segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Crítica: O Livro de Henry (The Book of Henry, 2017)

Quando pequenas ideias resultam em grandes filmes. 

por Fernando Labanca

O diretor Colin Trevorrow começou sua empreitada no cinema com o singelo e independente Sem Segurança Nenhuma (2012). Um primeiro passo interessante de quem, nitidamente, tinha muito o que dizer. Seu sucesso veio rápido e logo tomou frente da sequência de Jurassic World (2015). Distante do blockbuster, "O Livro de Henry" é uma obra menor, quase como um retorno às origens, mas ainda assim de grandes ideias. 

O filme é, praticamente, dividido em duas partes, separadas por um evento desolador e que transforma a vida de seus personagens. É curioso porque no começo não compreendemos aonde a trama pretende chegar ou o que tudo aquilo pretende nos dizer. Quando a reviravolta chega, ao mesmo tempo que nos surpreende por levar o filme para uma direção não prevista, também traz sentido a obra. O lado ruim disso é que a primeira parte é melhor, perdendo o fôlego ao seu decorrer, mesmo que entregue um bom final. Outro ponto negativo é que quando o longa revela suas verdadeiras intenções, acaba prometendo um desfecho grandioso que nunca chega, suas ações são belas mas são finalizadas com muita simplicidade.  




"- Violência não é a pior coisa no mundo.
- O que é, então?
- Apatia"


No filme, Susan (Naomi Watts) é mãe solteira de duas crianças, viciada em vídeo games e que conta com a ajuda do filho mais velho, Henry (Jaeden Lieberher), para cuidar das burocracias da casa. Ele, por sua vez, é uma criança dotada, um pequeno gênio que usa seu tempo livre para algumas invenções, além de ser o pilar maduro que a família tanto precisa. Esta estrutura perfeita, porém, é abalada quando ele é diagnosticado com um tumor. Antes que algo de pior aconteça, Henry decide colocar sua última invenção em prática, escrever um livro para salvar sua vizinha (Maddie Ziegler) dos abusos de seu padrasto (Dean Norris).


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Acima de qualquer coisa – ou de qualquer defeito que a obra venha a apresentar – existe algo em “O Livro de Henry” muito forte, algo especial que o torna, de certa forma, único. Há uma comoção presente nas cenas que faz com que cada um desses instantes sejam doces e sutilmente delicados. Me emocionei em diversos momentos, até mesmo nos mais simples e corriqueiros. O texto é inspirado e encanta por esta beleza que traz a seu universo tão peculiar. E nestes pequenos detalhes, percebemos suas boas intenções e como ele conversa tão bem com os de hoje. Nos dias em que pessoas são abusadas e sofrem caladas, nos dias em que vítimas e abusadores vivem ao nosso redor, estão diante de nossos olhos. Nos dias que a crueldade nos cerca e que acaba sendo mais fácil dizer um "deixa para lá, não é nossa vida". É doloroso quando Henry, uma criança, compreende que está em suas mãos salvar o mundo e não mais viver nesta desesperadora indiferença que tanto vê nos outros. 

A presença de Naomi Watts é fantástica, emociona e convence na pele desta mulher tão envolvida com seus filhos. O elenco mirim é o grande destaque da obra, onde tanto Jaeden Lieberher e Jacob Tremblay (por que tão fofo?) surpreendem em cena, entregando atuações incrivelmente sólidas. Há uma interessante surpresa aqui, a performance de Maddie Ziegler, conhecida por interpretar as canções de Sia em seus cliples, surge contida, mas entrega uma sequência poderosa onde dança e diz muito com seu silêncio e seus movimentos. Outro acerto é a belíssima trilha sonora composta por Michael Giacchino. O fim, como disse anteriormente, ainda que emocione, deixa um pouco a desejar, no entanto, no geral, se trata de um filme adorável, sensível e bastante tocante – sim, preparem os lenços! -, que nos pega de surpresa com seu desenvolver e suas boas reviravoltas. 

NOTA: 8



País de origem: EUA
Duração: 105 minutos
Distribuidor: -
Diretor: Colin Trevorrow
Roteiro: Gregg Hurwitz
Elenco: Naomi Watts, Jacob Tremblay, Jaeden Lieberher, Dean Norris, Sarah Silverman, Lee Pace, Maddie Ziegler




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