domingo, 8 de novembro de 2009

Crítica: A Verdade Nua e Crua (The Ugly Truth, 2009)


A verdade é nua e crua: filme simples, direto, objetivo, roteiro fraco que somente se fortalece pelo carisma dos atores principais! Ponto!


por Fernando

Poderia ser uma daquelas pérolas das comédias românticas, cheias de verdades, onde as pessoas encontram as respostas para seus problemas, aquelas típicas comédias definitivas, que chegam com tudo e permanecem na memória por muito tempo, não só pela grande história mas principalmente pela ideia exposta. A prática é simples, o filme lança uma tese e ao decorrer da história o roteiro vai lançando argumentos que provam suas idéias, por mais absurdas que elas sejam. Entretanto, ainda há aqueles casos onde a tese exposta é tão patética que nem vale a pena ficar até o final para saber no que vai dar.

A Verdade Nua Crua não está em nenhuma dessas duas opções. A tese é boa, interessante, porém, tão antiga, tão estereotipada, a moça que sonha com o cara perfeito e o cara que ela encontra é um verdadeiro machão que só pensa em sexo e pronto, mulheres e homens resumidos a isso, uma ideia repetidamente exibida pela mídia em geral.


Vamos a história. Abby Richter (Katherine Heigl) é uma talentosa produta de um famoso programa de variedades na tv, o problema é que esse mesmo programa está caindo na mesmice, a audiência está caindo cada vez mais e a pressão no trabalho de Abby está aumentando, e todos de sua equipe chegam a conclusão de que precisam urgentemente se reerguerem, mudando completamente o roteiro criado há muitos anos. Por outro lado, há um tal de Mike Chadway (Gerard Butler), que trabalha em outra emissora, uma tão impopular que nem chega a ser uma concorrente, e seu programa é a grande atração, onde ele faz revelações bombásticas sobre o universo masculino e feminino, entende tudo sobre as atitudes masculinas diante do amor e sabe mais que qualquer mulher o que ocorre na confusa mente delas, isso é o que ele acredita e não hesita ao dizer a verdade nua crua no que diz respeito aos relacionamentos, que na verdade, amor não existe, o homem perfeito que toda garotinha inocente sonha em encontrar, não existe!! Homens querem sexo!! O coração das mulheres está na cabeça e o dos homens...um pouco abaixo!!

Chad passa a ser a salvação do programa onde Abby trabalha, é o novo contratado da emissora e todos passam a apostar em sua honestidade e sinceridade frente as câmeras. Abby o odeia, ela sonha em encontrar o cara perfeito e sabe que um dia isso vai acontecer e vai contra todos os seus conceitos sobre amor e odeia mais ainda o fato de sua carreira depender de seu "profissionalismo", se Chad conquistar o público, o programa continua!


Até que, irritado pela forma como é tratado pela bela moça, ele decide fazer um trato: ela passa a aceitá-lo, deixar de tratá-lo tão mal e em troca ele vai fazer ela conquistar o cara que quiser e em poucos dias, esse felizardo estará aos seus pés. Abby conhece seu vizinho, o homem perfeito, bonito, educado, simpático, inteligente, médico, rico, enfim, tudo o que qualquer mulher sonha em encontrar. Chad começa a ditar as regras do jogo e diz o que é o certo e o que é errado na hora de conquistar o partidão. Abby faz exatamente o que o novo parceiro diz, leva ao pé da letra cada regra ditada. O problema é que as dicas funcionam e o vizinho fica apaixonado por ela. E aos poucos Chad vai se mostrando quem realmente é, e que por trás desse garanhão que entende tudo sobre as mulheres, nada mais é que um cara normal, que assim como muitos sofreu desilusões amorosas, em contra partida, Abby vai se tornando uma expert em relacionamentos, o que deve e o que não deve ser feito para manter o bonitão em suas garras, entretanto, deixando de ser completamente quem ela realmente é, fazendo ele se apaixonar, não por uma bela moça que acredita no amor, que tem seus defeitos e Abby Richter tem vários, e sim por uma mentira, uma mulher perfeita, e isso ela nunca vai ser. Enquanto isso, o cara que mais a conhece, que a conhece de verdade, Chad, vai descobrindo nela, mais coisas em comum do que ambos imaginavam encontrar.

Homens fazem sexo, mulheres fazem amor. Essa já é batida, já foi utilizada em temas de músicas, livros, programas de tv, e principalmente em filmes. Como discutir algo que já foi discutido, argumentado, e já chegado a esta conclusão "brilhante". A verdade nua crua, é que não há padrão, não há definição, quem está a procura de entender a definição do amor, ou da mente dos homens ou das mulheres, está perdendo tempo. E infelizmente o filme não utiliza isso, ficando no de sempre, na mesmice, no estereótipo de mulheres que sonham em encontrar o homem perfeito e o homem que deseja sexo acima de tudo, isso, claro, existe, mas não deve ser colocado como algo que não tem exceções, como algo fixo, como se o ser humano fosse definido tão facilmente. O filme para por ai, não ousa mais que isso, não lança outros argumentos e muito menos uma outra conclusão.


A intensão de discutir a mente dos homens e mulheres, discutir relacionamentos em geral, já ocorreu ainda esse ano, em Ele Não Está tão Afim de Você, não deixando de ser, uma verdade nua e crua, porém, esse longa em questão conseguiu ter mais êxito em seu propósito, não tratando do amor com tanta superficialidade como é tratada no mais recente.

Robert Luketic, como diretor, já fez coisas melhores, ás vezes o filme chega ao patético, oscilando entre o péssimo e o medíocre, outros momentos, porém, oscilando entre piadas de mau humor, no pior estilo de praça é nossa, e o melhor que as comédias românticas hollywoodianas podem oferecer. Sim, há seus momentos bons, piadas ousadas e originais e ás vezes de muito bom gosto. Ha ainda, por mais que extremamente estereotipados, diálogos hilários sobre a guerra entre os sexos.

Como já foi dito anteriormente, o longa é salvo pelo carisma dos atores principais. Katherine Heigl, mais uma vez, ótima, é bela, simpática, se dá bem com as câmeras e conquista o público facilmente, é engraçada, divertida, se encaixa perfeitamente em Abby Richter, sabe mostrar a seriedade de uma mulher no trabalho, a inocência de uma mulher a procura de um homem perfeito, assim com seus pulinhos de felicidade após uma conquista e uma mulher fatal e sensual pronta para soltar as garras e prender sua presa (Ual, me empolguei agora). E Gerard Butler mais uma vez acerta, é hoje, um dos atores mais carismáticos, e percebemos que se diverte com sua personagem, assim, como nós, do outro lado da tela, que facilmente somos fisgados por essa dupla fascinante. Os dois juntos? perfeito!


Sinceramente, quer arriscar nessa comédia boba e sem nenhuma profundidade psicológica? Se quiser, eu dou o maior apoio. Num final de semana onde você deseja desligar o cérebro (sim, para assistir esse filme será necessário) e esquecer de tudo ao seu redor e só dar risada e se divertir com as confusões amorosas desse casal incrível, vale a pena. Se você quiser optar por algo mais inteligente, não pense duas vezes, não assista. Ainda há uma trilha sonora com hits atuais e empolgantes, que ajudam em determinados momentos. Mas pode ter certeza, o filme vai começar péssimo, mas vai crescendo, não é um filme linear, alcança seu clímax, chegando a bons momentos de projeção, com ótimas atuações, sempre. Se o filme foi feito só para divertir, ele consegue.

NOTA: 7

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