sexta-feira, 25 de junho de 2010

Crítica: Toy Story 3 (2010)

Hollywood adora sequências, isso é fato! Algumas são totalmente desnecessárias feitas por somente e nada mais que dinheiro, outras, digamos, que são muito necessárias. E Toy Story se encaixa nesse grupo, mais do que necessário é um filme bem-vindo e a cada segundo que vemos o longa sentimos que era para ser feito, não era uma história para ser deixada de lado! A Pixar mais uma vez fez a coisa certa, resgatou uma das mais criativas e originais tramas de animação já feitas.

por Fernando Labanca

Em 1995, John Lasseter e a Disney Pixar revolucionaram a forma de se fazer filmes infantis: a animação 3D, com a criação de Toy Story, a trama que dava vida a brinquedos, trouxe para as telas aquilo que estava preso na imaginação de todas as crianças. Em 1999, obviamente, devido ao sucesso do primeiro, teve sua sequência, filme carismático, trazendo as mesmas fórmulas que o anterior. Eis que depois de sucessos como "Procurando Nemo", "Carros" e o recente e muito elogiado "Up", a Disney Pixar trouxe novamente Wood, Buzz Lightyear e o grupo de brinquedos de Andy em mais uma aventura, mas dessa vez, com um detalhe, um grande detalhe, que o difere dos demais.


A Trama ocorre dez anos depois do término de Toy Story 2. Agora muita coisa mudou. Andy cresceu e não liga mais para seus brinquedos, já é um moço crescido e está prestes a entrar para a faculdade. Está de mudança e para isso pegou todos os seus brinquedos e colocou numa caixa para deixá-los no porão, ignorando a ideia de sua mãe, que iria levá-los para uma creche. Wood entra em desespero, não se conforma como tudo vai acabar, gostaria que o tempo voltasse e Andy voltasse a dar atenção a eles, diferente de Buzz e todo o grupo que já não ligam mais para as consequências e se acostumaram com seus destinos, o abandono! Entretanto, devido a um incidente, todos os brinquedos acabam sendo levados para a creche e chegam a conclusão de que não é o fim, será só um novo começo, que tudo melhoraria, menos Wood que odeia o fato de ir para uma creche. Até que eles conhecem Sunnyside, o paraíso dos brinquedos.

Na creche, o grupo iniciante conhece Lotso, um urso rosa com cheiro de morango, o grande veterano, que os introduz ao fantástico mundo de Sunnyside. Todos os dias, crianças brincam e dão atenção para todos, e quando elas crescem, elas vão embora, e o que acontece? Outras crianças chegam e o ciclo da diversão nunca acaba, nunca mais seriam abandonados. Mas Wood não acredita nessa teoria, acredita que Andy os quer ao lado dele, mesmo que no porão e foge, abandonando seus amigos. É quando tudo muda, e a creche que aparentemente era o paraíso, se torna o verdadeiro inferno, Lotso e sua gangue colocam Buzz e seus amigos no pior lado de Sunnyside, onde as crianças mais hiperativas brincam e eles descobrem que existe no local uma certa hierarquia que deve ser respeitada, um "governo" manipulador que controla o destino de cada brinquedo, liderado por Lotso.

Na busca de Andy, Wood acaba se metendo em algumas enrascadas e descobre que a creche em que seus amigos se encontram não é o melhor lugar do mundo e percebe que precisa salvá-los. Lotso e sua equipe, que conta com a ajuda de brinquedos como um Bebê gigante e ninguém mais que Ken, o famoso companheiro de Barbie, que aliás, a bela boneca também inicia sua trajetória na creche e acaba fazendo amizade com Buzz e sua turma e claro, se apaixonando verdadeiramente por Ken, que é um metrossexual viciado em roupas. Os veteranos encontram o manual de Buzz e o desconfigura, apagando toda sua memória, além de fazer Rex, o Sr. e a Sr. Cabeça de Batata, Jessie e os outros amigos de reféns. Todos os brinquedos se reúnem e percebem que precisam virar o jogo e arquitetar um plano brilhante para se libertarem e irem atrás de Wood e Andy.

Dessa vez, a direção é de Lee Unkrich, que respeita a boa direção dos filmes anteriores e constrói um filme fantástico em cima do brilhante roteiro de Michael Arndt, o mesmo de "Pequena Miss Sunshine". Toy Story repete muito das fórmulas dos primeiros mais inova em outras, trazendo novos personagens, todos carismáticos e que são muito bem inseridos na trama, além da forma como o filme é conduzido, sempre dinâmico e muito divertido. Somos facilmente levados para dentro da história.

Wood vira herói, Buzz Lightyear está mais engraçado do que nunca, Sr e a Sr Cabeça de Batata enchem a tela com boas piadas, além da genial idéia de fazer com ela perca seus olhos que ficaram no quarto de Andy, e sempre quando ela fecha o olho restante consegue enxergar o que ocorre no quarto. Lotso, o vilão, é interessante, principalmente quando descobrimos que seu ódio teve fundamento. Barbie e Ken são um charme a parte, simplesmente hilário seus momentos, além das boas piadas sobre a sexualidade de Ken, impecável. Todos estão melhores do nunca, e os novos personagens só ajudam a compor essa grande trajetória.

A Trilha sonora é ótima, e fundamental para o desenvolvimento do longa, é todo o tempo, instrumental e brilhantemente inseridas nas horas certas. Nas cenas de ação e aventura, principalmente, a música acaba empolgando bastante. A fotografia é bem utilizada também, a maneira como a creche "Sunnyside" é vista no ínicio é bem colorida e bela aos olhos, diferente de quando todos descobrem o pesadelo que é viver lá, o local passa a ser mostrado com outra perspectiva e a fotografia ajuda nessa identificação, o colocando como um lugar mais sombrio. Vale citar os diferentes cenários que são mostrados, provando o alto nível de criatividade da equipe e sempre com ótima qualidade. A Animação também atinge um nível bem superior aos anteriores, principalmente na parte das texturas dos brinquedos, temos a sensação que podemos sentí-los com os olhos.

Quando o filme acaba é difícil chegar a uma conclusão, confesso. Sim, é o melhor de todos, primeito de tudo. Segundo, um dos melhores da Disney Pixar e terceiro, um dos melhores do ano, sem dúvida. Agora sobre o filme...isso sim é difícil. Toy Story 3 traz vários elementos presentes nos primeiros e isso traz uma boa nostalgia, como falas que marcaram seus personagens. Isto é muito bacana pois é isso que o filme nos quer dizer, tudo aquilo que ficou para trás, aquilo que foi bom e permanecerá para sempre em nossas memórias, seja uma pessoa ou todo um momento, algo que perdemos pela passagem do tempo e dificilmente iremos resgatar. No começo da crítica comentei que havia um detalhe que o difere dos demais, e na verdade, nada mais é que um grande elemente que faz toda a diferença no filme, a emoção, o roteiro caprichou no drama, e temos, digamos, um final de cortar o coração, há um bom tempo não me sentia tão comovido e emocionado após um filme, lágrimas poderão correr fácil em Toy Story 3.

Um filme belo, inteligente, comovente, capaz de contagiar e emocionar os mais insensíveis. Um filme que fala sobre amizade, é claro, e mais do que isso, sobre o sentimento da perda, sobre o passado que não mais retorna. Assistam e não percam sob nenhum pretexto!

NOTA: 10


















Um comentário:

  1. Ahhh...eu quero assistir, será que quando eu voltar pra casa ainda estará em cartaz????
    Muito bom o seu texto...me fez ficar com mais vontade ainda de ver Toy Story..fez parte da minha infância..eu até tenho o VHS do primeiro filme...

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