos. O roteiro é fantástico, em questão de minutos, inúmeros fatos ocorrem, toda a história se altera e tudo flui de forma objetiva, clara, sem parecer forçada ou acelerada. Tudo acontece em seu tempo, mas sem muitas enrolações, o mistério funciona muito bem e nos prende do início ao fim! Trabalho de gênio.



Trabalho de gênio de JJ Abrams, não só por ter conseguido amarrar o suspense, mas por ter feito algo de altíssima qualidade, resgatou o que houve, não necessariamente de melhor no cinema, mas de uma fase cheia de ingenuidade e que sentimos falta às vezes, filmes como "ET" ou "Goonies", onde crianças são as protagonistas, e há aquela aventura bem desenvolvida e todo um clima de inocência, que entretem e diverte. "Super 8" é uma belíssima homenagem a este cinema que ficou para trás, uma homenagem as nossas "sessões da tarde", mas diferente de todo o resto que trabalha em Hollywood, JJ Abrams resolveu não adaptar ou refilmar algo já criado, ele encarou o desafio de fazer algo novo, e utilizando deste clima nostálgico para inserir uma trama completamente diferente. A idéia funciona muito bem, a história é bem simples, poderia muito bem ter sido criada na década de 80, assim como os clássicos de Spielberg que ainda fazem sentido nos dias de hoje. E toda esta nostalgia mesclada com a tecnologia que o cinema possui, há grandes efeitos, mas felizmente ficam em segundo plano.

Por outro lado, "Super 8" peca pela sua conclusão. O roteiro arma toda uma estrutura gigantesca, com grandes acontecimentos e querendo ou não, nasce dentro do público uma expectativa muito alta a cada minuto, esperamos um grande final, surpreendente, e infelizmente isso não ocorre. O filme termina e fica um certo vazio, não teve o final que merecia, a razão para todo o mistério é simples demais, parece pequeno diante de todo o filme. Mas ainda assim, este defeito não destrói o beleza do longa, o propósito dele é ser simples. Ainda vemos na tela, ótimas locações, e uma bela construção dos anos 70/80, desde os cenários ao fantástico figurino, tudo remete perfeitamente aquela época e aos filmes que vimos deste tempo.

Quem brilha mesmo na obra, é sem sombra de dúvida seu elenco de jovens atores, garotos, que agem como garotos e que conseguem levar o filme nas costas com tranquilidade, são verdadeiros protagonistas, que nos guiam, nos diverte e nos emociona em determinadas partes. As atitudes desses meninos convencem, desde a paixão pelo cinema, a relação familiar e a descoberta de um novo amor. Joel Courtney, com mais destaque na trama, funciona bem, assim como os outros garotos com quem contracena. Os veteranos Kyle Chandler e Noah Emmerich também não decepcionam. Mas o destaque de "Super 8" vai para a interessantíssima Elle Fanning, que vem desenvolvendo um ótimo trabalho nos cinemas, e aqui ela brilha e logo nas primeiras cenas vemos seu grande talento.

Sim, "Super 8" tem seus pequenos defeitos, mas ainda digo com toda a certeza, é um dos filmes mais interessantes que fora lançado nos cinemas este ano, por revitalizar uma parte morta na sétima arte, um estilo que se perdera no caminho, e ainda assim conseguir ser original. É muito bom ir ao cinema em pleno 2011 e se deparar com uma idéia como esta, me senti entrando numa máquina do tempo, quando os filmes que hoje vemos na "sessão da tarde" eram lançados em tela grande. Aliás, ao ver "Super 8" realmente me senti vendo um filme "sessão da tarde" e pela primeira vez senti que isso não era um defeito e sim uma grande qualidade, é um ótimo filme sessão da tarde, que merece ser visto, apreciado. Palmas para JJ Abrams, mais uma vez: TRABALHO DE GÊNIO!

NOTA: 8


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Cinema: Amor a Toda Prova (Crazy, Stupid, Love, 2011)


Comédia romântica para homens. Um grandioso elenco fortalecendo o gênero e provando que clichês bem usados podem resultar grandes obras.

por Fernando Labanca

Da dupla de diretores Glenn Ficarra e John Requa que ano retrasado lançaram o mediano, mas ainda assim bastante original, "I Love You Phillip Morris" com Jim Carrey, estreiam essa comédia romântica com pitadas de drama e com um resultado bastante superior a obra anterior. Não, não é mais um no gênero, apesar dos clichês foge do padrão, dessa vez o foco são os homens e não há uma só história a ser contada, na tela, aparecem diversas situações, ora cômicas, ora dramáticas, que nos mostra de forma eficiente os obstáculos a serem enfrentados quando se ama alguém.

Em uma mesa de um restaurante, Cal (Steve Carell) pergunta a sua esposa, Emily (Julianne Moore) o que ela gostaria, é então que a verdade surge, ela queria o divórcio. Assim, simples, rápido, a vida deste pacato homem se desmorona. Depois de anos de casados, Emily já não sentia aquela forte paixão do início do relacionamento, para piorar, transou com um colega de trabalho, o bonitão David Lindhagen (Kevin Bacon). Perdido, desolado, ele sai de casa e passa as noites reclamando de seu pobre destino num balcão de um bar, é onde conhece Jacob (Ryan Gosling). Jacob, por sua vez, frequenta o mesmo bar para por em prática todo seu dom de sedução e conquistar de forma barata as mais belas mulheres, até que se depara com um "não" certa noite, vindo de uma jovem extremamente interessante, Hannah (Emma Stone), mas isso foi só um porém, não muito tempo depois se depara com aquilo que tomaria seu tempo, salvar a vida de um cara, desolado no balcão do bar, havia algo naquele solitário indivíduo que precisava de uma solução.

Jacob passa a ensinar Cal a se comportar como um "homem de verdade", que sabe conquistar, muda suas roupas e seu corte de cabelo, mas mesmo se dando bem com a mulherada, Cal percebe que a felicidade só poderia ser encontrada com sua esposa, aquela que ele realmente amava. Enquanto isso, seu filho, Robbie (Jonah Bobo) passa por uma triste desilusão amorosa, logo que sente uma atração muito forte por sua babá, alguns anos mais velha que ele, a bela Jessica (Analeigh Tipton), que por sua vez, sente uma forte atração pelo pai dele, Cal. Ainda há Hannah que mesmo bem sucedida em sua promissora carreira de advogada, percebe que sua vida amorosa não passa por uma boa fase, logo que esperou durante muito tempo ganhar um pedido de noivado de seu namorado, decide então, partir para outra, encarar um novo desafio, ou seja, dar uma chance aquele cara do bar que recebeu seu não.


Eu diria que foram, mais precisamente, 118 minutos muito bem preenchidos, história assinada por Dan Fogelman, mais conhecido por escrever roteiros para animações, como os ótimos "Bolt", "Enrolados" e "Carros", aqui ele escreve de forma bastante inteligente e direta todas essas histórias, de desilusões e confusões amorosas, onde cada trama é bem respeitada e tem seu merecido espaço, nenhuma acaba com o brilho da outra, e todas são bem desenvolvidas e muito bem concluídas. A direção de Glenn Ficarra e John Requa evolui desde "I Love You Phillip Morris", é bem feito, o trabalho com os atores foi fantástico, há um ótimo ritmo em todas as histórias, sabe divertir, emocionar e encantar de forma eficiente.

Os clichês aqui aparecem em muitas passagens, há discursos que muitas vezes parecem ter sido tirados de outros filmes, por vezes, nem respeitando a personalidade de cada personagem. Entretanto, são tão bem encaixados no roteiro, tem fundamento, faz parte daquele contexto, nada surge de forma forçada, diria até, que tudo é muito adorável. Em certo momento, numa discussão com sua esposa, onde as coisas ficam mais claras para o casal, o personagem de Steve Carell declara "Que clihê", isso porque a cena ocorria debaixo de chuva, e vamos ser sinceros...que clichê! Por outro lado, é genial o fato do próprio filme brincar com isso, ele mesmo se admite clichê, logo, uma das sequências mais fantásticas do filme. E pela obra admitir isso, tudo o que surge na tela, parece ter sido desculpada, parece fazer parte de uma brincadeira, na verdade, aceitamos o piegas em "Amor a Toda Prova" e o pior, torcemos por eles. Enfim, há inúmeras sequências incríveis, confesso que quero muito ver de novo e me deparar com todas elas novamente.

O elenco é soberbo. Steve Carell é incrível, sou fã de "The Office" e tudo o que este grande ator faz, sabe fazer comédia como poucos e ainda se arrisca no drama e sempre funciona. Julianne Moore é uma daquelas atrizes que já não precisam provar mais nada, já contribuiu demais para o cinema e já provou inúmeras vezes seu talento, aqui ela faz o mesmo de sempre, mas é Julianne Moore, mesmo quando ela faz o "mesmo de sempre", ela arregaça. Ryan Gosling tem trilhado um caminho interessante em Hollywood, há anos atua, mas ainda não teve seu merecido espaço, espero que vejam seu talento, é um bom ator e aqui ele diverte em cena e convense com seu Jacob. Entretanto a maior graça de "Crazy, Stupid Love" é sem sombra de dúvida Emma Stone, é sempre bom vê-la em cena, seu carisma enche a tela, faz ótimas sequências, é bastante expressiva e faz o filme valer a pena. Marisa Tomei aparece como uma estérica, o que é ótimo, porque ela faz estéricas como ninguém e sua participação diverte bastante. Ainda temos os veteranos Kevin Bacon e John Carroll Lynch, bons. Outro destaque são para os mais novos, Jonah Bobo e Analeigh Tipton, que mesmo iniciantes, convensem e muito com seus respectivos personagens.

Uma comédia romântica como poucas. Assistindo ao filme eu via inúmeros elementos que me fizeram ter a certeza de que eu estava diante de algo brilhante. Jacob é aquele conquistador incorrigível, se acha o maioral, ao mesmo tempo que mostra ter alguns segredos, a trama nos prende a ele, queremos descobrir quem realmente é este homem, analisar toda sua mudança durante o filme é algo interessante também, enfim, não darei spoilers, mas há uma ligação maior entre ele e Cal. A relação de Cal e Emily até que emociona, é bem simples, mas os pequenos diálogos nos mostra a fragilidade do casal e torcemos por eles. Jessica, a babá, passa por aquela fase onde a ingenuidade é perdida, o roteiro trabalha brilhantemente em sua pequena trajetória, onde a complexidade de sua personalidade é mostrada de forma sutil e cômica, dando brilho ao longa. E ainda o pequeno Robbie, que tem a coragem de fazer loucuras por amor, por não ter o medo e falta de coragem dos adultos. O Amor em diferentes idades, diferentes tempos, diferentes pontos de vista, e todas essas tramas se fundem de forma, digamos, até que surpreendente, não há como esperar as surpresas que a obra reserva para os minutos finais. É piegas, é clichê, mas é muito bom também, vale cada segundo. O fato de ter seus pequenos defeitos não desfaz o fato de ser um filme inteligente, e mesmo quando parte para o absurdo, politicamente incorreto, sabe ser maduro. Uma obra de qualidade, como poucas, que convense tanto no drama quanto na comédia, emociona tanto quanto diverte, sabe ser complexo, maduro e inteligente e mesmo assim entreter os menos exigentes. Recomendo.

NOTA: 8,5


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Crítica: Reencontrando a Felicidade (Rabbit Hole, 2010)

Indicado ao Oscar 2011 de Melhor Atriz para a veterana Nicole Kidman, "Rabbit Hole", com tradução brasileira forçada "Reencontrando a Felicidade", mostra não só uma das melhores performances femininas deste ano, como também a força de um elenco poderoso sob o texto de um roteiro inteligente, capaz de emocionar sem fazer muito.

por Fernando Labanca

Confesso que o filme nunca me chamou a atenção por nada, o título nacional ajudou bastante para o meu preconceito, Nicole Kidman é uma atriz que admiro mas estava afastada e fazia tempo que não a via fazendo algo de qualidade, até que ele chega nos cinemas bem tímido mas recolhendo críticas altamente positivas, me fez pensar duas vezes, felizmente.

O longa dirigido por John Cameron Mitchell, narra a história de um estranho casal, Becca (Kidman) e Howie Corbett (Aaron Eckhart), vivem naquele típico subúrbio norte-americano, jardins impecáveis na frente de mansões que escondem famílias "felizes". A estranha rotina do casal é logo confirmada, perderam recentemente um filho, atropelado por um carro em alta velocidade. A partir de então, tentam de diversas formas, esquecer o que aconteceu.

Passam a frequentar uma reunião para pais que perderam filhos, é onde Howie conhece Gaby (Sandra Oh), uma mulher que perdera seu filho há 8 anos e a todo este tempo está tentando se recuperar, quadro que Becca faz questão de não vivenciar, deseja viver em paz em curto tempo, passa a retirar detalhes de sua casa que o lembre, tenta encontrar respostas para o fato, é quando que reencontra com Jason (Miles Teller), o jovem que matou seu filho e que tenta se recuperar também, está prestes a terminar o colégio e devido ao ocorrido se fixa numa idéia mirabolante para a criação de um livro, se fecha na fantasia, na idéia onde pessoas entram pela "toca do coelho" e encontram a verdadeira felicidade, felicidade que jamais seria encontrada na vida real.


A ideia de "Rabbit Hole" é bem simples, o segredo da obra está nos pequenos detalhes, na maneira como o roteiro tenta resolver seus conflitos, na maneira como as personagens encaram seus problemas, está em cada diálogo e em cada pequena ação. Em suma, o filme é bem original, a trama já fora vista antes em outras obras, mas o jeito como ela acontece é bem diferente, não força a barra, não tenta ser melodramático e em nenhum momento as personagens agem de forma clichê, tudo o que é dito tem fundamento, é verdadeiro, e acima de tudo, é humano.

A direção de John Cameron é incrível, faz tomadas muito bem elaboradas e sequências dignas de admiração. O roteiro, mais uma vez, vale a pena conferir, é vendo tal pérolas como esta que me faz ter a certeza de que ainda existe vida inteligente em Hollywood. A trilha sonora, intrumental, sempre chega na hora certa e sabe guiar os momentos mais tensos até aos mais dramáticos. Ainda há humor e muito bem inserido, aliás.

O que dizer de Nicole Kidman? É até complicado avaliá-la, fiquei surpreso este ano ao vê-la em "Esposa de Mentirinha", mas sua presença em "Reencontrando a Felicidade" compensou tal fiasco, esta é a verdadeira Nicole Kidman, que sabe fazer drama como ninguém, sua personagem é complexa e cheia de oscilações, ela encara perfeitamente o desafio, sua indicação ao Oscar não foi exagero, ela simplesmente dá um show. Seu companheiro de cena, Aaron Eckhart também fez bonito em cena, é um ótimo ator e no papel certo ele sempre consegue convenser, é carismático e domina seu texto e seus diálogos com Kidman são fantásticos, há um belíssimo jogo de cena entre os dois atores. Dianne Wiest faz a mãe de Becca e me surpreendeu bastante, tem mais uma grande performance em sua carreira, assim como Sandra Oh, a eterna Christina Yang de Grey's Anatomy (que só por ela já vale a série) que está fantástica no filme. E a revelação Miles Teller, jovem e que consegue contracenar com Kidman sem perder o brilho, emociona e também convence em seu papel.

Uma obra emocionante, que comove sem exageros ou melodramas, uma trama objetiva, sem rodeios, que consegue com muito êxito mexer com os sentimentos do público, justamente por focar no humanismo de seus personagens e a loucura que se torna a vida deles após a morte de um filho, que como todos dizem, é a pior dor do mundo. Um filme que fala sobre religião, vida e morte de forma natural e corajosa. Melancólico, denso e intenso, sem um grande final feliz ou frases de grande inspirações, seu intuito não é esse, e por isso, o título nacional um tanto quanto equivocado, eles não tentam reecontrar a felicidade, eles tentam conviver com seus dramas, com os problemas, aceitá-los. O longa fala dessa aceitação da vida, dos obstáculos, e dessa vontade que sentimos às vezes de querer jugir, esquecer tudo, entrar pela toca do coelho e viver num mundo mágico, onde a felicidade seja realmente possível. Recomendo.

NOTA: 9


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Crítica: Cyrus (Cyrus, 2010)

Filme independente, sucesso no Festival de Sundance e esteve entre as principais atrações da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ano passado. Tem a direção de Jay e Mark Duplass e conta com atuações de John C.Reilly, Marisa Tomei e Catherine Keener, além do jovem Jonah Hill, mais conhecido por fazer comédia, surpreendendo num papel mais complexo.

por Fernando Labanca

O filme é uma mistura interessante e bastante original de comédia e drama, foge bastante do padrão "Festival Sundance", com aquelas situações batidas de problemas familiares com um tom "indie". Aqui, há uma situação bem inusitada e o roteiro nos permite presenciar cenas fora do comum.

Conhecemos John (C.Reilly), um homem divorciado mas que ainda mantém uma relação saudável com sua ex (Keener), que por sua vez, seguiu com sua vida e tenta encontrar maneiras de incentivá-lo a seguir também. Numa dessas tentativas, o leva para uma festa entre amigos, lá, John conhece Molly (Tomei) e não demora muito para perceber o quão especial ela era. Não levando muito jeito com mulheres, ele acaba a seguindo, descobrindo seu endereço, mas dessa péssima idéia acaba que conhecendo o filho dela, Cyrus (Jonah Hill). E deste inusitado encontro, surge uma estranha amizade, estranha, pois Cyrus é tudo menos normal.

Molly aprova o envolvimento dos dois e sente feliz por poder dividir seu espaço com os dois homens de sua vida, é quando ela decide dar um próximo passo, levar John para morar em sua casa. A partir de então, ele acaba conhecendo o estranho mundo de Molly e Cyrus, costumes bizarros e atitudes incompreensíveis, percebendo, assim, que o filho dela é uma espécie de psicopata, que o persegue e em suas costas tenta estragar a relação dele com sua mãe. E dentro destre excêntrico lar, vai nascer uma guerra silenciosa, uma luta por território e por ter um espaço maior na vida desta adorável mulher.


"Cyrus", assim como o personagem título, é tudo menos normal, uma obra bastante original, seja na construção dos personagens, seja no desenvolvimento do roteiro e nos diálogos bem interessantes. É um filme um tanto quanto inovador no quesito filmes independentes, se arrisca mais do que o normal, segue por caminhos não muito óbvios para elaborar uma história única. Lendo a sinopse, parece algo batido, mas vendo o desenvolver de toda a trama, é perceptível a originalidade da obra. É uma mistura de humor com drama, numa história bizarra levada a sério, nunca sabemos ao certo se devemos rir das situações, mas a experiência é interessante.

A construção de Cyrus, personagem de Jonah Hill é de uma inteligência rara nos cinemas, complexo e cheio de nuances, nunca conseguimos compreender quem é exatamente este ser, e o desenvolver brilhante de seu papel é a grande chave do longa, nos prende por tentar entender e chegar a alguma conclusão sobre sua diferente personalidade e seu caráter duvidoso. E no final, sua atitude surpreende, construindo então, um personagem um tanto quanto marcante, não só na carreira de Jonah Hill mas também no gênero.

Jonah Hill, aliás, me surpreendeu demais, jovem ator que desde algum tempo vem chamando atenção em Hollywood, principalmente por seus papéis cômicos e sua incrível versatilidade no estilo, aqui, ele vai além, muito além, tem uma atuação fantástica e consegue perfeitamente transmitir as oscilações de Cyrus e devido a sua performance o filme se torna superior. John C.Reilly é sempre ótimo, e marca aqui mais uma atuação notável. Marisa Tomei também ótima, mas o desenvolver de Molly é mais fraco que os demais personagens, criando um certo desinteresse do público para com ela, entretanto, as cenas de John e Molly são adoráveis e há uma boa química com todo o elenco. Ainda tem a musa veterana do cinema independente, Catherine Keener, não há como questionar, é sempre bom vê-la em cena, mesmo que numa participação.

Trilha sonora boa, direção de Mark e Jay Duplass interessante, optaram por fazer um filme com um tom mais caseiro, com direito a câmera na mão, e assim como outras obras que aderiram tal método de se filmar, a dupla de diretores consegue transmitir mais realismo e mais intensidade para a obra, mesmo que se tratando de situações bizarras. Faltou um pouco mais de ritmo, há passagens bem cansativas, além de não emocionar como deveria nem divertir como pretendia. No final, acaba que sendo uma experiência boa, por ser nova, original, mas que não fica na memória por muito tempo.

NOTA: 7



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Crítica: The Runaways- Garotas do Rock (The Runaways, 2010)

As garotas do rock! Na década de 70, "The Runaways" fora a primeira banda de rock composta somente por mulheres, numa época onde os homens ainda tinham mais oportunidades, e no cenário musical, jovens garotas decidem quebrar as regras e fazer algo novo, dar voz aquelas que nunca eram ouvidas!

por Fernando Labanca

Filme baseado nas memórias da vocalista Cherie Currie, que fora interpretada por Dakota Fanning, onde divide a tela com Kristen Stewart interpretando Joan Jett, a que deu início a banda e que retorna a suas lembranças como produtora executiva do longa. "The Runaways" fora escrito e dirigido pela iniciante Flora Sigismondi.

A trama tem início quando Joan Jett (Stewart), uma jovem apaixonada por música no ano de 1975, entra em contato com um famoso produtor musical, Kim Fowley (Michael Shannon), um excêntrico homem capaz de fazer loucuras pelo sucesso de suas criações e vê em Joan um futuro promissor, o surgimento de algo novo, uma banda de rock composta por mulheres. Entretanto, a banda necessitava de uma publicidade maior, ou seja, um rostinho bonito, é quando num bar, Kim conhece Cherie Currie (Fanning), loira, autêntica e de uma beleza admirável. Ela faz alguns testes com a nova banda, tem dificuldades, mas "The Runaways" tenta se adequar a ela. Porém, enquanto Cherie mergulha de vez nessa vida de fama e rock n' roll, tenta sobreviver com o alcoolismo de seu pai, além de ter que sobreviver com o fardo de ser a musa da banda e ver os holofotes todos virados para ela.

Confesso que tinha expectativas muito altas quanto a este filme, pelo trailer, pelo clima nostálgico, Dakota Fanning, que sempre admirei bastante, mas infelizmente, "The Runaways" foi um desperdício do meu precioso tempo, não houve nada que me prendesse na obra. Começando pela história, que não inova em nenhum aspecto, reúne todos os clichês possíveis de cinebiografias musicais, desde o envolvimento com drogas, passando pelo destaque do vocalista criando conflitos com os demais integrantes, fama subindo a cabeça, enfim, nada que filmes como "Quase Famosos" e "The Wonders" não tenha mostrado. Nem mesmo a presença feminina neste cenário consegue criar um interesse maior, o roteiro não explora esta novidade, ou melhor, o roteiro não explora nada, tudo acontece de forma batida, repetição de outras obras.

A trilha sonora até tenta dar mais ritmo ao longa, mas a trama é tão preguiçosa, que nenhum elemento é forte o suficiente para reverter o fiasco. O figurino é um dos poucos pontos positivos, além do clima criado para contar a história, desde os cenários, as locações. A diretora Flora Sigismondi, é iniciante, é até complicado julgá-la, mas é nítido que "The Runaways" precisava de uma mãozinha mais experiente, principalmente no desenvolvimento da história.

Mas a decepção maior foi nas atuações. Atuações que poderiam ter salvo o filme, mas não salvou, muito pelo contrário, foi o elemento que faltava para denominá-lo de péssimo. O que falar de Kristen Stewart? Consegue ser pior a cada trabalho que faz, o que me surpreende, para onde vai a experiência de cada filme que ela realiza? É interessante notar a diferença entre Joan Jett e Bella Swan, entretanto, ela não consegue transmitir a força necessária para compor a personagem, não há atitude de uma roqueira, ela não consegue encarar ninguém, nem mesmo com as atrizes com que contracena, falta mais garra e força de vontade em fazer um trabalho com mais qualidade. Dakota Fanning me decepcionou bastante também, é doce demais para Cherie Currie, a ponto de ser estranho vê-la em cenas sensuais ou em contato com drogas, não demonstra afinidade com isso, parece deslocada, também não tem atitude e durante o filme inteiro demonstra insatisfação e vontade de querer terminar logo a cena (o mesmo que eu sentia, aliás). Dois pares de olhos que nada expressam. No elenco, destaco somente Michael Shannon, versátil e surpreendentemente incrível em sua performance.

História fraca, clichê, dos piores, aliás, com atuações lamentáveis, diálogos vazios em cenas cansativas que me fez torcer para o filme terminar depois de 20 minutos assistindo. Parecia um projeto promissor, mas foi só aparência mesmo, "The Runaways- Garotas do Rock" peca pela preguiça, preguiça das atrizes e principalmente na criação de uma história mais original. Em nenhum momento nos faz compreender o porquê de ter virado um filme. Não recomendo.

NOTA: 3


sábado, 13 de agosto de 2011

Cinema: Capitão América- O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger, 2011)

Desde o lançamento de "Homem de Ferro 2" no ano passado, a Marvel ganhou notoriedade por dar início ao projeto de "Os Vingadores", onde não só Tony Stark estaria, mas outros heróis famosos como Thor e o Capitão América. Conhecido como o pioneiro deste movimento, Capitão América enfim surge nas telas de cinema na pele de Chris Evans e com direção daquele que entende de aventura e ação como poucos, Joe Johnston.

por Fernando Labanca

A história é bem básica. Logo no início conhecemos Steve Rogers (Evans), um jovem norte-americano que sonha em se alistar no exército e fazer parte da guerra, no caso, a Segunda Guerra Mundial. Seu grande amigo, Bucky (Sebastian Stan) conseguira tal feito, o problema era que Steve era muito franzino e tinha alguns problemas de saúde e sempre fora rejeitado. Até que a presença de um ciêntista alemão (Stanley Tucci) muda seu destino, logo que este estaria dando início a um grande experimento e decide aceitá-lo como soldado e usá-lo como cobaia deste projeto. O experimento consistia em uma máquina capaz de criar o "super soldado", transformando qualquer homem numa arma humana, assim, Steve Rogers que entrara como um muleque frágil, rejeitado pelos outros, incapaz de fazer inúmeras coisas, alvo de chacota do próprio General (Tommy Lee Jones), se transforma em um homem musculoso e num soldado exemplar.

Até que Steve Rogers passa a ser usado como símbolo do exército, criam o "Capitão América" e vestido com uma fantasia remetendo a bandeira dos Estados Unidos, ele faz algumas apresentações como forma de incentivo para os soldados e ao patriotismo. Eis que se descobre uma grande ameaça no meio da Guerra, a HIDRA, uma organização criminosa que deseja dominar o mundo utilizando uma arma de extrema potência e tendo como líder o Caveira Vermelha (Hugo Weaving), é então que Steve compra a idéia de Capitão América e vai fazer o que sempre quis, lutar pelo seu país e para isso seleciona os melhores soldados e embarca numa jornada cheia de perigos.


Como havia dito, a história é bem básica, ainda mais a colocando de lado às recentes produções da Marvel, como "X-Men: Primeira Classe" e "Thor". No quesito história, definitivamente o filme fica devendo e muito, a trama termina nos primeiros minutos e até o final são lutas, batalhas, explosões e fugas. Enfim, quem procura blockbuster com muita ação, "Capitão América" é o endereço certo, mas não espere por um "Cavaleiro das Trevas" ou até mesmo "Homem de Ferro" que foi muito superior. Não há complexidade nos personagens, Steve Rogers não enfrenta dilemas pessoais, tudo se resume a ele no meio de uma batalha, além da construção de um herói, onde esta mesma contrução se conclui antes da primeira hora, não demora muito pra ele virar ídolo de todo o mundo, onde ele é ovacionado por todos depois de alguma luta. Para piorar, a existência do vilão não ajuda em nada, Caveira Vermelha é sem sal, e tem aquele desejo mais clichê impossível de querer dominar o mundo!

Um dos elementos que salva a falta de história é a direção de Joe Johnston que prova aqui que aprendeu bem como Steve Spielberg em Jurassic Park, onde ficou responsável pela terceira parte da aventura. Joe domina bem o filme, constrói cenas visualmente belas, é tudo muito perfeito, as cenas de ação são ótimas, desde os efeitos especiais e sonoros, tudo tem um bom ritmo. Além dos figurinos muito bem feitos e explorados pelo filme e trilha sonora bem conveniente para o estilo. Tudo bem que há algumas sequências que exageram onde coisas muito além do possível acontecem, mas é um filme de herói, é quase que aceitável.

Esperava mesmo ver um Chris Evans que me fizesse queimar a língua quando fiz uma cara de espanto ao saber que ele seria o Capitão América, mas isso não aconteceu, em nenhum momento ele estraga o filme, fez o que tinha que ser feito, mas infelizmente não fez mais nada além do esperado, fez seu papel, não surpreende. Por outro lado, os coadjuvantes elevam o nível do longa, como Tommy Lee Jones, impecável na pele do General e Stanley Tucci, sempre um coadjuvante de peso e aqui não é diferente, é uma pequena participação mas muito válida. Dominic Cooper aparece como Howard Stark (o pai do Tony) e agrada fácil com sua performance que remete e muito a já construída por Robert Downey Jr., trazendo graça para o filme. A presença feminina é marcada pela desconhecida Hayley Atwell, que tem uma atuação notável e suas cenas com Chris Evans são ótimas e não ficam na chatice de herói e mocinha. Ainda vemos Sebastian Stan, ator promissor cada vez mais visto em Hollywood e o veterano e sempre ótimo Toby Jones. Ah! E o vilão Hugo Weaving que está ótimo, mas o personagem é fraco.

O que vemos em "Capitão América" é a exaltação do herói norte-americano, de forma bastante insistente e por isso, chata. Ele é bom demais, tem o coração maior que ele, ajuda a todos a todo momento, a ainda tem a contribuição da trilha sonora que exalta ainda mais sua bravura, sua honra, seu patriotista. Irrita e infelizmente o roteiro não se esforça em nenhum momento em criar um personagem um pouco mais humano, o mesmo se diz do vilão, que é fantasioso demais, caricato demais, e nunca se mostra tão poderoso quanto se diz ser, não há como temê-lo e achar que ele poderia vencer o Capitão. Enfim, duas horas preenchidas com muita ação e muitos efeitos especiais, sem grandes diálogos e sem grandes idéias. Para quem procura somente entretenimento é uma ótima escolha.

NOTA: 6,5


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