quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Crítica: Logan Lucky - Roubo em Família (Logan Lucky, 2017)

O diretor Steven Soderbergh (Onze Homens e Um Segredo, Magic Mike) chegou a declarar recentemente que se aposentaria do cinema. Sorte a nossa que ele voltou atrás e decidiu que “Logan Lucky” precisava ser feito. Apesar do tom descompromissado da obra, temos aqui o melhor do diretor em muito tempo, que entrega uma comédia refinada, inteligente e de excelente ritmo.

por Fernando Labanca

Há uma pegada dos Irmãos Coen presente aqui e aquela já conhecida “comédia de erros”. Na tela, acompanhamos a história de um furto gigantesco e que tinha tudo para dar errado, onde a comicidade da situação nasce quando o evento é liderado por dois indivíduos bastante improváveis. Dois irmãos caipiras, Jimmy Logan (Channing Tatum) e Clyde (Adam Driver), que decididos a ter em mãos uma bolada que salvaria suas vidas tão pacatas, se aliam ao bandido Joe Bang (Daniel Craig), especialista em explosivos, para roubar o dinheiro existente nas lucrativas corridas do autódromo local. No entanto, para que o plano seguisse, eles precisariam elaborar um outro plano tão mirabolante quanto...resgatar o tal aliado da prisão.


Tudo aqui é engraçado. E isso é um dos pontos altos do filme. Todas as situações que se desencadeiam geram boas piadas, nunca perdendo a linha, se mantendo em bom nível até o fim. É hilária algumas passagens, que são tratadas com certa seriedade pelo texto, que prova acreditar em tudo o que diz. Aliás, o grande mérito do roteiro é este olhar dócio sobre os acontecimentos e, principalmente, este carinho com que trata seus personagens. Escrito por Rebecca Blunt – que inclusive gerou uma polêmica quando muitos acreditaram se tratar de um pseudônimo e que a roteirista jamais existiu -, o filme torce pelos indivíduos que retrata e como consequência, nós, como público, criamos uma empatia forte por eles, acreditamos em suas ações, por mais estúpidas que sejam, e ficamos na esperança de que tudo dê certo. Sem querer dividi-los entre vilões e mocinhos, torcemos pelos subalternos, por aqueles que estão sempre por baixo. O belo final, que ainda entrega uma ótima sacada, consegue humanizar todos eles. “Logan Lucky” tem a seu favor este fantástico roteiro, que cresce e que se desenvolve incrivelmente bem durante seus minutos.

O elenco surge em perfeita sintonia. Channing Tatum surpreende, desde sua postura à seu sotaque, e entrega uma performance notável. Sua parceria com Adam Driver, que está construindo uma bela carreira nos cinemas, funciona. Os coadjuvantes estão excelentes e o diretor parece extrair o melhor de cada um, principalmente quando vemos em cena um renovado Daniel Craig e uma Katie Holmes como nunca se viu antes. Sebastian Stan e Riley Keough continuam como apostas altas de Hollywood e aqui não decepcionam. Temos ainda uma aparição surpresa de Hilary Swank e isso por si só já é incrível.

“Logan Lucky” é um dos filmes mais divertidos deste ano. Uma comédia descompromissada, mas ainda assim, inteligente, bem escrita e bastante honesta. Parece até raro encontrar obras como esta, que trazem histórias mirabolantes, cheias de detalhes e guiadas por excelentes personagens. Me senti preenchido enquanto o assistia, com um sorriso tonto no rosto vendo tudo aquilo acontecer, talvez por que Soderbergh é veterano no cinema e não precisa mais provar muita coisa. Ele sabe o que faz e faz como ninguém, faz bem feito e não precisa enganar seu público, entregando exatamente o que propôs, entretenimento puro. A grande surpresa é que o que acabamos encontrando é mais do que isso. Soderbergh não tem a pretensão de ser, mas ainda faz cinema de qualidade. De altíssima qualidade, aliás. 

NOTA: 8,5


País de origem: EUA
Duração: 119 minutos
Distribuidor: Diamond Films
Diretor: Steven Soderbergh
Roteiro: Rebecca Blunt
Elenco: Channing Tatum, Adam Driver, Daniel Craig, Riley Keough, Katherine Waterston, Seth MacFarlane, Sebastian Stan, Katie Holmes, Hilary Swank




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