sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Crítica: 2012 (2009)


2012. O fim do mundo, o fim do calendário maia, a data onde tudo vai acabar. Quem nunca ouviu falar dessas hipóteses? E Hollywood não perde tempo para utilizar um assunto tão atual e para muitos, chocante, para ganhar dinheiro e criar um verdadeiro blockbuster. E 2012 é apenas isso, um mero blockbuster!


por Fernando

A idéia é interessante. Nos últimos anos vem se falando muito nessa data, foram lançados livros e artigos nos principais jornais e revistas. Há várias pessoas que realmente acreditam que o fim do mundo está próximo e o fim é em 2012, a ano onde marca o fim do calendário maia. Muitos acreditam que a própria civilização Maia, tão inteligente e a frente de seu tempo fizeram essa previsão. E atualmente, vivemos num mundo onde as condições climáticas estão assustando a população, onde o aquecimento global virou manchete e para muitos, é o aviso, estamos caminhando para o fim. E tudo isso serve de base para o longa 2012, a bese tem fundamento, reunindo as hipóteses lançadas nos últimos anos e foram para o futuro, o que realmente vai acontecer em 2012? É interessante, não é uma história vazia lançada do nada, tem um próposito.

Na história, no ano de 2009, cientistas descobrem as péssimas condições do planeta Terra e que em breve algo terrível aconteceria, a crosta terrestre está derretendo. Um grupo de pesquisadores tentam entrar em ação, o geólogo Adrien Helmsley (Chiwetel Ejiofor), juntamente com o poderoso cientista Carl Anheuser (Oliver Platt),vai até a Casa Branca ser a voz dos cientistas e tantar salvar o mundo do fim trágico. Entretanto, a verdade já fora lançada a um longo período, e agora a situação se tornara realmente grave, necessitando de uma atitude imediata do governo. O presidente dos Estados Unidos (Danny Glover), diante das trágicas evidências, reune os presidentes das maiores potências para os alertarem e juntos, mudarem o rumo, da destruição total a que o mundo está seguindo, devido as próprias atitudes humanas. Todos são avisados, mas nada é feito.

No ano de 2012, as evidências são comprovadas, o mundo segue para o caos completo. As grandes potências se veem sem saída e juntamente com os cientistas, lançam um projeto, a única solução imediata, a construção de naves gigantescas para acumularem o maior número de pessoas possível para se salvarem, uma espécie de Arca de Noé diante do dilúvio. Perto de tudo isso, vivia um escritor Jackson Curtis (John Cusack), era separado de Kate Curtis (Amanda Peet) com quem tinha dois filhos, e em mais uma tentativa de se unir aos filhos, ele os leva para um acampamento em uma área bem distante, mas o que ele não imaginava era encontrar o lunático Charlie Frost (Woody Harrelson), um radialista que acredita no fim do mundo mais que ninguém e se isola na área para presenciar uma das maiores catástrofes, o local onde aconteceria a erupção de um grande vulcão e apresenta a Jack as "tristes verdades do novo mundo" e as próximas catástrofes que se sucederiam a partir daquele momento e lhe mostra um mapa, onde o governo está planejando salvar toda a população. Jack sem entender nada é capturado por militares que agiam ali para evacuarem a área que era de grande risco, o vulcão explode e uma série de acontecimentos repentinos ocorrem, Jack pega seus filhos e vai atrás de Kate e seu namorado, pois percebe que as previsões do lunático estavam certas e junto com eles vai atrás do tal mapa para ser salvo pelo governo.


O governo, por sua vez, apressa as construções das naves. O presidente dos Estados Unidos tem a difícil missão de apresentar ao país a grande verdade, mas já era tarde demais. Uma sequência de desastres ocorrem, vulcões em erupções, tsunamis, maremotos, terremotos, prédios caem, as ruas se racham formando buracos enormes e milhares de pessoas morrem, a verdade é triste, é o fim do mundo. Jack e sua família se encontram com outras pessoas, inclusive com um milionário, dono de de um avião que os ajudariam a atravessar o mundo. A crosta terrestre derreteu com o aquecimento, as placas tectônicas, por sua vez, começam a deslizar, ocorrendo esses choques, outras terras são simplesmente extintas do planeta, a destruição é total e ninguém pode impedi-la. Até que Adrien e a filha do presidente, Laura Wilson (Thandie Newton), descobrem mais uma triste verdade, as naves construídas não são para todos, era preciso comprar uma vaga, porém a entrada era caríssima, ou seja, só os milionários poderiam entrar, em outras palavras, só os mais ricos estariam a salvo. A partir de então, os dois entram em uma disputa dentro da Casa Branca e com todos os envolvidos nesse plano para mudarem essa situação e salvar a todos, não importando o dinheiro que eles tem no bolso, pois a vida não preço, todos somos iguais e diante de um grande desastre não podemos nos diferenciar, todos corriam perigo, e para Adrien, o mundo estava ao fim, mas ainda havia uma chance para a salvação, e começar uma nova era com preconceitos, diferenciando as pessoas, simplesmente não era a medida mais sensata, esse era o primeiro passo para a salvação, mudar os próprios seres humanos, era preciso reformular nosso modo de vida, era preciso reaprender a ser um humano, pois os bons valores foram esquecidos há um bom tempo.


Roland Emmerich, o nome por trás de "O Dia Depois de Amanha" e "Independence Day". Já percebemos que ele, assim como muitos diretores e roteiristas hollywoodianos adoram o tema do fim do mundo. Já vimos tantas versões desse fato, de diferentes pontos de vista e infelizmente 2012 é só mais um deles, não se diferencia. Dessa vez, a destruição é total, menos piedosa que os demais filmes, há mais mortes, muito mais catástrofes, muito mais barulho. O trailer nos revela muito do filme, mas o longa ainda reserva grandes surpresas durante a projeção, diferente de O Dia em Que a Terra Parou, onde toda a grande ação do filme é exposta no próprio trailer não havendo nenhuma novidade durante o longa, em 2012, muitas coisas além do esperado acontecem, surpresas boas ocorrem, entretanto, péssimas surpresas também.

2012 é exagerado, a versão apocalíptica mais exagerada já vista no cinema. Explosões, barulhos, terremotos, e mais explosões, água para todo lado, destruição a cada minuto, é chocante, mais ao mesmo tempo, de dar dor de cabeça. É muito barulho para nada, há cenas em que parece retirada de um video game, há outras ainda, retiradas dos piores momentos da "Sessão da tarde", aliás, em muitas passagens isso ocorre, tem cenas com tantos efeitos que chegam a ser chatas e cansativas, e aliás, nem todas os efeitos são tão bons como expostos no trailer, há cenas péssimas, de muito mal gosto.



Do início ao meio, o filme é horrível, quando vemos todas aquelas destruições é tudo muito chato e algumas vezes, mal feito. Claro que na maior parte, as cenas são extremamente bem feitas onde os efeitos são muito bem utilizados. Da metade para o fim, o filme se salva, apesar do moralismo e dos clichês. A história parece que flui melhor da metade para o final, como se 2012 fosso dividido em duas partes: a destruição total e o desenvolvimento de uma história. É quando conhecemos melhor as personagens, é quando tudo se torna mais interessante. É um blockbuster, isso é fato, filme feito para ganhar dinheiro. Tem uma história bacana por introduzir em sua história estudos verdadeiros, geograficamente falando, o filme é correto (deixando de lado os exageros), e colocando junto a isso, o mito, a previsão dos maias, deixando o longa mais interessante.

Amanda Peet e John Cusack retomando a parceria, onde contracenaram juntos em filmes como "Identidade" e "Ensinando a Viver" e voltam aqui, mais uma vez, como protagonistas. Não fazem muito além do mesmo, mas a dupla funciona bem e são dois atores que nunca é demais vê-los em cena, são carismáticos e sempre bem-vindos. Danny Glover, Thandie Newton, Oliver Platt, Chiwetel Ejiofor e Woody Harrelson complementam o elenco, e todos são muito bem conduzidos e são um dos pontos bons do filme. A história é interessante, mas é fraca, e muitas vezes fica em segundo plano, logo que a atenção é sempre focada nos exagerados efeitos especiais.

É um filme longo e muitas vezes chato, é fraco, os efeitos são bons, pelo menos. 2012 tinha tudo para ser o diferencial no quesito "fim do mundo" no cinema, mas se iguala a todos já feitos, deixando a desejar, uma grande decepção. Não chega a ser o pior de 2009, pois apesar dos pesares, ainda tem seus pontos positivos. Clichês, atrás de clichês, moralismo forçado e frases feitas, esse é 2012. Levo apenas em consideração a pequena porcentagem do roteiro e dos efeitos que derrapam em algumas passagens, mas que em outras, são de extremo bom gosto, e também pela ousadia de fazer a destruição ir além do território norte-americano e chegar, inclusive no Brasil.

NOTA: 5





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