quarta-feira, 3 de abril de 2019

Love, Death + Robots: Do pior ao melhor


"Love, Death + Robots" é uma série de animação antológica destinada ao público adulto e lançada pela Netflix recentemente. Criada por Tim Miller (Deadpool) e David Fincher (Clube da Luta, Se7en), o show nos apresenta 18 episódios que funcionam mais como curta-metragens, com histórias independentes e estéticas bem diferenciadas.


Se trata de um produto muito novo e nos chama a atenção justamente porque não é algo que vemos com muita frequência por aí, não com esse alto nível de qualidade. As tramas envolvem violência, sexo, tecnologia, guerra, invasão alienígena e somos cativados por alguns roteiros complexos, outros mais simples e outros nem tão interessantes assim. No entanto, a grande sacada da série foi ter incluído neste belo projeto diferentes estúdios de animação, permitindo, assim, que cada episódio tenha um visual único. De fato, tudo o que vemos é um deleite para os olhos.

Como tramas independentes, claro que algumas histórias funcionam melhores que outras e pensando nisso, decidi fazer este ranking, citando do pior ao melhor episódio. E vocês, qual curta vocês mais gostaram?



18. Ponto Cego
Com grande inspiração no gênero heist, vemos um grupo de ciborgues que se une para completar um ataque relâmpago a um comboio em alta velocidade. É o episódio mais descompromissado de todos e, infelizmente, o menos interessante. A trama até se esforça para criar algumas surpresas, mas tudo é tão bobo que seus curtos minutos demoram a passar.



17. Metamorfos
"Metaformos" conta com um CGI impressionante, que por vezes até esquecemos que se trata de uma animação. Apesar da qualidade técnica, a história dos fuzileiros com poderes sobrenaturais nunca alcança grandes momentos. É mais um daqueles episódios que terminam e bate aquela sensação de que poderíamos ter visto outra coisa no lugar.



16. Sugador de Almas
Esse episódio até tinha potencial para mais, aliás, o começo até nos instiga e nos faz acreditar que algo de novo vai acontecer ali. O combate que nasce entre mercenários armados com gatos e um demônio sugador de sangue é curioso, mas termina sem muito brilhantismo. Um amontoado de referências e uma trama que não sai do lugar. Animação incrível, no entanto, perto dos outros curtas...este se torna bem esquecível.



15. A Guerra Secreta
Acredito que "Guerra Secreta" sofre pela ordem dos episódios. Talvez se colocado mais para o começo teria mais impacto, afinal, dentre as histórias que envolvem guerra, temos aqui a versão mais sombria de todas. No entanto, o desgaste com este tipo de trama que envolve soldados e alienígenas faz com que o episódio perca seu brilho. Quando chegamos nele aquilo deixou de ser novidade e nada do que vemos ali causa algum interesse. Um conto frio, sem grandes ideias e que, infelizmente, fecha a série com gosto bastante amargo.



14. Histórias Alternativas
A ideia é ótima. Uma das melhores, talvez. No entanto, o pouco tempo torna seus discursos tão apressados e mal desenvolvidos que termina e mais parece um intervalo descontraído do que um episódio mesmo. Nada mais é que uma brincadeira que envolve alternativas quanto a morte de Hitler e a cada nova morte, transformações drásticas sobre a história do mundo. É divertido sim, inventivo mas que se não estivesse aqui não faria falta.



13. Era do Gelo
O único episódio que envolve atores reais, temos a presença de Topher Grace e Mary Elizabeth Winstead que, como um casal, descobrem que dentro de um antigo refrigerador é possível observar toda a história da humanidade. É um conto absurdo, bobo até, mas divertido. Acaba sendo uma quebra bem grande no tom da série e isso não é tão bom. Me parece muito distante do propósito de "Love, Death + Robots" e poderia facilmente ter sido descartado. Vale porque é intrigante e ao menos nos instiga a continuar (o que nem todos os curtas conseguem).



12. Noite de Pescaria
Apesar da história extremamente simples, "Noite de Pescaria" reserva um dos momentos mais belos de toda a série. Isso graças ao seu deslumbrante visual que, em uma animação 2D com traços extremamente leves e delicados, nos encanta ao revelar esse encontro de um pai e filho abandonados numa estrada com um mar de criaturas do passado. É lindo, porém, encontra soluções sem lógica e termina como se faltasse uma parte. Soa mais como um rascunho do que um projeto pronto, que não terminou mas resolveram colocar ali da mesma forma.



11. Ajudinha
O curta nos lembra bastante o filme "Gravidade", onde uma astronauta se vê completamente à deriva no espaço, porém para ter sua vida salva precisa realizar um doloroso sacrifício. De fato, temos aqui a cena que mais provoca calafrios na série. A animação é assustadoramente realista e espanta justamente por isso. Porém, apesar do impacto, é mais um conto que termina e parece que falta algo, termina com a sensação de vazio. 



10. O Lixão
"O Lixão" é um episódio bem objetivo, coeso e simples. Funciona. A trama envolve um velho que vive em um lixão e passa a criar uma criatura para ajudá-lo a permanecer em seu lar. O visual é bem grotesco e a história diverte. Mas é aquilo, né? Não causa impacto, reflexão e no fim acaba sendo um tanto quanto descartável no meio de tudo. 



09. Proteção Contra Alienígenas
Um grupo de fazendeiros se une para defender suas terras quando são atacados por alienígenas. Temos um aqui um exemplo de curta-metragem que funciona muito bem. Uma trama simples, personagens carismáticos que são bem desenvolvidos apesar do pouco tempo e um dos melhores finais de toda a série. Termina e nos faz interpretar os acontecimentos de outra forma e este instante de reflexão é o que acaba faltando em vários episódios. 



08. 13, Número da Sorte
Este episódio lembra muito o formato de um longa-metragem, inclusive daria um belo filme. Temos aqui a presença de uma forte personagem feminina, que logo reconhecemos o rosto de Samira Wiley no papel, apesar do CGI. Ela interpreta uma piloto novata que é obrigada a voar com a "aeronave 13", conhecida por nunca retornar com sua tripulação viva. É muito interessante essa relação que acaba nascendo entre ela e aquela nave e, como consequência disso, acabamos encontrando uma das melhores histórias aqui. A animação é incrível e as sequências são realmente eletrizantes. 



07. Boa Caçada
"Boa Caçada" oferece um visual belíssimo, isso porque com suas referências de steampunk, vemos na tela uma mistura curiosa entre o Japão Feudal e a Inglaterra durante a Revolução Industrial. A união entre um caçador e inventor e uma metaforma que se transforma em uma criatura felina traz uma das histórias mais inventivas do pacote, que consegue, de forma coesa, oferecer o que a série vendeu: amor, morte e robôs. 



06. A Vantagem de Sonnie
O primeiro episódio e que vende muito bem o conceito da série. Não foi a toa a escolha por ele para nos iniciar nesta jornada. Em uma espécie de "Avatar" do submundo, pessoas tem suas mentes conectadas à monstros que batalham em um violento ringue. O roteiro é bem redondo, as cenas de violência são bem impactantes e ainda temos um final interessante. Peca nos diálogos forçados e um tanto quanto infantis, mas funciona dentro da proposta. 



05. Os Três Robôs
De longe, um dos episódios mais divertidos e originais de "Love, Death + Robots". Somos levados para uma Terra devastada por um apocalipse e três robôs caminham pelas ruas vazias tentando compreender a humanidade extinta. O texto é incrível, com bom humor e sacadas bem geniais. Os três personagens tem uma sintonia deliciosa de assistir e deixa um gosto de quero mais ao final. 



04. Quando o Iogurte Assumiu o Controle
Gosto desse episódio porque ele é absurdamente bizarro. É cômico, original e traz um texto inteligente que nos faz comprar a ideia de um iogurte que dominou o mundo. Infelizmente é muito curto - o mais curto da antologia - e teria sido ótimo se ele se prolongasse mais para que suas incríveis ideias pudessem ser mais desenvolvidas. Mas funciona no pouco tempo que tem e por isso merece estar entre os melhores. 



03. Zima Blue
Um misterioso artista decide revelar sua última obra de arte. Um dos episódios mais complexos, logo que abrange questões existenciais e um protagonista bastante intrigante. O desenvolvimento é rico e funciona como poucos, nos levando para um final surpreendente e de belíssimas reflexões. Teria sido incrível de todos os curtas tivessem tido o cuidado como tiveram com este. É belo, inteligente e um dos que melhor representa o conceito de "Love, Death + Robots". 



02. Para Além da Fenda de Áquila
Mais um CGI perfeito que nos faz esquecer que estamos diante de uma animação. O visual desse episódio é lindo e é mais um daqueles que poderia virar um longa-metragem. Começa com uma dúvida e logo vai se desenvolvendo até um final surpreendente. Somos apresentados a uma tripulação que, devido a uma viagem ao espaço que deu errado, é acordada antes do tempo estipulado e não sabe exatamente onde se encontra. É uma trama assustadora, agonizante mas que reserva seus momentos de beleza. As cenas de sexo são desconfortavelmente sexy, os personagens são ótimos e as revelações são brilhantes. Sem dúvidas, um dos maiores acertos da produção. 



01. A Testemunha
A experiência mais incrível oferecida por "Love, Death + Robots". Cheio de movimentos, cores e texturas, "A Testemunha" é o episódio mais ousado e revigorante de todos. Psicodélica, a animação traz uma interessante trama cíclica. onde uma dançarina presencia um assassinato e, a partir de então, é perseguida pelo criminoso. A direção irretocável nos oferece sequências de ação eletrizantes, além de estar repleta de erotismo e violência. O final é excelente e terminamos reflexivos sobre a fascinante saída que encontra. 


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